quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

França: "É cedo para responsabilizar grupos islâmicos pelo ataque em Paris", diz professor


Para Reginaldo Nasser, os preconceitos com os imigrantes podem aumentar e reforçar um sentimento nacionalista; Ataque de três homens armados ao jornal parisiense deixou ao menos 12 mortos

A manhã desta quarta-feira (7) começou tumultuada após um ataque à redação da revista satírica francesa Charlie Hebdo. De acordo com a polícia, três homens encapuzados invadiram o local e mataram ao menos 12 pessoas: dez jornalistas e dois policiais.

O professor de Relações Internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser acredita que o ataque terrorista tenha sido muito bem planejado e que era direcionado a matar um pequeno grupo de pessoas.

“Pela escolha das armas, já se pode observar que o ataque era direcionado. Uma bomba, por exemplo, pode matar muito mais pessoas e não era isso que eles tinham planejado. Outro aspecto é que o ataque foi muito bem organizado, por algum grupo que tem força e estratégia pra isso. Não foram só três pessoas que foram lá e resolveram que iria matar os jornalistas”, explicou.

Nasser também destaca que, de acordo com os vídeos disponíveis na internet, os terroristas agiram com muita tranquilidade e isso expõe falhas gravíssimas no sistema de segurança francês. 

Os responsáveis 

A revista é conhecida por seu humor ácido e provocativo. Em 2011, publicou a polêmica charge de Maomé e, em sua última edição, estampou em sua capa uma sátira ao nascimento de Jesus Cristo. Após o ataque, rapidamente começaram a surgir insinuações de que grupos islâmicos estariam por trás da tragédia por conta da sátira do profeta Maomé publicada pelo jornal. 

O professor diz que é preciso tratar o assunto com muito cuidado para não chegarmos a conclusões precipitadas, pois elas podem custar caro. “Temos que investigar agora quais são os responsáveis. Claro que pode ser grupos islâmicos, mas não podemos excluir, por exemplo, a possibilidade de ser um ataque da extrema-direita francesa, como foi na Noruega anos atrás”, ponderou.

Significados políticos

A extrema direita europeia vem ganhando cada vez mais adeptos por todo o continente. Com um discurso xenófobo, anti imigração e ultra-nacionalista, ganham simpatia em tempos de crise econômica europeia. Na França, Marine Le Pen é a principal figura desse pensamento e é a favorita para vencer as eleições em 2017.

“Há de fato uma situação conturbada na França e que vai piorar a partir de agora, os preconceitos com os imigrantes podem aumentar e reforçar um sentimento nacionalista. Le Pen é a representante de um pensamento xenófobo no país. Mas temos que esperar ainda pra ver quais serão dos desdobramentos quando se descobrir os culpados”, encerrou.


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