sábado, 31 de janeiro de 2015

Escolas estaduais de São Paulo: sem papel higiênico nem água, mas Lei da Mordaça permanece viva e atenta



Hoje cedo vi a capa do jornal popular paulistano Agora SP, que dizia com bastante destaque: "Escolas do Estado fecham salas de aula" [ ver imagem ao lado].

Que marota essa redação usada para contar o fato! Quem fechou as tais salas de aula em São Paulo foi O GOVERNO ESTADUAL! Não foram as "escolas do estado" que as fecharam! Omitiram o autor e inverteram o papel, dando a entender que A VÍTIMA é a causadora do problema.

Como é de praxe aqui em São Paulo, os jornais - a imprensa em geral - redigem as notícias sempre de modo a poupar o governo tucano que já está de plantão como nosso algoz nos Bandeirantes desde 1994, sem pausa pra respirar! E tanto imprensa como tucanos não abrem mão do osso! Claro que se o sujeito que observar a capa for o comum "leitor de manchetes", ele passará batido, capaz de reclamar das escolas, não do governo estadual. Nesse caso, o jornal terá cumprido sua missão. Se, ao contrário, o sujeito for um pouquinho mais curioso, saberá que MAIS UMA VEZ o governo é acusado de fechar salas de aulas e superocuparem as salas que restarem. A medida deve ser para economizar, não precisar contratar mais professores. Isso, na orgulhosa e bandeirante terra do apagão educacional continuado que, desde 1998 mais ou menos, adotou uma forma de progressão continuada que, concretamente, demonstrou ser mesmo uma ignorância continuada, apelido carinhoso dado pelo ex-governador Quércia

A APEOESP diz que várias destas salas terão 50 ( sim, você leu certo: são cincoenta alunos ) alunos, e não é preciso ser um pedagogo para sacar que tal quantidade torna impossível aos professores dar aula e aos alunos aprender decentemente. Como um professor dará atenção adequada e individual a tanta gente? O governo, como sempre foi a regra, escapou pela tangente, com a velha e tradicional desculpa de que "a cada ano realiza uma readequação das salas de acordo com o número de alunos matriculados". Ou seja, ele diz que dá as vagas conforme a "demanda". Oras, se existem 50 alunos e eles cabem numa sala de aula, é óbvio que a turma podia ser dividida em duas de 25. Há demanda, está provado. O problema é que os tucanos querem pagar apenas um professor em vez de dois.

( De repente eu lembro de uma das demandas genéricas da "revolução de junho de 2013", quando o gigante exigiu "mais educação". Está provado que ele sequer sabia o que significava a tal "mais educação"que dizia querer)

A GASOSA NOSSA DE CADA DIA

Enquanto ia me perdendo nessas elucubrações, quase deixava de comentar que outras pessoas que estavam lendo as mesmas capas de jornais passaram longe da questão das salas de aulas fechadas, preferindo reclamar do preço da gasolina. Como sempre, esquecem que quando o petróleo teve altas sucessivas no mercado o governo NÃO REPASSOU ESSES AUMENTOS PRO CONSUMIDOR. Em 10 anos, se tivemos três ou quatro reajustes foi muito. As pessoas não sabem, esquecem, fingem esquecer. Tem de todo tipo. Mas das salas de aulas, repito, ninguém falou. Melhor mesmo ninguém falar nada, pois com certeza culpariam a "educação do país" em vez da "educação em São Paulo". A mídia fez bem seu serviço, e a produção de midiotas vai de vento em popa.

LEI DA MORDAÇA

Ao comentar essa notícia com uma amiga, ela completou o quadro, dizendo [ sobre o governo estadual ]: "Fechou salas, extinguiu funções, zerou as contas bancárias das escolas. Saldo: professores desempregados e escolas sem $ nem pro papel higiênico muito menos pro sulfite."

Eu brinquei, dizendo que era pior do que eu tava falando. Ela não discordou, mas lembrou: " Ahhh esqueci que não podia me pronunciar... Segundo a legislação, eu como funcionária pública, não posso falar mal do governador nem sobre a situação em que a educação se encontra."

Perguntei se ela se referia à Lei da Mordaça que eu já tinha ouvido falar, mas julgava superada ou extinta. Sua resposta foi: Pois é... Me fizeram lembrar dela no primeiro encontro de professores do ano, colocando num folder entregue a todos. [ ela me mandou cópia, ver abaixo ]

Isso me deixou meio perplexo. Sério mesmo? Primeira reunião de professores do ano, e governo faz divulgar seu voto de "Boas Vindas", na verdade um Index Prohibitorum, desde logo mostrando que não haverá tolerância aos reclamões e quem quiser que pegue seu boné. Primeiro dia, já pensaram, e tá lá a "carta de intenções", já se antecipando às possíveis e prováveis insatisfações. Olha o clima que os professores enfrentam. Por levar a sério a questão, fiz o possível para passar estas informações a meus leitores sem dar chance de identificarem minha amiga.


Governo de São Paulo não quer saber de #mimimi de professor mal-remunerado

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