Monitor5_728x90

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Elogio da loucura, Por José Luís Portella



O ataque aos pontos corridos

1- Novamente o campeonato por pontos corridos está na berlinda. O argumento de plantão para derrubá-lo e introduzir o mata-mata, sempre psicodélico, ancora-se na correção da desigualdade.
Segundo os seus defensores, como a distribuição das cotas de TV é desequilibrada ( e injusta ), voltemos ao mata-mata para acabar com a suposta impropriedade.

2- É a linha: dobre o erro para corrigir o defeito. Ou seja, como existe um erro na divisão das receitas, introduz-se outro, um campeonato que excluirá 60% ( com 8 finalistas ) ou 80% ( com 4 finalistas ) dos times um mês antes do término da temporada para equilibrar o jogo. É o elogio da loucura. O campeonato por pontos corridos existe em primeiro lugar para dar a possibilidade de todos os times jogarem o ano todo. E com isso terem mais receita e previsibilidade. Se 12 ou 16 times jogam um mês a menos eles faturarão por 9 meses e pagarão 13 folhas com o décimo-terceiro obrigatório. Mais dois eliminados na rodada seguinte jogariam 9 meses e uma semana. Só os 2 finalistas completariam os 10 meses possíveis, já que um é de férias e outro de pré–temporada. Isso já aconteceu com o Botafogo e ajudou-o a afundá-lo.
Seria bom que os arautos indicassem quem se dispõe a pagar as folhas restantes dos clubes que ficarão alijados.

3- Não ocorreu ao atual presidente do Grêmio propor um modelo novo de distribuição da receita de TV. E também não lhe cometeu seguir o exemplo do Cruzeiro para igualá-lo ou superá-lo, apostando na competência. Melhor sempre é tirar uma ideia da cartola que foi o que aconteceu de 1971, início do Brasileirão, até 2002, quando nunca se repetiu uma fórmula de disputa, porque a cada ano aparecia uma nova brilhante ideia como a do presidente do Grêmio. Ele faz grudar no Tricolor gaúcho a imagem de “time de outrora”. Como não ganha Brasileirão desde 2001, voltemos ao passado.

4- Aliás, os times que mais recebem da TV são Flamengo e Corinthians, que, ao que se sabe, não foram campeões. Depois deles vem o São Paulo. Quer dizer, na prática, o Cruzeiro prova que a tese da concentração de receitas pode ser descabida. A Raposa venceu os campeões de bilheteria sem precisar do mata-mata. Deveria inspirar os outros. Os clubes podem lutar por uma nova divisão, nada contra. O que não podem é utilizar este argumento para introduzir algo que piora o desequilíbrio e a injustiça.

5- Mata-mata já existe na Copa do Brasil, na Libertadores e Sul-americana. E em parte dos estaduais. Pode ocorrer o ano todo. Introduzir outro, além de debilitar ainda mais os clubes que estão em crise financeira, é uma forma de destroçar o pouco que se tem de organização em nosso futebol.

6- Na Europa, clubes disparam na ponta, vencem campeonatos antecipadamente e ninguém cogita acabar com os pontos corridos. Porque são sensatos. Sabem que o equilíbrio e a base da festa é a previsibilidade. No Brasil, quem não vence, planta uma nova jabuticabeira.

7- Erasmo de Rotterdam escreveu a obra-prima “Elogio da Loucura”. Nela, introduz a Deusa Loucura, responsável pela felicidade universal.
No ensaio, ela trabalha para dar prazer e alegria ao mundo, sobretudo aos preguiçosos que não querem pensar.


.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe