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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Duas de Lógica


PRIMEIRA

Certa vez um pesquisador em seu laboratório pegou uma aranha treinada, que ao ter o comando de pular, pulava, então ele arrancou uma pata da aranha e ordenou que pulasse, ela pulou e ele anotou em sua prancheta, “a aranha com sete patas pula”. Arrancou novamente outra pata repetiu o processo, tornou a anotar em sua prancheta “aranha com seis patas pula”, e foi assim até que arrancou todas as patas, ordenou mais de três vezes que a aranha pulasse, a aranha não pulou, então concluiu sua pesquisa “a aranha sem patas fica surda”. ( AUTOR DESCONHECIDO )

SEGUNDA

Mentiras verdadeiras, verdades mentirosas?
Eric Nepomuceno

Em tempos de meias-verdades e mentiras inteiras, de omissões insuspeitas e vaidades insuportáveis, não posso continuar calado sobre dois momentos especiais da minha vida. Quero deixar claro que não sou oportunista: não contei antes o que conto agora por respeito à intimidade, a minha e a das moças envolvidas. Além disso, por serem duas figuras públicas (aliás, por uma delas continuo sentindo irrestrita admiração). E também por modéstia.
Antes de revelar o que até agora guardei no mais absoluto segredo, confesso que careço de provas materiais. Jamais apelaria para recursos como fotografias, gravações de vídeos ou de fitas com os sons que surgiram, espontâneos, enquanto acontecia o que aconteceu. Mas vamos lá:
1) Aos meus 15 anos, aprendiz da vida, tomei um banho inesquecível com Brigitte Bardot, que estava no apogeu. Depois que saímos do banho, inebriados os dois, notei que ela, com aquela falsa e endemoniada ingenuidade que era sua marca mais fascinante e mortal, passou a não me dar importância. Não tornei a chegar perto dela (aliás, nem tentei). Pensando bem, aquele banho até que foi um tanto agitado e fugaz. Mas minha vida nunca mais foi a mesma.
2) Aos meus 38 anos, meio cansado de tanta aventura, no Aeroporto do Galeão olhei Malu Mader nos olhos e, com calma e frieza, disse a ela que não. Em voz baixa, pedi que continuasse o seu caminho e me deixasse seguir o meu. Malu começava a mostrar-se no apogeu que dura até hoje, estava queimada pelo sol de um verão inesquecível, os cabelos presos com displicência num rabo de cavalo, os ombros deixados livres pela camiseta branca. Recordo, nítido, meu esforço para ser firme na hora de dizer que apreciava profundamente seu interesse, mas que não iria com ela.

Essas são verdades absolutamente verdadeiras.

Claro que haverá o batalhão dos maldosos de sempre, prontos para duvidar. Elas e eu, em todo caso, sabemos que tudo isso aconteceu. Talvez deva acrescentar alguns pequenos detalhes que só confirmam o que guardo no melhor das minhas memórias:

1) No verão de 1964 meu pai me levou, numa velha Rural Willys, para conhecer Cabo Frio. De lá seguimos, numa estrada que era uma seqüência formidável de obstáculos, até Búzios. Fascinados pela beleza, paramos numa praia deserta. Corri e mergulhei, nu, naquele mar perfeito. Saí inebriado. Pouco depois, num almoço tardio, meu pai me contou que na mesma hora e na enseada vizinha Brigitte Bardot havia nadado exibindo, sem nenhum recato, sua nudez desaforada. Estávamos nus, era o mesmo mar, a mesma água. Ou seja: o mesmo banho, é lógico.
2) Em janeiro de 1987 eu chegava de volta ao Rio depois de 20 longos dias passados em Manaus, escrevendo o roteiro de um documentário sobre o Amazonas. Viajava com um ator amigo. Malu Mader estava no Galeão. Meu amigo nos apresentou e ela, cordial e belíssima, me ofereceu uma carona. Quando contei que morava em São Conrado, notei em seus olhos a passagem fugaz de uma ínfima contrariedade: teria de fazer um longo desvio. Agradeci, disse que não se preocupasse e fui embora de táxi.
Esses são os tais pequenos detalhes, mas é claro que jamais me importei com eles. Afinal, o que aconteceu, aconteceu. E de verdades como estas é feita a história neste país de anjos imaculados. Ou não?

Jornal do Brasil
21/JUN/2005


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