sábado, 3 de janeiro de 2015

Consumo consciente - Como ficar alerta para os truques do comércio e preservar a saúde do bolso.


Funciona assim: o salário vem e naturalmente dura pouco. Numa casa ou apartamento pequeno, onde moram duas pessoas, gastos mensais com água/condomínio, luz e telefone podem variar entre R$350,00 e R$700,00, dependendo da região. Essas contas, por si só, já são suficientes para desequilibrar o orçamento da casa, mas não há como escapar delas, são fundamentais para que se viva com certo conforto.

Agora, some essas contas com gastos desnecessários com materiais supérfluos, que não têm nenhuma importância na vida do consumidor. Aí temos uma bela dívida.

Táticas de lançamentos
Cláudio Boriola, fundador e presidente da Boriola Consultoria, não se conforma com a mania de consumismo que o brasileiro não perde: “Vejo diariamente clientes que por causa de vários pequenos gastos com itens desnecessários ficam endividados até o pescoço. Alguns dias depois, aparece um amigo, indicado pelo primeiro endividado, na mesma situação!”

“O consumismo é uma ‘falha’ do ser humano impulsionado pela indústria. Podemos perceber isso claramente por ocasião do lançamento de produtos eletro-eletrônicos, entre outros”, continua Boriola, que observa o movimento do mercado: “Basta repararmos nas táticas de lançamento de um aparelho celular, por exemplo. Propagandas e promoções enchem os olhos do consumidor e inundam seu e-mail, como se aquele produto fosse deixar de ser vendido na semana seguinte”.

Gastar nisso para quê?
Realmente, podemos facilmente pensar em alguns casos que são intrigantes. Para quê uma pessoa que quase não sai de casa vai comprar uma máquina fotográfica digital, de última geração? Como aderir a essa febre de mp3 players portáteis se a pessoa não tem computador em casa, para carregar o aparelho de músicas? Ou então, para quê comprar um mp4 player, que tem suporte para vídeo, se não tem uma conexão de internet com banda larga em casa para fazer o download de clipes e afins?

Comprar é ato que muitas vezes dá prazer e pode garantir até certo status, mas a compra feita de forma compulsiva se transforma em patologia. A psicologia faz alusão entre o comprador compulsivo e o viciado em drogas ou em jogos: o prazer que o ato proporciona é mais forte que as conseqüências negativas, por isso o compulsivo tende a repeti-lo. “Quando o comprador acorda para sua realidade já está endividado, precisando de ajuda financeira”, lamenta Boriola.

É necessário também distinguir o comprador por impulso e o compulsivo. Todos agimos por impulso pelo menos uma vez na vida. Aquele seu sonho de consumo está ali, ao alcance das suas mãos (física e financeiramente falando)... Você vai lá e compra! Já o que age compulsivamente, não tem limites. É daqueles que compram e quando chegam em casa se perguntam: “Porquê e pra quê eu comprei isso mesmo?” O ato de comprar é sua droga, seu jogo.

Procurar consultor e psicólogo
Nesse labirinto em que a mente entra, empreendimentos e relacionamentos vão por água abaixo. “Além do auxílio de consultores, o comprador compulsivo também necessita de tratamento psicológico urgente. E é muito mais difícil curar a mente e o bolso ao mesmo tempo”, conclui Boriola.

Caso você esteja nessa situação ou conheça alguém que esteja, procure fugir das soluções fáceis. O caminho é dolorido, mas precisa ser seguido.

Se se você é comprador e devedor compulsivo
Responda e confira o resultado no final do questionário.

Suas dívidas fazem com que sua vida caseira seja infeliz?
Você acaba distraído de suas atividades diárias devido às dívidas?
As dívidas estão afetando sua reputação?
Você tem baixa auto-estima por causa das dívidas?
Alguma vez você deu informações falsas para obter crédito?
Alguma vez você fez promessas que sabia não iria cumprir para os credores?
A pressão de estar endividado faz com que você seja negligente com relação ao bem estar da família?
Você tem medo que seu empregador, família ou amigos saibam de seu grau de endividamento?
Diante de uma dificuldade financeira a possibilidade de levantar financiamento lhe traz sentimento de alívio?
Você tem dificuldades para dormir devido às dívidas?
Já pensou em se embebedar para esquecer dívidas?
Você já pediu dinheiro emprestado sem levar em consideração juros cobrados?
Em geral você espera resposta negativa quando faz pedido de financiamento?
Alguma vez você desenvolveu plano de quitação de dívidas, mas o abandonou ao primeiro sinal de dificuldade?
Você justifica as dívidas pensando que é melhor que os outros e pode sair desta situação assim que melhorar um pouco?

Caso tenha respondido a mais de oito perguntas com “sim”, não significa exatamente que seja comprador compulsivo, mas é bom que reveja seus conceitos.

Cláudio Boriola é consultor financeiro, conferencista, especialista em Economia Doméstica e Direitos do Consumidor. É também autor do livro Paz, Saúde e Crédito - Editora Mundial e do Projeto para inclusão da disciplina "Educação Financeira nas Escolas”.


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