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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Na Band, demagogia não dá sossego nem na véspera de Ano Novo


Tentando tomar uma cervejinha na padaria. Na TV o Luis Bacci. TV sintonizada na Band é garantia de ressaca até em abstêmio.
Primeiro, a reporter lindinha - chlep! - mostrando o caos num hospital sei lá onde. 
Filas, calor, macas, falta de médico, " a saúde pública no Brasil"... Como de praxe, expondo os funcionários, NUNCA OS RESPONSÁVEIS.. Gente "morrendo" nos corredores. De repente, a gênia decide ligar para...a polícia. Em vez de ligar para o governador, o prefeito ou os secretários municipal ou estadual ( não lembro bem a quem o tal pronto-socorro está subordinado ). A demagogia de sempre. O policial diz que - óbvio, sua anta - aquilo ali não era caso de polícia. Mesmo admitindo que o médico de plantão tinha que se desdobrar, a mal-intencionada reporter - e a rede de TV que paga seu salário - faz a habitual reclamação vaga, abrangente e universal, mas no fim das contas quem pareceu o vilão da história são os funcionários do pronto-socorro.

Em seguida, a demagogia-mor. Lembrem que estamos falando da Band, a emissora que dá guarida ao maior justiceiro linchador televisivo do país, o Datena. 
A reportagem lembra do caso no Guarujá, da mulher acusada de praticar magia negra e matar crianças em rituais.
Ela foi linchada por cerca de 200 pessoas e cenas da festa ( sim, foi isso mesmo ) foram filmadas por participantes. Um dos casos mais estarrecedores que já tivemos nesse país, pela selvageria, pela injustiça, pela modernidade ( um site "vigilante" foi o disseminador da falsa notícia que acarretou no homicídio ), pelo sadismo prazeroso dos participantes do festim de chacais. Algo que o Brasil jamais deveria esquecer.
E a hipocrisia "consternada" ( "Queremos justiça" o MESMO MOTE USADO PELOS LINCHADORES ) foi lá bater às portas do viúvo, como se a prática do justiçamento televisivo indutor não tivesse nada a ver com aquilo.
Claro que o Datena não apontou um revólver na cabeça do sujeito que sentou uma viga na cabeça da vítima - que, àquela altura, mais parecia um inanimado e indefeso boneco de Judas - mas dispondo de tanto espaço e tempo para pregar seu catecismo do ódio, no qual "nada no Brasil funciona" ( ou seja, nesse "nada" inclui a polícia e a justiça e assim, portanto, subjazia a idéia de que a "feiticeira" sairia livre e que seria justificável ao pobre cidadão comum resolver a parada, inda mais se esse cidadão comum tivesse um "Dexter" latente dentro de si ), seria óbvio que essa conversa cedo ou tarde resultaria num caso desses.

Tenham um excelente 2015.

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