sábado, 6 de dezembro de 2014

Males de nosso tempo: uso abusivo de telefones celulares



Cyberpsicologia
Comunicação viciante
A popularização dos aparelhos celulares traz, como consequência, além dos reconhecidos benefícios tecnológicos, problemas gerados pela utilização abusiva desse tipo de equipamento, o que pode causar dependência

Por Igor Lins Lemos


O uso dos celulares é uma realidade há algumas décadas, mas apenas nos anos 90 esses aparelhos passaram a ser comercializados no Brasil e com utilidades completamente obsoletas em comparação aos modelos atuais. Atualmente, esses recursos móveis são atrativos no processo de comunicação, seja pela possibilidade de acesso às redes sociais (Facebook), a aplicativos diversos (Instagram, Whatsapp), a websites, aos jogos eletrônicos e, por fim, às chamadas telefônicas.

Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) revelam que o Brasil, no mês de julho de 2014, alcançou a marca de 276 milhões de celulares. Este número é, notavelmente, superior ao pouco mais de 200 milhões de habitantes no País, de acordo com resultados de agosto de 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE ). Estes números impressionam e demonstram a popularização do uso de aparelhos móveis, presentes nas mais variadas faixas etárias. Desta forma, questiono: será que a rápida ascensão gerou uma adaptação saudável dos brasileiros ao uso deste recurso eletrônico? De maneira mais específica: é possível que uma parte da população utilize os celulares de maneira abusiva?

Antes de ressaltar a dependência de celular, é primordial revelar outros efeitos negativos. Mazaheri e Karbasi (2014) comentam que o usufruto destes aparelhos pode levar a: a) tumores cerebrais (especialmente em usuários que utilizem de maneira excessiva); b) a radiação pode gerar modificações na regulação genética; c) o uso abusivo pode estar relacionado a dores no pescoço, ombros e costas, assim como problemas na visão; d) o uso problemático de celulares pode estar, também, associado ao uso de álcool na adolescência e ao aumento do peso corporal.

Uma das consequências negativas do uso de celulares é o distúrbio do sono. Esta relação é explicada pelo aumento da excitação do usuário, enquanto utiliza o aparelho, comumente diminuindo o tempo de descanso

Sansone e Sansone (2013) ressaltam que o uso de celulares pode aumentar o estresse pessoal. Um estudo realizado com mais de 100 sujeitos, no Reino Unido, revelou que os participantes da pesquisa se perceberam ansiosos com as checagens compulsivas de novas mensagens, alertas e atualizações no seu aparelho móvel. Outra consequência negativa do uso de celulares é o distúrbio do sono. A relação é explicada pelo aumento da excitação do usuário, enquanto utiliza o aparelho, comumente diminuindo o tempo de sono. Por fim, os autores ainda trazem uma temática contemporânea relacionada ao uso dos celulares: o cyberbullying. Os aparelhos, nesse fenômeno, podem ser utilizados como forma de gerar desconforto emocional ao seu alvo, seja pelo uso de vídeos ou imagens.

Diversos são os problemas vinculados ao uso dos celulares. Entretanto, um ponto revela-se tão preocupante quanto os anteriores: o aspecto de ser uma possível dependência. A literatura científica não apresenta consenso se o uso desadaptativo pode ser considerado uma dependência, diferente do transtorno do jogo pela Internet, já relatada na sessão III do DSM -5. De acordo com Sansone e Sansone (2013), pesquisadores têm concentrado seus esforços no reconhecimento deste fenômeno como um possível transtorno psiquiátrico. Algumas justificativas para isso são: o tempo excessivo despendido no usufruto, problemas em relacionamentos interpessoais, interferência nos resultados acadêmicos e em atividades pessoais, aumento do tempo para obter o mesmo nível de gratificação alcançada anteriormente e dificuldade de lidar com alterações emocionais, quando o usuário é impedido de utilizar o celular. Outras consequências, ainda, são mencionadas: os usuários que utilizam de forma desadaptativa são mais deprimidos, apresentam maior ansiedade e menor autoestima. Infelizmente, poucos são os instrumentos para mensurar o uso problemático, nenhum deles validado no Brasil: a Mobile Phone Problem Use Scale, a Cell Phone Addiction Scale e a Cellular Phone Dependence Questionnaire.

Um importante fato é que, diferentemente da dependência de jogos eletrônicos, na qual os estudos epidemiológicos, em âmbito mundial, demonstram que os homens são dependentes em maior quantidade, na dependência de celular os dados são distintos, havendo uma equivalência ou mesmo, em alguns estudos, um predomínio da dependência nas mulheres. Os dados etiológicos, de neuroimagem e de tratamento ainda são insuficientes. Por fim, a Terapia Cognitivo-comportamental é revelada como uma estratégia satisfatória no tratamento das dependências tecnológicas.

Uma reflexão que deve creditar é: o uso dos celulares está nos aproximando ou nos transformando em ilhas? A tecnologia é neutra. Porém, ela poderá ser utilizada como uma facilitadora na resolução de compromissos cotidianos ou mesmo para tornar-se uma estratégia compensatória (escapismo), que se torna cada vez mais destrutiva e nos robotiza.

Referências:

MAZAHERI, M.A.; KARBASI, M. Validity and reliability of the Persian version of mobile phone addiction scale. Journal of Research in Medical Sciences, v. 19, n. 2, 2014.

SANSONE, R.A.; SANSONE, L.A. Cell phones: The psychosocial risks. Innovations in Clinical Neuroscience, v. 10, n. 1, 2013.

Igor Lins Lemos é doutorando em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), especialista em Terapia Cognitivo-comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE), docente na Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS). Possui graduação em Psicologia Cognitivo-Comportamental. É palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas

PSIQUE CIÊNCIA&VIDA


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Linhas com 3G explodiram em três anos na área do código 11; preocupados com a dependência do celular, médicos do Hospital das Clínicas estudam criar laborátorio no próximo semestre 

Breno Rotatori/Folhapress

Cassiano Yamamoto, 31, e a mulher, Pamela Marquez, 27

ELVIS PEREIRA E PATRÍCIA BRITTO

O analista de comunicação Thiago Iamnhuque, 26, sente-se nu às vezes, mesmo vestido. Isso acontece quando ele está sem os 178 gramas do smart-phone, que é, hoje, praticamente uma extensão da sua mão. "Soa até um pouco ridículo, mas faz parte do meu dia a dia", diz ele, que não se imagina mais sem esse "pedaço" do corpo.

A vida de Thiago integrou-se de forma acelerada à internet do celular assim como a de milhões de paulistas. Atualmente, 20% dos 33 milhões de chips habilitados na área de código 11 -que, além da capital, abrange 63 municípios do Estado- têm tecnologia 3G, segundo a Anatel. Há um ano, essa fatia beirava os 9% e, em 2009, resumia-se a 1%. A alta em três anos foi de 1.635%. A invasão dos smartphones mexeu com a cabeça dos paulistanos e com a rotina na cidade. É só olhar em volta: no trânsito, na reunião de trabalho, nas calçadas, nas salas de espera de hospitais, nos banheiros, nos restaurantes, na balada, na fila do supermercado -discretos ou não, muitos estão vidrados na telinha do celular.

Em comparação com o aparelho convencional, o smartphone, com mais atrativos, cria uma relação mais intensa com o dono, às vezes até de dependência. Esse comportamento já está chamando a atenção de psicólogos e psiquiatras, que tentam definir a barreira entre excesso e normalidade. 

"Começam a pipocar casos preocupantes de relação absurdamente descontrolada", diz Cristiano Nabuco, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. "Uma paciente de 17 anos pegou um voo para Ilhéus (BA) e, quando chegou lá, se deu conta de que estava sem o telefone", conta. "Ela teve crise de abstinência, começou a chorar. Só saiu [do aeroporto] quando a mãe mandou o aparelho, em outro voo."

Nabuco revelou à sãopaulo que coordena estudos sobre o tema para estruturar no instituto, no próximo semestre, o primeiro serviço de atendimento voltado para dependentes de celular no país (leia mais à pag. 42). No Rio, a psicóloga Anna Lúcia Spear King, da UFRJ, recruta voluntários para tentar distinguir a dependência normal da patológica. "A normal todos têm. Quem não gosta de ter um celular à disposição?", indaga. O segundo caso pode chegar acompanhado de transtornos de ansiedade. "A pessoa sai, leva o telefone e não desgruda dele com medo, por exemplo, de passar mal."

A discussão repete-se no exterior, diz a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP. "Acredita-se que, na revisão do manual americano de transtornos mentais [em 2013], será incluída a dependência de tecnologia." 

Certezas
Há dúvidas acerca de consequências e sintomas dessa mania, mas a mudança que o smartphone está promovendo na vida de seus donos -e na paisagem da cidade- é uma certeza. 

"Durmo com o celular debaixo do travesseiro", assume o webdesigner Renato Bongiorno, 28, que checa e-mails até durante a noite. Ao acordar, ainda na cama, confere Twitter e Facebook. Levanta-se e, dali em diante, repete o ritual no caminho para o trabalho, no almoço, no jantar. 

"Já aconteceu de o 3G cair e eu ficar perdido", afirma Renato. "Você se sente desarmado. Parece que vai acontecer tudo e você não vai ficar sabendo, que vão lhe mandar o e-mail mais importante da sua vida e você não vai conseguir acessar."

A bancária Renata Larsson, 29, conta que, há dois meses, teve o iPhone roubado e precisou, por uma semana, contentar-se com um aparelho à moda antiga -só ligações. "Fiquei quase doida", lembra. "Não me acostumo nunca mais. Eu me sentia perdida. Não tinha WhatsApp [aplicativo para trocar mensagens] nem Facebook. Foi bem tenso."


Entre casais, smartphone virou mais um motivo de briga. 

Cassiano Yamamoto, 31, diverte-se ao indicar a amigos e parentes onde está por meio do aplicativo Foursquare. "Dou 'check-in' em todas as estações de metrô em que passo, de casa até o escritório", orgulha-se, para desespero da mulher, Pamela Marquez, 27. 

"Se ele está no supermercado, põe que está no supermercado. Se chega em casa, põe que está em casa. Isso me irrita muito", reclama ela. "Ninguém quer saber onde estamos. Acho isso muito chato."

Alessandra Milauskas, 34, e Marcello Mezzanotti, 38, discordam sobre o tempo dedicado ao aparelho. "Só uso para fazer ligação e receber. Ele é o contrário. Basta um comercial na TV para puxá-lo e checar os e-mails", diz ela. "Puxo do bolso uma vez a cada meia hora e fico cinco minutinhos no máximo", minimiza ele.

Fora das quatro paredes, as queixas entre amigos são parecidas. "Tem três pessoas na mesa e uma fica no celular. Ela não está nem aí para o que estamos conversando. Então, por que foi?", questiona o analista de sistemas Raphael Torres, 28.

É proibido falar
Lugares da cidade onde o celular é vetado

ESCOLAS PÚBLICAS
Na rede estadual, o uso durante as aulas foi proibido em 2007 pela lei estadual 12.730. Na municipal, não é permitido, mas não existe lei específica

TEATRO, CINEMA, SHOWS E BIBLIOTECA
Proibido efetuar e receber ligações, segundo a lei municipal 14.573, de 2007. O desrespeito à lei prevê multa de R$ 429,70

HOSPITAIS E VELÓRIOS MUNICIPAIS
É permitido usar o aparelho somente no modo vibratório. Na UTI, a utilização é completamente vedada. A multa é de R$ 429,70

CONSULADO DOS EUA
Nunca foi permitida a entrada com celular na área de vistos por motivo de segurança. Hoje é proibido todo equipamento eletrônico

BANCOS
É proibido usar o celular em agências ou postos bancários desde agosto de 2011, sob pena de multa de R$ 2.500 ao banco

TRÂNSITO
Falar, enviar mensagens ou acessar a internet por meio do celular implica multa de R$ 85,13, além do acréscimo de quatro pontos na carteira

Fontes: CET, Secretaria Municipal de Cultura, Secretaria da Educação do Estado, Secretaria Municipal de Educação e Embaixada dos EUA

Mais um dígito
A partir de 29 de julho, todos os celulares da área 11 passarão a ter nove dígitos

1) O QUE MUDARÁ?
Será acrescentado um 9 à esquerda do número atual:
9XXXX-XXXX 

2) QUAIS NÚMEROS SERÃO ALTERADOS?
Todos os telefones móveis do código de DDD 11 (São Paulo e mais 63 cidades) 

3) POR QUE HAVERÁ A MUDANÇA?
Para aumentar a capacidade de números, que passará dos atuais 37 milhões para 90 milhões

4) E SE, DEPOIS DA MUDANÇA, EU DISCAR SÓ OITO DÍGITOS?
Haverá um período para adaptação, quando as ligações ainda serão completadas, mas os usuários serão orientados a discar com o nono dígito. Após 80 dias, nenhuma chamada será completada sem o dígito novo

A cidade e o celular
Flagrantes pelas ruas paulistanas 

Atenção dividida 
Sedutor por oferecer diversão e informação, o smartphone canaliza as atenções e diminui a capacidade de notar o que acontece ao seu redor. No asfalto, pode trazer riscos. 


"Essa é a quarta causa de acidentes", avisa Dirceu Rodrigues Alves, diretor do Departamento de Medicina Ocupacional da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego). 


O motorista perde a consciência da direção ao tentar dividir a atenção com o aparelho. "Desvia-se de tal maneira do ambiente que, após desligar, se perguntar por onde a pessoa passou, ela não sabe informar." 

Nos EUA, segue Alves, estatísticas apontam maior incidência de acidentes mesmo depois do fim da ligação ou do envio e recebimento de mensagens. "Dependendo do assunto, a conversa vai estar na cabeça por alguns minutos ou segundos, e o motorista, desconectado da direção."

Em São Paulo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) não dispõe de estudos a respeito de quantos motoristas se envolvem em acidentes enquanto usam o celular. 

A infração é a quarta mais cometida, atrás de desrespeito ao rodízio, excesso de velocidade e estacionamento irregular. Nas marginais Tietê e Pinheiros, é a campeã entre as irregularidades flagradas por PMs. 

O total de multas relacionadas ao uso do celular ao volante aplicadas anualmente na cidade saltou de 223 mil para 473 mil, entre 2006 e 2010. E, no ano passado, pela primeira vez, caiu para 461 mil. O motivo não foi comentado pela CET. Uma das hipóteses é que motoristas estejam cada vez mais hábeis no ato de usar o celular escondido. Outra, a de que deixou de estar entre as prioridades da fiscalização. 

Donos de smartphones admitem: não dirigem sem o aparelho. "Quando estou no carro, vou vendo meu Facebook, porque no trabalho não dá", diz Thiago Iamnhuque. "Todo mundo usa no carro", concorda Lucas Cimino, 23. 

Novidade
Os preços de acesso à internet por meio do telefone caíram substancialmente do ano passado para cá. Em planos pré-pagos, é possível se conectar com apenas R$ 0,50 por dia. Em pós-pagos, a partir de R$ 6 por mês (plano de 100 MBytes). Na avaliação do diretor de Produtos e Mobilidade da Oi, Roberto Guenzburguer, o custo do serviço no país atingiu o mesmo patamar do oferecido lá fora. "Agora, os smartphones ainda são caros aqui por conta da carga tributária", queixa-se. 

Na operadora, o volume de linhas pós-pagas com tecnologia 3G cresceu de 3%, em janeiro de 2010, para 42%, em março deste ano. "A faixa de 25 a 35 anos é a que concentra mais smartphones", continua. "Mas tem o mais jovem, o mais experiente, o executivo. O jovem naturalmente vai ser atraído, pois a tecnologia tem mais facilidade para ele."

O smartphone avança na direção de todas as idades, transformando os hábitos na sociedade. "Só vamos entender isso melhor quando a geração criada nesse contexto atual chegar aos seus 40 anos", diz o psiquiatra Raphael Boechat, da UnB. A necessidade de se combater excessos é inquestionável, no entanto. "Mas não dá para querer se alienar e dizer 'não vou ter internet, não vou ter celular'", acrescenta Boechat. 

A cautela é defendida como meio de atravessar essa fase de incertezas a respeito do que pode ser considerado certo ou errado, como trocar mensagens durante reuniões de trabalho ou sacar o celular para navegar na internet em meio ao encontro entre amigos.

"Como a tecnologia é muito nova, não temos muita ética no sentido de termos sido orientados sobre como nos conduzirmos", afirma a psicóloga Luciana Ruffo, da PUC-SP. "Estamos no meio do caminho. É um limbo ainda." 

Boas maneiras
Situações em que usar o celular pode ser indelicado

- Reunião de trabalho

- Em bares ou restaurantes, quando estiver acompanhado
- Ouvir música no celular sem fones de ouvido 
- Discutir ao telefone com pessoas por perto 
- Durante cerimônias religiosas 
- Postar fotos de amigos em redes sociais sem avisar 

Guardiãs da elegância

"Acho muito mal-educado usar o celular no teatro, porque tem luz e qualquer pessoa em volta se incomoda. Tira o foco do palco" 
DIDI WAGNER, apresentadora do Multishow

"Ninguém tem que falar ao telefone numa igreja, nem ler mensagem"
DANUZA LEÃO, colunista da Folha

"As pessoas sempre escolhem a sua melhor foto e esquecem de olhar se o amigo saiu bem e se ele quer aparecer na rede social. Tem que avisar antes"
GLORIA KALIL, consultora de moda

Efeito zumbi
Entenda por que ficamos sugados pelo celular

1) PERCEPÇÃO
Enquanto usamos o celular, conseguimos perceber outras coisas no ambiente, porque usamos sentidos diferentes, processados em partes distintas do cérebro. A visão é processada no lobo occipital e a audição, nos lobos temporais. Assim, conseguimos ver um SMS e ouvir alguém falando ao nosso lado ao mesmo tempo

2) ATENÇÃO
Entretanto, quando precisamos usar a linguagem para processar as informações, conseguimos prestar atenção em apenas uma situação por vez. Isso porque a linguagem é processada em apenas um local do cérebro, a área de Wernicke, responsável pela interpretação, no lobo temporoparietal 

3) CONGESTIONADO
Assim, quando se conversa com alguém e se lê uma mensagem de texto ao mesmo tempo, uma das duas atividades fica prejudicada, já que usamos a linguagem para ambas. O que prevalece é o que a gente quer. E, como o celular tem maior volume de informações, geralmente damos prioridade a ele 

Fonte: Alberto Filgueiras, professor do Departamento de Psicologia da PUC-Rio

Linha ocupada

Veja alguns dos sinais que podem indicar dependência do celular


1- Sensação de angústia ou desconforto quando não tem o celular por perto 

2- Ao se sentir mal, recorrer ao celular como forma de regular o humor 

3- Dedicar mais tempo ao uso do telefone do que à vida social 

4- Abandonar atividades de interesse próprio em prol do uso do celular 

5- Amigos e parentes se queixam do seu tempo com o aparelho 

6- Não conseguir se desconectar do celular nos horários de lazer 

7- Surtar quando não consegue se conectar 

8- Ter a impressão de que o celular está tocando 

9- Sonhar com o celular 

Fontes: psicóloga Anna Lúcia Spear King (UFRJ); psiquiatra Raphael Boechat (UnB); psicólogo Alberto Filgueiras (PUC-Rio); Cristiano Nabuco (HC); Luciana Ruffo (PUC-SP)

"A tecnologia rouba nossa vida"
Para psicólogo, uso excessivo de smartphones pode levar à perda de experiências 

Coordenador do Grupo de Dependência de Internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, Cristiano Nabuco de Abreu alerta: a internet no celular está se tornando uma dependência. 

A internet no smartphone pode gerar dependência?
Temos observado que sim. Evolui em alguns casos para o que chamamos de "dependência do celular" pelo fato de o aparelho ser hoje muito mais do que celular. É GPS, máquina fotográfica, rede social, bússola. Principalmente para os jovens tem se tornado uma perspectiva muito interessante e descontrolada. 

Mas restringe-se aos jovens? 
Não é algo exclusivo deles. Pessoas mais velhas já começam a fazer esse uso desmedido. Recentemente, eu estava no Rio de Janeiro [no aeroporto] e houve um problema de atraso do voo. Resolvi ficar esperando e, ao olhar para o lado, havia umas 50 pessoas sentadas nas poltronas e 49 estavam com o celular na mão. Inclusive eu. O que está acontecendo é uma perda progressiva da limitação do uso da tecnologia. Ela está roubando um espaço importante na vida das pessoas.

Pode ser considerado um vício?
Do ponto de vista oficial da medicina de psiquiatria ainda não. Mas estamos começando a estudar que de fato está virando uma dependência, levando pessoas a não conseguir se desconectar. 

Por que aparentemente não se nota o que acontece ao redor quando se utiliza o smartphone? 
Aquilo é uma ferramenta absolutamente sedutora que remete para um milhão de coisas. Saiu uma pesquisa recentemente indicando que quase 90% dessas pessoas não conseguem ir ao banheiro sem o celular. A nossa preocupação é ajudar o indivíduo a se desconectar da tecnologia para se conectar à vida. Ele está perdendo o que acontece ao redor. 

E quais são as consequências desse uso desmedido? 
Na convivência social, a expectativa é péssima. As comunicações começam a se tornar afuniladas: uma coisa é eu ligar para você e conversar. A outra é me comunicar por meio de mensagens. Você restringe o horizonte experiencial. 

Há sinais de que o limite foi ultrapassado?
Ainda não existe isso [oficialmente]. O que posso propor é que o indivíduo tem consciência de que ele usa muito o celular, mas não consegue diminuir. Não se desconecta nem no horário de lazer. Progressivamente, a tecnologia vai invadindo a vida do indivíduo a ponto de ele preferir as atividades que são mediadas pelo telefone/internet. 


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