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sábado, 15 de novembro de 2014

O xeque-mate de Dilma em seus adversários



Por Miguel do Rosário


Aconteceu uma coisa interessante, que fará os coxinhas surtarem.

O chamado “petrolão”, ao atingir as principais empreiteiras do país e chamuscar todos os partidos, em especial os núcleos representados no Congresso, resultará no fortalecimento de Dilma Rousseff.

A tentativa da “Republica do Paraná”, de orientar politicamente as investigações, fornecendo vazamentos seletivos à imprensa de oposição, acabou surtindo efeito contrário.

O escândalo é vasto demais mesmo para a nossa grande imprensa.

Junto à opinião pública, apesar dos esforços da mídia (que só tem um objetivo: golpe), prevalecerá a impressão de que Dilma está cumprindo o que prometeu.

Não sobrar pedra sobre pedra.

Até porque é isso mesmo o que está acontecendo.

Ao dar liberdade e autonomia aos delegados e agentes da PF, sem exercer qualquer pressão sobre o Ministério Público, Dilma fez a sua grande aposta.

Ela também fez seu movimento no Grande Jogo.

Deu corda para os golpistas se enforcarem.

Pense bem.

É interessante para Dilma que os delegados da PF, os procuradores e o próprio juiz não tenham identificação política ou ideológica com ela, nem com seu partido.

Se tivessem, todos estariam acusando-na de “bolivariana”.

Seus próprios aliados, no Congresso, vários deles prejudicados pelas investigações, a estariam acusando de “traição”.

O fato evidenciará o republicanismo da presidenta e de seu governo, dando autonomia – inclusive a delegados ligados ao PSDB - para que todos exerçam seu trabalho com independência.

É uma jogada arriscada, naturalmente.

Mas que, se conduzida com firmeza, poderá dar resultados concretos contra a corrupção política.

Dilma sancionou recentemente a lei que, pela primeira vez em nossa história, permitirá a condenação também dos corruptores.

Quando a Lava Jato chegar nos políticos, estará em mãos de Teori Zavascki, um juiz severo, garantista, reservado, sem amor aos holofotes.

Zavascki é garantia de que o processo não se transformará em circo golpista, e, ao mesmo tempo, de que ninguém será poupado.

Ou seja, o juiz perfeito para levar adiante um processo doloroso de depuração.

Isso se a República do Paraná não melar tudo antes com delações forjadas e vazamentos ilegais.

O único perigo seria paralisar as obras em andamento, visto que os executivos presos pertencem às principais empreiteiras do país.

Sergio Moro ao menos teve essa preocupação, e não pediu nenhuma medida que pudesse paralisar as atividades de empresas que empregam centenas de milhares de trabalhadores, e respondem por obras estratégicas no Brasil: obras para governadores e prefeitos de todos os partidos, que fique bem claro.

O golpe vai se virar contra os golpistas.

O jogo de xadrez está mais complexo e surpreendente do que nunca.

Ao que parece, Dilma permitiu que seus adversários fizessem alguns movimentos apressados, até mesmo comessem algumas peças.

Mas preparou um xeque-mate.

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