domingo, 16 de novembro de 2014

Condizente com sua história, Estadão de novo propõe golpe



https://twitter.com/humamad/status/533331400444088320
No entanto, "cegos" tucanos do #TREMSALÃO como Alckmin e Serra são poupados pelo jornal


Estado é primeiro grupo de mídia a propor golpe

247 - A imprensa conservadora brasileira começa a fazer jus ao apelido que ganhou nos últimos anos, o de PIG, Partido da Imprensa Golpista.

Neste domingo, o jornal Estado de S. Paulo, da família Mesquita, prega abertamente a cassação da presidente Dilma Rousseff, no editorial "Crime de responsabilidade", cujo título já é autoexplicativo.

Eis um trecho:

"Somente alguém extremamente ingênuo, coisa que Lula definitivamente não é, poderia ignorar de boa fé o que se passava sob suas barbas. Já Dilma Rousseff de tudo participou, como ministra de Minas e Energia e da Casa Civil e, depois, como presidente da República.

Devem, todos os envolvidos no escândalo, pagar pelo que fizeram – ou não fizeram."

A mensagem é clara: a família Mesquita aderiu ao golpe e irá trabalhar pela queda de uma presidente reeleita há menos de um mês.

Recentemente, um dos herdeiros do grupo conservador, Fernão Lara Mesquita, foi às ruas com um cartaz onde se lia: "Foda-se a Venezuela". Para os Mesquita, o Brasil também seria "bolivariano".

Ontem, em nota, o senador Aécio Neves sugeriu, nas entrelinhas, que o PSDB irá trabalhar pelo impeachment da presidente Dilma.


A TÍTULO DE INFORMAÇÃO:

A censura do "Estadão"

Por Jasson de Oliveira Andrade

O "Estadão", designação adotada pelo próprio O Estado de São Paulo, foi perseguido por Getúlio Vargas, então ditador ( Estado Novo ). Houve mesmo intervenção no jornal. Os Mesquita, seus proprietários, se exilaram. Muitos anos depois, Júlio Mesquita Filho tornou-se líder civil do Golpe de 64.

No início da ditadura militar, segundo Élio Gaspari no seu livro A Ditadura Envergonhada, "foram inúmeras as propostas de demolição das franquias constitucionais". Entre elas - revela Gaspari - "uma vinha do jornalista Júlio Mesquita Filho, proprietário do O Estado de São Paulo. Redigida com a colaboração do advogado Vicente Ráo, catedrático de Direito Civil da Universidade de São Paulo e ministro da Justiça no Estado Novo ( Vargas ), foi a primeira a chamar-se Ato Institucional. Sugeria a dissolução do Senado, Câmara e assembléias legislativas, anulava o mandato dos governadores e prefeitos, suspendia o habeas-corpus e pressupunha que seria o primeiro de uma série" ( pág. 122 ). Uma contradição: o colaborador dele serviu ao governo do algoz ( Getúlio Vargas ) de sua família! O Ato não foi adotado: era muito autoritário!

O Ato Institucional sugerido pelo dono do "Estado" foi seguido pelo AI-5, em 13/12/1968, instituindo a censura no Brasil. Entre os censurados, os jornais dos Mesquita!

No dia 11/12/2002, na matéria "Júlio de Mesquita faria 80 anos hoje ( Memória )", O Estado de São Paulo prestou uma homenagem póstuma ao ex-diretor, falecido a 05/06/1996. Nela há um relato que merece transcrição: "Submetido à censura prévia pelo Ato Institucional nº. 5, o 'Estado' publicava trechos de Os Lusíadas, de Luís de Camões, nos espaços reservados às informações e reportagens vetadas... No Jornal da Tarde, os leitores encontravam receitas de doces e bolos. Essa foi a saída que os dois jornais encontraram para escapar à autocensura que nunca aceitaram".

Outra revelação do jornal: "Intimado a prestar depoimento num inquérito policial militar ( IPM ), Júlio Neto respondeu a um curto interrogatório que ficou antológico na história do governo Médici".
- O senhor é diretor-responsável do jornal O Estado de S.Paulo?
- Não, respondeu o jornalista.
- Então, quem é?
- O ministro da Justiça, professor Alfredo Buzaid, que todas as noites tem um censor na tipografia do jornal.

Um Ato Institucional proposto pelo pai de Júlio Mesquita Neto - o de nº. 5 - atingiu também o "Estadão", censurando-o. Era o feitiço contra o feiticeiro! Outros "revolucionários" também foram punidos. Mas essa é outra história.

Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

Por Jasson de Oliveira Andrade

O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário.

Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281).

Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.

Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [ Jornal da Tarde ] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”.

Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.

A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS ( GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106 ). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.


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