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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Parece um looping: ataque de @VEJA a Dilma em 2014 revive golpismo midiático de 2006 e 2010



Em 17 de agosto de 2005, a Veja estampava em sua capa “A luta de Lula contra o impeachment”, dizendo em sua reportagem de destaque que o presidente estava com o “cargo na linha de tiro”. Em outra matéria, afirmava que revelações do publicitário Duda Mendonça despertavam “o fantasma do impeachment”. A revista apresentava ainda um quadro sobre como Lula poderia ser punido e explicava como funcionava o processo de impeachment. “O PT está em pleno processo de implosão”, afirmava. Isso tudo foi em 2005. Um ano depois, Lula ainda estava lá, comandando o país e levando-o a indicadores sociais e econômicos nunca antes vistos. O impeachment que a Veja tanto propagou – em 10 de agosto de 2005, chegou a comparar Lula a Collor – não deu certo, já que não se sustentava. Em 2006, o PT que eles diziam estar implodindo reelegeu Lula. Depois, elegeu a primeira mulher presidenta da República. Hoje, Dilma lidera as pesquisas e a revista oposicionista recorre às mesmas baixas táticas antipetistas de outros tempos.

Vamos além: 27 de setembro de 2006, vésperas de eleição. A capa da Veja traz Lula com a vista tampada por uma faixa presidencial. Nem chamadas há, na capa. A reportagem tem no título “Um tiro no pé às portas da eleição”: com “métodos criminosos” o PT teria mergulhado o Brasil “em uma grave crise política”. Dessa vez, Veja levantava a compra de um falso dossiê por parte do partido nas eleições paulistas. O objetivo estava insinuado no segundo parágrafo: impugnar a candidatura de Lula. Entre tantos absurdos, a publicação diz haver uma “notória ausência de ética e moral da esquerda quando esquadrinha a chance de chegar ao poder”. Isso mesmo: a Veja falando de ética e moral. Seguem-se 29 páginas de combate ao PT, divulgadas 4 dias antes da eleição, com nítida intenção – novamente frustrada – de influir no pleito.

2010, a vez de Dilma. Faltavam quatro dias para o primeiro turno, quando a Veja lançou a quarta capa consecutiva de puro antipetismo. Logo após a decisão do primeiro turno, viriam duas com ataques diretos à Dilma e uma – vejam só – estampando aquele que a revista abraçaria quatro anos depois: Aécio Neves. Mas voltando à última edição antes do primeiro turno, a de 29 de setembro. A capa dizia “Liberdade sob ataque” e falava de um tal “ódio à imprensa livre” por parte de Lula e do PT. A reportagem fala de autoritarismo buscando acabar com o jornalismo no país. Citando discursos em que Lula fala do recorrente ataque da mídia (que de maneira enxuta comprovamos aqui) e de projetos de democratização, regulação e pluralização dos meios de comunicação, a Veja conclui que há um projeto totalitário por parte do presidente e do PT. Concluiu errado. Afinal, a própria revista teve, durante 4 anos, a liberdade de realizar intenso combate ao governo e ao PT, o que levou a um exacerbado ódio, com episódios trágicos, lamentáveis e antidemocráticos como os vistos com mais intensidade neste ano. Esta semana, a revista, gozando da liberdade de imprensa que temos – mas esquecendo dos básicos princípios da conduta ética de um jornalista – publica mais um desatino jornalístico. A história da perda de credbilidade da Veja segue seu curso natural. O eleitor já está vacinado.



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