terça-feira, 7 de outubro de 2014

O vento Nordeste e o jornalismo fonte de preconceito, por Weden Alves


As regiões Norte e Nordeste, mas principalmente esta última, desempenharam para o Centro-Sul rico, ao longo do último século, o papel que as colônias asiáticas e, principalmente, africanas tiveram na sustentação da riqueza das nações europeias nos XIX e XX.
Neste país, sem poupança interna e sem colônia, o empobrecimento radical de certa população financiou sob mãos de sangue os processos de industrialização e concentração de capital necessárias para o desenvolvimento econômico do país, principalmente, na região Sudeste.
Pensar a sustentação do coronelismo, uma marca da região, sem este quadro histórico é acreditar que também as colônias europeias sucumbiram à pobreza somente pelas suas próprias incapacidades.
Os índices sociais que hoje o Nordeste apresenta são ainda precários com relação às regiões Sul e Sudeste, mas infinitamente superiores ao que tínhamos, por exemplo, no ano 2000. O que ilustra uma mudança radical na política de desconcentração regional praticada durante todo o século. Desde lá:

- O Nordeste apresentou o maior avanço na escolarização e o maior percurso na queda do analfabetismo, entre todas as regiões.
- A região foi a mais beneficiada pela iniciativa de eletrificação rural. Até aquele ano, 30% dos brasileiros não tinham luz em casa. A maioria quase absoluta nas regiões Norte/Nordeste.
- O Nordeste avançou muito na universalização do acesso à água potável.
- O incentivo à agricultura familiar cresceu basicamente no Nordeste.
- A maior parte das cidades do Nordeste saiu do patamar de IDH baixíssimo e baixo.
- A região experimentou avanços importantes na industrialização e na receita advinda de investimentos na infraestrutura para o turismo.
- O crescimento do Nordeste sempre esteve acima da média brasileira nos últimos 12 anos.

As energias produtivas que estão sendo liberadas no Nordeste poderão fazer deste país uma nação mais igualitária. Portanto, é natural que o "Vento Nordeste" traga tantos votos ao partido a que se credita estas mudanças.
Ao atribuir somente ao programa Bolsa Família a votação expressiva de Dilma no Nordeste, os jornais ocultam de forma calhorda duas séries de realidades: estas relatadas acima e a outra, mais evidente, de que a fome ( é bom lembrar da epidemia da fome em 1998, com saques, e a promessa do governo FHC de ajuda pelo Exército, mas "sem leite, porque sairia muito caro"! ), desnutrição, mortalidade infantil, maternal, etc, todas foram revertidas de forma surpreendente em não muito mais que uma década.
Sinceramente, o que a grande imprensa vem fazendo não é só a prática deliberada da desinformação. Vem também nutrindo uma geração de alguns jovens já preconceituosos, só comparados aos neonazistas que hoje se espalham na Europa ameaçando imigrantes africanos - que em última instância foram buscar o que lhes tiraram.
Vindo de burro velho, dá pra aturar. Não tem conserto. Mas vindo de jovens, que vão fazer o país ainda, estes gestos de discriminação contra nordestinos não só desencantam: atemorizam. E a grande imprensa tem sua responsabilidade nisso.

( PUBLICADO NO FACEBOOK )

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