quinta-feira, 2 de outubro de 2014

No automático ( breves comentários sobre eleição, Bolsa-Família, preconceitos, etc )




Trata-se apenas de pesquisas. Números que poderão ou não se confirmar. Mas isso não importa. É suficiente para que esgotos humanos criem coragem e botem suas bocarras imundas ( o aparelho secretor ) para manifestar seu desprezo ( entre outras coisas ) pelos brasileiros habitantes de outras regiões mas, antes de qualquer outra, acima de todos os demais, os habitantes da chamada região Nordeste.


Observem o gráfico: a candidata da situação tem liderança em 3 regiões ( com destaque para a citada região Nordeste ), perde noutra e empata na região mais desenvolvida materialmente ( faço questão de fazer essa distinção ) e populosa. O que os bocarras fazem?

O de sempre, o que se faz no automático, pois nem é mais necessário pensar: IGNORA DUAS REGIÕES e culpa ( se é que o caso é de "culpa" ) uma terceira, a região Nordeste.

Porque é sempre mais fácil. Porque é óbvio. Porque está arraigado e NUNCA FOI SUFICIENTEMENTE combatido. Mas não o combate jurídico ou censor, mas da educação e informação. 

Veja só: em algum momento na vida você leitor já pensou a sério, e foi buscar saber na História do Brasil, o porquê da região Nordeste ter tido um desenvolvimento tão desigual, quais foram as características de seu desenvolvimento que, em dado momento, tomaram o caminho para se tornarem o que conhecemos - e muitas vezes apenas achamos que conhecemos? Aquelas coisas de "ciclos econômicos", por exemplo.

Não se iludam: tem rebotalho aqui em Sampa que mora em bairros remediados, vai passear na Paulista, nos Jardins ou sei lá onde, onde tem gente bem, as coisas são boas, belas e caras, e a partir daí imagina ter sido convidado para o banquete, que participa da fruição daquela ampla riqueza. Como alguém diz, "goza com o dinheiro dos outros". "Vira patrão", ou quer virar.

E passa a introjetar isso. Se melhorar um pouco seu padrão de consumo ( me recuso a escrever "melhorar de vida" ) passa a introjetar mais ainda. às vezes, com efeitos danosos para o caráter.

Tive uma conversa rápida uns dias atrás, e era sobre o "mérito pessoal". Imagine que, durante os últimos 10 ou 12 anos, bem ou mal, o País se desenvolveu mais aceleradamente, e com resultados positivos extensivos a mais pessoas. 

Paralelamente, a idéia da politica corrupta e do Estado incompetente foi sendo martelada, martelada, martelada. E o padrão de vida das pessoas melhorando. 

Não seria explicável, então que, para uma grande faixa da população, a melhora de sua vida se deu por "méritos pessoais"? Sem a participação do Estado nisso? Dos políticos? Ou melhor, "apesar" destes?

Beleza. Mas, quando um país vai mal por causa de escolhas e decisões equivocadas do governo, não há "mérito pessoal" que dê jeito, salvo para uma parcela cada vez mais restrita da população. Um exemplo que me veio à mente: aquelas filas de diplomados lutando por uma vaga de gari, na época de FHC. Você tinha um diploma, conquistado por seu próprio mérito e esforço, mas não havia emprego. Na verdade, em épocas de crise, é mais fácil arrumar empregos duros, para pessoas com baixa escolaridade, que já estão acostumadas a isso. Alguns, no entanto, não querem se submeter a uma nova realidade. "Esforço", então, é só pros outros, os das camadas baixas, "naturalmente predispostas" a esse papel subalterno na sociedade. Nascidas para isso.

Mas, o que acontece quando, por várias razões, a região das pessoas "nascidas para isso" começa a crescer um pouquinho? Deveria se comemorar, não é?

Alguns não conseguem, não sei porquê. E justificam certas posturas se apegando a argumentos que, em grande parte dos casos, caiu de podre há muito, mas que, tal como os zumbis da TV, ainda fazem sucesso, apesar de estarem mortos.

O maior argumento-zumbi é o do "Bolsa-Família". Não precisa alegar muita coisa. Basta dizer, de forma bastante simplificada, que o programa "cria vagabundos". A platéia costuma aceitar isso sem questionar muito. De fato, é um sensacional apelo à emoção, embora alguns achem que a única emoção provocada diz respeito aos mais baixos instintos.

Você não precisa mencionar as CONTRAPARTIDAS OBRIGATÓRIAS ou como dizem, as condicionalidades (http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/condicionalidades ). Você nem sequer quis saber do que se trata, então é óbvio que também não terá como mencioná-las. A tua ignorância salva teu argumento. É bem mais fácil alegar que a pessoa vai lá, pega o dinheiro e vai pro boteco. Pensar dá trabalho mesmo. Eu sei disso, pois estou queimando os neurônios para escrever isto tudo.

Você pode alegar também que "a sociedade" sustenta esses "parasitas" com seus impostos. Bem, a sociedade costuma bancar os sonegadores, mas estranhamente quase ninguém dessa tal "sociedade" fala alguma coisa, e é de se achar estranho mesmo, já que os valores sonegados dão de mil a zero nos valores empregados no programa social.

Outra coisa que você costuma ignorar: o retorno em impostos que o BF traz. Alguns números mostram que os impostos arrecadados pagam o programa. Com certeza, já que os impostos sobre consumo são os mais altos que o povão paga. Em 2009, noticiou-se que

"A expansão do valor total dos benefícios pagos pelo Bolsa-Família entre 2005 e 2006, de R$ 1,8 bilhão, provocou um crescimento adicional do PIB de R$ 43,1 bilhões, e receitas adicionais de impostos de R$ 12,6 bilhões. Esse ganho tributário é 70% maior do que o total de benefícios pagos pelo Bolsa-Família em 2006, que foi de R$ 7,5 bilhões."

Assim, o BF teria propiciado uma arrecadação maior do que ele mesmo.

Vamos retomar: como a grana do BF vai para o consumo das famílias, isso reverte para os cofres das prefeituras e dos Estados. Na verdade, tem cidades onde o BF é mais importante que as transferências do governo federal.

Você não precisa dizer também da quantidade de pessoas que abandona o programa, geralmente por não precisarem mais dele. Mantenha a ilusão de que o cara recebe BF desde seu primeiro mês de vida até os 80 anos de idade. Você é o sucesso das festas.

Como se vê, são vários os impactos, na saúde, na Educação, à escolha do freguês.

Números à parte, talvez a questão seja de ordem "moral". A moral do trabalho. Esse aqui eu vou simplesmente pular, já que não conheço ninguém que salte da cama toda manhã dando graças a Deus por amar o trabalho. Mas, em todo o caso, se você é daqueles que acham que os bolsistas do programa são preguiçosos e têm a vida mansa, abandone seu emprego e procure um órgão do governo para tentar receber também.

No Sul Maravilha, tanta gente reclamava dos baianos e dos paraíbas que vinham para cá. Pois bem, se você é desses, alegre-se: o BF deu uma ajudinha para o retorno desses indesejáveis à "terra deles".

Mas não foi só o BF...

Como MECÂNICA E AUTOMÁTICAMENTE alguns dedicaram-se a detonar o NE por causa do BF, intencionalmente ou não, se ignorou um processo que se deu - também por causa do BF - ali: o do desenvolvimento econômico puro e simples.

Seja pelo turismo, pelo mercado imobiliário, pelos programas de transferência de renda, PELO REAJUSTE DO SALÁRIO MÍNIMO, pelas aposentadorias rurais asseguradas pela Constituição de 88, e outras a região experimenta um crescimento maior do que a media nacional. A EXAME dedicou paginas a isso. Outras revistas voltadas ao empreendedorismo também, detectando, analizando e até mesmo recomendado investimentos no NE, e as consequências disso são óbvias.

Se você não leu, azar o seu. Fica aí pagando de ignorante. Eu sei que dá IBOPE.

E a cereja do bolo: países diversos, como o tigre asiático Cingapura, também possuem seus programas de transeferência de renda. Acostume-se a isso.

Informe-se: é de graça






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