sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Fragilizada, @VEJA expõe a precariedade de seu pseudo-jornalismo ao publicar resposta a Dilma



Após as declarações da presidenta Dilma Rousseff a respeito da edição mentirosa e caluniosa da revista Veja desta semana, o veículo de comunicação publicou em seu site uma resposta que traz em si mesma as evidências da precariedade do material pseudo-jornalístico estampado com estardalhaço pela revista.

Analisamos abaixo os 6 pontos pelos quais a Veja tenta justificar seu anti-jornalismo de cunho golpista: 

1) Antecipar a publicação da revista às vésperas de eleições presidenciais não é exceção. Em quatro das últimas cinco eleições presidenciais, VEJA circulou antecipadamente, no primeiro turno ou no segundo.

Precisamente. E em quatro das cinco últimas eleições, a revista Veja antecipou sua ida às bancas na última semana do pleito justamente na tentativa de influenciar o resultado das eleições e pautar o debate público, já que os candidatos do PT assumiam a dianteira nas pesquisas eleitorais. Mostramos aqui como a publicação age sempre da mesma forma em períodos pré-eleitorais, criando um cenário de terror, por meio de mentiras e acusações infundadas, sem nenhum compromisso com o jornalismo honesto e com a informação de qualidade, para confundir o eleitor. A Veja começa fazendo o serviço sujo para que outros veículos da mídia, que seguem a mesma linha, repercutam as mentiras com grande alarde e pautem a opinião pública durante os dias que antecedem a ida dos brasileiros às urnas.

2) Os fatos narrados na reportagem de capa desta semana ocorreram na terça-feira. Nossa apuração sobre eles começou na própria terça-feira, mas só atingiu o grau de certeza e a clareza necessária para publicação na tarde de quinta-feira passada.

Procuramos entre as palavras e frases de toda a reportagem e não encontramos o grau de certeza e clareza necessária para a publicação de fatos tão graves. É incrível, mas a própria publicação questiona a veracidade da acusação feita pelo doleiro Alberto Yousseff de que Dilma e Lula sabiam do esquema de desvio de recursos da Petrobrás: “O doleiro (Youssef) não apresentou – e nem lhe foram pedidas – provas do que disse”. Sendo assim, que certeza é essa que a revista afirma apresentar? Por toda a reportagem, a Veja tenta defender o depoimento em delação premiada dizendo que é do interesse do investigado que ele diga a verdade porque se não o fizer perderá o direito de ter sua pena reduzida.

O direito à delação premiada depende de dois preceitos básicos: o delator não pode mentir nem voltar a praticar a infração pelo qual está sendo investigado. A Veja omite que Yousseff já aderiu ao recurso em processo anterior, em que perdeu o direito à redução da pena por ter voltado a praticar o crime pelo qual estava sendo investigado (link is external). Ora, se ele já infringiu o primeiro preceito, o que garante que não infringiria o segundo?

O claro aqui é que a Veja teve acesso ( não explicado, que fique claro, já que o processo corre em segredo de justiça ) a um depoimento feito sob delação premiada, que ainda carece, portanto, de todas as provas para fundamentar as acusações que estão sendo feitas, e publicou, a dois dias das eleições, como se fossem verdades absolutas. Isso é jornalismo?

3) A presidente centrou suas críticas no mensageiro, quando, na verdade, o cerne do problema foi produzido pelos fatos degradantes ocorridos na Petrobras nesse governo e no de seu antecessor.

A revista Veja não é o mensageiro. Ela formula a mensagem, agenda e enquadra a notícia. E, no seu caso, a utiliza como bem lhe convém para alcançar seus objetivos caluniosos e difamadores de desacreditar um governo eleito democraticamente pelos brasileiros. O cerne do problema esta no modo como a Revista Veja pratica o anti-jornalismo. Construindo suas teses oposicionistas na redação refrigerada do jornal e submetendo a realidade dos fatos a suas escolhas e preferências políticas. Isso sim é degradante.

4) Os fatos são teimosos e não escolhem a hora de acontecer. Eles seriam os mesmos se VEJA os tivesse publicado antes ou depois das eleições.

Este argumento é a clara contradição do que foi dito acima pela própria revista. A “certeza e a clareza”, o compromisso com a informação de qualidade, com a verdade e com o leitor, é que devem pautar o tempo da publicação, não as eleições. Nada disso foi buscado pela Veja. Os fatos não mudam, é verdade. Porém, não estamos falando de fatos, mas de denúncias vazias, não comprovadas, que têm claro fim eleitoral. Denúncias vazias, a matéria-prima do jornalismo da Veja, têm a clara intenção de afetar o voto do eleitor brasileiro, por isso são sempre publicadas na véspera das eleições. Esse sim um fato que não muda na história recente da revista.

5) Parece evidente que o corolário de ver nos fatos narrados por VEJA um efeito eleitoral por terem vindo a público antes das eleições é reconhecer que temeridade mesmo seria tê-los escondido até o fechamento das urnas.

Finalmente, no quinto ponto, a revista reconhece seus objetivos “eleitoralmente prejudiciais”. Aqui fica claro, para os bons entendedores, a quem servem a revista Veja e suas manipulações de dados e informações, que têm como único objetivo influenciar no resultado das eleições, quando o candidato que melhor representa os interesses da revista aparece em desvantagem nas pesquisas.

6) VEJA reconhece que a presidente Dilma é, como ela disse, “uma defensora intransigente da liberdade de imprensa” e espera que essa sua qualidade de estadista não seja abalada quando aquela liberdade permite a revelação de fatos ( 1 ) que lhe possam ser pessoal ou eleitoralmente prejudiciais.

De fato, a presidenta Dilma, com apenas 20 anos, foi presa e barbaramente torturada para que essa mesma imprensa que hoje usa de sua liberdade de expressão conquistada a duras penas possa se expressar livremente. Mas deixemos claro que liberdade de imprensa nada tem a ver com manipulação de dados, do leitor, das pesquisas, do debate público e do pleito eleitoral. Dilma mantém e manterá suas qualidades de defensora intransigente dessa liberdade, pois esta está pautada protegida pelo paradigma legal do país. Estejam certos os autores da infâmia publicada pela Revista, a presidenta buscará seus direitos de reparação dentro dos marcos legais vigentes no país. Ela mesma deu o recado: "Os brasileiros darão sua resposta à Veja e seus cúmplices nas urnas. E eu darei minha resposta na Justiça". 

A Veja escreve, em sua reportagem, que o delator não pode mentir, senão perde o direito à delação premiada (2) . E quem publica a mentira do delator, perde o que?


COMENTÁRIOS DESTE BLOG:

(1) Quais "fatos"? Observem a linguagem caudalosa: ao tentar chantagear Dilma mediante elogios ( que nem mesmo os leitores da revista ou mesmo de vários dos jornalistas desta editora sustentam, pois vários são dementes que chegam ao ponto de dizer que vivemos uma ditadura comunista onde não há liberdade alguma, não obstante ofenderem a presidenta e outras pessoas nas redes sociais, jornais e revistas ) falsos, a revista ainda tenta vender a idéia de que "revelou fatos" onde na verdade não há provas, apenas e tão somente publicou o que lhe convém, se é que havia algo a se publicar, baseado em depoimentos que sequer sabemos se são realmente existentes.

Veja, dúbia: "Vazamento deve ser apurado", diz advogado de Yousseff. Teor do vazamento, vazamento em si, ou se houve mesmo vazamento?


1- não teve vazamento, Veja inventou um;
2- teve, mas Veja selecionou o que quis;
3- teve, mas não havia nada sobre Lula e Dilma

"O depoimento foi prestado na última terça-feira na presença de um delegado e de um procurador da República"

Se o tal depoimento tinha apenas duas pessoas presentes, uma ou as duas teriam vazado, mas isso apenas no caso de aceitar-se que houve mesmo o tal vazamento, que supostamente foi parar em poder justamente da Veja. 
O advogado, que "impedido de comentar devido ao segredo de Justiça, não pode comentar o processo de delação premiada de Youssef e nem fornecer qualquer detalhe sobre as declarações do doleiro" foi bem sabonete, de acordo com o que se lê, pois - em tese - não questionou a revista sobre como ela teria conseguido as supostas informações atribuidas ao cliente. Se é que existiram. Na verdade, há uma bruma esquisita aí.

"A reportagem de VEJA afirma que as declarações foram prestadas na presença de um procurador e de um delegado"

Ok, se for verdade, só se pode concluir a suposta quantidade de pessoas que teria ouvido o depoimento, e não seu (suposto) teor.

O básico é: se existiu mesmo tal depoimento, e se o teor foi esse mesmo, Veja preferiu - e não é a primeira vez e não será a última - publicar de forma sensacionalista, estridente e claramente golpista tudo aquilo que seja conveniente a seus propósitos sinistros, pois em nenhum momento colocou em dúvida aquilo que supostamente o doleiro teria supostamente dito. E nem se fez de rogada em publicar vazamentos ilegais ( partindo-se, é claro, do princípio de que eles teriam mesmo existido ) ao quais ilegalmente teria tido acesso.

(2) O que me convence mais de que não houve vazamento ou depoimento ou que Veja inventou estas revelações. Ao acreditar que Veja publicou "mentiras do doleiro", temos que reconhecer que ele teria algo a perder nisso, e a conclusão seria que "ele não mentiu".
Mas isso seria meio que um sofisma, já que Veja coleciona casos em que inventa deliberadamente falas que não existiram. Como este caso, de 2010: "Veja falsificou depoimento de Eduardo Viveiros de Castro" e, pelo que se nota, no caso Yousseff não há mesmo provas de que ele disse o que Veja diz que ele , o doleiro, teria dito. Em todo o caso, se ele mentiu a revista não teve mesmo escrúpulos em publicar mentiras que não apurou.
De mais a mais, não seria a primeira vez que esta revista publica inverdades sem a - depois se saberia - apuração decente dos fatos, por "achar" que entre guardá-los para melhor apuração ou publicá-los sem a devida e cuidadosa apuração para não "sonegar informações" ao público, eles ardilosamente escolheram a segunda opção. Eu ainda vou lembrar de um caso.

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