segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Eleições 2014: apontamentos sobre preconceito, nordestinos, Bolsa-Família, FHC...



Não é só nas redes sociais. Eu trabalho em comércio em Sampa, atendo público há 20 anos e é rotina escutar coisas desse naipe.

Este foi o último artigo de Biondi, antes de sua precoce partida. Um trecho, em especial (*), é tocante e traz uma frase reveladora ( "à custa do reforço dos preconceitos contra o Nordeste e os nordestinos" ). Notem a palavra "REFORÇO". Reforça-se algo que já existe, obviamente.

Mentira e cara-durismo ( ou: a imprensa no reinado FHC ) http://www.aloysiobiondi.com.br/spip.php?article26 

Aí você lembra de quando o Serra disse - ou sugeriu num ato falho - que as escolas públicas de São Paulo eram ruins por causa dos, da gente "de fora" ( http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/plenos-poderes/serra-escola-ruim-e-culpa-dos-migrantes/ ).
E começa a se ligar que, com seus líderes falando e agindo dessa maneira, também seu eleitor não terá escrupulos ou vergonha de falar ou agir igual.

( Uma boa questão é que o Bolsa-Família - que deveria se tornar claúsula petrea da Constituição, como uma política de Estado, não de administração de momento - meio que acabou com a mamata coronelística da distribuição de cestas-básicas. Esse mérito é um entre tantos que os "críticos" ignoram, desconhecem ou omitem: http://www.unicamp.br/unicamp/clipping/2013/06/12/bolsa-familia-enfraquece-o-coronelismo-e-rompe-cultura-da-resignacao-diz )

Preconceito contra o Nordeste
Grossa fatia do eleitorado tucano, ingenua ou cinicamente, acha que o Bolsa-Família é compra de votos, pura e simples,sem nunca, jamais e em hipótese alguma mencionar as contrapartidas obrigatórias que os beneficiados PRECISAM CUMPRIR. Nunca os críticos tocam nesse assunto, pois bastaria pra botar por terra seus "argumentos", que na maior parte dos casos não passam de exortação preconceituosa criminosa. 

Mas não vou me estender nisso, por uma razão simples: quando centram as baterias contra o programa de transferência de renda, é feita uma escolha para reforçar o preconceito, como disse Biondi, passando longe de uma questão primordial para se entender o que se passa naquela região: jornais de economia, portais, revistas especializadas destacaram ao longo dos anos o papel da politica de reajustes do salário-mínimo empreendida pelo Lula após 8 anos de arrocho de FHC. 

Isso foi fundamental para aumentar o poder aquisitivo das pessoas o que levou a se desenvolver o comércio, reforçar o caixa das prefeituras e dos Estados. A questão é longa e não me acho apto a desenvolver. Apenas tenham isso em mente: os reajustes do Salário Mínimo ajudaram o Nordeste talvez muito mais que o Bolsa-Família. O preconceito está em relacionar Nordeste e BF de modo pueril e simplista, evitando tocar no assunto do salário-mínimo. Pois bem. Sem terrorismos: Aécio Fraga (rs) já declarou que o salário-mínimo é "inviável" ( Ver aqui: http://ocorreiodaelite.blogspot.com.br/2014/07/ainda-politica-economica-de-aecio-por.html )
Isso é sério, como se vê. E poderá afetar a região mais do que a extinção dos programas de transferência de renda, num hipotético governo Aécio 

(*) "A falta de apoio ao Nordeste, no auge da seca, contribuiu para derrubar a popularidade presidencial. para ganhar o perdão da opinião pública, nada melhor portanto do que reforçar aquela velha ladainha de que o dinheiro destinado à região é mal aplicado, desviado pelas elites e coronéis. Maquiavelicamente, manchete (sempre encomendada) de domingo dizia: "Empresas do Nordeste desviam 550 milhões de reais". O que o texto mostrava? Que os incentivos (desconto de imposto de renda) para projetos no Nordeste tionham sido mal utilizados, com emepresas beneficiadas indo à falência, ou mesmo aplicando em "projetos fantasmas". Para os leitores, uma "prova de bondade do governo" e uma "prova de que o Nordeste é um saco sem fundo". Os brasileiros sempre se impressionam com cifras que falam em "milhões", não conseguindo ver a diferença entre eles, "milhões" e "bilhões". A manchete se aproveitava disso, dando a impressão de um "rombo gigantesco", que, na verdade, não passa de meio bilhão de reais - contra os 42 bilhões (com "b") de reais doados para socorrer os banqueiro no programa Proer, por exemplo. Mas a desonestidade dessa manchete e do governo foi muitíssimo mais longe: o texto dizia que aquele "rombo" maquiavelicamente anunciado era a soma de todas as perdas e desvios ao longo de nada mais, nada menos de quarenta anos. Conta que, evidentemente, nenhum leitor faz - e por issomesmo é função dos jornalistas fazerem, quando querem informar e não manipular pró- governo. E tem mais: se os 550 milhões de reais forem divididos pelos quarenta anos, darão apenas uns 13 milhões (com "m") por ano, cifra absolutamente ridícula, verdadeiros tostões. Mas a manchete maquiavélica cumpriu a missão de "salvar a cara" do governo FHC, à custa do reforço dos preconceitos contra o Nordeste e os nordestinos. Missão duplamente cumprida."

LEIA TAMBÉM: QUEM MATA CRIANÇAS, Aloysio Biondi, 1999

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