quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Desigualdade extrema aflige os EUA, diz Nobel


Desigualdade extrema aflige os EUA, assinala Krugman

A extrema desigualdade nos EUA já preocupa o economista e prêmio Nobel Paul Krugman, que em artigo no “New York Times” assinala que esta chegou a tal ponto que o americano médio sequer consegue conceber sua escala: são os “Nossos Ricos Invisíveis”, em contraponto ao célebre artigo de Dwight Macdonald “Nossos Pobres Invisíveis”, que preparou o terreno para a Guerra à Pobreza” de Lyndon Johnson.

A última peça de evidência sobre a questão foi uma pesquisa sobre qual é a diferença percebida entre a renda de um trabalhador não-especializado e a de um executivo de topo das principais empresas. Nos EUA, a mediana das respostas foi de “30 vezes”, o que era verdade nos anos 1960, e agora disparou para “300 vezes mais que o trabalhador comum”.

Até que o Occupy cunhasse a expressão “1%” x os “99%”, era comum se pensar sobre a desigualdade como se fosse entre os graduados na universidade e os menos educados, ou o 20% do topo versus os 80% do fundo. “E mesmo o 1% é uma categoria extensa demais; os ganhos realmente grandes têm ido para uma elite muito menor”, registrou o economista.

Assim, não apenas a riqueza do topo disparou em relação a todos mais – de 25% da riqueza total para 40% agora – mas o grosso do aumento teve lugar entre o 1 milésimo por cento mais rico dos americanos”. Como assinalou Krugman, “os verdadeiramente ricos estão tão afastados da vida das pessoas comuns que nós nunca vemos o que eles têm. Nós podemos notar, e nos sentirmos afrontados, com garotos da universidade dirigindo carros de luxo; mas não vemos gerentes de fundos especulativos indo de helicóptero para suas mansões no Hamptons. Os pesos pesados da nossa economia são invisíveis porque estão perdidos nas nuvens”.

O americano comum no máximo consegue visualizar as celebridades do cinema e esportes, que ganham muito menos que os barões das finanças. “De acordo com a ‘Forbes’, o ator mais bem pago da América, Robert Downey Jr, fez US$ 75 milhões no ano passado”, enquanto os executivos dos 25 maiores fundos de hedge, na média, aquinhoaram “quase US$ 1 bilhão cada”. E, ainda, o 10% do topo recebe quase metade de toda a renda e possui 75% da riqueza nacional.


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