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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Como os paulistanos dizem que é a "Indústria da Multa", e como ela é DE VERDADE



COMO DIZEM QUE ELA É...
Faz tempo que não falo sobre a famosa e inexistente "Indústria da Multa" paulistana, que alegam ser uma voraz e implacável máquina de arrancar o suado dinheirinho de cidadãos decentes, uma Sereia de Fiji urbana, um Pé Grande que habitaria esta selva de concreto e carros chamada São Paulo, em que as pessoas acham que as únicas áreas verdes que deveriam existir são parques, porque são confinados, ideais pra gente tirar um lazer. Árvores nas ruas e quintais nem pensar. Faz muita sujeira e dá trabalho cuidar.
Como estivemos às voltas com as eleições, não deu pra tocar muito no tema, mas desde 15 de Setembro eu tinha algo na agulha pra postar, só que fui postergando. Em 15 de Setembro caiu na minha mão uma edição do jornal Metrô News onde, na página 10, há a matéria "CET ganha R$ 1,4 mil por minuto em radar" ( Se funcionar direito, pode clicar ali na imagem que talvez dê pra ler ). De acordo com ela, a CET implantou um radar "irregular" ( segundo a OAB ) no "acesso da Marginal Tietê ( sentido Castelo Branco ) à Avenida Santos Dumont, pela Ponte das Bandeiras" e, como pegar a alça é proibido das 6 da manhã às 15 da tarde, cerca de 11 motoristas por minuto são pegos fazendo essa conversão ilegal. A multa por conversão proibida é R$ 127,69. De acordo com o texto a CET estaria, então, arrecadando R$ 1,4 mil por minuto. Os críticos alegam que o radar não é visível, e que por isso estaria configurada uma irregularidade.
Talvez sim, talvez não. Como sempre, tais textos detratores dessa raquítica "Indústria da Multa" focam em valores e em supostos abusos. Chegam a falar em armadilhas, o que em alguns casos deve até ser verdade. Porém só faltou jogar alguma culpa nos amarelinhos, que hoje em dia ficam em terceiro lugar no quesito "aplicação de multas", atrás dos radares e da PM. Pelo menos eu tinha lido algo nesse sentido lá por março ou abril.
Digamos que o radar não esteja visível. Talvez não esteja mesmo. Segundo o texto, a CET diz que "o objetivo é fiscalizar veículos, exceto ônibus e táxis, que fazem o movimento de conversão à direita no local, conforme regulamentação existente ( placa de Proibido Virar à Direita ). A medida busca privilegiar o transporte público, informou em nota."
Esse trecho é importante. Pois, como pode-se ver na imagem abaixo [ original da matéria ] a placa realmente existe, a de cor branca. Cheguei a ler uns que disseram que esta placa é pequena. Que seja, mas o símbolo de "Proibido Virar à Direita", assim como todos os demais - como eu poderia dizer? - "intuitivo", pra emprestar um jargão da informática. Não precisa ler o horário de proibição, ou o texto, mas o símbolo ( é assim que chama? ), repito, é intuitivo. Se não tem identificação de que existe um farol, há a placa dizendo da proibição. Se não existisse um radar ali, e as pessoas soubessem disso, a tal placa de "Proibido Virar à Direita" não seria respeitada nem a pau. Como, de fato, não é. A multa que chega depois é que é a surpresinha-resposta ao ato delituoso. Em resumo: não existe sinal informando a existência de radar, mas existe sinal informando que ali é proibido entrar à direita. Como estamos em São Paulo, não respeitar isto é a regra.
Pra finalizar: cada um acha aquilo do que vai atrás. Se a reportagem do Metrô News ficasse 10 minutos plantada na Avenida Paes de Barros lá pelas seis da tarde, sete da noite, se quisesse também flagraria 11 motoristas por minuto, falando ao celular. Eu já fiz isso e contei um monte deles que, com toda certeza, não receberam a justa punição, a multa dolorosa.



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,,,E COMO ELA É, DE VERDADE
Ontem, voltando à tarde para casa, passei por um local onde, costumeiramente - é a regra, vamos ser sinceros - havia automóveis estacionados sobre a calçada. Tal local já foi tema de diversos posts neste blog. De cara lembrei-me de um post ( acabei de encontrar, e é de exatamente UM ANO ATRÁS!!! ) no qual narrei um caso em que telefonei à CET durante 2 dias SEGUIDOS ( na verdade, eu telefonei durante vários dias seguidos, talvez 5 ou 6, mas somente sábado, domingo e a segunda-feira aparecem na narrativa, que são os dias derradeiros do caso ), implorando por fiscalização e, somente no sétimo alguém compareceu, mas em vez de multar os salafrários, contentou-se em proceder a "remoção" ( pedir que o criminoso tire o carro do lugar, por obséquio ). No dia seguinte a isto, telefonei a CET, contando o fato, e dizendo que NOVAMENTE havia carros ali, o que deixou o atendente furioso. Mas, COMO SEMPRE OCORRE NA CIDADE DE SÃO PAULO, NÃO DEU EM NADA. De lá pra cá, chamei-os diversas outras vezes, mas COMO DE COSTUME, não aconteceu nada e os criminosos sairam impunes.

Pois ontem eu voltava para casa, como contei no início do parágrafo anterior e, ao chegar em casa telefonei à CET. Eram 15:47h. Depois, às 16:30h, para o famigerado "reforço". Depois, tornei a cobrar, às 17:08h. Por fim, a última chamada se deu às 18:06h. Eu tive que sair e, lá pelas 18:15h, eu me encontrava 50 metros do local, no ponto de ônibus, de onde tinha uma visão privilegiada da cena do crime. Três carros na calçada, geralmente os mesmos veículos de sempre, nos mesmos locais de sempre, obrigavam as pessoas a saírem da calçada e caminharem pelo meio da rua apertada, onde, como se deduz, passam ônibus, além dos automóveis. 

Ansiosamente eu esperava tanto pelo meu ônibus como pela CET. O ônibus veio primeiro. A CET não, como descobri somente hoje, ao ligar lá para fazer a consulta do protocolo referente a minha ocorrência. Ainda estou em dúvida se reclamo à Corregedoria. Nem sei se funcionaria.

Por falar em "um ano"...
Em agosto, fiz uma solicitação à CET para que, segundo a atendente telefônica da Companhia que me fez a sugestão, uma avenida passasse a receber uma fiscalização frequente. Eu contei à moça da diversidade de delitos que se observam ali diariamente, e ela disse que, em vez de chamar de vez em quando, tentasse incluir a via num troço chamado "fiscalização periódica".


Assim procedi e, logo, recebi a mensagem abaixo por email, em 12 de agosto:


Sua solicitação C99999999 está sendo tratada no processo acima.
Oportunamente, comunicaremos os resultados da análise. Solicitamos que aguarde um posicionamento sobre a questão.

Companhia de Engenharia de Tráfego - CET
Departamento de Atendimento ao Munícipe - DAM

Em seguida, em 15 de setembro, recebi mais esta comunicação por email:

Em atenção à solicitação de fiscalização, informamos que o local foi incluído em nosso programa de fiscalização periódica, a fim de coibir possíveis desrespeitos ao Código de Trânsito Brasileiro - CTB.

Companhia de Engenharia de Tráfego - CET
Departamento de Atendimento ao Munícipe - DAM


"Até que enfim!", pensei.

E, como tenho mania de guardar email, fui dar o mesmo destino aos dois acima. Quando achei a "pasta" onde guardo estas coisas, encontrei um email datado de 21 de Julho de 2009, ou seja, DE CINCO ANOS ATRÁS, fazendo a mesma merda de solicitação, cuja resposta foi:


Em atenção à solicitação de fiscalização, informamos que o local foi incluído em nosso programa de fiscalização periódica, a fim de coibir possíveis desrespeitos ao Código de Trânsito Brasileiro - CTB.

Companhia de Engenharia de Tráfego - CET
Departamento de Atendimento ao Munícipe - DAM

Portanto, vermes, falem mais sobre essa tal "Indústria da Multa". Quem sabe um dia conseguem me convencer.
Obs: não deixem de ler outros posts sobre a "Indústria da Multa".

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