sexta-feira, 31 de outubro de 2014

CIA, FBI e Pentágono acoitaram nos EUA milhares de criminosos de guerra nazis, diz em livro jornalista do The New York Times



O jornalista do “New York Times”, Eric Lichtblau, revelou, no recém lançado livro “Os nazistas na porta ao lado: como a América se tornou um paraíso seguro para os homens de Hitler”, que o governo dos EUA protegeu e inclusive levou para o país milhares de nazistas de alto coturno, inclusive chefes da SS e açougueiros que cometiam experimentos em seres humanos, autores de pogroms e foragidos de Nuremberg, que foram integrados à CIA e ao Pentágono e ainda usados para remontar o serviço secreto alemão ocidental pós guerra. Aliás, embora não seja o foco do livro de Lichtblau, a CIA também acolheu os colaboracionistas nazistas fugidos da Ucrânia, e cujos descendentes viraram, hoje, os arruaceiros de Maidan.

O livro de Lichtblau demonstra como autoridades nos mais elevados níveis do Estado norte-americano escudaram da punição criminosos de guerra, que trabalharam com todo conforto e regalos como espiões, pesquisadores e operativos encobertos da CIA e do Pentágono. O chefe do FBI, J Edgar Hoover, considerava como “propaganda soviética” as denúncias sobre os crimes de guerra dos nazistas a serviço de Washington.

Assim, o diretor da CIA Allen Dulles nos meses finais da guerra pessoalmente arrumou a libertação do comandante da SS na Itália, general Karl Wolff, ex-oficial de ligação com Hitler e ex-chefe do staff pessoal de Himmler, listado pelos investigadores de Nuremberg como um dos “20 maiores criminosos de guerra”. O general Reinhard Gehlen, chefe da inteligência nazista na frente oriental, foi recrutado pelo Pentágono no fim da II Guerra, e seus 100 mais chegados colaboradores, reciclados, se tornaram o embrião do serviço secreto alemão-ocidental.

Cinco dos principais colaboradores de Adolf Eichmann na “solução final” contra os judeus, foram recrutados pela CIA. Um deles, Otto von Bolschwing, foi levado para Nova Iorque em 1954 “como prêmio pelos seus leais serviços pós-guerra e em vista da inocuidade das suas atividades partidárias [nazis]”, segundo a CIA. Quando Israel seqüestrou Eichmann, a CIA protegeu von Bolschwing, que viveu mais 20 anos livremente antes de ser descoberto por promotores. Ele fez um acordo em 1981 para abrir mão da cidadania norte-americana e acabou morrendo meses depois.

O ex-líder paramilitar nazista Emil Salmon, previamente condenado por queimar uma sinagoga por um tribunal de desnazificação, foi contratado pela Força Aérea dos EUA, em Ohio, como engenheiro de jato. O depois “pai da medicina espacial dos EUA”, doutor Hubertus Strughold, apesar de ser o número quatro entre os médicos que cometiam experimentos terríveis em seres humanos e que inclusive, em 1942, participou de uma conferência sobre os “trabalhos” em Dachau, foi liberado por Washington em 1947 e levado para o Texas.

Em 1970, indagado por repórteres em San Diego sobre antigo nazista com vínculos com a CIA, o então diretor da agência, Bush Pai, declarou abertamente: “se fosse do meu conhecimento, não sei se lhes contaria”. Em 1980, o FBI se recusou a fornecer informação à justiça dos EUA sobre 19 suspeitos nazistas. Em 1994, a CIA tentou abafar investigações sobre um operativo seu, Aleksandras Lileikis, diretamente envolvido com o massacre de 60 mil judeus na Lituânia.


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