domingo, 19 de outubro de 2014

A estratégia do vazamento dos depoimentos de Sérgio Moro


Primeiro, a marcação do depoimento dos acusados em pleno início do segundo turno, para que, sem o segredo de justiça, trechos selecionados pudessem ser aproveitados para o jogo eleitoral.

Houve uma indignação geral contra o jogo do juiz Sérgio Moro e dos procuradores, por parte das redes sociais, de instituições nacionais e de operadores do direito. Para não dar margem a nenhuma dúvida sobre a partidarização do julgamento, Gilmar Mendes, o verdugo dos juizes justiceiros, o garantista dos seus, o homem que jogou o peso do STF contra o juiz De Sanctis, veio a público dar pleno apoio a Moro.

Os vazamentos pararam por alguns dias e voltaram contra o “outro lado”. Num assomo de isenção, liberou-se a parte do depoimento de Costa que implicava, dentre tantos muito vivos, um dirigente tucano morto e, nessa condição, fora do alcance do instituto do foro privilegiado, que tiraria o inquérito das mãos de Moro.

Dentro da estratégia atual, de emular todas as barbaridades das campanhas tucanas, o PT engoliu a isca, aprovou o método condenável - contra quem quer que fosse - e repercutiu o vazamento, tão irresponsável quanto os anteriores. E, com isso deu o aval de credibilidade aos vazamentos, como bem lembrou Aécio Neves no debate, liberando os vazadores para prosseguir na sua estratégia inicial.

Como não tem mais nenhum dirigente tucano muito morto, os próximos dias serão dedicados à retomada de vazamentos contra dirigentes petistas não muito vivos.



COMENTÁRIO DO BLOG: Quando surgiu uma manchete na Folha, não lembro a data, dizendo sobre a delação ter chegado a Sérgio Guerra ( "Presidente do PSDB" ) eu busquei a noticia e postei aqui, apenas observando que tinhamos que ter cautela porque a noticia aparentemente tinha como ponto de partida uma nota publicada pelo Claudio Humberto, nem um pouco confiável em meu modo de ver. Em seguida, lendo com mais atenção, comecei a achar que o cuidado deveria ser redobrado, pois poderia ser um "Cavalo de Tróia" e que não se deveria por o carro na frente dos bois. 
Explico: os governistas insistem que trata-se, em primeiro lugar, de denúncias sem provas. Em segundo lugar, que eram vazamentos seletivos cuidadosamente vazados para a imprensa em favor da candidatura Aécio Neves. Mas poucos insistiram que, na verdade, qualquer que fosse o conteúdo, a favor ou contra o PT, os vazamentos são proibidos. Nassif é um deles.
Eu passei a considerar que as pessoas se deparariam com umas questões: se as informações contra o PSDB e seu presidente já morto e já longe de qualquer possibilidade de punição fossem verídicas, o que seria de agrado de petistas, eles acabariam endossando também todas as outras denúncias, dessa vez contra pessoas vivas do PT e endossando a prática dos vazamentos ilegais. Além disso, se era verdade que Sérgio recebeu dinheiro para "esvaziar" a CPI ( na qual o governo teria maioria folgada ), alguém poderia sugerir uma pergunta com resposta já encaminhada: a quem interessaria pagar para esvaziá-la? O governo? 
Entendem porque lembrei do Cavalo de Tróia?

Quem não deve não pode temer, em tese. Mas o que está em jogo é a eleição, esse é o objetivo dos vazamentos. Ser honesto se tornou menos importante que parecer honesto. Ou melhor: ser mostrado como honesto não tem nada a ver com ser honesto. "Ser mostrado" não está dentro de seu controle. A lição de Gushuken ainda serve. Então talvez essas noticias sobre Sérgio Guerra não sirvam muito. Claro que ver o PSDB implicado numa trama diabólica e isso aparecer finalmente na manchete de um jorna que é totalmente pro-PSDB soa como vitória, mas ela pode ser de Pirro.

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