sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A coisa não vem de hoje



Eu vasculhava o glorioso e atualmente esquecido blog do Vinicius Duarte, o "Com Fel e Limão", em busca de memórias e inspiração.

Aí, encontrei o post  "O maior motivo", de 07.10.2006.

Neste encontrei um troço bastante interessante, que reproduzo abaixo, na forma de trechos selecionados:

"(...) uma cópia do jornal “Diário do Comércio”, edição de 03/10, página A-12, coluna de Denise Rothemburg, denominada “Atrás do Palanque”, que reproduzo a seguir:

“O acirramento da campanha chegou a tal nível que o blog http://ego.globo.com causou a maior polêmica entre alguns internautas dia desses. Ao fazer uma campanha contra Lula, o responsável pela página atacou nordestinos, trabalhadores e evangélicos. “Nesta eleição, diga não ao povão e faça com que Lula perca seus votos (…). Vamos trancar nossas domésticas em casa, interditar as casas de forró e suspender os cultos evangélicos. Proibir os porteiros de saírem dos prédios, fazer com que todos os garçons percam seus empregos, caso não mudem de idéia”. Lamentável.”
(...)

A diferença é que em 2006 não havia ( havia? ) Twitter, Facebook e os blogs ainda se contavam nos dedos das mãos ( rs sei que cometi um exagero ), talvez no máximo o Orkut. Assim, não se tinha tanta impressão de haver uma explosão de expressões e manifestações de preconceito, racismo, xenofobia, imbecilidade como vemos hoje e, pior, acho que estamos nos habituando.

Em 2006 eu lia diversos jornais. Era jornaleiro, tinha à disposição jornais, revistas ( lia Estadão, Folha, JB etc ) e o escambau. Queria estar "preparado", "informado", inclusive sobre as piores práticas jornalistas. Como da vez que a Folha publicou enfaticamente que Lula aumentara os gastos com publicidade mas, na real, ele gastava o mesmo que FHC, mas adotou uma prática de pulverizar as verbas. Veículos de menor expressão, regionais, etc passaram a contar com recursos antes garantidos apenas às famílias detentoras de rádios FM e televisão ( rs ) e revistas e jornais de grande circulação. Dilma fez o inverso e reconcentrou estas verbas e os resultados são estes.

Hoje, às vezes, leio só o caderno esportivo. Mesmo assim, até junho do ano passado eu gastava, ou melhor, comprometia grande parte de meu exiguo rendimento comprando revistas como Forum, Caros Amigos, Carta Capital ( deste eu tenho edições de 2002 em diante ) , Retrato do Brasil, com o propósito quixotesco de ajudar estas publicações a se manter. E, olha isso, eu comprava e não lia. Apenas guardei, na esperança de ter tempo para fazê-lo, um dia. Quando as noticias não serão mais novidade ou atuais. Meio que cansei de acompanhar "notícias", apesar de gastar horas na Internet. sobretudo no Twitter e no Facebook. Saber "notícias" não é "ter conhecimento" ou "ter informação". Não é "ter conteúdo".

E nesse tempo todo, só vi casos como esse aí do Ego se avolumarem, sobretudo nas redes sociais. Em verdade, não dá pra dizer que se avolumaram devido ao sempre aludido anonimato nas redes. Muita gente mostra a cara e fala mesmo. Nessas horas não dá pra se manter fora, mas espero que Dilma vença, tente dar uma melhorada nas coisas nos próximos 4 anos e eu possa descansar um pouco disso tudo. Se por um lado se multiplicaram, se não os autores, mas as manifestações tacanhas, por outro lado também tem um bocado de gente de olho. Posso tirar umas férias. Mas antes, tem o segundo turno. Vejam o texto da coluna Ego e vejam o caso do músico que se recusou a apertar a mão de Aécio, agora segundo ele, vitima de ataques, ofensas e ameaças na Internet. Em quem vocês acham que os autores dessas práticas preconceituosas e ofensivas votam?

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