terça-feira, 16 de setembro de 2014

Treze anos após o 11 de setembro, a cegueira persiste, Por Thierry Meyssan


Thierry Meyssan foi o primeiro a demonstrar a impossibilidade da versão oficial dos atentados do 11 de Setembro, e a concluir sobre eles quanto a uma modificação profunda da natureza e da política do regime norte-americano. Enquanto a maioria dos leitores se continua a emocionar com o registo desse dia ele seguiu o seu caminho, e comprometeu-se a lutar contra o imperialismo no Líbano, na Líbia e agora na Síria. Ele reaprecia aqui esse dia de loucos.


Os eventos do 11 de Setembro, permanecem gravados na memória colectiva de acordo com a moldagem feita pelos média (mídia-Br): ataques monstruosos atingiram Nova Iorque e Washington. Mas, a jogada de poder que mudou profundamente o mundo, naquele dia, está ainda escondida.

Por volta das 10 horas da manhã , quando os atentados contra o World Trade Center e o Pentágono já haviam ocorrido, o conselheiro de anti-terrorismo da Casa Branca, Richard Clarke, lançou o programa de «continuidade do governo». Este programa visa substituir o Executivo e o Legislativo, em caso de destruição, aquando de uma guerra nuclear. Não havia nenhum motivo para ser implementado naquele dia. Ora, desde logo, o presidente George W. Bush foi removido das suas funções em favor de um governo militar.

Durante todo esse dia, os membros do Congresso, e as suas equipes, foram levados pelo Poder militar e colocados sob custódia em dois bunkers seguros, localizados na proximidade de Washington, no complexo Greenbrier (Virgínia Ocidental) e em Mount Weather (Virginia).

Só tendo sido o poder devolvido, pelos militares, aos civis no final do dia, e o presidente Bush só tendo podido dirigir-se aos seus concidadãos pela televisão cerca das 20 horas.

Durante este dia, o ex-presidente George W. Bush vagueou pelo país. Em duas bases militares por onde passou, ele exigiu atravessar a pista num blindado, temendo ser morto por um dos seus soldados. O presidente Vladimir Putin que procurou, durante todo o dia, entrar em contacto com ele por telefone, para evitar mal-entendidos e acusações contra a Rússia, não o conseguiu sequer.

Pelas 16 horas, o primeiro-ministro israelita (israelense-Br), Ariel Sharon, apareceu na televisão para dizer aos Norte-Americanos que os israelitas há muito conheciam os horrores do terrorismo e compartilhavam a sua dor. Na ocasião, ele anunciou que os atentados tinham acabado, o que ele não poderia saber sem estar metido neles.

Nós podemos discutir, eternamente, as incoerências da versão oficial destes atentados, mas não há lugar para discussão quanto a este facto: o programa de continuidade do Governo foi activado sem razão. Em qualquer país a remoção do presidente, e a detenção de parlamentares, por parte do exército tem um nome: é um golpe de Estado militar.

Pode-se objectar que o presidente Bush retomou o seu cargo no final do dia. Ora, era isto precisamente o que aconselhava o neo-conservador americano-israelita Edward Luttwak no seu Manual do golpe de Estado. Segundo ele, um golpe de Estado bem executado é aquele do qual ninguém toma consciência, porque mantêm no poder aqueles que o exercem mas lhes impõe uma nova orientação política.

Neste dia foi validado o princípio do estado de emergência permanente, nos Estados Unidos. O que foi logo traduzido na prática, em ação, com o Patriot Act dos EUA (Lei de defesa Patriótica-ndT). E, foi igualmente validado o princípio das guerras imperialistas. Foi oficialmente confirmado pelo presidente Bush, alguns dias depois, em Camp David : os Estados Unidos deviam atacar o Afeganistão, o Iraque, a Líbia, a Síria via Líbano, o Sudão e a Somália, e por fim o Irão (Irã-Br).

Até ao momento, apenas metade deste programa foi realizado. O presidente Obama anunciou ontem à noite que o iria continuar na Síria.

A maior parte dos aliados dos Estados Unidos recusaram-se, há 13 anos atrás, a encarar a evidência, e privaram-se assim de prever a política de Washington. Se apenas se pode julgar a verdade com o tempo, estes 13 anos foram certeiros: tudo o que eu anunciava —e que os meus críticos qualificaram de «anti-americanismo»— aconteceu. E, por exemplo, eles ficaram estupefactos quando a Otan se apoiou na al- Qaida para derrubar a Jamahariya árabe Líbia.

Eu sinto-me orgulhoso por ter alertado o mundo para este golpe, e para as guerras que se lhe iriam seguir, mas triste por ver que a opinião pública ocidental está perdida numa discussão quanto à impossibilidade, material, da versão oficial. Chamo a atenção, no entanto, que certos elementos desse dia ainda permanecem escondidos, tais como o incêndio que destruiu os escritórios do Edifício Eisenhower, o anexo da Casa Branca, ou ainda o míssil registado pela televisão de Nova Iorque disparado diante do World Trade Center.

A guerra continua a destruir o mundo muçulmano, enquanto os ocidentais, decididamente cegos, prosseguem os seus debates sobre o colapso das torres.


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