quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Terrorista Obama ataca a Síria com Tomahawk, bombardeiros e drones


50 ataques em um só dia sob o pretexto de “combater o Estado Islâmico” que Obama usou contra o governo Assad. Violação da Carta da ONU é cometida na véspera da 69ª Assembleia Geral

No dia da cúpula mundial de chefes de Estado sobre o clima na ONU, nesta terça-feira (23), e véspera da abertura da 69ª Assembléia Geral, o governo Obama violou a Carta da organização e ignorou veto do Conselho de Segurança, ao bombardear por 50 vezes o território da Síria a pretexto de “combater o terrorismo” que desencadeou há três anos contra o mesmo país para derrubar seu governo legítimo.

O anúncio foi feito pelo Pentágono nas primeiras horas do dia (horário local), com uma onda de ataques, com mísseis Tomahawk, bombardeiros, caças e drones, contra as províncias sírias de Al Raqqa e Deir ez Zor, redutos do autodenominado “Estado Islâmico” no leste do país, com dezenas de mortos, inclusive três criança, e destruição de muitos prédios. Entre as cidades atingidas, estão Al Raqqa, Tel Abiad, Tabaqa, Ain Aisa, Al Bukamal e Deir ez Zor. O EI já retirara pessoal e armamentos de prédios considerados prováveis alvos. Aproveitando o ensejo, Israel derrubou no Golã ocupado um MiG sírio.

Os bombardeios devem continuar nos próximos dias. De acordo com o Pentágono, “parceiros árabes” participaram da agressão na Síria ou a apoiaram – os mesmos que a CIA usou para desencadear sua intervenção via mercenários, comedores de fígado e degoladores, com jornais dos EUA citando “Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Bahrein e Qatar”, sem ficar claro se houve presença de jatos dos estados fantoches. No vizinho Iraque, os ataques aéreos dos EUA já superaram os 200.

“INADMISSÍVEL”

Na véspera, o presidente russo Vladimir Putin havia conversado por telefone com o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, advertindo que um ataque supostamente contra o “Estado Islâmico” em território sírio seria inadmissível sem o consentimento expresso do governo de Damasco ou mandato do Conselho de Segurança da ONU. A França, que vem participando dos ataques contra o “Estado Islâmico” no Iraque, decidiu não participar do bombardeio contra a Síria, assim como a Turquia.

No mesmo discurso na semana passada em que antecipara os bombardeios contra a Síria, Obama também ordenou – e o Congresso dos EUA aprovou imediatamente – US$ 500 milhões para seu novo exército de 5.000 terroristas “moderados”, a serem treinados pelo Pentágono na Arábia Saudita nos próximos meses. O bombardeio contra a Síria também frauda a constituição dos EUA, pois não foi aprovado pelo Congresso - mas Obama diz que a lei de guerra de 2001 de W. Bush continua em vigor. Obama também ameaçou “destruir” a defesa antiaérea síria se esta interferisse nos bombardeios anunciados.

Há um ano atrás, usando como pretexto a operação de bandeira trocada em Ghouta com gás sarin, cometida pelos terroristas que patrocinara, Obama chegou a ensaiar bombardear a Síria, após acusar sem provas o governo Assad, mas recuou, depois de curioso episódio em que navios de guerra russos teriam interceptado e destruído mísseis dos EUA que rumavam a Damasco, ou, segundo outra versão, inusitado exercício com mísseis por navios de Israel na região. Fosse como fosse, Obama acabou aceitando proposta da Rússia de acordo para destruição do arsenal químico sírio. Na época, os mercenários sírios a serviço dos EUA vinham sendo dizimados pelo exército sírio.

A imprensa dos EUA diz que Washington informou o embaixador sírio na ONU de que iria desencadear o bombardeio contra território sírio. O que é bem diferente de solicitar, e obter, autorização do governo legítimo. Rússia e China vetaram no CS as tentativas anteriores de Obama e seus poodles Hollande e Cameron, de repetirem, contra Assad, a intervenção na Líbia, em que resolução aprovada supostamente para proteger “civis líbios ameaçados” foi desvirtuada para que a Otan bombardeasse as forças legalistas e garantisse a derrubada e assassinato do líder Kadhafi, transformando em caos o país mais próspero da África e grande produtor de petróleo.

OPERAÇÃO DA CIA

Não havia “Estado Islâmico”, nem Al Qaeda, no Iraque antes da invasão dos EUA e da execução do presidente Sadam, assim como não havia terroristas na Síria antes da operação da CIA contra o governo Assad com suporte da Turquia, Arábia Saudita e Qatar. Enquanto os extremistas degolavam civis e soldados sírios, eram considerados por Washington como “bons terroristas” e só passaram a ser “maus” quando saíram do controle da CIA e passaram a se chocar, no vizinho Iraque, com o governo fantoche ali deixado pelos marines, e contra os interesses das petroleiras ianques.

A partir daí, a mídia imperial passou a apresentar o “Estado Islâmico” como “pior que a Al Qaeda” - o que, considerando o 11 de Setembro, para o norte-americano médio deve ser um “perigo” difícil até de aquilatar – e ainda de ser o “movimento terrorista mais rico do mundo”. Passaram a atribuir ao EI até “vender meninas como escravas” e “mutilação genital”. Como antes, contra Sadam, haviam utilizado o conto dos “bebês atirados das incubadoras” e uma década depois, “as armas de destruição em massa”; e, contra Kadhafi, diziam que mandara entupir seus soldados de “comprimidos de Viagra para cometerem estupros em massa de oposicionistas”.

PLUTOCRACIA

Naturalmente, não é a brutalidade do “Estado Islâmico” que aflige as delicadas narinas da plutocracia norte-americana. Os instrutores ianques sempre apreciaram muito a degola executada por seus mercenários no Afeganistão, Bósnia, Kosovo, Chechênia, Líbia e Síria, e Washington jamais viu qualquer senão no uso quase diário do corte de cabeças na pena de morte na Arábia Saudita. Assim, o que está em jogo é que, nos últimos meses, as forças patrióticas sírias deram cabo da maior parte das gangues pró-EUA e em eleições o povo reelegeu o presidente Bashar. E no vizinho Iraque uma insurreição anti-governo fantoche vai muito além do EI. Nesse quadro, com o contumaz cinismo de Washington, a campanha pelo bombardeio teve como auge os vídeos da degola de dois jornalistas enviados para exaltar as operações contra Assad. A degeneração do império não tem limites.

ANTONIO PIMENTA / HORA DO POVO

.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe