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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Sequestro no hotel: o dia em que o "Comentarista de Portal" virou sequestrador.


Este ano escrevi dois textos sobre a questão do ódio na internet ( O Paciente Trabalho para Plantar o Ódio nas Redes Sociais. e Os Zumbis das Redes Sociais ). São reflexões sobre o comportamento extremado e de ódios cultivados pela grande mídia que ganha corpo e amplitude nos comentários de portais e nas redes sociais, principalmente no Facebook e Twitter, o que já existia no Orkut, mas sem a mesma repercussão de hoje. Formou-se uma geração de zumbis que se retroalimentam pelo ódio amplo, aos partidos, em especial ao PT. O ódio racial e sexual.
Em Brasília, hoje, Jac de Souza Santos, de 30 anos, ex-candidato a vereador, pelo PP ( partido de Bolsonaro e Maluf ), de Combinado, uma pequena cidade do interior de Tocantis. Ativo frequentador das redes sociais resolveu sair do "cercadinho”, dos comentários de portais e partir para o desespero. Invadiu um hotel, sequestrou um funcionário de 70 anos, colocando um colete, com aparentes bombas, ameaçando explodir tudo. Uma pauta confusa, mas bem apropriada da Direita radical: Extradição de Cesare Battisti, aplicação da ficha limpa e renúncia de Dilma, armou um circo por sete longas horas.
A ação extremada do típico “cidadão-Veja”, dos anos e anos sendo alimentados com ódio ao PT, até me admiro não ter acontecido antes, este tipo de ação estúpida é o resultado, não produto. O “Cidadão-Veja” saiu das caixas de comentários e partiu para o sequestro e ameaça. A frustração por mais uma iminente derrota eleitoral. Este coitado é reflexo perfeito da mídia canalha, da escandalização contínua, do assassinato de reputações.
Analisando as postagens dele no Facebook percebe-se um típico comportamento de cidadão classe média, com assídua vivência nos portais de mídia: 1) ódio ao PT, 2) fã de Joaquim Barbosa, 3) torcia ardentemente pelo #NãovaiterCopa, como forma de ter uma explosão social, por fim, triste com morte de Campos. Quase todos os posts fala de “corrupção” no Brasil, um repetidor de chavões da grande mídia. Um dos posts ele “dialoga” com o ex-candidato do PSB, Eduardo Campo, ele se vê quase como um “vingador”, escrevendo sobre a baboseira de que “não vai desistir do Brasil”.
A mídia tratou logo de vinculá-lo de alguma forma ao PT, pois o hotel da farsa era o Saint Peter, que daria um emprego a José Dirceu, mas qual a relevância de dizerem que o Hotel onde ocorre o sequestro quis empregar o José Dirceu? Fora a IMBECILIDADE e ÓDIO ao PT. É a prática canalha, que cria e amplifica este tipo de ódio visceral. Por outro lado, a militância do PT buscou informações sobre quem seria o “terrorista” e logo descobriu seus vínculos partidários.
Penso que é melhor esquece que ele foi candidato pelo PP, aliado ao PSDB. A ação dele é típica do frustrado, do ódio alimentado nestes últimos anos. Tentar envolver partidos não ajudará nada, nos igualamos a midiona dizendo que o hotel era o do ex-futuro-empregador do Zé Dirceu. É ação individual.
Devemos nos ater a entender como a mídia tem responsabilidade direta neste extremismo, pela escandalização gratuita, por não filtrar os comentários mais ofensivos, a ampla permissividade dos portais, que amplifica o ódio e deseduca o país. É a oposição pela oposição, que não constrói então, numa hora, saí do armário e pratica um grave crime.
O meu grande receio é que o sequestrador seja a próxima atração do programa da Fátima Bernardes, depois Jornal Nacional, uma exclusiva com o Casoy, um papo com William Waak e fechando com o jô. No domingo vira atração do Faustão e matéria cheia de espetáculo no Fantástico.

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