quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Fresh fruit for rotting vegetables", de Alex Ogg, um baita livro



No site da Livraria Cultura, há uma sinopse sobre a obra. Romântica, não acho que essa sinopse faça juz ao conteúdo riquíssmo deste livro, que estou terminando de ler. Trata-se dos primeiros anos dos Dead Kennedys, a formação que durou pouco tempo ( havia um outro guitarrista, alcunhado "6025", um fã de Capitain Beefheart, e o baterista então era Ted, que tocava de forma bastante elegante ) e aborda a gravação e distribuição dos primeiros singles e deste disco, lançado em 1980 ( aqui no Brasil saiu em 1986, e o vinil era branco. É o meu disco de cabeceira de todos os tempos, aquele que a gente leva pra uma ilha deserta. É o meu "Dark side of the moon", meu "Sgt.Peppers", e "Holyday in Cambodia" é a minha "Stairway to heaven" ), além das encrencas, primeiros shows, turnês. 

Apesar da fama de "influente" da banda, "uma das maiores do punk" e etc, é curioso que haja tão pouca informação sobre eles, de um modo geral. Alguns haverão de se surpreender, ao ver que a influência e cultura musicais dos caras era muito mais ampla que a exibida pela maioria dos adeptos e músicos desta vertente  músical do rock. As guitarras surf-music com echoplex mostravam isso. A canção Hollyday in Cambodia evidenciava o gosto pelo Pink Floyd de Syd Barret. A letra de "I kill children" não ficaria feia se cantada por Alice Cooper. Claro que os fãs mais fanáticos conhecem a maioria das informações contidas ali, mas acho que este livro preenche bem uma lacuna, e satisfará tanto estes fãs quanto os mais neófitos e curiosos. Curiosidade: não se fala muito sobre política nas páginas da obra.

Leiam a sinopse:

'A batida tribal, o baixo ameaçador, a guitarra fantasmagórica e finalmente a voz sarcástica que anuncia 'I am Governor Jerry Brown'. Era um verdadeiro chamado para a batalha - um botão de alerta que, quando acionado, invertia os papéis da sociedade. Garotos populares para trás, desajustados para frente! Doce - e barulhenta - vingança dos rejeitados, tímidos, feios, nerds, punks, skatistas, enfim, de todos aqueles considerados 'diferentes'. Esse épico começo de 'California Über Alles', reconhecível a quilômetros de distância, foi incorporado não apenas ao imaginário daquela geração que cresceu pulando com esse som - como um vírus, penetrou no sangue de todo e qualquer punk que nasceu nos anos seguintes. Corrigindo - décadas seguintes. 
Lá se vão 34 anos desde o lançamento de Fresh Fruit for Rotting Vegetables, o primeiro e clássico álbum do Dead Kennedys. A edição nacional, em vinil branco, saiu pela gravadora Continental com seis anos de atraso e tornou-se um item sagrado para a juventude brasileira. Era tocado em festas, emprestado (com certo temor) para amigos, gravado em fitas K7, disputado a tapa em lojas quando o pôster estava intacto! Três décadas depois e quase nada mudou - as faixas do Fresh Fruit ainda animam muitas festas, ninguém gosta muito de emprestar esse disco, ele ainda marca presença em playlists ou mixtapes, e o LP com o pôster continua valendo o dobro do preço nas feirinhas de vinil. A influência do Dead Kennedys é atestada pela longevidade. Fresh Fruit permanece atual. 
Assim, o recorte histórico do escritor Alex Ogg é muito bem-vindo. Com a contextualização dos primeiros anos da banda e o acompanhamento minucioso do processo de composição e gravação do debut, o autor britânico consegue estabelecer um pouco de consenso numa história que é marcada por brigas, disputas judiciais e egos inflamados/feridos. É tarefa árdua (quase impossível) lançar algo que agrade todas as partes envolvidas nesse caso. E Alex Ogg conseguiu - com paciência e muito jogo de cintura, mas conseguiu ( inclusive ele enumerou no apêndice o número de aspas atribuídas à cada um dos integrantes, para 'provar' que todos tiveram a chance de defender a sua versão )'. - Marcelo Viegas

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