quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Estado Islâmico é só pretexto para Obama atacar Síria



Na última quarta-feira (10) em discurso pronunciado nos EUA e divulgado amplamente pela TV o presidente Barack Obama anunciou que o país vai deflagrar uma ofensiva militar contra o Estado Islâmico – EI, que atua na Síria e no Iraque. Obama conta com o apoio de Democratas e Republicanos para a sua mais recente “cruzada contra o terrorismo” e que nesse caso visa manter não só o controle do petróleo do Iraque, mas também interferir militarmente na Síria, objetivo que já foi tentado sem sucesso devido à ação da Rússia e da China, que se colocaram contra qualquer intervenção militar americana contra o país.

Embora já tenha enviado mais de 1.500 soldados como “conselheiros” e para “defender a embaixada americana” em Bagdá, Obama diz não querer enviar tropas terrestres para o Iraque, mas intensificar os ataques aéreos e reforçar – para as ações militares terrestres, pois segundo diz, “alguém tem que fazê-las” – as relações com os países do Golfo, ditaduras como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, já bastante habituadas às intervenções militares de ajuda mútua na região e que sempre mantiveram alinhamento total com a política externa intervencionista dos EUA.

No caso da Síria os EUA pretendem bombardear o país sob o pretexto de atacar o grupo Estado Islâmico que, embora esteja ali combatendo o governo democrático de Bashar Al Assad, não é o preferido de Obama ainda que também tenha sido armado e financiado por Washington e seus satélites.

Segundo o New York Times deste domingo (14), Obama “não descarta” a possibilidade de que o presidente sírio Bashar Al Assad ordene que sua força aérea abra fogo contra os caças americanos se estes entrarem em seu espaço aéreo. Se Assad fizer isso, Obama disse que “ordenaria que as forças dos EUA acabem com o sistema de defesa aérea da Síria, mais fácil de ser atacado que o Estado Islâmico por que se sabe melhor onde está situado.” Para suas investidas contra a Síria, Obama terá de mais uma vez passar por cima da ONU e burlar suas próprias leis, até mesmo a legislação antiterror de 2001 aprovada pelo Congresso americano e que é restrita à Al Qaeda e não menciona a Síria. Mas Obama, mesmo não tendo nenhum direito ou autoridade, insiste em fornecer armas e treinamento aos mercenários sírios que supostamente se opõem ao Estado Islâmico e assim criar uma nova alternativa menos “fundamentalista” ao governo Assad. Obama não quer o fim dos conflitos na Síria, seu objetivo é atacar militarmente o país e derrubar o governo sírio.

A maior parte do Estado Islâmico, que atua na Síria mas tem maior presença no Iraque, agora se volta contra os EUA e seu governo fantoche em Bagdá, que foi armado e treinado exatamente pelos EUA desde que invadiram o Iraque e derrubaram Sadam Hussein. O Estado Islâmico se mantém também com dinheiro de venda de petróleo contrabandeado do Iraque, onde controla vastas áreas produtoras comprometendo o lucro das petroleiras americanas, razão maior da invasão do Iraque e da derrubada de Sadam.

Mas bombardear a Síria ou qualquer outro país por decisão unilateral ainda que seja sob o pretexto de combater o terrorismo do Estado Islâmico é uma evidente violação do direito internacional e da Carta da ONU.

A Rússia, a China e o Irã já se declararam contrários a qualquer ação dos EUA contra a Síria. Obama continua fazendo com que o Secretário de Estado John Kerry percorra o mundo em busca de apoio para sua tresloucada aventura militar, cujo principal apoiador e sócio na exploração do petróleo do Iraque é o primeiro-ministro britânico David Cameron, aliado de todas as horas dos EUA, mas que também já disse que não vai enviar tropas para o Iraque.

Em Paris, durante a Conferência de Paz e Segurança realizada nesta segunda-feira (15), o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que “a cruzada há mais de três anos contra Bashar Al Assad permitiu que o Estado Islâmico se fortalecesse para preparar sua marcha contra Bagdá. O Estado Islâmico não representa o Islã e jamais conseguirá conquistar um Estado próprio. Moscou prestará toda ajuda militar possível à Síria e ao Iraque.” E condenou mais uma vez a “intenção dos EUA de realizar ataques sobre as posições do Estado Islâmico em território sírio sem entrar em acordo com o governo do país.” ( HORA DO POVO )

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Desde 2011, Rússia e China têm vetado no Conselho de Segurança da ONU as investidas de Washington para aprovar ataque e invasão da Síria, em repetição ao que foi feito na Líbia

A Rússia repudiou qualquer tentativa dos EUA de, conforme discurso de Obama, bombardear a Síria a pretexto de combater o Estado Islâmico (EI), assinalando que, “na ausência de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU, seria um ato de agressão, uma grosseira violação da Carta da ONU e da lei internacional”. Também o governo sírio condenou tal intervenção, ressaltando que “qualquer ação de qualquer espécie sem o consentimento do governo sírio seria um ataque à Síria”. Desde 2011, Rússia e China têm vetado no CS as investidas de Washington para aprovar ataque e invasão da Síria, em repetição ao que foi feito na Líbia.

Na segunda-feira (15), reunião em Paris contra o Estado Islâmico, com a presença de 24 países, se encerrou com a divulgação de um texto genérico prometendo apoiar o novo governo fantoche do Iraque, enquanto Obama prosseguia montando sua “coalizão dos dispostos” para bombardear o Iraque e a Síria. O encontro foi ciceroneado pelo poodle de Obama, François Hollande.

De acordo com Obama, em paralelo com o bombardeio, a Casa Branca irá remontar sua trupe de “moderados”, que seriam treinados na Arábia Saudita para serem depois transportados até a Síria para derrubar Assad, para o que ele solicitou ao Congresso verba adicional de US$ 500 milhões. Nos últimos meses, os “moderados” da CIA quase sumiram, moídos pelo EI e pelas forças de Assad, e só sobraram grifes da Al Qaeda e congêneres. Satélites de Washington no Golfo se prontificaram a engrossar a armada de Obama.

Hollande prometeu “empurrar o Estado Islâmico de volta” e “fazê-lo desaparecer”, conclamando por um “apoio claro, leal e forte a Bagdá”. Declaração ouvida com enternecimento pelo presidente fantoche Fuad Masum, que condenou a “detestável ideologia” do EI. Horas após o encerramento da cúpula de Paris, o Irã revelou ter sido procurado pelo secretário de Estado, John Kerry, mas, nas palavras do aiatolá Khamenei, rejeitava a oferta de cooperação por causa das “mãos sujas” de Washington.
Enquanto isso, agências de notícias registraram que os “moderados” da CIA e a Frente Al Nusra ligada à Al Qaeda haviam feito um acordo de não-agressão com o Estado Islâmico para concentrar forças para atacar Assad.

Em um raro lampejo de lucidez, Obama disse que a guerra que está iniciando, ou melhor, retomando do ponto onde foi deixada por Bush Pai, Clinton e W. Bush, “será um problema para o próximo presidente”. E, acrescentou, “provavelmente para o outro depois daquele”. É possível que sírios e iraquianos não queiram esperar tanto.

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