quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Conclusão sobre o novo Datafolha: "escândalo" da Petrobras flopou





Paulo Nogueira - DCM

A principal conclusão do novo Datafolha é que o escândalo da Petrobras flopou.

Quer dizer: fracassou como algo capaz de mudar os rumos das eleições em favor de Aécio.

As entrevistas foram feitas no extremo calor das denúncias, e Aécio permaneceu num distante terceiro lugar, com 15% das intenções de voto.

Dilma, que deveria ser o candidato mais afetado pelo caso Petrobras, foi quem melhor se saiu neste Datafolha.

Manteve a dianteira no primeiro turno e, depois de estar atrás dez pontos de Marina no segundo, avançou agora rumo a um empate técnico.

O índice de aprovação de seu governo – aqueles que o consideram ótimo ou bom – se estabilizou em 36%, depois de baixar a 32% algumas semanas atrás.

Marina enfrenta uma situação um pouco mais delicada, agora.

Ela parou de crescer. Num determinado instante, era de tal monta seu avanço – combinado com quedas de Dilma — que alguns imaginaram que ela pudesse levar no primeiro turno.

A grande questão, agora, é se, deixando de ir para a frente, ela estaciona nos patamares atuais ou se dá ré.

É fato que arrefeceu a paixão dos eleitores por Marina. Os primeiros ventos, depois da morte de Campos, lhe eram todos favoráveis.

Agora há vento contra também. O mais forte destes surgiu depois que ela recuou na questão do casamento dos homossexuais sob pressão de Silas Malafaia.

O quadro atual é mais ou menos este: Aécio morreu como candidato, e sequer um milagre parece capaz de ressuscitá-lo.

Dilma reconquistou o ímpeto que parecera ter perdido com a irrupção da Marinamania.

Ela tem feito um uso de grande eficiência em seu tempo de propaganda gratuita.

O vídeo em que ela falou de corrupção foi particularmente feliz.

Você pode ser levado a achar que não existe corrupção caso a mídia e o governo se juntem para dar uma falsa impressão de pureza.



Pelo lado oposto, durante a era de Getúlio e nos dias de Jango, os jornais falavam incessantemente de um mar de lama – com escândalos muitas vezes simplesmente inventados.

A sociedade – até por conta da internet como fator de contrapeso à mídia tradicional – parece ter entendido que não raro o moralismo é o último refúgio dos canalhas.

Dilma foi muito bem em sua fala sobre corrupção. Jogou luz onde havia escuridão.

Quanto a Marina, vai ter que trabalhar em dobro para que o viés de queda no segundo não se transforme em algo definitivo.

Neste momento, sob as circunstâncias atuais, o favoritismo está com Dilma – num segundo turno que pode ser menos apertado do que parecia até alguns dias atrás.

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Na boca da urna, a delação do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, corrupto assumido, além de “premiada” indica ser “premeditada”. Quando exatamente a campanha de Dilma cresce, a revista Veja, mais uma vez, detona munição suja. Aécio a isto se agarra igual o afogado a um bote. Apoiado nessa armação, tenta se levantar do chão. Marina se esquiva de fininho, endossa esse golpe da grande mídia contra Dilma, e faz uma defesa tímida da memória de Eduardo.

Por Adalberto Monteiro

VERMELHO

O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi demitido da estatal em abril de 2012. Em março desse ano foi preso pela Polícia Federal e, em maio, foi solto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 11 de junho, por ordem judicial, voltou para a cadeia. E, no dia 29, ele começa a depor ao Ministério Público Federal do Paraná no regime de “delação premiada”. Somam-se até agora – dizem – 42 horas de gravação. Tudo isso se encontra trancado “numa caixa-forte”, e as gravações transcritas em arquivos criptografados em computadores sem internet. O processo está “sob segredo de justiça”.

Mas a Veja, “obstinada”, diz que obteve um resumo fiel dos depoimentos de PRC por “fontes diretas” e o divulga justamente quando, três dias antes, pesquisas de intenção de voto indicavam o crescimento da campanha de Dilma, empatada tecnicamente com Marina que estancara sua subida. Aécio na poeira.

Pergunta: De fato a revista teve acesso ao teor dos depoimentos? Ninguém sabe. E se houve quebra do segredo de Justiça, por quais expedientes esse crime foi consumado?

Como diz o ministro Gilberto Carvalho, o que há até agora é um mero boato. Boato que pelo respaldo da grande mídia ganha status de verdade. De sentença, trânsito em julgado.

Sem prova, sem indício, sem nada, a Veja publica uma lista de políticos acusados como beneficiários de um esquema de corrupção na Petrobras. A quase totalidade deles pertence a partidos da base do governo Dilma, com exceção de Eduardo Campos, candidato a presidente do PSB, ceifado por uma tragédia. O “chumbo grosso”, não há dúvida, visa a atingir eleitoralmente a presidenta Dilma. Marina é atingida de raspão e, assim, prefere fazer um dueto com Veja para engrossar o ataque à Dilma. Eis mais uma faceta de sua “nova política”.

Aécio Neves, pela evolução da disputa, se reduziu a uma candidatura coadjuvante da oposição conservadora. Viu sua condição de predileto dos banqueiros e da grande mídia lhe ser roubada por Marina. Nem a dita revista havia chegado às bancas e ele reapareceu com ares de ressuscitado afoito. Afinal, caprichosamente, nenhum tucano aparecera na lista dos “condenados” de Veja. Jornalões como O Globo alardearam a hipótese de o tucano novamente voltar à disputa por uma vaga no segundo turno. Claro que com cautela: “Quem sabe”, “talvez”. Mas, convenhamos, expressões desse gênero, para quem é tido como um morto, não deixam de ser um alento.

Esse episódio mais uma vez traz à tona a instrumentalização de instituições e instrumentos do Estado nacional para beneficiar polos em disputa nas eleições. Sempre ou quase sempre para favorecer a oposição. Ministério Público, Polícia Federal, por exemplo, são locus várias vezes reincidentes de quebra de segredo de justiça. E nenhuma autoridade destas instituições diz absolutamente nada quanto a providências e apurações para coibir esse tipo de anomalia.

A presidenta Dilma Rousseff reagiu com serenidade e firmeza. Disse que nada de concreto há contra seu governo ou qualquer integrante dele. Afinal, tudo até aqui se resume em uma reportagem. E – convenhamos – de um periódico que ao longo das últimas disputas eleitorais tem se reiterado como uma fábrica de munição suja.

Adalberto Monteiro é presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios

E TAMBÉM:


Presidenta acusa cinismo e demagogia e diz que oponentes tentam passar a ideia de que combate ao problema depende de super-homem ou super-mulher. Marina defende autonomia do BC e enfrentamento de desvios

PLANTÃO BRASIL

A presidenta Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, usou hoje (11) a maior parte do horário eleitoral na televisão para recusar a associação dela às denúncias feitas nos últimos dias sobre a gestão da Petrobras. Ao mesmo tempo, ela criticou a postura adotada pelos dois principais adversários, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), frente ao episódio.

“Alguns candidatos tentam passar a ideia de que acabar com a corrupção depende apenas da vontade de um super-homem ou uma super-mulher. A experiência mostra que isso nunca dá certo, em nenhum lugar do mundo”, disse a presidenta, afirmando ainda que seu nome nunca esteve associado a denúncias de corrupção.

Os apresentadores do programa da petista abordaram uma série de iniciativas tomadas pelos governos de Lula e Dilma no combate à corrupção, e reiteraram que existe uma diferença grande entre o que ocorria antes de 2003, com uma atuação mais firme e independente da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A nova lei anticorrupção, que prevê a punição de empresas envolvidas em relações ilegais com o poder público, foi mostrada como uma das mais avançadas do mundo.

Nos últimos dias, Aécio e Marina têm se valido de denúncia publicada pela revista Veja a respeito do pagamento de propina pela Petrobras a governadores, deputados e senadores. A candidata do PSB adotou discurso difundido pela mídia tradicional a respeito do “fim” da empresa estatal, que estaria imersa em aparelhamento e ineficiência.

Dilma trabalhou durante o programa eleitoral a ideia de que esta é a primeira vez que se está enfrentando a corrupção, o que faz com que escândalos venham à tona e provoquem mal-estar na população. “Quero que vocês reflitam sobre uma questão bem complicada. Os juízos que a gente faz sobre a corrupção nascem às vezes de percepções distorcidas. Quando mais a corrupção aparece, mais parece que ela cresce, e quando se oculta, se abafa, se engaveta, se cria a ilusão de que ela não existe”, defendeu.

“Fora desse compromisso só resta a hipocrisia, o cinismo ou o silêncio conivente. Estou convencida de que não é isso que os brasileiros querem. A gente não tem de ter medo de ir fundo porque a verdade liberta, enquanto a mentira cria a falsa ilusão de que tudo está bem-sucedido. Mas também precisamos ficar atentos porque a demagogia cria a falsa impressão de que tudo piora. Precisamos ter a coragem de enfrentar as dores do nascimento de um novo Brasil.”

Já a adversária do PSB, Marina Silva, usou seus dois minutos na televisão para responder a perguntas gravadas nas ruas a respeito de temas que têm lhe valido críticas por parte de Dilma. O locutor do programa afirmou que os ataques vêm da petista, mas que a ex-senadora dialoga diretamente com o povo brasileiro.

“Os recursos do pré-sal são para saúde e educação. Não vamos permitir desvio para a corrupção”, disse, numa tentativa de reverter o problema criado pela falta de ênfase de seu programa de governo à extração do petróleo. O pré-sal, que se estima destinará R$ 1 trilhão para saúde e educação ao longos dos próximos anos, é citado apenas uma vez. Em outro trecho, o documento fala na necessidade de adotar fontes alternativas aos combustíveis fósseis, o que foi usado pela campanha do PT para dizer que Marina coloca em risco as riquezas encontradas pela Petrobras.

Outra questão sobre a qual a candidata voltou a falar foi a independência do Banco Central, defendida em seu programa de governo como uma medida a ser tomada o mais rapidamente possível. A ideia é definir mandatos fixos para diretores e presidente, que só poderiam ser retirados em casos graves, como denúncias comprovadas de corrupção. “A autonomia do Banco Central é para nomear técnicos competentes, definir as metas que devem alcançar e garantir que trabalhem sem interferência dos políticos que só trabalham para as próximas eleições.”

Na propaganda do PT, a proposta de Marina foi exibida como um risco por entregar ao mercado financeiro o controle sobre a política econômica do país, levando a desemprego e perda de poder de compra.

Com situação difícil na corrida para chegar ao segundo turno, Aécio lançou mão do apoio de correligionários para pedir votos. Foram exibidas falas de José Serra, Marconi Perillo, Arthur Virgílio, Antonio Anastasia, ACM Neto, Álvaro Dias, Beto Richa, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso.

O ex-presidente, que, a exemplo de 2010, não é visto em atos ao lado do candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, declarou que o Brasil precisa de “uma pessoa com a cabeça nova, com coragem, com força para fazer diferente”.

Já o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apareceu na propaganda de Aécio falando de seu tema preferido na disputa estadual. “Aécio foi governador e sabe do papel que o presidente pode ter na batalha da segurança, controlando as fronteiras, que é por onde entram as drogas e as armas, que são o principal alimento da violência no Brasil.”

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