segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A política econômica e social de Marina, por Jasson de Oliveira Andrade



Escrevi dois artigos neste blog criticando a política econômica de Aécio, caso ele fosse eleito. Agora, fui surpreendido com o plano econômico de Marina Silva, muito semelhante àquele do tucano. Troca apenas de economista: André Lara Resende. Tanto o Armínio Fraga (Aécio) como Lara Resende (Marina) fizeram parte do segundo governo de FHC. Por incrível que pareça, o plano da socialista é pior do que a política econômica defendida pelo candidato tucano, como irei demonstrar.

Ao comentar o plano econômico de Marina, José Paulo Kupfer, no artigo “Programa econômico tem DNA ortodoxo e repete idéias de Aécio”, publicado no Estadão (30/8), escreveu: “Há, nos pontos principais da política macroeconômica, uma clara convergência entre o exposto no programa de governo de Marina Silva e as diretrizes defendidas por Aécio Neves, que replicam ações empreendidas sobretudo no segundo mandato de FHC e formam o atual ideário econômico do PSDB”. Como escrevi anteriormente, política econômica que causou milhões de desempregados, arrocho salarial e outros males. No entanto, como constatou Kupfer, o plano econômico de Marina vai além: “propõe a independência institucional do Banco Central – decisão que FHC não adotou e Aécio hesita em defender”. Alguns economistas afirmam que essa medida de Marina vai beneficiar os bancos. Por coincidência ou não, a socialista é apoiada por Maria Alice Setubal, a Neca Setubal, que faz parte de sua campanha política, dona (sócia) do Banco Itaú. Em vista dessa situação, o jornalista Paulo Moreira Leite, ironicamente, escreveu: “Chega de intermediários: Neca [ Dona do Itaú ] para presidente”. O outro componente dessa política econômica é André Lara Resende. Ele fazia parte do governo de Fernando Henrique Cardoso, e, em novembro de 1998, foi obrigado a renunciar a presidência do BNDES devido ao escândalo do “grampo” do BNDES. Na época, FHC viu-se obrigado a demitir outros auxiliares! Em 2012, no Dossiê GloboNews, o ex-presidente Collor afirmou que Lara Resende foi um dos que defendeu o confisco das poupanças. Sem comentário!

Outra surpresa do Plano de Governo de Marina. Embora evangélica, ela defende causas homossexuais. Outra causa polêmica defendida por Marina: os “Conselhos Populares”. É o que noticia o Estadão: “[ Marina ] Manteve, sua defesa da Política Nacional de Participação Social de Dilma (sic), que recomenda a criação de conselhos populares (sic) para acompanhar os trabalhos do governo”. O Decreto nº 8243, de 23/5/2014, da presidenta Dilma, criando esses “Conselhos Populares”, foi muito criticado por pessoas que o consideraram ideologia bolivariana, chavismo, leninismo, socialista. Disseram mesmo que o Decreto foi um passo atrás de Dilma. Será que a imprensa e essas pessoas vão agora criticar a Marina por defender esses “conselhos populares”? A conferir!

O Estadão (30/8), na manchete sobre a política da socialista, define bem o que ela apresentou como seu PLANO: “Marina apresenta plano conservador na economia e progressista nos costumes”.

EM TEMPO: Já estava escrito este artigo quando o Pastor Silas Malafaia postou nas redes sociais essa ameaça: “Se Marina não se posicionar [ contra a defesa das causas homossexuais ] até segunda [1/9], na terça será a mais dura e contundente fala que já dei até hoje sobre um candidato a presidente”. Não precisou esperar segunda feira. No mesmo sábado em que o Pastor se pronunciou, Marina voltou atrás e retirou de seu plano de governo a defesa das causas homossexuais! Isto mostra que, se pressionada, ela recua. Para mim, uma incoerência... Quanto à defesa dos banqueiros, Marina não recuou. Para felicidade da Dona do Itaú, Neca Setubal!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Agosto de 2014

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