domingo, 24 de agosto de 2014

Tipos ( 3 )




DUVIKY, O BOBO DA CORTE
Era uma vez um reino, governado por um rei muito do filho da puta.

Ele desandava a cobrar impostos do povo e mandava-os guerrear em terras distantes apesar - ou por causa disso - de saber que eles não tinham chance.

Esse rei muito mau tinha um bobo da corte, que o divertia nos momentos de tédio real. A rainha, por sua vez, curava o tédio levando a rapaziada da guarda real para vistoriar os aposentos reais, se é que vocês me entendem.

Entediado, após o almoço em que foram servidas codornizes assadas e faisões flambados, o rei convoca o bobo:

- Venha, bobo! Faça-me rir!

A peculiaridade do bobo deste reino: em vez de jogar na cara do rei os defeitos deste, em vez de ridicularizar a Coroa, de falar as verdades em forma de humor e sátira e etc e tal, pois bem, este bobo puxava o saco da corte, do rei, e ridicularizava o próprio povo do reino:

- Sabe o bom Rei que o povo só tem rabanetes para comer?

- Sei, bobo, e daí?

- Se não tivessem um Rei tão bom, nem rabanetes teriam para comer, e teriam que dar o rabo pros outros comerem, para ter o que comer!

E o rei:

- HAHAHAHAHAHAHAHAHA! Muito boa, bobo! Dar o rabo! HAHAHAHA!

E o rei cobria o bobo de jóias, pedras, ouro, tecidos, especiarias. Donzelas. Além de tudo - ou acima de tudo - o bobo gostava daquele trabalho porque tinha muita satisfação em exercê-lo. Tinha posses, riquezas e prestígio.
Ia muito bem o bobo. Sua carreira ia de vento em popa. E ele vestia a camisa da empresa:

- Sabes, Vossa Majestosa Majestade, que nas terras ao norte da cadeia de montanhas do norte, que existe um aldeia, próxima à terras de Dargath. Ali vivem camponeses e tem um campônio, cuja pele é mais negra que a Floresta do Negrume, mais negra que o carvão extraído nas minas de Galomard...

- AHAHAHAHHA! Essa é boa, bobo, e daí?

- Certa vez eu viajava por aquelas terras e parei na aldeia, e comecei a exibir minha veia cômica para aqueles campônios humildes...

- Siiimmm! E então, bobô?

- Um deles, esse da pele de carvão das minas, decerto um sujeito sem senso de humor, um camarada amargo, quis discutir comigo e talvez até tentaria me agredir se eu não desse o fora dali...

- Mmmm, que mal, bobo! Continue, pois...

- Sabe como são essas pessoas, certo? Rudes. Embrutecidas pela lida diária.

- Mmmmm, e daí?

- Eu perguntei-lhe, pois não estava a fim de encrencas: "Quantas bananas você quer para deixar isso quieto?"

- Hummm. Propôs-lhe negócios... Prossiga...

- Ele deu seu preço, em bananas...

- Ah, é? E quantas bananas ele lhe pediu, bobô?

- Pediu dez. Mas - Vossa Ensolarada Majestade irá rir disto até o fim de vossos dias - tinha sido apenas uma pergunta retórica...

- "Pergunta"? "Retórica"?

- Sim, Vossa Mejestífica Majestade! Não existem bananas neste reino!!! A menos que Vossa Realeza mandasse adquiri-las nas terras longínquas, além das montanhas, mares e horizontes...

- MAS... AHAHAHAHAHA! Captei! Essa foi demais! HAHAHAHA! Não temos bananas!!!! "Pergunta retórica"!!! Ahahahaha, bobo, você é demais! Pedirei ao Primeiro-Ministro para aumentar sua cota de rabanetes e presenteá-lo com mais pedras preciosas! Mais esmeraldas e rubis!!

- Vós sois muito generoso!

- Tudo pelo humor, caro bobo!

- Vossa Sapiência falou e disse!

FIM

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