sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Mau tempo


PRE-COG / PRE-REC

Tava vasculhando minhas acumulações de papel ( já disse que sou um desses acumuladores que aparecem naqueles canais da TV a cabo? ) e encontrei esse artigo ( "Cobiçando guerrashttp://issuu.com/brasildefato/docs/bdf_121/14  ), publicado no Brasil de Fato, em 2005. É da Naomi Klein. Ela contou que, em agosto de 2004, a Casa Branca havia criado um tal "Departamento de Coordenação para a Reconstrução ( <== atentem pro termo ) e Estabilização", que seria liderado pelo ex-embaixador dos EUA na Ucrânia, um tal Carlos Pascual. A função disso era, segundo reproduzo fielmente do texto, "conceber, com a ajuda de empresas privadas, planos 'pós-conflito' para 25 países QUE AINDA NÃO ESTÃO EM CONFLITO. Um governo dedicado à desconstrução preventiva perpétua tem, agora, um escritório dedicado à reconstrução preventiva ( <=== atentem pro termo ) perpétua." 

Ainda segundo ela, Pascual contara que "está[va] elaborando planos para tornar possível 'operar' em três países ao mesmo tempo, durante sete anos". Ela comentou que, com 25 países "contemplados", as companhias privadas dos EUA teriam trabalho para o próximo meio seculo, "pelo menos".

Em seguida ela enumera o papel do Banco Mundial nessas "reconstruções" de países abalados tanto por guerras como por desastres naturais: receituário de privataria oportunista. 
Se um país precisasse de um empréstimo ele teria que se submeter a algumas regrinhas simples, como entregar estradas, aeroportos, sistemas de saúde e educação, telecomunicações, eletricidade, mineração, petróleo etc a mãos privadas, total ou em "parceria". Conclui-se aí que "there is no free goodness".

Ela menciona um exemplo: "No Afeganistão (...) a instituição já conseguiu privatizar o setor da saúde, recusando-se a dar fundos ao Ministério da Saúde´para construir hospitais. Ao invés disso, está afunilando dinheiro diretamente para as ONGs que estão gerenciando suas próprias clínicas privadas, com base em contratos de três anos de duração ( ... ) também impôs 'um maior papel para o setor privado" no serviço de água, nas telecomunicações, petróleo, gás e mineração, e ordenou ao governo que 'se retirasse' do setor de eletricidade, e que o deixasse para os 'investidores privados estrangeiros' (...)";

Nessa hora dá pra se questionar se os EUA invadiram lá mesmo por Osama bin Laden, pelas papoulas ( cuja produção aumentou sob a tutela americana, o que nos levaria a outros questionamentos... ) ou pelos sistemas de água, educação e saúde. 

TEMPESTADES À VISTA

Ela continuava o artigo: "(...) muitos observadores afirmam que o capitalismo de catástrofe teve realmente sua alavancagem com o furacão Mitch.
Durante uma semana, em outubro de 1998, o furacão estacionou na América Central, engolindo vilarejos inteiros e matando mais de 9.000 pessoas. Países já empobrecidos estavam desesperados para receber ajuda de reconstrução - e ela veio, mas com algumas condições bastante específicas, em que os países se apressaram em cumprir. (...) o Congresso de Honduras iniciou o que o jornal Financial Times chamou de 'liquidação veloz, depois da tempestade', aprovando leis que permitiam a privatização dos aeroportos, portos e rodovias, além de planos urgentes para privatizar a companhia telefônica estatal, a companhia elétrica nacional e partes do setor da água. Derrubou leis de reforma agrária e facilitou a compra e venda de propriedades para os estrangeiros. (...) a Guatemala anunciou planos para liquidar o seu sistema telefônico, e a Nicarágua fez igual, juntamente com a sua companhia elétrica e o seu setor petrolífero.
Todos os planos de privatização foram 'empurrados' pelos mesmos suspeitos de sempre (...) o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional colocaram todo o seu peso por trás da venda das telecomunicações, fazendo dela uma condição para liberarem os cerca de 47 milhões de dólares anuais de ajuda, por um período de três anos, associando esse montante aos cerca de 4,4 bilhões de dólares de ajuda externa para a Nicarágua (...) Agora, o Banco está usando o tsunami de 26 de dezembro para impulsionar suas políticas. Os países mais devastados quase não viram qualquer tipo de ajuda, e a maior parte da ajuda de emergência do Banco Mundial veio na forma de empréstimos, não de doações ( ... ) Quanto às infra-estruturas públicas danificadas, como as estradas e escolas, os documentos do Banco reconhecem que reconstruí-los poderá 'exigir demais das finanças públicas', e sugere que os governos considerem a privatização ( é isso mesmo, eles têm só uma boa idéia ). 'Para certos investimentos', observa o plano de resposta do Banco ao tsunami, 'poderá ser apropriado utilizar financiamentos privados' (...)"

Percebe-se aí que, enquanto muitos de nós - a maioria da Humanidade, talvez? - considerariamos as catástrofes naturais como isso mesmo, "catástrofes", para outros isso não passa de limões que a Providência envia de tempos em tempos para que os mais capazes, inteligentes e operosos possam fazer lucrativas limonadas. Não choram os mortos, fabricam caixões e os vendem a preços módicos; fundam e inauguram cemitérios e vendem as vagas a preços módicos. Outros poderiam até providenciar quem ocupasse estes caixões e campas, como naquele filme do Vincent Price.

O que também leva a outro tipo de pergunta, que dessa vez pode ser definida, com justiça, como paranóica, porém é irresistível: e se o tempo pudesse mesmo ser controlado por alguém? Que tempestades ou simples chuviscos pudessem ser criados e direcionados a alguma parte do mundo, por meio de uma tecnologia assombrosa?

Bem, tais suspeitas existem, e não é de hoje: basta você procurar na Internet pela sigla HAARP. Porém, pelo que pude apurar, superficialmente, é que essa tecnologia, se existe, é empregada com fins bélicos, como arma. 

Digamos que Washington, o Pentágono, a Secretaria de Defesa ou sei lá quem usasse tempestades para vencer ou enfraquecer países com os quais tem alguma contenda. Não seria muito inteligente contrariar os interesses da poderosa indústria bélica do país, com quem, no fim das contas, o governo tem relações muito estreitas e lucrativas, como a Nothrop, ou a General Dynamics. Sobre isso, aliás, também no Brasil de Fato, em 15.01.2004, foi publicado que os EUA - as empresas americanas - estavam adquirindo indústrias militares européias a rodo ( "Europa: Estados Unidos invadem indústria militar" ). 
Se o Tio Sam começasse a abandonar o habitual jeito bélico de negociar suas diferenças com algum país mal-comportado empregando, no entanto, chuviscos, granizos ou tufões, essa "ida às compras" pelas empresas militares norteamericanas seria meio infrutífera, não?

Agora, e se em vez de ir à guerra por qualquer coisinha, tendo às vezes que usar de pretextos rocambolescos e desculpas esfarrapadas, além de colocar a juventude do país em aventuras perigosas, o Tio Sam mantivesse várias frentes, algumas bélicas ( onde se poderá alocar contingentes de "chicanos e cucarachos" ), para agradar a indústria, e outras "meteorológicas", para atingir países em ocasiões em que sequer exista alguma rusga? 
Tipo: 
- Que nós temos contra o Trinidad e Tobago, que possa nos permitir mandar umas bombinhas e marines lá para destruir o país e reconstruí-lo caridosamente, pegando apenas algumas lembrancinhas da viagem, como o sistema elétrico e o abastecimento de água?
- Não temos nada senhor! Nossos povos estão em paz, senhor, e as relações diplomáticas estão excelentes, senhor!
- Mmmm, isso e mau! A economia está em recessão, empregos de americanos estão desaparecendo... Só resta uma coisa a fazer!
- O quê, senhor!
- Mande uma chuvinha em cima deles, coisa pouca. Um tufãozinho de uma semana, também. Depois, nossos amigos do Banco Mundial saberão o que fazer.
- Sim, senhor! Com certeza, senhor!

Bem, sei que para que esse raciocínio estivesse certo, algumas coisas teriam que combinar. Em primeiro lugar,os irmãos do norte precisariam mesmo ter desenvolvido uma tecnologia irreal e fantástica como essa. Em segundo lugar, se tivessem mesmo essa arma, eles teriam que abandonar todos os escrúpulos para lançar tal poderio em países e povos, matando pessoas, destruindo tudo, promovendo um genocídio, apenas com a finalidade de perseguir lucros com a "reconstrução" do lugar.
Eles não seriam capazes disso, seja qual for o líder de ocasião, republicano ou democrata. Seriam?
Mmm, melhor tirar isso da cabeça, é paranóia demais. Essa arma não existe e, se existisse, seria usado para...para...
Para quê se inventaria uma arma dessas se não fosse para ser usada exatamente para essa finalidade? Ainda bem que não existe, e os países precisam apenas se preocupar com a Mãe Natureza. 
E, de tempos em tempos, com o Uncle Sam...

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