segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Lembo: "Durante ataques do PCC, elite branca foi ao Palácio dos Bandeirantes exigir fuzilamentos"


Trecho de - pequena - entrevista publicada na Revista Brasileiros, edição 84, julho de 2014 . Por enquanto fica nesse trecho. Se der eu coloco o resto. O texto é de Gonçalo Júnior:

P: Quando criticou as "elites brancas", o senhor surpreendeu muita gente. Mantém o que disse?
Lembo: Claro que sim. O Brasil é um país que tem segmento econômico muito pequeno, que chamei de "elite branca", que são os donos de terras, os latifundiários do passado. É uma elite patrimonialista. Naquela época houve reações. No fim, perceberam que eu tinha razão. Essa mentalidade está mudando, mas há muito para ser feito. Hoje, existe uma visão clara da sociedade brasileira quanto à má distribuição de renda. O País mudou sim. Acho que o governo do presidente Lula promoveu mudanças muito expressivas na visão social.

P: O que motivou a crítica?
Lembo: A Elite branca", como chamei na época, queria o fuzilamento de todos os criminosos que tinham ido às ruas nos ataques do PCC. Um equívoco total. Eram segmentos muito pequenos da sociedade., que foram ao Palácio Bandeirantes pedir que a gente agisse com dureza. Dureza coisa nenhuma. Fiz tudo com equilíbrio, dentro da lei e resolveu-se o problema.

P: Quem pediu o fuzilamento?
Lembo: Ah, muita gente [ grifo deste blog ]. Não interessam os nomes.

COMENTÁRIO: Bem, talvez Lembo não se recorde, mas o fato é que, segundo denúncias feitas à época, a polícia não teria reagido tão dentro da lei assim a esses ataques do PCC. Outra coisa: a "elite branca" que, talvez por sua posição social, criou coragem de ir lá no Bandeirantes pedir fuzilamentos de bandidos - e supostos - pode muito bem ter negociado diretamente com membros das forças de segurança para que estes agissem às sombras, longe das formalidades legais alegadas pelo então governador. Em outras palavras, ele pode muito bem ter exigido o cumprimento da lei, mas pode não ter sido devidamente obedecido. Seria uma surpresa ou novidade a ação de esquadrões da morte remunerados por empresários?
E, por último: não apenas a reduzida elite branca que teria gostado destes fuzilamentos. Tem muita gente em São Paulo, ocupante de escalões sociais inferiores e medianos que adoraria esse remédio sangrento. Não dá para ter ilusões nem idealizações. Mesmo.

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