sábado, 9 de agosto de 2014

Israel, perito em genocídio


Nunca o verdadeiro caráter do regime em vigor em Israel ficou tão exposto e isolado como da devastação e assassinato em massa em Gaza. Em seu libelo, Norman Pollack, judeu americano, expõe com intensa propriedade a indigência moral dos genocidas

NORMAN POLLACK*

O Estado Judeu usa a religião como subterfúgio para esconder seu expansionismo político-militar. Na verdade, toda esta psicótica exibição de poderio bélico-estatal, é por si própria uma absoluta dessacralização da religião.

A todos os críticos, Israel e seus órgãos de propaganda no exterior, notavelmente, a AIPAC [lobby judaico nos Estados Unidos], correm a estigmatizá-los como "judeus que se auto-odeiam" para silenciar a dissensão entre os judeus, enquanto os não judeus são mera e simplesmente chamados de anti-semitas.

Até quando esse barulho vai continuar? Até quando essa BLASFÊMIA do judaísmo, sim, nada menos ( por que é blasfêmia insultar a Deus através de atos de assassinato, crueldade e portanto profanação de uma religião ), vai prosseguir?

Até quando a limpeza étnica, deslocamento da população, matança de inocentes, ódio e sangue frio no bombardeio de hospitais, escolas-refúgio da ONU lotadas dos que tentam escapar do constante bombardeio em bairros residenciais?

Nenhuma lágrima – a não ser as de crocodilo [como as derramadas por Obama e seu governo que se disse "horrorizado" com as bombas sobre uma escola da ONU na qual pereceram 10 pessoas que faziam fila para comprar doces, no mesmo exato momento em que liberava mais centenas de milhões de dólares em armas para que Israel pudesse seguir trucidando os palestinos] –, nenhuma admissão de culpa, sempre uma insinuação, pelas mentes autoritárias sem-vergonha, de que o outro, o oprimido, é o culpado.

Israel é especialmente competente na perversão de infligir dor. Uma competência derivada do treinamento e prática.

Israel tem uma aptidão especial, proficiência e conhecimento na aplicação desproporcional do uso do poder pela violência que faz de Gaza um cemitério e uma zona de tiro para o assassinato e a mutilação de crianças. É esse o gênio da alma israelense?

Diante de crianças ensanguentadas, pais chorando com crianças mortas no colo – se pudéssemos aplicar um cálculo moral – o que seria pior, a imposição de morte e dor ou a insensividade da aceitação deste ato, seja cometido por si próprio ou pelos outros em seu nome? Quando se auto-denomina Estado Judeu, Israel legitima o genocídio em nome de Deus.

Noto no premiê Netaniahu uma peculiar fusão de Eichman com o Marquês de Sade, na despersonalização e burocratização da imposição de dor, como se isso fosse um imperativo para engrandecer o ego coletivo de Israel enquanto o encerra num muro de alienação.

Até quando essa situação vai perdurar?

Até quando, a comunidade internacional, particularmente os EUA, seu Congresso, sua mídia, sua comunidade judaica, seguirão numa aprovação, muito além do aceitável, desse engajamento de Israel no genocídio?

Para os EUA, isto é mais do que o simples oportunismo. A função política-histórica-ideológica de Israel é servir globalmente à contra-revolução.

A expectativa – ainda não clara - é de que a Rússia, China e o Brasil, por exemplo, estejam preparados para ir contra esta corrente e de que a ONU se afaste da influência além do suportável dos Estados Unidos.

Uma situação de difícil superação quando está aí Obama (sob a suposta bandeira do progresso) como reencarnação de John Foster Dulles, só que mais perigoso e sem princípios.

Nestes primeiros dias de agosto, quando a contagem de mortos e feridos continua a subir, quando as bombas acabam de cair sobre as escolas da ONU em Beit Hanoun e Jabaliya ( cujas coordenadas foram continuamente transmitidas às forças israelenses ) e sobre outros locais civis indefesos, de extrema vulnerabilidade, indicando intenção assassina e constituindo-se em significativos crimes de guerra, atestando a atitude odiosa e desapiedada diante da destruição e morte, através da continuidade das operações letais sobre um POVO – uma punição coletiva – pronunciada pela liderança israelense e executada por seus militares. Portanto, um poço sem fundo de alienação com a qual Israel come seu bolo, primeiro ignorando a realidade de suas ações e depois apagando-as da memória ( num extenuante processo de culpar os outros ).

Enquanto isso, as notícias seguem chegando, "Israel bombardeia o hospital Najjar, no centro da Faixa de Gaza. Há mais de 120 palestinos mortos na sexta e no sábado. Estas mortes e ferimentos ultrapassou a lotação das instalações de saúde da Faixa de Gaza".

Tudo parece sair de dentro das memórias da Segunda Guerra Mundial com os oprimidos de então em novo papel. Israel, como já sugeri em artigos anteriores, tendo introjetado os venenos psicológicos e alguns evidentes traços de desvio de caráter (crueldade impessoal sentida e expressa), daqueles responsáveis por infligir os indizíveis crimes do Holocausto.

Estamos falando de seres humanos, algo que os israelenses, através de suas ações, estilo de vida, retórica, não se sentem obrigados a respeitar quando aplicado aos palestinos, isto presente nos mais doentios aspectos da intervenção e tratamento dado a eles sob sua ocupação.

À luz disso, a ênfase de Israel nos foguetes e túneis do Hamas – na mesma busca por circunstâncias atenuantes – surge totalmente inconvincente como licença ou explicação para sua máquina de morte, que – quando não está bombardeando - usa tratores para destruir casas – agora à solta com o mesmo objetivo: o de tentar destruir a vontade de um povo.

Ainda no dia 2 de agosto, Netanyahu, declarou que iria "exercer tanta força quanto necessário". Isso com Gaza já transformada em uma terra arrasada de ruínas.

O real portador do ‘auto-ódio’ é aquele israelense – ou membro da comunidade judaica mundial – que cega e abruptamente rasga toda a ética da filosofia judaica.

São os que aplaudem os crimes de guerra de Israel, incapazes de ver o quanto sua orgia de guerra difama e caçoa do próprio judaismo, que nos últimos 150 anos tinha estado na vanguarda da luta pelos direitos humanos.

Israel se esconde por trás do judaísmo para cometer crimes de guerra. Não pode ser mais horrendo do que isto. A invasão a Gaza é genocídio.

O texto acima contém os principais trechos de artigo publicado pelo autor no portal Counterpunch. A tradução é de Nathaniel Braia.


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