domingo, 24 de agosto de 2014

Freud e o fanatismo irreal dos sionistas


O psiquiatra Sigmund Freud destaca premonitoriamente as contradições gestadas pelo “fanatismo irreal de nossos amigos judeus” e o projeto sionista, destes, com a população palestina em carta de 26 de dezembro de 1930, endereçada ao membro do Keren Hayessod ( fundo para a instalação dos judeus na Palestina ), Chaim Koffler.
A carta, que divulgamos, foi publicada apenas em 2004 pela revista “Clínicas Mediterrâneas”. 




Senhor Doutor: 

Não posso fazer o que o senhor deseja. Minha falta de disposição em envolver o público é insuperável e nem mesmo as circunstâncias críticas atuais me parecem justificar que isso se faça. Quem quiser influenciar o grande público deve expressar algo que ressoe e crie entusiasmo, porém minha avaliação sensata do sionismo não me permite fazê-lo.

Certamente tenho uma alto grau de simpatia por seu empenho; me orgulho de nossa universidade em Jerusalém e estou satisfeito com o fato de que nossas colônias estejam prosperando.

Mas, por outro lado, eu não creio que a Palestina possa jamais se tornar um Estado judeu nem que o mundo cristão assim como o mundo islâmico, possam algum dia estar dispostos a confiar seus lugares santos à guarda dos judeus.

Me parece que seria mais sensato, fundar uma patria judia sobre um solo historicamente não sobrecarregado, mas certamente sei que com plano tão racional, jamais se poderia conquistar o entusiasmo das massas ou o apoio das pessoas ricas.

Também lamento admitir que o fanatismo irreal de nossos amigos judeus deve ser algo responsável por despertar a desconfiança dos árabes, tampouco posso agregar traço algum de simpatia por uma devoção mal direcionada que fez de um pedaço do muro de Herodes uma relíquia nacional e assim provoca os sentimentos dos habitantes locais.

Julgue o senhor mesmo se eu, com uma atitude tão crítica, sou a pessoa certa para atuar como confortador de um povo cujas esperanças sem fundamento foram estilhaçadas.

SIGMUND FREUD

LEIA TAMBÉM:


Freud would not have been surprised at the continuing conflict in the Middle East. He predicted as much 70 years ago.

We can predict Freud’s response because of a letter he wrote to Dr. Chaim Koffler in 1930.

In February 1930 Freud was asked, as a distinguished Jew, to contribute to a petition condemning Arab riots of 1929, in which over a hundred Jewish settlers were killed. This was his reply:

Letter to the Keren Hajessod ( Dr. Chaim Koffler )

Vienna: 26 February 1930

Dear Sir,

I cannot do as you wish. I am unable to overcome my aversion to burdening the public with my name, and even the present critical time does not seem to me to warrant it. Whoever wants to influence the masses must give them something rousing and inflammatory and my sober judgement of Zionism does not permit this. 

I certainly sympathise with its goals, am proud of our University in Jerusalem and am delighted with our settlement’s prosperity. 

But, on the other hand, I do not think that Palestine could ever become a Jewish state, nor that the Christian and Islamic worlds would ever be prepared to have their holy places under Jewish care. 

It would have seemed more sensible to me to establish a Jewish homeland on a less historically-burdened land. But I know that such a rational viewpoint would never have gained the enthusiasm of the masses and the financial support of the wealthy. 

I concede with sorrow that the baseless fanaticism of our people is in part to be blamed for the awakening of Arab distrust. I can raise no sympathy at all for the misdirected piety which transforms a piece of a Herodian wall into a national relic, thereby offending the feelings of the natives.

Now judge for yourself whether I, with such a critical point of view, am the right person to come forward as the solace of a people deluded by unjustified hope.

Your obediant servant,

Freud

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