quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FHC confirma que tomou medidas impopulares, por Jasson de Oliveira Andrade





O presidenciável Aécio Neves apresentou o seu programa econômico com medidas impopulares, imitando FHC em seu segundo governo. Depois, percebendo que esta atitude poderia lhe tirar votos, voltou atrás. Afirmei em um texto: “Acredite quem quiser!”

Escrevi sobre o assunto dois artigos. No primeiro, sob o título “A surpreendente política econômica de Aécio”, publicado neste blog em 12/5/2014, afirmei: “O presidenciável Aécio Neves apresentou um programa econômico surpreendente, caso seja eleito. Provavelmente orientado pelo seu guru em economia Armínio Fraga, que foi ministro de Fernando Henrique Cardoso, quando adotou uma política de arrocho salarial [ nós, aposentados, ficamos oito anos sem aumento ] e causou milhões de desemprego. FHC precisou mesmo, no seu segundo mandato, de se socorrer do FMI ( Fundo Monetário Internacional ).” Em artigo ao Estadão ( Falta sentimento democrático ), publicado em 3/8/2014, criticando o governo Dilma, Fernando Henrique reconheceu que tomou, em 2002, medidas impopulares, confirmando, em parte, minhas críticas. FHC escreveu: “Que fez o governo do PSDB [ ele próprio ] quando as pesquisas eleitorais de 2002 apontavam possível vitória do PT da época? Elevou os juros (sic), antes mesmo das eleições, reduzindo as próprias chances eleitorais”. Adiante revela outra medida impopular: “Pediu [ FHC ] um empréstimo ao FMI [ como afirmei em meu artigo ], com anuência pública de todos os candidatos a presidente, inclusive e especificamente do candidato do PT [ Lula ]”, acrescentando: “O dinheiro seria desembolsado e utilizado pelo governo a ser eleito para acalmar os mercados que temiam ( sic ) um descontrole cambial e inflacionário [ como o mercado diz agora do governo Dilma, conforme escrevi neste jornal ], e mesmo uma moratória, com a vitória de Lula”. Isto não aconteceu. Pelo contrário, apesar dessa política do medo, Lula pagou ao FMI esta dívida deixada por Fernando Henrique Cardoso. Um comentário sobre essas declarações de FHC. Ele só tomou essas medidas impopulares e outras que ele não citou, porque obviamente a situação econômica em seu segundo governo beirava o caos. Se não tivesse nesta situação, logicamente, FHC não iria elevar os juros ( altíssimos naquela época ), nem se socorrer do FMI.

No artigo citado, FHC não citou outras medidas impopulares. Na época, eu escrevi à CartaCapital um texto, publicado na revista em 29 de maio de 2002: “Que caminho certo é esse? – Desemprego, arrocho salarial, dívida externa astronômica [ FMI ], comércio e indústria no sufoco, “apagão”. Se esse é o “caminho certo” de Armínio Fraga, devemos trilhar, em outubro, outro caminho”. 

E foi isto mesmo que ocorreu: Lula venceu Serra, candidato apoiado por FHC. Causa preocupação agora a política econômica de Aécio, que poderá ser elaborada pelo mesmo Armínio Fraga. No artigo “A surpreendente política econômica de Aécio”, fiz esse alerta: “Sinceramente esperava uma política econômica diferente de Aécio. Jovem, deveria, em minha opinião, se acercar de pessoas com mentalidade também nova e não de Armínio Fraga”. Será que ele vai fazer isto? Tenho minhas dúvidas, visto que o economista é cotado para seu Ministério.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Agosto de 2014


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