sábado, 5 de julho de 2014

Façam uma Copa do Mundo apenas com os países escandinavos e excluam os demais!


Ninguém é obrigado a gostar de futebol. Também não é obrigado a gostar da Copa do Mundo. Nem é obrigado a dar palpites "sobre a realidade" nas redes sociais com o objetivo de mostrar "como o brasileiro é alienado, ao contrário dele, um sujeito informado sobre as mazelas que assolam a Nação" ( mais ou menos como o europeu civilizado se via em relação aos povos "primitivos" e que, por sua posição superior, se vê na obrigação de civilizar esses silvícolas comedores de piolho ). 
Parece, então, que ignorar é muito difícil, como aquele vizinho chato que, ranheta, abandonado, solitário e fudido - ou seja, um ressentido em potencial - tenta acabar com a festa no vizinho apenas pelo fato do vizinho e seus convidados estarem se divertindo, ao contrário dele, mesmo que a festa esteja ocorrendo em decibéis aceitáveis e em horários igualmente.

Uma pesquisa do Datafolha, de uns 3 anos atrás ( DNA paulistano ) mostrava que 1 em cada 5 paulistanos não gostava ou torcia para times de futebol. É bastante gente. Mas estes não parecem se manifestar muito sobre a Copa, seja qual for o motivo que os leva a não gostar do esporte bretão, tipo "Não gosto de Copa porque não gosto de futebol".
Na Carta Capital desta semana Maurício Dias lembra que, desde 89, quando as eleições foram restabelecidas no Brasil, não existe confusão entre performance da seleção brasileira em Copa do Mundo e eleições. Em 94 FHC ganhou não por causa do triunfo da seleCBF nos EUA, mas por causa do Plano Real. A seleção naufragou em 98, mas FHC foi reeleito. Em 2002, nova vitória da seleCBF, mas aí deu Lula. Em 2006, novo fracasso em campo, mas Lula foi reeleito, com suposto mensalão e tudo mais. Em 2010, novo fracasso, mas o poste de Lula, Dilma Rousseff, conseguiu a vitória. Agora, sabe-se-la Deus o que vai dar.
Logo, se alguém torce, por razões puramente político-eleitorais, contra o sucesso da SeleCBF nesta Copa, temendo de que o sucesso do time canarinho influencie na eleição e garanta nova vitória do PT em outubro, está perdendo tempo, como se pode notar. Copa é realmente pra quem gosta de futebol ou tem simpatia pelo esporte. Torcer contra é o mesmo que torcer a favor, só que no sentido inverso, da mesma forma que crítica é o mesmo que elogio, só que de elogio a gente gosta.
Melhor deixar o Neymar de fora disso, caros missionários da civilização e agentes da salvação das almas dos povos silvícolas e alienados, pois estes gostam da pelota. Deixem o vizinho se divertir em paz que a festa acaba obrigatóriamente às dez da noite. ( Eu mesmo ia torcer contra, por sequer saber quem são estes jogadores ou onde jogam, com a exceção do Neymar e do - pra mim, corintiano - Paulinho ).

Se as mazelas que ocorrem no país são motivo para que não haja Copa, ou que sequer se comemore uma reles vitória no campo da bola, onde quer que seja, é bom informar/ lembrar que, apesar de toda a desgraça sanguinária que ocorre naquela terra, a Palestina possue uma seleção de futebol. "Como podem jogar bola quando Israel despeja toneladas de bombas sobre crianças e idosos palestinos?" Pois é, né?
De mais a mais, se formos excluir - impedimento moral, quero dizer - de competições como esta, todos os países onde há algum tipo de miséria, violência, pobreza, corrupção, desigualdade social, etc, então em vez de Copa do Mundo talvez seja melhor a FIFA organizar um campeonato com apenas os países escandinavos, o Canadá, talvez Austrália e Nova Zelândia. E olhe lá.

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