quinta-feira, 31 de julho de 2014

Giorgio Tsoukalos vai procurar por alienígenas em novo programa de TV


Giorgio Tsoukalos passou os últimos cinco anos discutindo a teoria dos antigos astronautas na série de televisão “Alienígenas do Passado” (“Ancient Aliens”).

Seu cabelo -uma verdadeira marca registrada – e seu dom para a atribuição de todos os mistérios antigos para os extraterrestres têm ajudado a estabelecer Tsoukalos como um ícone da cultura pop.

Agora, ele está pronto para explorar os mistérios do mundo em um novo show intitulado “In Search of Aliens”. E, claro, ele está à procura de uma explicação extraterrestre para todos estes mistérios.

“Em ‘In Search of Aliens’, Giorgio Tsoukalos, um teórico dos antigos astronautas e Ancient Aliens, explora a evidências fascinantes por trás de alguns dos mistérios mais famosos da Terra. Através de pesquisa de vários locais ao redor do mundo e reuniões com cientistas, testemunhas e peritos; Nesta série não-ficção, Giorgio mergulha no desconhecido e examina indícios que poderiam provar uma possível conexão extraterrestre dentro de alguns dos maiores mistérios não resolvidos do mundo”, diz a sinopse do novo programa.


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Vaticano reconhece juridicamente Associação Internacional de Exorcistas


Prática exorcista consiste em uma oração oficial da Igreja Católica que invoca Deus e exige que o diabo libere uma determinada pessoa


Cidade do Vaticano - A Congregação para o Clerore conheceu juridicamente à Associação Internacional de Exorcistas (AIE), fundada por um dos exorcistas mais célebres do mundo, padre Gabriele Amorth, informa nesta quarta-feira "L'Osservatore Romano", o jornal da Santa Sé.

Mediante um decreto datado de 13 de junho, esta congregação da Cúria Romana aprovou os estatutos da AIE concedendo personalidad ejurídica de associação internacional de fiéis, com base no artigo 322.1 do Código de Direito Canônico.

A ideia de englobar os exorcistas em uma associação surgiu do padre Amorth na década de 80, com o objetivo de organizar reuniões para compartilhar experiências e reflexões para assim poder ajudar de um modo mais concreto e eficaz às pessoas que recorriam a eles.

Conforme a publicação do Vaticano, naquele período aconteceu um aumento da difusão das "práticas ocultas", por isso um crescente número de fiéis reivindicava a ajuda dos exorcistas. A Associação Italiana de Exorcistas foi fundada em 4 de setembro de 1991. Dois anos mais tarde, em 1993, o padre Amorth e seus colegas italianos participaram de um simpósio organizado pelo exorcista francês René Chenessau e pelo teólogo René Laurentin.

Atualmente, a AIE conta com cerca de 250 exorcistas presentes em 30 países. "L'Osservatore Romano", que possui versão online em Português, lembra que a experiência foi positiva, por isso se repetiu em 1994, encontro no qual se decidiu finalmente dar continuidade a este evento com uma estrutura organizada.

Padre Francesco Bamonte, presidente da associação desde 2012, afirmou ao jornal que a aprovação do AIE pela Santa Sé é "motivo de alegria, não só para os associados, mas também para toda a Igreja". "Deus chama alguns sacerdotes para este precioso ministério do exorcismo e da libertação, com a missão de acompanhar com humildade, fé e caridade", acrescentou.

O exorcismo é uma oração oficial da Igreja Católica que invoca Deus e exige que o diabo libere uma determinada pessoa. Seu ritual foi renovado na época de João Paulo II, em 1998, quando a Igreja Católica decidiu, após quase 400 anos, revisar o texto anterior - de 1614 - devido às mudanças que supôs o Concílio Vaticano II (1962-1965) e aos avanços da ciência no campo da mente.

Em maio de 2013, o canal "TV2000", propriedade dos bispos italianos, retransmitiu um suposto exorcismo ou "oração de libertação" que o papa Francisco realizou em um jovem na Praça de São Pedro do Vaticano, após a Missa de Pentecostes. Nas imagens, um rapaz, prostrado em uma cadeira de rodas, abria a boca no momento em que o pontífice posava as mãos no seu rosto e pronunciava palavras ininteligíveis. A versão oficial da Santa Sé foi que Francisco não realizou qualquer exorcismo, mas simplesmente rezou por uma pessoa doente que lhe foi apresentada.

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Pesquisa mostra que pessoas preferem a dor de levar choques do que ficar em silêncio, em sua própria companhia e de seus pensamentos


Estudo mostra que pessoas preferem se autopunir a ter que pensar

Experimento pedia que voluntários ficassem sozinhos em quarto por 15 min.
Alguns não ficaram em silêncio e prefereririam aplicar choques em si.

Muitas pessoas prefeririam causar dor a si próprios do que passar 15 minutos em um quarto sem nada para fazer além de pensar, revelou um estudo publicado nesta sexta-feira (4), na edição impressa da revista "Science".

Cientistas das Universidades da Virgínia e de Harvard fizeram 11 experiências diferentes para ver como as pessoas reagiam quando solicitado que passassem algum tempo sozinhas. Mais de 200 indivíduos participaram das experiências. Alguns eram estudantes universitários, outros, voluntários, com idades entre 18 e 77 anos, recrutados em locais tão diferentes quanto uma igreja e uma feira.

Os pesquisadores pediram que se sentassem sozinhos em um quarto sem adornos, sem telefone celular, material para leitura, ou para escrever, e depois que relatassem como fizeram para se entreter sozinhos com seus pensamentos entre 6 e 15 minutos.

O resultado foi que mais de 57% acharam difícil se concentrar, e 80% disseram que seus pensamentos vagaram. Cerca da metade achou a experiência desagradável. "A maioria das pessoas não gosta de 'só pensar' e prefere claramente ter algo diferente para fazer".

Trapaças e self-shocking 
Os cientistas, então, voltaram suas atenções para o que as pessoas faziam para evitar ficar sozinhas com seus pensamentos. Em uma das experiências, solicitaram aos estudantes que dedicassem um tempo para pensar em casa. Depois, 32% relataram ter trapaceado, saindo de suas cadeiras, ouvindo música, ou vasculhando os celulares.

Um número maior de adultos recrutados fora da universidade - 54% - quebrou as regras, disse a coautora Erin Westgate, estudante de Doutorado da Universidade da Virgínia. "E esse número provavelmente está subestimado, porque aqueles são apenas os que foram honestos e nos contaram que tinham trapaceado", declarou.

Os cientistas se perguntaram, então, até que ponto os estudantes iriam para buscar algum estímulo, enquanto permaneciam sozinhos com seus pensamentos. Um estudo piloto inicial revelou, de forma surpreendente, que os estudantes prefeririam ouvir o som de uma faca raspando ao silêncio absoluto. "Nós achávamos, é claro, que as pessoas não dariam choques em si mesmas", disse Westgate.

Em um dos estudos, eles deram uma oportunidade para avaliar diferentes estímulos: de ver fotos atraentes à sensação de receber um choque elétrico tão forte quanto se sentiria ao arrastar os pés no tapete.

Depois que os participantes sentiram o choque, que Westgate descreveu como moderado, alguns se sentiram tão incomodados que disseram preferir pagar US$ 5 a voltar a senti-lo. Em seguida, cada indivíduo foi para um quarto, sozinho, para pensar por 15 minutos. Os cientistas disseram que eles teriam a chance de se dar choques, caso quisessem.

Dois terços dos indivíduos masculinos - 12 de 18 - deram choques em si próprios pelo menos uma vez enquanto estiveram sozinhos. A maioria dos homens deu entre um e quatro choques em si próprios. Um deles deu 190 choques.

Um quarto das mulheres, ou seis em 24, também decidiu dar choques em si mesmas, cada uma delas entre uma e nove vezes. Todos os que se deram choques haviam dito anteriormente que pagariam para evitar fazê-lo.

Pensamentos subestimados
Westgate se disse ainda surpresa com as descobertas. "Eu acho que subestimamos enormemente o quão difícil é mergulhar propositadamente em pensamentos agradáveis e quão fortemente desejamos estímulos externos do mundo ao nosso redor, mesmo quando o estímulo é ativamente desagradável".

Ela disse que a pesquisa demonstrou que as pessoas preferem um estímulo positivo, como ler um livro, ou jogar videogame. É discutível dizer se os efeitos vistos na experiência são, ou não, um produto da cultura digital.

A psicóloga forense Sherrie Bourg Carter, de Fort Lauderdale, na Flórida, explicou que as tecnologias modernas podem contribuir para a incapacidade de diminuir o ritmo. "Somos socialmente treinados para procurar estímulos a sensações no nosso trabalho e lazer", disse Carter, que não participou do estudo.

"Portanto, ficar sentado por um tempo, desconectado, como pensar, tornou-se estranho para a maior parte das pessoas, mesmo para os idosos que não foram criados em um mundo movido pelos eletrônicos", concluiu.


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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O mercado contra Dilma, Por Jasson de Oliveira Andrade




O Santander enviou aos clientes de renda alta um extrato alertando sobre o perigo da reeleição da presidenta Dilma. Esse alerta criou uma polêmica. O presidente mundial do banco, Emílio Botin, segundo reportagem do Estadão em 28/7, afirmou que o informe “não é do banco, mas de um analista”. O jornal noticiou ainda: o Santander informou que todas as pessoas responsáveis pela elaboração e aprovação do informe serão demitidas. Com essa drástica medida parece que a polêmica terminou. No entanto, como se verá, não é apenas o Santander que é contra Dilma e sim o Mercado.

A revista CartaCapital desta semana focalizou o assunto. Na capa consta: “E o Mercado criou o Dilmômetro – Como o sistema financeiro pretende influenciar as urnas”. Na página 28, consta longa reportagem de Carlos Drummond, sob o título “O Mercado contra Dilma – O sistema financeiro não economiza fichas para derrotar a candidata do PT”. A reportagem é longa e não temos como resumi-la. No entanto, o leitor tem uma idéia do que se trata. Já Eliane Cantanhêde, em artigo publicado na Folha (27/7), também analisou a interferência do sistema financeiro: “(...) para o PT e a campanha da reeleição, é, e não apenas parece ser, uma vantagem poder usar os mesmíssimos dados [do Santander] para cristalizar ainda mais o discurso, talvez a sensação, de que Dilma é rejeitada “pela elite”, “pelos mercados”, “pelos bancos” por sua alma “robinhoodiana” de tirar de ricos insaciáveis para dar aos pobres famintos. (...) Não é bom para Aécio Neves e para Eduardo Campos colar suas imagens, seus discursos e seus programas a essa “elite”, símbolo da desigualdade ancestral brasileira. E é bom para Dilma mostrar-se como a mulher que lutou contra a ditadura e agora enfrenta os poderosos”. Na entrevista que concedeu ao UOL (Folha), a presidenta Dilma, ao abordar o assunto, criticou: “Eu acho muito perigoso especular em períodos eleitorais. (...) É inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro, de forma institucional, na atividade eleitoral e política”, finalizando: “Eu vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco [Santander]”, evitando, porém, dizer qual.

Será que essa oposição do sistema financeiro à reeleição de Dilma se tornará a favor de quem se quer destruir? Aí o tiro sairá pela culatra. A conferir.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Julho de 2014

SAIBA MAIS:

Banespa e ‘‘rombos’’

No mês de maio, o Banespa teve um lucro na faixa de R$ 120 milhões, retomando assim a média mensal que lhe permitiu lucrar mais de R$ 1 bilhão no ano passado. O resultado exige a reflexão dos paulistas, pois volta a desmentir os argumentos apresentados para justificar a ‘‘privatização’’ do banco, vergonhosamente entregue pelo governo Mario Covas ao governo federal. O Banespa nunca esteve ‘‘quebrado’’ — pois tinha bilhões a receber do governo do Estado, uma situação totalmente diferente dos bancos privados que ‘‘quebraram’’ porque deviam aos depositantes, investidores em fundos que eles administravam etc., uma cifra muito superior aos valores que tinham a receber como retorno dos empréstimos que haviam feito. ‘‘Rombo’’, como você sabe muito bem, é quando alguém tem mais dívidas do que créditos. É o caso, por exemplo, do Banco Nacional, que tinha um ‘‘rombo’’ tão gigantesco, que o governo despejou nada menos de R$ 15 bilhões em seu ‘‘socorro’’.

Além de não apresentar ‘‘rombo’’, o Banespa é altamente lucrativo — como ficou demonstrado anos depois da ‘‘intervenção’’ combinada entre o governador Mario Covas e o presidente FHC. E é essa lucratividade que continua evidente, nos resultados de maio último. E são eles que, na verdade, devem ‘‘explodir’’ como autêntica bomba, dentro do próprio Judiciário, contra a ‘‘privatização’’ do Banespa. Por que? Como você sabe, há várias ações judiciais contra a venda do banco. Uma delas, que a grande imprensa procura esconder, é de autoria de nada menos de 11 procuradores da República — esses promotores fantásticos do Ministério Público que estão tentando combater a corrupção, negociatas e desmandos de governantes no Brasil (e que, por isso mesmo, o honesto governo Fernando Henrique Cardoso tentou silenciar, com a chamada ‘‘lei da mordaça’’).

Pois bem: nessa ação, os procuradores apontam mais de 20 ilegalidades e irregularidades na privatização do Banespa, transformada em negócio suspeito. Você sabe o que aconteceu? A Justiça confirmou que as irregularidades e ilegalidades existem e suspendeu temporariamente o processo de leilão do Banespa. Mas essa decisão foi cancelada, dias mais tarde. Por que? A Justiça mudou de ponto de vista? Não. Ela reiterou que há irregularidades e ilegalidades no processo. Mas aceitou o ‘‘argumento’’ apresentado pelo governo federal de que o atraso na privatização do Banespa traria um prejuízo ao Tesouro da ordem de R$ 400 milhões — em um ano.

Que prejuízo seria esse? O governo diz que, se o Banespa fosse vendido por R$ 2 bilhões, usaria o dinheiro para reduzir a dívida do Tesouro, que paga juros de 20% ao ano, e representam portanto R$ 400 milhões (20% sobre os R$ 2 bilhões) ao ano. Os lucros de maio mostram mais uma vez que o argumento é mentiroso. Se ficar com o Banespa, o governo participará dos lucros de R$ 1 bilhão ao ano, ou duas vezes e meia o tal ‘‘prejuízo’’ de R$ 400 milhões. A Justiça vai enxergar a verdade. A privatização do Banespa continuará adiada. O povo paulista ganha tempo para organizar movimentos que a impeçam definitivamente.


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terça-feira, 29 de julho de 2014

Irã, digo, Arábia Saudita: Duas mulheres condenadas a chibatadas por correspondência no Whatsapp


Duas habitantes da Arábia Saudita condenadas por correspondência no Whatsapp

O tribunal da cidade de Jidá, na Arábia Saudita, condenou duas mulheres a 10 dias de prisão e a 20 chicotadas, informa o canal de TV Al-Arabiya, citando mídia locais.

Uma das mulheres acusou a familiar de lhe ter enviado mensagens insultuosas através do sistema de mensagens Whatsapp.

O juiz não conseguiu conciliar as mulheres mesmo quando lhes recordou que está decorrendo o mês sagrado do Ramadã.

As litigiosas não concordaram com a sentença e tencionam apelar.


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Gaza: o genocídio e suas (des) razões


por Atilio A. Boron

Em meio do espanto e do banho de sangue que inunda Gaza ouve-se uma voz, metálica, glacial. Pronuncia um solilóquio semelhante ao que William Shakespeare, na sua obra Henrique VI, pôs na boca de Ricardo, um ser disforme, monstruoso, mas aguilhoado por uma ambição ilimitada e orgulhoso da sua vilania: 

"Sou o espírito do estado de Israel. Sim, agrido, destruo e assassino impunemente: crianças, anciãos, mulheres, homens. Porque em Gaza são todos terroristas, para além das suas aparências. Um dos hierarcas da ditadura genocida na Argentina, o general Ibérico Saint Jean , disse que "Primeiro vamos matar todos os subversivos, depois seus colaboradores, depois os indiferente e por último os tímidos". Nós invertemos essa sequência e começámos pela população civil, gente cujo crime é viver em Gaza. No processo cairão centenas de inocentes, gente que simplesmente tentava sobreviver nesse confinamento nauseabundo; a seguir iremos aos tímidos, os indiferentes e depois deste brutal e instrutivo escarmento chegaremos aos colaboradores e aos terroristas. Sei muito bem que o rudimentar e escasso armamento do Hamas só nos pode provocar um arranhão, como demonstram as estatísticas fúnebres dos nossos ataques periódicos às populações palestinas. Suas ameaças de destruir o estado de Israel são fanfarronadas sem sentido porque não têm a menor capacidade de levá-las à prática. Mas são-nos de enorme utilidade na guerra psicológica e na propaganda: servem-nos para aterrorizar nossa própria população e obter assim seu consentimento para o genocídio e a nossa política de ocupação militar dos territórios palestinos. E também servem para que os Estados Unidos e os países europeus, embarcados na "luta contra o terrorismo", nos facilitem todo tipo de armamentos e nos amparem politicamente. 

Em Gaza não enfrento nenhum exército, porque não lhes permitimos que o tenham. Eu, em contrapartida, tenho um dos melhores do mundo, apetrechado com a mais refinada tecnologia bélica proporcionada pelos meus protectores: Washington e as velhas potências coloniais europeias e aquela que pude desenvolver, graças a eles, dentro de Israel. Os palestinos tão pouco têm uma aviação para vigiar seu espaço aéreo, nem uma frota que proteja seu mar e suas praias. Meus drones e helicópteros sobrevoam Gaza sem temor e disparam seus mísseis sem se preocuparem com o fogo inimigo, porque não há fogo inimigo. Aperfeiçoámos, com as novas tecnologias bélicas, o que Hitler fez em Guernica. Sou amo e senhor de vidas e fazendas. Faço o que quero: posso bombardear casas, escolas, hospitais, o que me der na gana. Meus poderosos amigos (e, sejamos honestos, cúmplices de todos os meus crimes) aceitarão qualquer atrocidade que decida perpetrar. Já o fizeram antes, em inúmeráveis ocasiões e não só connosco: fá-lo-ão quantas vezes for preciso. Sua má consciência ajuda-me: calaram envergonhadamente durante a Shoá, o sistemático genocídio perpetrado por Hitler contra os judeus perante a vista e a paciência de todo o mundo, desde o Papa Pio XII até Franklin D. Roosevelt e Winston Churchill. Calarão também diante do genocídio que metodicamente por etapas estou a realizar em Gaza, porque matar palestinos impunemente é isso, genocídio. Como fazia Hitler quando alguém da sua tropa de ocupação era feito prisioneiro ou morto pelos maquis da resistência francesa ou pelos partisans espanhóis: juntavam dez ou quinze pessoas ao acaso, que tivessem a desgraça de passar pelo lugar, e metralhavam-nos no acto, como escarmento e como advertência didáctica para que seus vizinhos não cooperassem com os patriotas. Nós nem sequer esperamos que matem um dos nossos para fazer o mesmo e fazemo-lo do modo mais covarde. Ao menos os nazis viam os rostos das vítimas cujas vidas cortariam em um segundo; nós não, porque disparamos mísseis a partir de aviões ou navios, ou projécteis a partir dos nossos tanques. Inquieta-nos recordar que tanta crueldade, tanto horror, foi em vão. Seis milhões de judeus sacrificados nos fornos crematórios e milhões mais que caíram por toda a Europa não foram suficientes para evitar a derrota de Hitler. Será diferente desta vez, será que agora nosso horror nos abrirá o caminho para a vitória? 

Eufórica por ver tanto sangue árabe derramado uma das minhas deputadas extravasou e disse o que penso: que há que matar as mães palestinas porque engendram serpentes terroristas. Desgraçadamente nem todos em Israel pensam assim; há alguns judeus, românticos incuráveis, que acreditam que podemos conviver com os árabes e que a paz não só é possível como necessária. Dizem-nos que isso foi o que fizemos durante séculos. Não entendem o mundo de hoje, mortalmente ameaçado pelo terrorismo islâmico, e deixam-se levar pela nostalgia de uma época superada definitivamente. Não são poucos em Israel os que caem neste equívoco e preocupa-nos que seus números estejam em crescendo. Mas a partir do governo trabalhamos activamente para contrariar esse sentimentalismo pacifista e, para cúmulo, laico. Laico, num estado no qual para ser cidadão é preciso ser judeu (e temos cerca de 20% de árabes, que viveram na região durante séculos e não são cidadãos) e onde não existe o matrimónio civil, só o religioso! 

Para combater estas atitudes contamos com os grandes meios de comunicação (os de Israel e os de fora) e nossas escolas ensinam nossas crianças a odiar nossos indesejáveis vizinhos, uma raça desprezível. Para envolve-los no nosso esforços militar os convidamos a escreverem mensagens de morte nos mísseis que, pouco depois, lançaremos contra essa gentalha amontoada em Gaza. Outras crianças serão as que cairão mortas por esses mísseis amorosamente dedicados pelos nossos. Não ignoro que com minhas acções lanço uma asquerosa escarrada à grande tradição humanista do povo judeu, que arranca com os profetas bíblicos, continua com Moisés, Abraão, Jesus Cristo e passa por Avicena, Maimónides, Baruch, Spinoza, Sigmund Freud, Albert Einstein, Martin Buber até chegar a Erich Fromm, Claude Levy-Strauss, Hannah Arendt e Noam Chomsky. Ou com judeus extraordinários que enriqueceram o acervo cultural da Argentina como León Rozitchner, Juan Gelman, Alberto Szpunberg e Daniel Barenboim, entre tantos outros que seria muito longo enumerar aqui. Mas esse romantismo já não conta. Deixámos de ser um povo perseguido e oprimido; agora somos opressores e perseguidores. 

Utilizam-se duras palavras e frases para qualificar o que estamos a fazer. Covardia criminosa, delito de lesa humanidade, por agredir com armas mortíferas uma população indefesa, dia e noite, hora após hora. Mas por acaso não merece a mesma qualificação o que fizeram os Estados Unidos ao lançar bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki? E quem os reprova? Terrorismo de Estado? Digamos antes realpolitik, porque desde quando meus e amigos e protectores do Ocidente se preocuparam com o Terrorismo de Estado ou as violações dos Direitos Humanos que eles mesmo cometem, ou um aliado ou peão? Apoiaram durante décadas quantos déspotas e tiranos povoaram esta terra, sempre que fossem funcionais aos seus interesses: Saddam Hussein, Xá da Pérsi, Mubarak, Ali, Mobutu, Osama Bin Laden. E, na América Latina, Videla, Pinochet, Geisel, Garrastazú, Stroessner, "Papa Doc" Duvallier, Somoza, Trujillo, Batista e muitíssimos mais. Assassinaram centenas de líderes políticos anti-imperialistas e Obama continua a fazê-lo ainda hoje, onde todas as terças-feiras decide quem da lista de inimigos dos Estados Unidos, que lhe é apresentada pela NSA, deve ser eliminado com um míssil disparado de um drone ou mediante uma operação de comandos. Por que haveriam de se escandalizar com o que está a acontecer em Gaza? Além disso precisam de mim como gendarme regional e base de operações militares e de espionagem numa região do mundo com tanto petróleo como o Médio Oriente – e sabem que para cumprir com essa missão não só não devem manietar-me como é preciso contar com seu inquebrantável apoio, o que até agora jamais me foi negado. 

Sei também que estou a violar a legalidade internacional, que estou a desobedecer a resolução nº 242, Novembro de 1967, do Conselho de Segurança da ONU, que por unanimidade exige que me retire dos territórios ocupados durante a Guerra dos Seis Dias de 1967. Não cumpri essa resolução durante quase meio século, sem ter de enfrentar sanções de nenhum tipo como as que arbitrariamente se impõem a outros, ou as que aplicam a Cuba, Venezuela, Irão e, antes, ao Iraque depois da primeira guerra do Golfo. Razões desta tolerância? Meus lobistas nos Estados Unidos são poderosíssimos e têm um punho na Casa Branca, no Congresso e na Justiça. Segundo Norman Finkelstein ( um mau judeu, inimigo do estado de Israel ) a indústria do holocausto goza de tal eficácia extorsiva que impede perceber que quem agora está a produzir um novo holocausto somos nós, os filhos e netos daqueles que padeceram sob os nazis. Por isso, apesar de as vítimas mortais em Gaza já superarem os 500 palestinos (contra 25 soldados do nosso exército, um dos quais foi morto por erro pelas nossas próprias forças, segundo informou esta segunda-feira 22 de Julho o New York Times ) o presidente Obama fez um apelo estúpido para evitar que israelenses e palestinos ficassem presos nos "fogo cruzado" desta confrontação. Pobre dele se houvesse dito que aqui não há "fogo cruzado" nem confrontação alguma e sim um massacre indiscriminado de palestinos, uma horrível "limpeza étnica" praticada contra uma população indefesa! Nosso lobby o crucificaria numa questão de horas! Agora que nossas tropas entraram em Gaza teremos que sofrer algumas baixas, mas a desproporção continuará a ser enorme. 

Claro, não posso evitar que me qualifiquem tecnicamente como um "estado canalha", porque assim se denominam os que não acatam as resoluções da ONU e persistem em cometer crimes de lesa humanidade. Mas como os Estados Unidos e o Reino Unido são violadores em série das resoluções da ONU, e portanto também eles "estados canalhas", seus governos foram invariavelmente solidários com Israel. Para além da perturbação que por momentos possam ocasionar estas reflexões, precisamos completar a tarefa iniciada em 1948 e apoderar-nos da totalidade dos territórios palestinos: iremos deslocá-los periodicamente, aterrorizando-os, empurrando-os para fora das suas terras ancestrais, convertendo-os em eternos ocupantes de infectos campos de refugiados na Jordânia, na Síria, no Iraque, no Egipto, onde seja. E se resistirem os aniquilaremos. Podemos fazer isso pela nossa esmagadora força militar, pelo apoio político do Ocidente e pela degradação e putrefacção dos corrupto e reaccionários governos do mundo árabe que, como era previsível (e assim nos haviam assegurado nossos amigos em Washington e Londres) não se importam minimamente com a sorte dos palestinos. 

A tal extremo chega nossa barbárie que até um amigo nosso, Mario Vargas Llosa, se escandalizou quando em 2005 visitou e Gaza e surpreendeu-nos com críticas de insólita ferocidade. Chegou a dizer, por exemplo: "pergunto-me se algum país no mundo teria podido progredir e modernizar-se nas condições atrozes de existência da gente de Gaza. Ninguém me contou, não sou vítima de nenhum preconceito contra Israel, um país que sempre defendi ... Eu vi com meus próprios olhos. E sinto-me enojado e sublevado pela miséria atroz, indescritível, em que mofam, sem trabalho, sem futuro, sem espaço vital, nas covas estreitas e imundas dos campos de refugiados ou nessas cidades apinhadas e cobertas pelo lixo, onde passeiam ratos à vista, essas famílias palestinas condenadas só a vegetar, a esperar que a morte venha por fim a essa existência sem esperança, de absoluta desumanidade, que é a sua. São esses pobres infelizes, crianças e velho e jovens, privados já de tudo o faz humana a vida, condenados a uma agonia tão injusta e tão larvar como a dos judeus nos guetos da Europa nazi, os que estão agora a ser massacrados pelos caças e os tanques de Israel, sem que isso sirva para aproximar um milímetro a ansiada paz. Pelo contrário, os cadáveres e rios de sangue destes dias só servirão para afastá-la e levantar novos obstáculos e semear mais ressentimento e raiva no caminho da negociação" 

Mas nada do que diga Vargas Llosa, e tantos outros, nos fará mossa: somos o povo eleito por Deus (ainda que os iludidos estado-unidenses também acreditem nisso), uma raça superior e os árabes são uma pestilência que deve ser removida da face da terra. Por isso construímos esse gigantesco muro na Cisjordânia, ainda pior do que erigiram em Berlim e que foi apropriadamente caracterizado como o "muro da infâmia". Nossos lobbies foram muito eficazes ao tornar invisível esta monstruosidade e ninguém fala do nosso "muro da infâmia". Reconheço que nossa traição aos ideais do judaísmo nos inquieta. Não era isto o que queriam os pais fundadores. Convertemo-nos numa máquina de usurpação e despojamento colonial que já não mantém nenhuma relação com nossa venerável tradição cultural. Alguns dizem que Israel é o judaísmo como Hitler era o cristianismo. Por isso é que por vezes nosso sonho é perturbado e as mortes e sofrimentos que causámos durante tanto anos – e que para sermos sinceros começaram muito antes de nascer o Hamas – acossam-nos como o fantasma de Hamlet. Mas retrocedemos horrorizados diante da possibilidade de uma paz que não queremos porque perderíamos os territórios arrebatados durante tantos anos, encorajaríamos a turbamulta árabe que nos rodeia e faríamos perder milhares de milhões de dólares aos nossos amigos do complexo militar-industrial estado-unidense, que é o verdadeiro poder nesse país, assim como aos seus sócios israelenses que também lucram com este estado de hostilidades permanentes. Por isso continuaremos nesta guerra até o fim, ainda que com os riscos que esta atitude possa desencadear.





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segunda-feira, 28 de julho de 2014

A metamorfose de Bachar el-Assad, por Thierry Meyssan



Após a retirada de Fidel Castro, a morte de Hugo Chavez e a interdição feita a Mahmoud Ahmadinejad de apresentar um candidato à eleição presidencial iraniana, o movimento revolucionário não tem mais líder mundial. Ou melhor já não tinha. No entanto, a incrível tenacidade e sangue-frio de Bachar el-Assad fez dele o único chefe de Estado, no mundo, que sobreviveu a um ataque concertado de uma vasta coligação colonial conduzida por Washington, e que foi amplamente reeleito pelo seu povo.

Bachar el-Assad não desejava entrar na política. Ele tinha-se destinado a ser oftalmologista. No entanto, aquando da morte do seu irmão Bassel ele regressou do Reino-Unido, onde prosseguia os seus estudos, e aceitou servir a sua pátria e o seu pai. À morte deste ele consentiu em suceder-lhe, para manter a unidade do país. Os seus primeiros anos de governo foram gastos numa tentativa de modificar a composição das classes sociais de modo a tornar possível um sistema democrático, que ninguém lhe exigia. Pacientemente, ele desmantelou o sistema autoritário do passado e começou a associar a população à vida pública.

Além disso, mal chegado ao poder, ele foi informado que os Estados Unidos tinham decidido destruir a Síria. Assim, a sua presidência foi, sobretudo, virada para o reforço do Exército árabe sírio, a conclusão de alianças externas, e tentativas de desarmar o complô. Desde 2005, com a comissão Mehlis, ele teve que enfrentar a oposição do mundo inteiro que o acusava do assassinato de Rafiq Hariri. Mas, foi apenas em 2011, que as potências coloniais se uniram em conjunto contra ele, pessoalmente, e contra a Síria.

Qual não foi a sua surpresa, no início dos acontecimentos, ao receber uma comissão do burgo sírio onde se tinha dado a principal manifestação e ouvir a mesma exigir- lhe, como única reivindicação, a expulsão dos alauítas da cidade. Revoltado ele pôs fim à reunião, e decidiu defender até às últimas a civilização síria da «vivência em conjunto».

Durante três anos o tímido médico transformou-se em cabo de guerra. Primeiro apoiado, quase exclusivamente, pelo seu exército, depois progressivamente envolvido pelo seu povo, ele foi eleito, em plena guerra, para um terceiro mandato por 88,7% dos sufrágios expressos, ou seja 65% do corpo eleitoral. O seu discurso de investidura mostra até que ponto ele mudou no decurso dos acontecimentos [1].

O ideal que ele aí exprimiu foi primeiro o do serviço da Pátria repúblicana. Ele bateu- se para defender aqueles homens, e aquelas mulheres, que destinavam a viver sob o castigo de uma ditadura religiosa ao serviço do imperialismo. E, por vezes, ele bateu- se por eles contra a sua vontade. Ele bateu-se por eles duvidando ser bem sucedido, preferindo morrer pela Justiça que aceitar o exílio dourado, mas vergonhoso, que lhe propunham os «Ocidentais».

Ora, pouco antes, os ditadores Zine el-Abidine Ben Ali e Hosni Moubarak tinham cedido às primeiras ordens de Washington e deixaram os seus países nas mãos dos Irmãos muçulmanos. Pior, o autocrata Hamad ben Khalifa Al Thani tinha abdicado, como uma criança dócil, ao primeiro franzir de sobrolho de Barack Obama, preferindo desfrutar a sua fortuna roubada que lutar.

Tratava-se, ao princípio, para Bachar el-Assad de resistir aos golpes do imperialismo. Mas quando se aproxima a vitória chegou-lhe o desejo de ir mais longe, de pôr em causa a desordem mundial. Ele descobriu-se como um verdadeiro líder revolucionário, exactamente como Hugo Chávez o tinha percebido, quando o mundo o tomava por um simples menino-do-paizinho (filhinho de papai-Br). E, a este título, qualquer que seja a perfídia de alguns politiqueiros, ele não pode deixar de tomar a defesa do povo palestiniano que os colonos israelitas massacram em Gaza.

A Revolução de Bachar el-Assad é primeiro uma luta(briga-Br) de libertação contra o obscurantismo religioso, que as monarquias wahabitas da Arábia Saudita e do Catar encarnam no mundo árabe. Ela pretende garantir a realização de cada um, qualquer que seja a sua religião, e afirma-se, pois, como laica, quer dizer que ela se opõe ao conformismo religioso. Ela afirma que Deus não apoia nenhuma religião em particular, mas sim a Justiça comum para todos. De facto, ela reenvia a fé em Deus para o âmbito da esfera privada, para disso fazer a fonte da força que permite a cada um lutar contra um inimigo superior, em força, e vencê-lo colectivamente.

Como todos os que atravessaram uma guerra, Bachar el-Assad não pôde admitir a ideia que os horrores cometidos o tenham sido por homens maus(ruíns-Br) colocando «os seus cravos no corpo sírio, semeando a morte e a destruição, devorando corações e fígados humanos, degolando e decapitando». Aceitá-lo teria sido perder toda a esperança na espécie humana. Assim, ele viu por trás das suas ações a influência do Diabo, manipulando-os através dos pretensamente denominados «Irmãos muçulmanos».

O nome do «Diabo» faz etimologicamente referência ao discurso dúplice que ele tem. O presidente el-Assad desmontou, pois, o slogan(eslogan-Br) de «primaveras árabes», imaginado pelo Departamento de Estado para colocar os Irmãos muçulmanos, por todo o lado, no poder no Magrebe, no Levante e no Golfo. Em todo o lado a sujeição ao imperialismo seguia as bandeiras coloniais, o da monarquia wahabita, dos Sénoussi na Líbia, o do mandato francês na Síria, ao mesmo tempo reclamando-se, paradoxalmente, da «Revolução» ao lado dos tiranos de Riade e de Doha.

A guerra foi para ele um processo pessoal longo. Ele viveu-a guiado pela sua moral: o «serviço do interesse público», o que os Romanos chamavam «a República», mas que os Britânicos consideram como uma quimera mascarando ambições autoritárias. Como Robespierre «o Incorruptível», ele compreendeu que este serviço não sofria nenhuma traição, portanto nenhuma corrupção. Seguindo o exemplo do seu pai, Hafez el-Assad, ele vive sobriamente e desconfia do luxo ostentatório de certos capitães do comércio e da indústria, mesmo que sejam das suas relações íntimas.

Ele tornou-se um líder revolucionário; o único chefe de executivo no mundo que sobreviveu a um ataque concertado de uma vasta coligação (coalizão-Br) colonial conduzida por Washington, e que foi amplamente reeleito pelo seu povo. Ao ter agido assim, ele entra na História.


Tradução 

Fonte 

[1] «Discours inaugural du président Bachar el-Assad» (Fr-«Discurso inaugural do presidente Bachar el-Assad»-ndT), por Bachar el-Assad,Réseau Voltaire, 16 juillet 2014.


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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Obama não explica o que o caça Su-25 fazia junto ao avião malaio


Imagens de radar cedidas pelo general chefe do Estado Maior russo mostram caça SU-25 de Kiev junto ao MH17 antes do abate. Por que a Casa Branca não libera as fotos de seu satélite na área?

O governo Obama e a Junta de Kiev estão escondendo o caça Su-25 que derrubou o voo MH17 da Malasia Airlines no dia 17 matando 298 civis, como revelado por Moscou no dia 21 por meio de vídeos de radar e fotos de satélite, que comprovaram que um bombardeiro desse tipo, equipado com mísseis ar-ar R60, estava a menos de 5 km e ascendeu rumo ao avião civil nos momentos que antecederam a derrubada e depois monitorou a área de queda. A Junta negava ter qualquer avião na área, e Washington, que tinha um satélite posicionado sobre a região exatamente na hora do abate “por coincidência”, não mostra as fotos de jeito nenhum e até aqui diz basear suas acusações nas falsificações dos nazistas e nas “redes sociais”. Como assinalou o jornalista Pepe Escobar, “cada vez mais o cenário Buk – histericamente promovido pelo Império do Caos – vai sendo descartado”.

Não é por falta de monitoramento que Obama não vê o Su-25: na hora da derrubada também estava em operação no Mar Negro um avião-radar dos EUA (AWACS), que fazia parte das manobras Breeze 2014, como registrou o analista Wayne Madsen. E quanto mais o governo Obama requenta o “ataque com Buk dos separatistas”, mais fica aparente o envolvimento de Washington na operação de bandeira trocada que os nazistas cometeram para culpar Putin, facilitar o massacre no Donbass e forçar a Europa a ampliar as sanções contra a Rússia. Madsen, inclusive, lembrando a Operação Northwoods, e outras empreitadas sinistras, salientou que derrubada de avião civil por operações de bandeira trocada faz parte do manual do Pentágono.

Como Pepe Escobar destacou, com base nas excelentes análises do blog “Saker”, “os restos calcinados da turbina direita do MH17 sugerem que tenha sido atacada por míssil ar-ar – não por sistema Buk”. Também “nenhuma testemunha ocular viu a trilha de fumaça, muito clara, visível, espessa, que qualquer míssil terra-ar teria traçado no céu, se tivesse havido disparo de um Buk”. Depois da coletiva de imprensa do alto comando russo, mostrando o Su-25, “fontes” de Washington passaram a dizer à mídia que não havia sinal de “envolvimento direto” da Rússia no disparo e até que os “separatistas” poderiam ter derrubado o MH17 “por engano”.

A coletiva de imprensa dos generais russos Kartopolov e Makushev também evidenciou que a Junta de Kiev foi pega mentindo pelo menos duas vezes. Mentiu sobre a montagem dos mísseis Buk sendo movidos de volta à Rússia (a foto foi tirada numa cidade controlada pelos nazistas desde maio) e quando negou ter qualquer avião na área. E investigação realizada pelos internautas desmascarou o “vídeo” em que “separatistas e seus próceres russos confessariam a derrubada do MH17”: foi gravado na véspera, o que demonstra que seus forjadores sabiam com antecedência de que o avião seria derrubado.

Pensando bem, a Junta mentiu mais vezes: disse não ter lançadores Buk na região do abate, mas o comando russo provou, com fotos de satélite, que Kiev deslocou na véspera sua artilharia de mísseis para bem perto da área controlada pelos antifascistas, e no dia seguinte retirou o lançador. Moscou também provou que houve uma intensa atividade de radar dos Buk até a derrubada, bruscamente reduzida no dia seguinte.

Pego no contrapé, o governo Obama tenta requentar a “derrubada por Buk”. Está a maior dificuldade para sustentar. A Junta mostrou uma montagem em que um lançador Buk estaria na pequena cidade de Torez, perto do local da derrubada. O jornal inglês “Independent” localizou a praça onde supostamente teria ficado, foi até lá, e não encontrou ninguém que tivesse visto o enorme aparato e classificaram a imagem de “fraude”. “Toda a mídia ucraniana está mentindo”, disse Andrei Sushparnov. “Não temos mísseis. Se nós tivéssemos, os ucranianos estariam bombardeando nossas cidades?”. A “Reuters” arranjou um ex-comandante da resistência, afastado depois da chegada de Strelkov para organizar a defesa de Donetsk, para dizer que os antinazistas “tinham Buks vindos da Rússia”, mas mesmo este depois desmentiu e disse ter a gravação do que foi efetivamente dito.

‘FONTES’ APONTAM KIEV

O jornalista Robert Parry, conhecido por ter sido quem expôs o escândalo Irã-Contras, registrou que “fontes da inteligência” lhe disseram que as fotos mostravam não os “separatistas”, mas soldados uniformizados de Kiev, disparando um Buk. Outra “fonte” aventou a hipótese de se tratarem de “desertores”. Sempre tentando jogar a culpa nos antinazistas. Outros tentaram atribuir a operação ao oligarca Kolomoisky e seus esquadrões em ação no Donbass.

Segundo Pepe Escobar, “muitas perguntas permanecem sem resposta, algumas das quais sobre um estranhíssimo procedimento de segurança no aeroporto Schiphol de Amsterdam – onde a segurança é feita pela empresa ICTS, empresa israelense com sede na Holanda, fundada por ex-agentes do Shin Bet de Israel. E há também a inexplicada presença de conselheiros ‘estrangeiros’ na torre de controle em Kiev”.

A questão de quem orientou o MH17 a baixar de 35.000 pés para 33.000 pés, quem escolheu uma rota sobre uma zona de guerra, e porque o avião fez um desvio de 14 km à esquerda da aerovia continuam em pauta. Agora, a Rússia condenou a demora da Junta de Kiev de divulgar os dados da torre de controle, advertindo que informações estão sendo manipuladas. E quanto mais encobrimento, mais manipulação, mais forjicação, maior a evidência da monstruosa operação de bandeira trocada dos nazistas de Kiev, contra o povo do Donbass e contra 298 vidas inocentes do voo MH17.

ANTONIO PIMENTA 


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A bizarra decisão do TCU no caso Pasadena




Parece que não temos muita sorte com tribunais de contas.

O TCE de São Paulo é aquele em que figura, há décadas, um homem que sabidamente tem conta secreta na Suíça, Robson Marinho, pupilo de Covas.

Não apenas secreta, aliás. Bloqueada também pelos suíços, sob evidências acachapantes de que o dinheiro da conta é fruto de propinas derivadas do metrô de São Paulo [ 1 ].

Cabe a Robson Marinho e companheiros do TCE de São Paulo zelar, aspas, para lisura dos gastos do governo estadual.

Bonito isso.

Agora eis que ganha as manchetes outro tribunal de contas, o TCU, da União.

Numa das decisões mais estapafúrdias da história nacional, o TCU condenou ex-diretores da Petrobras envolvidos na compra da refinaria de Pasadena a devolver cerca de 2 bilhões de reais aos cofres públicos.

É o valor que a Petrobras teria perdido no negócio.

Nem que cada um dos condenados trabalhasse mil anos sem gastar nada seria possível pagar o devido.

A cifra estipulada pelo TCU equivale ao homem de 8 metros: não tem o menor sentido.

É uma barbaridade, é uma estupidez. Mais correto: é uma insanidade. Revela um completo alienamento da realidade.

Como se chegou aos 2 bilhões de reais é um mistério. Negócios podem dar certo e podem dar errado. Às vezes, você perde. Outra, ganha.

Não existe negócio em que você tenha total garantia de que vai se encher de dinheiro e de felicidade.

Bons executivos são aqueles que não fogem dos riscos.

Todas as discussões em torno de Pasadena não deixaram claro se a compra da refinaria foi um bom ou um mau negócio.

A visão que parece mais crível é que era, no momento da compra, um bom negócio. Mas depois as circunstâncias se alteraram, e os lucros não vieram.

Isso acontece com copiosa frequência no mundo das empresas.

Se a decisão do TCU se transformar, afinal, em realidade, teríamos consequências funestas.

Não se trata apenas da bizarrice da cifra em si. Mais que isso, a mensagem que será dada aos executivos da Petrobras, e não apenas dela, é: não façam negócios. Não comprem nada. Não arrisquem.

Façam a empresa se tornar morta em vida, portanto.

É curioso comparar, na mídia, o caso Pasadena e o caso Aécio.

Não há empenho nenhum em procurar desdobramentos no aeroporto. Sequer o caseiro da fazenda foi ouvido, ou algum vizinho. Você não tem uma história decente – ou até indecente – sobre o pivô do escândalo, o tio de Aécio.

Pasadena, em compensação, é uma obsessão. Sempre há um suposto fato novo que justificaria uma cobertura profusa.

Agora até Lula está no noticiário. Ele teria tentado, com um integrante do TCU que fez parte de seu ministério, livrar Dilma da sentença condenatória.

Tenta-se dar ares bombásticos à denúncia, ainda que sem provas, na esperança de que o público se comova. Hoje, Merval falou longamente disso na CBN. Lula apareceu, como sempre, no papel de vilão da república.

Nenhuma palavra sobre o aeroporto, é claro. E também nada sobre o absurdo incomparável que é apresentar uma conta de 2 bilhões de reais a executivos e esperar que ela seja quitada.

Parecia que não havia nada pior que o TCE de São Paulo, no capítulo dos tribunais de contas.

Isso até o TCU mostrar sua cara.






"LUZ SOBRE A COPEL

Empresa pública deve servir ao interesse público. O problema é que no Paraná de alguns anos atrás não era assim. Por exemplo: os contratos que a COPEL mantinha com empresas multinacionais eram lesivos [ destaque deste blog BFI ]. A empresa passou a dar prejuizo, fechando 2002 com R$ 320 milhões no vermelho.

Mas, a partir de 2003, a energia da COPEL atende a todos os paraenses, e não os interesses de grupos econômicos. O periodo de trevas ficou para trás.

No ano passado, o lucro líquido foi de R$ 171 milhões.

O programa Luz Fraterna, lançado no final do ano passado, é o maior programa de transferência de renda já executado no país. Perto de um milhão de pessoas de baixa renda têm suas contas de luz pagas pelo Governo. E dinheiro que não paga luz, compra comida, roupa, remédios.

O jornal Financial Times, com base em estudo da Price Waterhouse, comprovou que a COPEL é a empresa de energia mais respeitada do Brasil e a terceira do mundo.

A COPEL vooltou a merecer a admiração de seus clientes, sendo a empresa de energia que mais respeita o consumidor, segundo pesquisa realizada em cinco capitais brasileiras pelo Instituto Brasileiro de Respeito ao Consumidor.

A COPEL serve ao bem comum, gerando conforto e bem estar a 10 milhões de paranaenses.

Esta luz ninguém vai apagar.

GOVERNO DO PARANÁ"

( Transcrição de um anuncio que saiu publicado no jornal BRASIL de FATO, de 10 à 16 de junho de 2004 )


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EUA: ex-pastor metodista se suicida pondo fogo em si mesmo, e deixa carta que alega a morte como protesto ao racismo


O pastor aposentado Charles Robert Moore disse que queria honrar quem sofreu com o racismo

Um pastor aposentado da igreja metodista, que surpreendeu os moradores da cidade de Grand Saline, no Texas (EUA), ao colocar fogo em si mesmo, deixou outra revelação chocante. O homem de 79 anos deixou uma carta, onde afirma que se queimaria em honra aos afroamericanos que sofreram violentamente com o passado racista de seu país.

Na nota de suicídio divulgada pela polícia local, ele consta que muitos negros foram enforcados, decapitados e queimados, por moradores que estão vivos até hoje. Charles Robert Moore apontou então que gostaria de fazer justiça se juntando às vítimas do passado, com seu corpo incendiado para sentir na pele o que sentiram.

Após todos os indícios investigados, a polícia conta que Moore estacionou seu carro em frente a uma loja, despejou gasolina em si mesmo e ateou fogo. As chamas rapidamente tomaram conta do corpo do pastor aposentado, e mesmo com os esforços para apagar o fogo, as testemunhas chocadas foram incapazes de evitar os graves ferimentos.

O chefe de polícia Larry Compton disse ao jornal local Tyler Morning Telegraph que nunca viu nada igual em toda a sua carreira, nem ao menos por acidente, no período em que era investigador de incêndios no Corpo de Bombeiros.

Após o incidente, o homem de 79 anos foi transportado para o Hospital Parkland, na cidade de Dallas, onde faleceu mais tarde por conta das queimaduras. A carta de suicídio, deixada no para-brisa do carro de Moore, com contexto de protesto contra o racismo, foi divulgada pelo Tyler Morning Telegraph.

Veja abaixo o conteúdo da carta:

"Nasci em Grand Saline, Texas, há quase oitenta anos atrás. Enquanto crescia, ouvia insultos raciais habituais, mas eles não significavam muito para mim. Eu não me sensibilizava mesmo encontrando uma pessoa afroamericana, até que comecei a dirigir um ônibus para a faculdade Tyler Junior College e fiz amizade com o mecânico que cuidava dos veículos. Eu brinquei com ele sobre a sua cor da pele, e ele ficou muito bravo comigo; que é a forma que eu tive para aprender sobre a dor da discriminação.

Durante o meu segundo ano como estudante de faculdade, eu estava atendendo uma pequena igreja no país, perto de Tyler (Texas), quando a Suprema Corte dos Estados Unidos declarou a ilegalidade da discriminação racial nas escolas em 1954; quando eu assumi ter concordado com a decisão do Tribunal, eu fui amaldiçoado e rejeitado. Quando minha opinião sobre isso se voltou para a Primeira Igreja Metodista em Grand Saline (que tinha alegremente me recomendado para o ministério – o primeiro da congregação), fui condenado e chamado de comunista; se passaram sessenta anos desde então, e nenhuma vez fui convidado para participar de qualquer atividade na Primeira Metodista (exceto os funerais da família), e muito menos para falar em seu púlpito.

Quando eu tinha uns dez anos de idade, alguns amigos e eu estávamos andando pela rua em direção a um riacho para pegar alguns peixes, quando um homem chamado de 'Tio Billy' nos parou e nos chamou em sua casa para tomar um copo d'água, mas seu real propósito era alegremente nos dizer sobre ajudar a matar um "nigger" (forma racista a se referir aos negros, em inglês) e colocar a cabeça em cima de um poste. Uma região de Grand Saline que era (e talvez ainda seja) chamada de "cidade polo", é o local onde as cabeças foram exibidas. Passaram-se anos, antes que eu soubesse o que o nome significava.

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando muitos soldados passaram pela cidade através de trem, os cidadãos exigiam que alguns passageiros fossem escondidos nos vagões, caso houvesse afroamericanos a bordo, para que [os brancos] não tivessem de olhar para eles.

A [ organização racista ] Ku Klux Klan já foi muito ativa em Grand Saline, e provavelmente ainda tem simpatizantes na cidade. Embora seja ilegal a discriminação contra qualquer raça, em relação à habitação, emprego, etc., os afroamericanos que trabalham em Grand Saline, vivem em outros lugares. É triste pensar que as escolas, igrejas, empresas, etc., não têm diversidade racial quando ela chegou [sic] para os negros.

Minha sensação é que a maioria dos moradores de Grand Saline simplesmente não querem negros entre eles, e assim os afroamericanos não querem morar lá e enfrentar a rejeição. Isto é uma vergonha que tem me incomodado desde quando me fiz presente neste mundo, e não quis ser identificado com esta cidade descrita em um jornal em 1993, mas eu nunca levantei a voz ou por escrito uma palavra para contestar a situação. Já tive a minha antiga casa da família no endereço 1212 N. Spring St. nos últimos 15 anos, mas nunca discuti a questão com os meus inquilinos.

Uma vez que estamos atualmente para comemorar o 50º aniversário de Verão da Liberdade de 1964, quando as pessoas começaram a trabalhar no Sul para atingir o direito de voto para os afroamericanos, juntamente com outras preocupações. Este fim de semana passado houve o aniversário do assassinato de três jovens (Goodman, Schwerner e Cheney), na Filadélfia, Mississippi, que deu grande impulso ao movimento dos direitos civis – uma vez que este momento histórico está sendo lembrado, encontro-me muito preocupado com a aumento do racismo em todo o país no tempo presente. Esforços estão sendo feitos em muitos lugares para fazer a votação mais difícil para algumas pessoas, especialmente os afroamericanos. Grande parte da oposição ao presidente Obama é simplesmente porque ele é negro.

Vou completar 80 anos de idade, e meu coração está partido por causa disso. América ( e a proeminente Grand Saline ) nunca se arrependeu realmente pelas atrocidades da escravidão e suas consequências. O que a minha cidade natal precisa fazer é abrir o seu coração e suas portas para os negros, como um sinal de rejeição aos pecados passados.

Muitos afroamericanos eram linchados por aqui, provavelmente alguns em Grand Saline: enforcados, decapitados e queimados, alguns inclusive ainda vivos. A visão deles me assombra muito. Então, nesta data tardia, tomei a decisão de se juntar a eles, dando o meu corpo para ser queimado, com amor no meu coração, não só para eles, mas também para os autores de tal horror – mas especialmente para os cidadãos de Grand Saline, muitos dos quais têm sido muito gentis comigo e outros que podem ser movidos para mudar a situação aqui", relatou a carta.


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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Vôo MH17, as 10 questões de Moscou para Kiev


Enquanto a imprensa ocidental debita carradas de suposições, acusações e especulações sobre a tragédia do vôo MH17, é forçoso constatar que nenhuma das parangonas da imprensa atlantista foi dedicada a trazer ao conhecimento do seu público as 10 perguntas que o vice-ministro russo da Defesa, Anatoly Antonov, colocou às autoridades ucranianas sobre certos aspectos deste incidente.

Nas suas declarações ao canal de televisão russo Russia Today [1], difundidas a partir de 18 de julho de 2014, o vice-ministro russo da Defesa perguntou-se, entre outras coisas, por que meios certos países ocidentais tinham chegado, «apenas 24 horas após os factos», à conclusão que a Rússia estaria implicada na queda do avião da linha malaia, que custou a vida a cerca de 300 pessoas, em 17 de junho.

Tendo observado que nenhuma prova foi apresentada para suportar estas alegações, o vice-ministro russo da Defesa considerou que elas são o resultado de uma «guerra mediática desencadeada contra a Federação da Rússia e as suas forças armadas».

O vice-ministro Anatoly Antonov formulou, dirigidas a Kiev, 10 perguntas «simples» sobre as quais os média (mídia-Br) atlantistas mantêm o mais profundo silêncio:

1 – Imediatamente após a tragédia, as autoridades ucranianas atribuíram instantaneamente as responsabilidades disso às forças de auto-defesa [federalistas]. Em que é que elas basearam estas acusações?

2 – Pode Kiev fornecer todos os detalhes sobre o uso dos lança-mísseis Bouk [ um sistema de defesa aérea composto por mísseis terra-ar acoplados com um módulo de radar complexo, permitindo seguir vários alvos aéreos ao mesmo tempo ] na zona de guerra? E - o que é essencial - Por que é que Kiev instalou estes sistemas [de defesa aérea] quando os insurgentes não têm aviões?

3 - Por que é que as autoridades ucranianas não fazem nada para colocar no local uma comissão internacional?

4 - Aceitariam as Forças Armadas Ucranianas que investigadores internacionais estabelecessem um inventário dos seus mísseis ar-ar e terra- ar, incluindo aqueles que foram usados?

5 – Terá a Comissão Internacional acesso aos dados sobre os movimentos dos aviões de guerra ucranianos correspondentes para o dia da tragédia?

6 – Porque é que os controladores aéreos ucranianos autorizaram a aeronave a desviar-se da rota normalmente utilizada, para norte, e a levaram a aproximar-se da chamada «zona de operação anti-terrorista»?

7 – Porque é que o espaço aéreo na zona de guerra não havia sido fechado aos voos civis, quando esta zona não era, sequer, totalmente coberta pelos radares dos sistemas de navegação?

8 - Que pode dizer, oficialmente, Kiev sobre comentários postados em Ucrânia, sobre a presença de dois aviões militares ucranianos que teriam voado ao lado do Boeing 777 no território da Ucrânia?

9 – Porque é que o Serviço de Segurança da Ucrânia [SBU] começou a trabalhar nas gravações de comunicações entre os controladores de tráfego aéreo ucranianos e a tripulação do Boeing, assim como sobre os sistemas de armazenamento de dados dos radares ucranianos, sem esperar pela participação de investigadores internacionais?

10 - Que lições tirou a Ucrânia do incidente semelhante acontecido em 2001, quando um avião russo [de linha] Tu-154 se despenhou no Mar Negro? Na época, as autoridades ucranianas negaram qualquer envolvimento das forças armadas ucranianas até ao momento em que uma prova irrefutável demonstrou, oficialmente, a responsabilidade de Kiev.

Antes das declarações do vice-ministro, o Ministério russo da Defesa havia revelado que 27 sistemas de defesa anti-aérea Bouk M1, pertencendo ao exército ucraniano, tinham sido implantados na região antes do incidente.

O Ministério russo da Defesa russo anunciou também que a rota da aeronave e o local do acidente se encontram no raio de acção de 2 baterias ucranianas de DCA (defesa anti-aérea,ndT) de longo alcance e de 3 sistemas terra-ar Bouk-M1, e que serviços russos haviam registado ( registrado-Br ) o funcionamento de um radar ucraniano de defesa anti-aérea, no mesmo dia da queda.

Ora, nenhuma destas informações difundidas oficialmente pela Rússia foram mencionados na média atlantista. Esta não achou com interesse retomar as declarações do Procurador-Geral ucraniano Vitaly Yarioma, quando este último revelou, poucas horas depois da catástrofe, que os militares ucranianos tinham informado o Presidente Poroshenko que os rebeldes federalistas jamais haviam conseguido apoderar-se de sistemas ucranianos de mísseis antiaéreos.

Enquanto isso, nós também podemos ver que o frenesim em torno do desastre do vôo, as imagens do circuito local do acidente lançadas nos canais ocidentais e a imprensa corporativa são, agora, usados para ocultar o facto que Kiev prossegue a sua ofensiva em cidades como Lugansk e Donetsk, onde muitos civis já encontraram a morte no fogo da artilharia ucraniana.

Tradução 

[1] «Malaysia MH17 crash: 10 questions Russia wants Ukraine to answer» (Ing- «Queda do avião da Malásia MH17: 10 perguntas que a Rússia quer que a Ucrânia responda» -ndT), Russia Today, 18 de Julho de 2014.

Rede Voltaire

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terça-feira, 22 de julho de 2014

Culpa por insinuação: Como funciona a propaganda dos EUA



Por Paul Craig Roberts

Por que os EUA não se uniram ao presidente Putin, da Rússia, que exigiu investigação internacional objetiva, não politizada, feita por especialistas, do caso do avião da Malaysian Airlines? 

O governo russo continua a distribuir fatos, inclusive fotos de satélite que mostram que havia Buks antiaéreos ucranianos em pontos dos quais o avião de passageiros pode ter sido abatido por aquele tipo de veículo armado, e documentos de que um jato de combate ucraniano SU-25 aproximou-se rapidamente do avião malaio antes de o avião ser abatido. O chefe do Diretorado de Operações dos militares russos disse em conferência de imprensa em Moscou ontem (21), que a presença do jato militar ucraniano foi confirmada pelo centro de monitoramento de Rostov. 

O Ministério de Defesa da Rússia observou que, no momento em que o MH-17 foi abatido, um satélite dos EUA sobrevoava a área. O governo russo exige que os EUA disponibilizem as fotos e dados capturados por aquele satélite.

O presidente Putin já repetiu várias vezes que a investigação do voo MH-17 requer “um grupo representativo de especialistas trabalhando juntos sob orientação da ICAO ( International Civil Aviation Organization ).” Putin, ao exigir investigação independente pelos especialistas da ICAO não age como quem tenha algo a esconder.

Falando diretamente a Washington, Putin disse: “Até que se conheçam os resultados dessa investigação, ninguém ( nem a “nação excepcional” ) tem o direito de usar essa tragédia para fazer avançar seus objetivos políticos egoístas estreitos.” 

Putin relembrou aos EUA: “Nós várias vezes pedimos que os dois lados suspendessem imediatamente o banho de sangue e sentassem à mesa de negociações. O que se pode dizer com certeza é que, se as operações militares não tivessem sido reiniciadas [por Kiev] no dia 28/6 no leste da Ucrânia, essa tragédia não teria acontecido.”

E o que respondem os EUA?

Só mentiras e insinuações.

Acusações 

Anteontem (20), o secretário de estado dos EUA, confirmou que federalistas pró-Rússia estavam envolvidos na derrubada do avião malaio, e disse que seria “bem claro” que a Rússia esta[ria] envolvida. Eis as palavras de Kerry: “É bem claro que há um sistema que foi transferido da Rússia para as mãos de separatistas. Sabemos com certeza, com certeza, que os ucranianos não têm tal sistema em ponto algum nos arredores daquele local naquela hora, portanto é óbvio que há um dedo muito claro dos separatistas.”

A declaração de Kerry é mais uma da infindáveis mentiras que secretários de Estado dos EUA mentiram ao longo do século 21. Quem poderia esquecer o pacote de mentiras que Colin Powell mentiu descaradamente na ONU sobre as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein? Ou a mentira que Kerry repetiu incontáveis vezes, de que Assad “usou armas químicas contra seu próprio povo”? Ou as infindáveis mentiras sobre “bombas atômicas do Irã”? 

Recordem que Kerry, várias vezes, disse que os EUA teriam provas de que Assad ‘cruzara’ a “linha vermelha” e usara armas químicas. Mas Kerry jamais conseguiu comprovar o que dizia, nunca apresentou uma única prova, que fosse. Os EUA não tinham prova alguma a entregar ao primeiro-ministro britânico, nem mesmo para ajudá-lo a conseguir que o Parlamento aprovasse a participação britânica ao lado dos EUA, num ataque militar contra a Síria! O Parlamento então disse ao primeiro-ministro inglês: “sem provas, nada de guerra”. 

Agora, aí está Kerry outra vez a declarar que tem “certeza”, em ‘declarações’ que já foram desmentidas por fotos do satélite russo e incontáveis provas de testemunhas no solo. 

Por que Washington não distribui as fotos do satélite norte-americano? 

Mentiras

A resposta é: pela mesma razão pela qual Washington não distribuirá os vídeos que confiscou e que, dizem os EUA, ‘comprovam’ que um avião de passageiros sequestrado atingiu o Pentágono dia 11/9. Nenhum vídeo comprova o que os EUA mentem sobre o 11/9; assim como nenhuma foto de satélite comprova as mentiras de Kerry sobre o avião malaio.

Inspetores de armas da ONU em campo, no Iraque, relataram que o Iraque não tinha armas de destruição em massa. Mas esse fato comprovado, porque desmascararia a propaganda dos EUA, foi simplesmente ignorado. Os EUA iniciaram guerra terrivelmente destrutiva, baseados numa mentira intencional mentida em Washington.

Inspetores da Comissão Internacional de Energia Atômica em campo, no Irã, e todas as 16 agências de inteligência dos EUA relataram que o Irã não tinha ( como não tem ) programa de armas nucleares. Mas esse fato comprovado era inconsistente com a agenda de guerra de Washington e foi ignorado: pelo governo dos EUA e pela imprensa-empresa press-tituta.

Agora estamos testemunhando a mesma coisa, ante a ausência de qualquer evidência que comprovasse que a Rússia teria algo a ver com a derrubada do avião malaio.

Nem todos, no governo dos EUA, são tão irresponsáveis e imorais quanto Kerry e John McCain. Esses mentem. A maioria dos agentes do governo dos EUA vivem de insinuações.

A senadora Diane Feinstein é exemplo perfeito. Entrevistada pelo canal CNN da imprensa-empresa press-tituta, Feinstein disse: “A questão é: onde está Putin? Eu diria ‘Putin, seja homem. Você tem de falar ao mundo. Tem de dizer. Se foi um erro, como espero que tenha sido, diga!”

Putin não faz outra coisa que não seja falar ao mundo, sem parar, exigindo quese faça investigação por especialistas, não politizada. E Feinstein a perguntar por que Putin se esconde em silêncio! Feinstein lá estava para insinuar que ‘sabemos que você é culpado. Só não sabemos se foi crime deliberado ou acidental.’ 

O modo como todo o ciclo ocidental de noticiário foi orquestrado para instantaneamente culpar a Rússia, desde muito antes de que surja qualquer informação real confiável, sugere que a derrubada do avião malaio foi operação dos EUA. 

É possível, é claro, que a bem adestrada imprensa-empresa press-tituta não precise de orquestração alguma vinda de Washington, para imediatamente culpar a Rússia. Por outro lado, alguns dos desempenhos ‘televisivos’ parecem tão bem ensaiados, que simplesmente têm de ter sido preparados com antecedência. 

Manipulação

Também foi preparado com antecedência o vídeo de Youtube montado para ‘mostrar’ um general russo e federalistas ucranianos discutindo que teriam acabado de, por engano, derrubar um avião de passageiros. 

Como já comentei, esse vídeo tem dois vícios insanáveis: já estava gravado desde antes do acidente; e, ao apresentar o que seria a fala de um militar russo, esqueceu que qualquer militar saberia ver as diferenças entre um avião de passageiros e um avião militar de combate. A própria existência daquele vídeo já implica que houve um complô para derrubar o avião e culpar a Rússia.

Já vi relatórios que dizem que o sistema russo de mísseis antiaéreos, como um de seus dispositivos de segurança, faz contato com os transponders das aeronaves, para verificar o tipo de aeronave que aparece em seu alvo. Se esses relatórios estão corretos e se os transpondersdo MH-17 forem encontrados, é possível que lá esteja gravado o contato.

Já vi notícias que dizem que o controle aéreo ucraniano mudou a rota do MH-17 e o mandou sobrevoar diretamente a área de conflito. Os transponders também indicarão se isso é verdade. Se for, há claramente uma prova, pelo menos circunstancial, de que foi ato intencional de Kiev – e ato que teria de ter sido aprovado pelos EUA.

Há notícias ainda de que haveria uma divergência entre os militares ucranianos e milícias não oficializadas formadas por extremistas ucranianos de direita, que aparentemente foram os primeiros a atacar os federalistas. É possível que Washington tenha usado aqueles extremistas para derrubar o avião malaio, para inculpar os russos e usar as acusações para pressionar a União Europeia a acompanhar as sanções unilaterais dos EUA contra a Rússia. Sabe-se que os EUA estão desesperados para conseguir quebrar os crescentes laços econômicos e políticos entre Rússia e Europa. 

Se havia um complô para derrubar um avião de passageiros, todos os dispositivos de segurança do sistema de mísseis teriam sido desligados, para que não abortassem o ataque e para que não houvesse registro de ataque, não acidental, mas deliberado. Essa pode ser a razão pela qual os ucranianos mandaram um jato para ‘inspecionar’ de perto o avião malaio. É possível que o alvo fosse o avião presidencial de Putin, e a incompetência dos criminosos os tenha levado a destruir um avião de passageiros.

Há inúmeras explicações possíveis. É importante, agora, manter a mente aberta e resistir contra a propaganda dos EUA, até que apareçam os fatos e as provas. No mínimo, os EUA são culpados por usar o incidente para inculpar os russos ‘antecipadamente’, antes de qualquer prova. 

Washington

Até agora, Washington só distribuiu acusações gratuitas e insinuações. E se Washington continuar a só distribuir acusações e insinuações sem provas... logo se saberá com certeza de quem é a culpa.

Enquanto isso, lembrem do menino que gritou “lobo!”, sem haver lobo algum, muitas vezes. Tantas vezes mentiu que, quando o lobo afinal realmente apareceu, ninguém acreditou nos gritos do menino. Será esse o destino final de Washington?

Nas guerras que declarou ao Iraque, ao Afeganistão, à Líbia, à Somália e à Síria, os EUA sempre se esconderam atrás de mentiras. Por quê? Se Washington quer guerra contra o Irã, a Rússia e a China, por que não declara guerra? 

A razão é que a Constituição dos EUA exige que, para que haja guerra, o Congresso emita uma Declaração de Guerra. Com esse dispositivo, se esperava que o Congresso conseguisse impedir que o Executivo fizesse as guerras que quisesse, para promover as agendas ocultas que bem entendesse. Agora, quando já abdicou dessa responsabilidade constitucional, o Congresso dos EUA já é cúmplice nos crimes de guerra do Executivo. 

E ao aprovar o assassinato premeditado de palestinos por Israel, o governo dos EUA já é cúmplice também nos crimes de guerra de Israel.

Agora, se pergunte a você mesmo e responda: o mundo não seria mais seguro, lugar de menos mortes, menos destruição e menos refugiados sem teto, e não seria lugar de mais verdade e mais justiça, se os EUA e Israel não existissem?

Paul Craig Roberts é um economista norte-americano e colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundadorda Reaganomics. Ex-editor e colunista do Wall Street Journal, Business Week e Scripps Howard News Service.


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