sexta-feira, 6 de junho de 2014

Reagan: assassino, covarde, embusteiro, que os bons ventos o levem, pulha... Melhor do que isso só se ele morresse jovem ( Greg Palast, sobre Reagan, texto de 2004 )



Assassino, covarde, embusteiro, que os bons ventos o levem, pulha... Melhor do que isso só se ele morresse jovem

Artigo do jornalista norte-americano Greg Palast, do dia 6, sobre Ronald Reagan,publicado com autorização do autor
Vocês não vão gostar disto. Não se deve falar mal dos mortos, mas neste caso alguém é obrigado a fazê-lo.

Ronald Reagan era um embusteiro. Reagan era um covarde. Reagan era um assassino.

Em 1987, me encontrava numa pequena cidade pobre da Nicarágua chamada Chaguitillo. O povo era bastante bom, tranqüilo, embora faminto, exceto por um homem ainda jovem. Sua mulher tinha acabado de falecer de tuberculose. 

BLOQUEIO À NICARÁGUA 

As pessoas não morrem de tuberculose se conseguem alguns antibióticos. Porém, Ronald Reagan, rapaz de bom coração como era, havia imposto um bloqueio de medicamentos sobre a Nicarágua porque ele não gostava do governo que o povo havia eleito.

Ronnie dava sorrisos amarelos e soltava piadas enquanto os pulmões da jovem mulher se enchiam até que ela parou de respirar. Reagan abria seu sorriso de filme de segunda enquanto eles enterravam aquela mãe de três filhos.

E quando os terroristas do Hezbollah atingiram e assassinaram centenas de marines norte-americanos enquanto eles dormiam no Líbano, o guerreiro de TV saiu na carreira como um cão que acabou de apanhar… depois se virou e invadiu Granada. Aquela pequena guerra de Club Mediterraneé foi uma ação de retardado assassino para que ele, Ronnie, pudesse manter bravatas acerca de cubanos construindo um aeroporto. 

SUBORNO 

Me lembro de Nancy, um crânio com ossos cruzados embaixo desfilando por aí com vestidos de estilistas, alguns dos “presentes” que fluiram para os Reagans – desde chapéus até casas de milhões de dólares – vindos de íntimos bem compensados com o saque ao governo. O que se usava chamar de suborno.

E enquanto isso, o vovô dava seu sorriso amarelo, o avô que trombeteava sobre “valores familiares” mas que não se preocupava em ver seus próprios netos.

O New York Times hoje em seu obituário em compota, escreveu que Reagan projetou “fé na América da pequena cidade” e “nos valores dos velhos tempos”. “Valores” é o cacete. Era o golpe sobre os sindicatos e uma declaração de guerra sobre os pobres e qualquer um que não pudesse comprar vestidos de estilistas. Era o Novo Desprezível trazendo a fome de volta para a América de forma que cada milionário pudesse açambarcar outro milhão.

Valores de “pequena cidade”? De estrela de cinema das Paliçadas do Pacífico a magnata de Malibu? A vontade é de vomitar.

Enquanto isso, no térreo da Casa Branca, enquanto seu cérebro se esvaia na fervura, seu último ato consciente foi fechar os olhos a um golpe de Estado contra nosso Congresso eleito. O secretário de Defesa de Reagan, Casper Fantasma Weinberger com o coronel maluco, Ollie North, fez um complô para dar armas ao monstro do Oriente Médio, Ayatolla Khomeini.

Os rapazes de Reagan chamavam Jimmy Carter de criança, porém Carter não cederia uma polegada ao Ayatolla. Reagan com sua fantasia de cinema de rapaz durão, velhaco em frente às câmeras saiu pedinchando como uma barata covarde a Khomeini, pedindo de joelhos pela liberação dos nossos reféns.

Ollie North voou para o Irã com um bolo de aniversário para o mulá maníaco – um bolo em forma de chave – sem brincadeira, a chave do coração de Ronnie.

Então as baratas de Reagan misturaram covardia com crime: tirar dinheiro dos que detinham os reféns para comprar armas para os “contras” – os narcotraficantes da Nicarágua posando de lutadores da liberdade. 

FARSANTE 

Me lembro, como estudante de Berkeley, as palavras gritadas do megafone, “O governador do Estado da Califórnia, Ronald Reagan, ordena a dispersão da manifestação” … e então vinham os gases lacrimogênios e os cassetetes. E enquanto isso o sorriso amarelo escondedor de canino do farsante. 

Em Chaguitillo, a noite toda os camponeses ficavam acordados cuidando de seus filhos para defendê-los de um ataque dos contras, terroristas de Reagan. Os camponeses nem eram sandinistas, estes “comunistas” que segundo o cérebro detonado do presidente nos dizia, estavam “a apenas 48 horas de carro do Texas”. Aliás, pra que diabos eles iam querer o Texas? 

O RATO MORREU 

Não importa, de qualquer jeito, os camponeses, suas famílias, eram alvos de Ronnie.

No escuro do deserto de Chaguitillo, uma TV brilhava. Estranhamente, passava aquele filme de terceira categoria, “Irmão Rato”; estrelando Ronald Reagan.

Bem meus amigos, vocês podem descansar melhor esta noite: o rato morreu.

GREG PALAST

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