terça-feira, 24 de junho de 2014

Merchán Grátis: Livro ‘A Serviço do Generalíssimo’ – os pilotos brasileiros na República Dominicana



NO LIVRO “A SERVIÇO DO GENERALÍSSIMO – PILOTOS BRASILEIROS NA REPÚBLICA DOMINICANA”, UM LANÇAMENTO DA C&R EDITORIAL, HÉLIO HIGUCHI CONTA A SAGA DE UM GRUPO DE PILOTOS BRASILEIROS EM UMA MISSÃO MIRABOLANTE

O título aí acima parece coisa de ficção. Mas não é. Pilotos brasileiros da aviação civil foram contratados para bombardear Caracas!

Só que essa incrível história aconteceu no final dos anos 40 e início dos 50 do século XX. O contratante foi o governo de um dos mais sanguinários ditadores daquela época:

Rafael Trujillo, o homem que governou, diretamente ou por meio de “laranjas”, a República Dominicana, de 1930, quando, em uma eleição fraudulenta, foi eleito presidente do país, até 30 de maio de 1961, quando foi assassinado a mando de opositores.

Em 1948, Trujillo, sentindo-se ameaçado por várias facções opositoras, que queriam tirá-lo do poder, resolveu criar uma força aérea para a República Dominicana. Uma das missões, a mais mirabolante delas, seria bombardear Caracas, partindo de uma pista clandestina em plena Amazônia brasileira…

A vida dos pilotos brasileiros em Ciudad Trujillo ( hoje, novamente, Santo Domingo ), as extravagâncias de Trujillo e sua família ( que chegou a ser proprietária de 70% das empresas do país ), principalmente do filho Rafael, conhecido como Ramfis, general aos 14 anos de idade, e episódios inacreditáveis, mas verdadeiros, fazem deste livro uma leitura obrigatória que a C&R Editorial lança neste início de maio em todo o Brasil.

Ficha técnica
Título: A Serviço do Generalíssimo
Autor: Hélio Higuchi
Editora: C&R Editorial
N.º de páginas: 204
Preço: 68,00

Mais informações
Pedro Autran
Autran& Autran Associados
Tel: (11) 2281-7205/ (11) 99488-8943
E-mail: autranassociados@bol.com.br


NOTA DO BLOG BFI: Por quê fizemos este generoso merchán gratuito? Simples. Por servir de "gancho" para o artigo que vem a seguir - cuja data da publicação desconheço - de autoria do jornalista Newton Carlos, falando sobre os tiranos, ditadores e "generalíssimos donos de países", que não passavam de testas de ferro e office-boys de interesses de governo e empresas norte-americanos na América Latina - e que, por uma razão que ignoro, são desconhecidos do grande público e de certas pessoas em particular que têm sempre na ponta da língua o nome de Fidel Castro, ex-presidente de Cuba, quando se pergunta sobre tiranos e ditadores latino americanos. Curioso, certo?



Newton Carlos

A Casa Branca já tem pelo menos um cenário do Iraque pós-Saddan Husein. Tropas americanas de ocupação, distribuídas de modo a garantir “estabilidade”, impõem um governo militar chefiado por generais dos Estados Unidos com a tarefa de “desadanizar” o país. A informação é do “New York Times” e os desmentidos, em nenhum momento categóricos, meras tentativas de classificar os planos revelados como de “contingência”, não convencem.

Mesmo que não passem de hipóteses, entra tantas outras, eles não eliminam o fato de que anda pela cabeça do governo Bush a idéia de transformar o Pentágono em provedor de estadistas a subpovos. A fórmula de completar no Iraque a intervenção armada com submissão política administrada por fardados de fora se parece muito mais com o que aconteceu na América Central antes da segunda guerra.

Os Estados Unidos eram ainda potência regional, embora já tivessem expulsado a Espanha de Cuba e das Filipinas e batido ponto no Pacífico com estatura reforçada. Os “marines” desembarcaram na Nicarágua e na República Dominicana, entre outras incursões “salvacionistas”. Eram tempos em que predominava a mania de controlar alfândegas, o modelo FMI da época. As operações não podiam, no entanto, eternizar-se em sua forma original. 

Além de custosas, agrediam a “convivência” no continente. Criou-se uma “guarda nacional” dominicana treinada e equipada pelos americanos para assumir as tarefas das tropas de ocupação. Foi o ovo da serpente das repúblicas bananeiras e seus tiranos. Um miliciano, de nome Rafael Leônidas Trujillo, logo se impôs aos olhos dos instrutores estrangeiros e acabou promovido a comandante nativo do novo “exército” da República Dominicana.

No salto seguinte tornou-se, durante 30 anos, um dos ditadores mais cruéis e mais cínicos de uma região encharcada de cinismos e crueldades. Mandava matar e se fazia representar nos enterros com prepostos chorosos e portadores de flores. Trujillo é o personagem central de a “Festa do Bode”, de Vargas Llosa. Vale a pena conhecê-lo. Na Nicarágua, houve semelhanças e acréscimos. Como homem da confiança dos americanos, da mesma forma que Trujillo, Anastásio Somoza assumiu o comando da “guarda nacional”. 

Mas, na Nicarágua, os Estados Unidos enfrentavam um contraponto, a guerrilha nacionalista de Sandino, que hoje seria catalogado de terrorista. Até aviões Sandino enfrentou. Há historiadores que consideram a intervenção na Nicarágua o primeiro Vietnã dos Estados Unidos. Sandino não foi derrotado. Somoza, com proteção americana, matou-o numa emboscada traiçoeira e assumiu poderes de ditador. “Is a son of a bitch, but our son of a bitch”, dizia Roosevelt. 

A família Somoza ficou em palácio até 1979. As ações dos Estados Unidos na América Central, nos anos 20 do século passado, resultaram em gente como Trujillo e Somoza [ grifo deste blog ]. No Iraque, a partir do imaginado para o pós-Saddan Hussein, será diferente? A informação do “New York Times” é de arrepiar os cabelos. Mostra a permanência de fórmulas do “destino manifesto”.

Newton Carlos é jornalista especializado em política internacional


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