quarta-feira, 21 de maio de 2014

Xiii, Carlinhos de Tocqueville: mortalidade materna nos EUA é a maior entre os industrializados


Somente oito países, ao invés de redução, tiveram crescimento de mortalidade materna desde a virada do milênio: os EUA, o Afeganistão, Guiné Bissau, Belize, Seichelles, El Salvador, Grécia e Sudão do Sul

Os Estados Unidos estão entre os únicos oito países (além deste, Afeganistão, Sudão do Sul, Grécia, Guiné Bissau, Belize, Ilhas Seichelles e El Salvador), a aumentarem a mortalidade materna entre os 193 estados signatários da Declaração do Milênio das Nações Unidas. De acordo com as estatísticas, atualmente, nos EUA, 18 mulheres morrem a cada 100 mil nascimentos. Em 1990, esse índice era de 12,4, e em 2003 havia saltado para 17,6. Comparado com a Arábia Saudita, uma americana possui duas vezes mais chances de morrer, em caso de gravidez e, se comparada às inglesas, suas chances são três vezes maiores.

O estudo foi publicado pelo jornal especializado em medicina The Lancet, no último dia dois de maio. Demonstra que desde 1990 a mortalidade materna aumentou em 50% nos Estados Unidos, enquanto o quinto item da Declaração do Milênio, assinada por este país, e que versa sobre a saúde da mulher, prevê o compromisso dos países signatários em diminuírem a mortalidade materna em 75% até 2015.

Em relação às crianças nascidas, os norte-americanos também apresentam índices de mortalidade elevados. Entre as crianças de até cinco anos, a mortalidade é de 7,1 para cada mil nascidos vivos (semelhante às estatísticas verificadas na Bósnia-Herzegovina, Qatar e Uruguai). Já em relação a mortalidade no primeiro dia de vida, os norte-americanos apresentam a maior taxa de mortalidade entre os países industrializados.

A mortalidade materna nos Estados Unidos é superior a do Irã, que apresenta 13,5 mortes para cada 100 mil nascimentos. Por sua vez a Palestina apresenta apenas 9 mortes, e a Rússia apresenta 16,8 mortes, enquanto a China, 17,2. Por sua vez a Europa Ocidental possui uma taxa de mortes maternas três vezes inferior a dos EUA, totalizando 6,3 mortes para cada 100 mil nascimentos em 2013, uma redução de 50% desde 1990, ano que apresentava uma taxa de 12,7 mortes. Já a Alemanha diminuiu a sua taxa de mortalidade materna para 6,5 em 2013, enquanto em 1990 a estatística apontava para 18 mortes.

Para os autores do estudo, essa elevação em 50% nas mortes maternas desde 1990 se dá pela "falta de assistência pré-natal, altas taxas de partos Cesariana, e outros tipo de deficiência em serviços de saúde" que – se adequadamente fornecidos - poderiam prevenir "complicações durante a gravidez causadas por diabetes, obesidade e outras condições". Para a Organização Mundial da Saúde, a mortalidade materna expressa a "ineficiência no acesso aos serviços de saúde, e destaca a diferença entre pobres e ricos".

Esse aspecto vem claramente à tona quando se chega às porcentagens de famílias norte-americanas em situação de insegurança alimentar às quais aumentaram de 11,1% em 2007, para 16% em 2012. Já a taxa de pobreza saltou de 12% em 2000, para mais de 17,4%, afirmam os estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD, na sua sigla em inglês). Ainda de acordo com um estudo da OECD, a expectativa de vida nos EUA é inferior a da Europa ocidental, mesmo se comparada a países como Portugal e Grécia.

A disparidade se mostra extremamente grave quando se compara as condições entre negros e brancos nos EUA. Segundo divulga o site Face the Facts, do Centro de Mídia Inovadora da Universidade George Washington, enquanto que para as brancos, o índice de mortalidade materna é de 11 mulheres para cada 100 mil partos, para as negras chega a 34,8 para 100 mil.

GABRIEL CRUZ


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