quarta-feira, 28 de maio de 2014

Michael Moore: EUA é fundado na violência



No mais recente texto do cineasta ele se refere ao morticínio em que um americano atirou e matou estudantes na Califórnia denuncia a agressão norte-americana generalizada aos demais povos como base ideológica para a psicopatia que leva pesssoas a atirar em outras em ocorrências cada vez mais frequentes

"Com o devido respeito àqueles que estão me pedindo para comentar sobre o tiroteio de ontem à noite [24-05] na UCSB em Isla Vista – Eu não tenho mais nada a dizer sobre o que agora faz parte da vida americana normal. Tudo o que tenho a falar sobre isso eu falei há 12 anos: somos um povo facilmente manipulado pelo medo, que nos leva a colecionar um quarto de bilhão de armas em nossas casas, muitas vezes facilmente acessíveis para jovens, assaltantes, doentes mentais ou qualquer um que se encaixe no momento", afirmou o cineasta norte-americano Michael Moore, referindo-se ao massacre perpetrado por Elliot Rodger, de 22 anos, que matou seis pessoas na sexta-feira passada na cidade de Santa Bárbara, no estado da Califórnia e feriu mais sete. Morreu logo depois, perseguido pela polícia, com um tiro na cabeça.

Ele tinha publicado um vídeo no YouTube em que falava dos seus planos e justificações para cometer os crimes. As três armas semi-automáticas encontradas no seu automóvel tinham sido compradas e estavam registradas legalmente por ele.

No vídeo, o rapaz falou em "punir as mulheres" pelo que elas lhe fizeram. "A faculdade é o momento em que todos experimentam coisas como sexo, diversão e prazer", diz. "Mas naqueles anos eu tive que apodrecer na solidão. Não é justo. Vocês, garotas, nunca se sentiram atraídas por mim."

Moore, autor de "Tiros em Columbine", o documentário ganhador do Oscar que aborda a chacina em uma escola acontecida em 1999, assinalou sobre o massacre que:

"Somos uma nação fundada na violência, aumentamos nossas fronteiras por meio da violência e permitimos que os homens no poder usassem a violência em todo o mundo para promover nossos chamados ‘interesses (corporativos)’.

A arma, não a águia, é o nosso verdadeiro símbolo nacional. Enquanto alguns países têm um passado mais violento (Alemanha, Japão), mais armas per capita em casa (Canadá), e as crianças na maioria de outros países assistam aos mesmos filmes violentos e joguem os mesmos videogames, ninguém chega perto de matar o número de seus próprios cidadãos em uma base diária como fazemos – e ainda assim nós não nos fazemos essa pergunta simples: ‘Por que nós? Por que os EUA??’

Quase todos os nossos fuzilamentos em massa são cometidos por homens brancos com raiva ou perturbados. Nenhum deles é cometido por mulheres. Hmmm, por que isso? Mesmo quando 90% do público americano pede leis contra armas mais fortes, o Congresso se recusa – e, então, as pessoas se recusam a removê-los do cargo.

Assim, a responsabilidade recai sobre nós, todos nós. Não vamos aprovar as leis necessárias, mas o mais importante é que não vamos considerar por que isso acontece aqui o tempo todo. Quando a Associação Nacional do Rifle diz: ‘As armas não matam pessoas – pessoas matam pessoas’, ela está certa até a metade.

Só que eu iria alterar isso para o seguinte: ‘As armas não matam pessoas – americanos matam pessoas’. Aproveite o resto do seu dia e tenha a certeza de que tudo isso vai acontecer de novo muito em breve".

SUSANA SANTOS - HORA DO POVO

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