quinta-feira, 8 de maio de 2014

"Como todos os brasileiros"



Planeta: TERRA
País: Brasil
Local: Sede da AEIOU ( Agência de Espionagem a Investigar os que se Opõem à União )

Naquela clichezenta sala de interrogatório, o detido tem a carapuça retirada. Diante dele, o chefe dos interrogadores:
- Muito bem caro senhor Almeida, ou melhor, Mister Smith, finalmente o apanhamos...
O preso retruca:
- M-mas como assim, manô? Que porra de lugar é esse? Que é que eu tô fazendo aqui?
- Mmmm - responde o interrogador - não adianta fingir que é um dos nossos. Vem com essa  não! Esse papo de gíria não pega. Somos agentes experimentados. Sabemos que você é um estrangeiro que anda tramando contra este País!. Melhor desembuchar logo.
- Well, como você descobriu? - pergunta o captivo.
- Bem, responde o Chefe, até que foi fácil. Temos acompanhado com muito interesse suas movimentações por nosso território. Uma hora sua casa ia cair.
- Como assim?
- Bom, você não conseguiu captar com exatidão a alma, o que é ser realmente um brasileiro...
- God, onde foi que errei?
- Em vários aspectos. Você foi bem amador, essa é que é a verdade.
- What? Where? When?
- Repito: foi fácil descobri-lo.
- Can you dar um exemplo, caralho?
- Você foi bem vacilão.
- Oras, eu fiz o possível para imitar um brasileirra padrão.
- Nossos agentes quase foram tapeados. Por exemplo, daquelas vezes em que você escutava música alta no transporte público.
- Oh, yeah, funk do bom. Bem alta, dentro da busón. 
- Quase nos enganou. 
- Furrar filas.
- Bem típico. Cultura nacional. Quase passou.
- Well... mas entón, onde que errei?
Pacientemente e com ar de superioridade, o Chefe passa a demonstrar ao espião maligno seus erros prosaicos, que fizeram com que fosse desmascarado facilmente:
- Bem, nós usamos de ardis...
- What? Como assim?
- OK. Certa vez lhe enviamos pelo correio, e anonimamente, um convite VIP para o Salão do Automóvel.
- Ohhh, yeah, forram vocês?
- Sim. E sabe o que você fez? JOGOU FORA!!! Isso foi o suficiente para ficarmos alertas. Brasileiro de verdade dá o braço para ir nesse evento! E você jogou fora! Aí nossas suspeitas foram confirmadas. 
- Uh?
- Mas lhe demos o benefício da dúvida. E usamos outra estratagema: mandamos um presente para você, uma miniatura de coleção de carros clássicos do Brasil.
- Oh, yeah, Opalón amarrela!
- E qual foi sua reação? Oras, você jogou no cesto de lixo!
- Well...
- E mais: sabe por quê você não estacionou seu carro na calçada para atrapalhar o pedestre?
- Orras, sei lá?
- Simples: VOCÊ NÃO TEM UM CARRO! 
- E daí?!
- Você demonstrou que não ama carro COMO TODO BRASILEIRO! Aí foi fácil desmascará-lo! Seu espião maligno!
- Raios! Eu acharr que minha disfarrça erra perrfeita! Mas é que na minha país quase toda munda anda de trrem , metrrô, bicicleta, desde as rricas até os pobrres.
- Não adiantou sentar no banco do idoso no transporte púbico e fingir que pegava no sono quando uma velha se aproximava.
- Coitadinhas, eu tinha muito pena delas, mas tinha que manterr a disfarrce.
- Tá vendo? Ficou com pena delas! Você não tem nada a ver conosco, mesmo
- E agorra? Vocês me mandarrão parra algum florresta cheia de canibais ou macacas assassinas?
- Oras, seu gringo, você pensa que somos selvagens e incivilizados? Vamos cuidar de sua extradição e que nunca mais você bote seus pés aqui no Florão da América!
E assim foi feito. As tratativas e negociações da expulsão do gringo malévolo foram feitas pelas embaixadas e a opinião pública nunca ficou sabendo desse episódio.

( FIM )

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