quarta-feira, 23 de abril de 2014

Violência, crimes e escolaridade



Atribui-se a Victor Hugo a frase "Quem abre uma escola fecha uma prisão

Victor Hugo é autor de "Os Miseráveis" ( o clássico da literatura, mais conhecido na sua forma de musical de sucesso )

Não sei muito bem se a coisa se daria automaticamente assim conforme proposto mas, por intuição, sou levado a concordar. Mais educação deve sempre ser melhor que menos educação, acho que é óbvio. 

Falei em "prisões", certo? Que nos leva à questão da criminalidade. Então: não imagino como a escolaridade - o conhecimento da tabela periódica ou do pronome oblíquo, se é que isso existe - rebaixaria por si só o cometimento de crimes.

A menos que tenhamos como princípio a escolaridade como esteio e indutora de uma carreira profissional de sucesso com foco em conquistas, sempre acreditando que o sucesso profissional teria o condão de impedir o nascimento ou florescimento do instinto criminoso nas pessoas mormente pela satisfação de suas necessidades materiais. 

Portanto, o esquema seria este: a educação levaria OBRIGATORIAMENTE ao sucesso profissional e este OBRIGATORIAMENTE à paz na Terra. De modo que o grosso dos casos criminais teria como autores pessoas sem ou com poucos anos de freqüência em instituições escolares. Simples, certo?

( Importante, acho: um sujeito que apanha de alguém na rua, num bar ou num acidente de trânsito está envolvido num episódio de violência; uma mulher que apanha do namorado ou marido idem; agressão é crime, mas não é desse tipo de crime/ violência que estou me referindo; porém, é um bom exemplo: como a simples escolaridade dos agressores poderia impedi-los de cometer essas agressões? Simples: isso só não basta )

Pegue esse caso do garoto Bernardo. Os acusados: o pai, um médico, de escolaridade óbvia. A madrasta, uma enfermeira, também deve ter passado mais tempo na escola que a média nacional.
A motivação? Bom, como eu geralmente fujo destes assuntos datenísticos, a última vez que tomei contato com alguma notícia sobre o caso, se dizia que era por motivos econômicos, herança, coisa do gênero. Se mudou alguma coisa, esse texto aqui cai por terra pois eu conto com a motivação financeira como razão pro crime. Repito: assassinato cometido por pessoas escolarizadas e por razões de ganância.

Excluamos por um momento questões de herança, que parece coisa de novela. O roubo de um carro, um assalto à joalheria ou a um posto de gasolina, o furto de uma carteira, mas não por necessidade, o que talvez não justificasse, mas explicaria um pouco. Alguém poderá alegar que tais crimes são quase sempre cometidos por pessoas de baixa escolaridade. Não tenho estatísticas nem números sobre isso, mas talvez eu até concorde, notando que isso corroboraria um pouco a frase de Victor Hugo. Mas não deixaria de insistir que a ganância tem seu quinhão nisso. 

Assim, se a taxa de crimes pode, em tese, ser diminuída, bastando para isso combater a baixa ou a ausência de escolaridade ( a "ignorância" ) das pessoas ( o que as levaria DIRETAMENTE ao caminho do progresso material, desmotivando sua propensão a agirem como criminosos ), como se combateria, então, a criminalidade causada pela ganância, pela ambição, pelo materialismo, pela motivação pecuniária - sendo que essa é rigorosamente a idéia que move o grosso da sociedade em todas as esferas e classes - quando é cometida por pessoas com escolaridade, já que esta já deveria ter sido agente de seu progresso material, como vimos acima? 

Em resumo, se o crime decorrente da censurável e inaceitável "ignorância" e falta de escolaridade se combate com educação, como impedir aqueles causados pela ganância, já que esta não é uma questão de âmbito escolar a não ser, possivelmente, nas aulas de Educação Moral e Cívica? 

Talvez, no caso de Bernardo, se não existisse uma herança em questão, tal crime horrivel não tivesse se consumado. Mas, também no campo do "talvez", se os parentes assassinos não fossem gananciosos, o mesmo se observasse. 

Uns roubam postos de gasolina ( inicialmente um crime patrimonial, mas que pode resultar em mortes ), outros matam parentes e sócios por patrimônio gordo ( idem, só que a morte faz parte da essência do plano. Sem morte, não há sucesso na empreitada ). Se os primeiros têm como "desculpa" a falta de escolaridade (*), e se a solução PREVENTIVA é jogá-los numa escola 12 horas por dia, 7 dias por semana ( o que as levará ao caminho do sucesso, etc, desmotivando-as de cometerem crimes por terem atingido uma situação material confortável e suficiente, etc ) , qual a solução preventiva para casos em que os autores têm escolaridade elevada, se essa condição, por si só, deveria tê-los impedido de fazer essas coisas feias e criminosas? 

O blablabla introdutório acima finalmente termina onde estava previsto terminar: numa questão. 

O que leva mais as pessoas a cometerem atos de violência e crimes PATRIMONIAIS (**): a falta de escolaridade ou a ganância (***)? 

(*) Partindo do pressuposto de que pessoas com 12 anos "quadradando" a bunda em bancos escolares não costumam se sujeitar a cometer delitos de pé-de-chinelo, pois o retorno seria baixo - e sujeito estudado tem o direito de pensar alto. Em todo o caso, retornem ao trecho acima em negrito. Tembém notem que me refiro a pessoas estudadas, e não a pessoas necessariamente ricas

(**) Lembrem os exemplos acima de agressões no trânsito e de espancamento de mulheres. No texto, os crimes e atos de violência que importam para a discussão são sempre aqueles de ordem patrimonial ou material

(***) A falta de escolaridade de uma ampla porção de viventes num país é uma vergonha social, acho que é uma opinião unânime. Mas a ganância não é "uma vergonha", certo? Só que crimes causados por objetivos materiais só podem ser cometidos por pessoas gananciosas, com exceção daqueles motivados por necessidade. O que não significa, claro, que pessoas gananciosas sempre cometerão atos fora-da-lei. Só que o mesmo vale para pessoas sem escolaridade. O resumo de tudo isso: em vez de apenas nos atermos à questão escolar, não seria bom também discutir se a ganância e o materialismo disseminados na sociedade trazem algum benefício para a mesma?

Eu, pessoalmente, desconfio mais de pessoas gananciosas e materialistas que de gente com baixa escolaridade.


OBS: COMO SEMPRE OCORRE, EU COMEÇO ESCREVENDO UMA CARTA SIMPLES E TERMINO COM UM RASCUNHO CONFUSO DE UM ROMANCE DE 800 PÁGINAS. 

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