terça-feira, 22 de abril de 2014

Professora da USP foi torturada e morta na Ditadura Militar, Por Jasson de Oliveira Andrade





Neste ano, decorridos 50 anos do Golpe de 64, ocorrido em 1º de abril, está-se fazendo justiça aos presos políticos torturados e mortos. É o caso, entre outros, da professora da USP (Universidade de São Paulo), Ana Kucinsk. É sobre ela que vamos falar neste artigo.

O jornalista Roldão Arruda, na reportagem “USP REVÊ VERSÃO SOBRE PROFESSORA DESAPARECIDA – Demitida há 40 anos por abandono de emprego, Ana Rosa Kucinsk, segundo relatos, foi seqüestrada e morta por agentes da ditadura”, publicada em 18/4/2014, mostra o motivo que a USP está revendo a demissão da professora: “A homenagem à professora marca a passagem dos 40 anos do seu desaparecimento (sic). Naquele dia, Ana Rosa deixou o trabalho avisando que iria almoçar com o marido, num restaurante nas imediações da Praça da República. Wilson, que era físico e trabalhava com processamento de dados num escritório na Avenida Paulista. Os dois tinham 22 anos”. Eles desapareceram. Roldão então revela: “As duas famílias tomaram providências para tentar localizá-los desde as primeiras horas do desaparecimento. Denúncias foram feitas no Brasil e no Exterior (sic) e várias organizações se mobilizaram para obter informações. (...) Pressionado, o governo do presidente Ernesto Geisel reagiu por meio de uma nota oficial, assinada pelo então ministro da Justiça, Armando Falcão. Ele declarou que Ana Rosa e Wilson eram “terroristas” e estavam “foragidos” (sic)”. Para mim, essas explicações não são verdadeiras. Como “terroristas” se estavam trabalhando normalmente? Foragidos? Até hoje estão “foragidos”! Tanto assim, que essa falsa explicação, atualmente, foi desmentida e a verdade apareceu, como relata o jornalista Roldão Arruda: “Sabe-se hoje, por meio de relatos de militares e policiais civis que integraram o sistema repressivo que Ana Rosa e o marido, Wilson Silva, ambos militantes da organização clandestina Ação Libertadora Nacional (ALN), foram presos em São Paulo, no dia 22 de abril de 1974, e levados para a Casa da Morte (sic), em Petrópolis, no Estado do Rio. Segundo informações da Comissão Nacional da Verdade, tratava-se de um dos principais centros clandestinos montados pela ditadura para interrogatório e extermínio (sic) de opositores. (...) Os dois nunca mais foram encontrados. Seus nomes figuram em mais de um relato de agentes do Estado que atuaram naquela casa. Um deles, o delegado Cláudio Guerra, disse no livro “Memórias de uma Guerra Suja (sic)” que os restos mortais de Ana Rosa e Wilson foram incinerados (sic) nos fornos de uma usina de açúcar. Ele também afirma que o corpo da professora apresentava sinais de tortura, com mordidas pelo corpo, indicando também violência sexual (sic)”.

Felizmente, com a Democracia, estamos tomando conhecimento de atos horripilantes, assustadores, desumanos e lamentáveis ocorridos na Ditadura Militar. Alguns casos misteriosos de desaparecidos estão sendo revelados. É o caso do ex-deputado Rubens Paiva (PTB). Ele foi preso, torturado, morto e seu corpo jogado no mar. O mesmo acontecendo com o jovem estudante Stuart!

Precisamos conhecer o passado para evitar que atos como esses voltem a ocorrer. É por esse motivo que costumo repetir: DITADURA NUNCA MAIS!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 

Abril de 2014

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