quarta-feira, 30 de abril de 2014

Fraude das fotos dos “russos” na Ucrânia não dura 24 horas



Fotos que a Casa Branca nos passou subiram no telhado, confessaram as presstitutas. No Iraque as mentiras do NYT fornecidas pela CIA pavimentaram o caminho para a invasão

O “New York Times”, depois de publicar na primeira página fotos que supostamente provariam a existência de “militares e agentes especiais russos atuando dentro da Ucrânia”, teve de esconder na nona página da edição de quarta-feira (22) mal-alinhavado desmentido, após ter sua mentira desmascarada por blogueiros na internet no dia seguinte, que a expuseram ao mundo inteiro.

Como lembrou o laureado repórter Robert Parry – um dos responsáveis pela denúncia do escândalo Irã-Contras -, tratava-se da repetição das mentiras do NYT sobre as “centrífugas de Sadam”, e todas as outras ditadas pela CIA à falsária Judith Miller, e que foram essenciais para insuflar a histeria pró-guerra e para desencadear a invasão do Iraque sob W. Bush.

Cumprindo missão semelhante, agora, para sustentar a Junta instaurada pela CIA em Kiev, a anexação da Ucrânia pela Otan e o cerco à Rússia, disse o NYT: “fotos e descrições da Ucrânia Oriental, endossadas pelo governo Obama no domingo sugerem que muitos dos homens de verde são sem dúvida militares e forças da inteligência russa – equipados da mesma forma que as tropas russas de operações especiais envolvidas em anexar a Crimeia em fevereiro”. E uma legenda asseverava: “soldados em uma foto em grupo de uma unidade de reconhecimento, que havia sido tirada na Rússia, foram mais tarde fotografados operando em cidades no leste da Ucrânia”.

A partir das denúncias trazidas pelo site “reddit.com”, e repercutidas pelo “moonofalabama.org” e pelo portal “Russia Today”, o castelo de cartas das “fotos dos russos na Ucrânia” começou a desmoronar. A tal foto do “grupo de soldados na Rússia” - foi o que o NYT afirmou – não passava de combatentes antifascistas, com as típicas fitas de São Jorge, da cidade ucraniana de Slavyansk, como atestou o próprio fotógrafo, Maxim Dondyuk, freelance, que inclusive a tinha postado na sua conta do instagram.

Para dar algum ar de veracidade à fraude, apesar de haver na internet reproduções em alta resolução dessas fotos, o jornal rebaixou a resolução para publicação. Entre as fotos que deram chabu, está a do célebre cossaco barbudo, supostamente visto, de acordo com a Casa Branca e o NYT, em duas ocasiões diferentes, agora no dia 14 em Slavyansk, Ucrânia, e em 2008 “na campanha da Geórgia”. Não era tão difícil de perceber que se tratava de duas pessoas diferentes, não a mesma pessoa, e uma simples pesquisa na internet propiciava fotos em alta resolução que permitiam distinguir bem. Aliás, enquanto um tinha uma bem fornida barba vermelha, a do outro, menos espalhafatosa, era grisalha.

Um leitor postou o seguinte comentário: “esta guerra de propaganda é uma piada. Como é que um agente secreto especializado trabalhando encoberto iria deixar crescer a maior e mais óbvia barba já vista?” “Eu gostaria que houvesse uma maneira de responsabilizar judicialmente esses jornalistas por mentirem deliberadamente para a população. Ou que apenas eles tivessem alguma vergonha. É triste. Vários jornalistas dos EUA costumavam ter integridade”. Já o “ombudsman” (Editor Público) do “NYT”, se virou como pôde para explicar o vexame: “isso soa familiar – a publicação apressada de algo excitante, frequentemente baseado em vazamento feito pelo poder executivo”.

Apesar de já ter feito, inúmeras vezes o mesmo, em matéria de mentir, a revista “Time” – que integra a mesma corporação da “CNN” (“O Departamento de Estado no Ar”, segundo Madeleine Albright), aproveitou para curtir com o inferno zodiacal do “NYT”. Localizou em Slavyansk o suposto “agente especial” barbudão, descobrindo que não passava de um cossaco, de nome Alexander Mozhaev, indiciado na Rússia por ter ameaçado alguém com uma faca, e que se juntou aos antifascistas.

AGENTE COSSACO

As fotos provocaram muito riso entre os parceiros do cossaco, ao ficarem sabendo que ele não apenas era famoso, como também um agente das forças especiais russas. Vendo a foto do outro barbudo, o da Geórgia, eles asseveraram que “aquele cara parece mais o Osama Bin Laden que o nosso Babai”. O excelente trabalho de investigação do “reddit” revelou ainda, com riqueza de detalhes e links, que o “equipamento russo” que supostamente estaria sendo usado era na verdade armas de fabricação ucraniana com componentes europeus ou norte-americanos.

Resultado: o secretário de Estado John Kerry deu chilique no dia seguinte, descontando no portal de internet e rede de TV “Russia Today”, xingando-a de “megafone de propaganda” usado para “promover a fantasia do presidente Putin sobre o que está acontecendo no terreno”. A “RT” gasta quase todo o seu tempo “fazendo propaganda e distorcendo o que estão acontecendo, ou não está acontecendo na Ucrânia”. Para quem tem à disposição os megafones da “Fox News”, “CNN”,“BBC”, “NYT”, Washington Post” e “Wall Street Journal”, só para ficar nos mais notórios, é muito azedume. 

ANTONIO PIMENTA


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