sexta-feira, 11 de abril de 2014

Ex-agente da CIA denuncia como atua o terrorismo dos EUA contra a Venezuela


“Em 2012, quando eu fui à Feira do Livro em Caracas, toda essa gente que trabalhou comigo contra Cuba, todos os oficiais da CIA, inclusive Kelly Keiderling, estavam lá”, afirmou o ex-agente Raúl Capote, um cubano que durante anos operou para a intervenção norte-americana em Havana. Heiderling, que chegou à Ilha em 2004 sob a fachada de “chefe de Imprensa e Cultura” do Escritório de Interesses dos EUA era quem o instruía para a “criação de grupos alternativos, grupos independentes, organização e formação de líderes juvenis, sobretudo em projeto de cultura”.

O objetivo em Cuba era formar uma rede, que pudesse ser acionada quando Fidel e Raúl se afastassem do poder, para provocar um golpe. O que aconteceu em 2006 em Cuba, quando a doença provocou o afastamento de Fidel do comando do país e a CIA decidiu que era “hora de agir” - o que, como veremos, é extremamente análogo aos acontecimentos atuais na Venezuela, conforme Capote.

A data escolhida foi, nada menos, que o aniversário de Fidel. O operativo da CIA que dirigia o trabalho de Capote lhe disse “Esse [é] o dia!”. Quando Capote lhe retrucou que “se esse homem, nesse dia, resolver fazer um discurso, ou quiser incitar qualquer coisa no centro de Havana, o povo vai responder forte, inclusive, é possível que o matem. Porque, se ele se põe em um bairro de trabalhadores humildes a fazer essas coisas, os vizinhos...”. E ele me diz, textualmente: “O melhor que pode acontecer é que matem esse homem; se matam esse homem, seria perfeito”, explicando o que se queria. “Só falta ele provocar. Que saiam para a rua, e que aconteça um enfrentamento ali. Se acontecer isso, a imprensa vai se encarregar de construir o resto”.

Continuando, o operativo da CIA revelou que o plano era “armar uma grande campanha midiática para demonstrar que em Cuba há caos; que em Cuba há ingovernabilidade; que em Cuba, Raúl é incapaz de sustentar as rédeas do Governo; que a população civil está sendo assassinada, que os estudantes estão sendo reprimidos na rua, assim como o povo na rua, que a polícia está cometendo crimes”. 
“Qualquer semelhança com a Venezuela não é puro acaso”, assinalou Capote.

Heiderling, que já foi expulsa pelo governo venezuelano, é uma perita na guerra de manipulação, ressaltou. “Eu não tenho a menor dúvida. Quando se segue o itinerário dela... Os países onde esteve, e quando esteve nesse tipo de conflito muito semelhantes ao que ela se empenhou em realizar na Venezuela”.

Capote acrescentou que na Venezuela “foram tremendamente agressivos na manipulação da informação. Chegaram a tal ponto que é uma torpeza, porque há imagens que evidentemente nem são dali. Eu estava vendo uma muito famosa, na qual aparece um soldado com um jornalista, com uma câmera, que são coreanos. Essa é uma imagem da Coréia. São asiáticos”.

Capote expôs algumas evidências sobre o “modus operandi” da CIA, em particular, para induzir jovens ao fascismo. “A ideia era transformar as universidades em fábricas de reacionários. Então, como você pode fazer isso? Formando líderes. O que começaram a fazer na Venezuela? Enviavam estudantes para a Iugoslávia, financiados pelo Instituto Republicano Internacional (IRI), pela USAID e pelo Albert Einstein Institute, e os enviavam, em grupos de dez, com seu professor. Enviaram centenas. Eu falava com o professor, e olhava um grupo e depois outro. Porque estavam trabalhando no longo prazo”, relatou.

Outra semelhança do que foi proposto a Capote com o quadro em curso na Venezuela é, como destacou, o objetivo final da operação. “Uma vez que estivessem criadas todas as matrizes de opinião e que o mundo inteiro tivesse a visão de que em Cuba estava acontecendo um grande desastre, e que estavam matando pessoas; e que tudo estava acabando, minha organização deveria convocar a imprensa internacional e publicamente solicitar ao governo dos EUA a intervenção em Cuba para garantir a vida dos civis e trazer tranquilidade e paz ao povo cubano”.


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