quarta-feira, 9 de abril de 2014

“EUA foi decisivo no golpe de 64 e quem ignora isso está perdido no tempo”, afirmou Almino Affonso



O ex-ministro do Trabalho do governo de João Goulart, Almino Affonso, afirmou que a interferência e o apoio oferecido pelos Estados Unidos foram responsáveis por unificar a então cúpula militar golpista e acabaram sendo decisivos no golpe de 1964. Ele lembrou que os EUA colocaram à disposição dos militares brasileiros porta-aviões e destroieres, que estavam a caminho do Brasil.

"Quem ignora a presença americana no golpe militar de 1964 está perdido no tempo", ressaltou, durante entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, na semana passada. Segundo o ex-ministro, o apoio e a influência norte-americana conferiram "unidade absoluta" entre os golpistas. "Havia uma ingerência direta americana, criando uma tal coesão militar não só aqui, mas em toda América Latina", disse.

Almino Affonso relatou que havia profundas divisões dentro das Forças Armadas no período pré-golpe, com setores nacionalistas e antinacionalistas. "A ruptura do Exército vinha num crescente impressionante. E, para mim, foi um grande espanto quando, há dois anos e meio, fui tentar escrever sobre aquele período e constatei que houve uma coesão quase absoluta. Os Exércitos ficaram unidos", contou.

As afirmações do ex-ministro foram em resposta a Daniel Aarão Reis, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), que o questionou sobre as razões pelas quais a esquerda e outros setores não resistiram ao golpe.

Segundo o blog "Educação Política", de Glaudo Cortez, Eliane Catanhêde e Marco Antônio Villa usaram a lógica do estuprador, na qual para muitos a culpa do estupro é da mulher que usa roupas curtas ou porque é muito provocante, para justificar o golpe.

Após as falas de Marco Antonio Villa, Almino respondeu que ele estava mais para romancista do que para historiador. "Com o devido respeito, boa parte da sua intervenção é imaginativa. Você não traz uma mínima afirmação de um fato", disse. E completou: "É tanta interpretação que quase resvala para o Romance".

Ao Programa do Jô, na Globo, e ex-ministro comentou que Jango não foi surpreendido pelo golpe. "Não diria que foi pego de surpresa, mas ele tinha motivos para ter a sua confiança", explicou. Almino está lançando o livro "1964: na visão do ministro do Trabalho de João Goulart". Ele foi cassado pelo golpe de 64 e viveu 12 anos no exílio. ( HORA DO POVO )

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Sabujos e impostores


Sebastião Nery, 05.07.2007


Rio – No dia 1º de abril de 65, primeiro aniversário do golpe de 64, um dos maiores jornalistas da história da imprensa brasileira, o brilhante e bravo cearense-carioca Edmar Morel (1912-1989), lançou pela Editora Civilização Brasileira o livro O Golpe Começou em Washington. Foi um susto na praça. 


Era o primeiro livro denunciando abertamente a impostura do golpe militar. Morel havia chegado à editora com os originais e o título: A Revolução Começou em Washington”. Ênio Silveira, outro valente, sugeriu:

– “Que tal ‘golpe’ em vez de ‘revolução’? 

Morel topou na hora. 


EDMAR MOREL
Começou a caça ao livro. Em Recife, o furioso delegado Álvaro da Costa Lima apreendeu três exemplares numa livraria e se vangloriou na imprensa. Os outros exemplares, nas outras livrarias, acabaram logo. Em Porto Alegre, o ridículo coronel Mário Tupinambás, chefe do DOPS, invadiu a livraria Coletânea, na Rua da Praia, e apreendeu dois modestos exemplares.

No Rio, jogaram uma bomba na Civilização Brasileira, danificando vidraças no quarteirão da Sete de Setembro, entre Rio Branco e Gonçalves Dias. Mas a grande promoção foi a foto de primeira página do Jornal do Brasil, mostrando Miguel Arrais, saído de Fernando de Noronha e asilado na embaixada da Argélia no Rio, lendo no jardim da embaixada o livro de Morel. 

A edição esgotou imediatamente e a reedição foi logo proibida.

GOLPE DE 64
Em novembro de 71, numa entrevista à Veja, o jornalista Elio Gaspari perguntou ao ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon:

– “E a participação do coronel Walters” (agente da CIA no Brasil e braço direito de Lincoln Gordon na embaixada e no golpe de 64)?

– “Ele tinha muitos amigos militares. A idéia de participação não tem fundamento. Houve até um livro, O Golpe Começou em Washington. 

Anos depois, encastelado numa universidade norte-americana, Lincoln Gordon publicou suas Memórias, negando peremptoriamente qualquer ajuda ou participação direta dos Estados Unidos e da embaixada no golpe de 64.

Agora, os próprios Estados Unidos se encarregaram de desmentir e desmoralizar o cínico, sordido e mentiroso Lincoln Gordon. 43 anos depois, o governo norte-americano divulgou um pacote de documentos secretos provando que “o governo americano deu apoio financeiro, material e político (e militar) ao golpe militar de 1964”.

ARMAS AMERICANAS
Em 27 de março de 64, Gordon mandou telegrama para Washington:

– “Recomendamos que medidas sejam tomadas o mais brevemente possível para uma entrega clandestina de armas que não sejam de origem americana, para que sejam disponíveis aos partidários de Castelo Branco (sic).

O melhor meio para entrega agora parece ser um submarino sem inscrições (sic), que seria descarregado à noite na costa de São Paulo, ao Sul de Santos”. No dia 31 março, dia do golpe, o Departamento de Estado anunciou:

1 – “Despacho de navios-tanque dos Estados Unidos, de Aruba, o primeiro deles devendo chegar próximo de Santos entre 8 e 13 de abril, e a seguir vão três navios-tanque em intervalos de um por dia”.

2. – “Despacho imediato de força-tarefa naval para exercícios abertos nas costas do Brasil. A força consiste de um porta-aviões que deve chegar à área em 10 de abril, 4 destróieres, duas escoltas de destróieres, navios-tanque da força tarefa, todos devem chegar quatro dias mais tarde”.

3. – “E 110 toneladas de munição, outros equipamentos leves, incluindo gás lacrimogêneo para controle de massas, a serem levados por via aérea para Campinas. 

O transporte aéreo será feito entre 14 e 36 horas depois da emissão de ordens finais e envolveria 10 aviões de carga, 6 aviões-tanque e seis caças”.

LINCOLN GORDON
João Meirelles Passos, o excelente correspondente de O Globo em Washington, leu a papelada toda, ouviu gravações e contou mais:

– “O embaixador Lincoln Gordon notificou a Casa Branca de que, enquanto as armas não chegavam, adotou “medidas complementares com os recursos disponíveis para ajudar as forças de resistência” e que eventualmente precisaria de mais dinheiro (sic) além do que já havia gasto nessa campanha”:

– “As medidas incluem apoio encoberto para manifestações de rua (as marchas da família das mal-amadas), e incentivo ao sentimento democrático e anticomunista no Congresso, nas Forças Armadas, nos sindicatos amigos, na Igreja e entre empresários. 

Podemos vir a requisitar um modesto fundo suplementar, para outras operações (sic) encobertas (sic) no futuro”.

CASTELO BRANCO

Eis aí. Os americanos compraram militares, parlamentares, sindicalistas, eclesiásticos, empresários, jornalistas, toda uma corja de serviçais venais. 

Durante décadas, a "grande imprensa" (TVs, jornais, revistas) defendeu com ardor o golpe, Lincoln Gordon, Vernon Walters e o governo americano, garantindo que não interferiram em nada no golpe militar. Agora, eles mesmos mostram as provas. 

E fica mais uma vez escancarado quem foi o sabujo e impostor Castelo Branco.


Petain fez o mesmo na França e levou pena de morte. 

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