quarta-feira, 30 de abril de 2014

Eleições democráticas na Síria, Por Thierry Meyssan



Enquanto estados-membros da NATO e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) insistem em apresentar a Síria como uma ditadura, o país continua suas reformas. Em 3 de junho, ele vai eleger o seu presidente da República, enquanto a guerra continua a devastar uma parte do seu território. Damasco está fazendo todo o possível para garantir que essa eleição seja democrática e limpa, enquanto seus atacantes instruem sua mídia para minimizar a cobertura e seus jihadistas para interromper o processo.

A adoção de um novo código eleitoral pelo Conselho do povo sírio provocou a histeria das potências da OTAN e do CCG.

Mesmo antes da votação, Lakhdar Brahimi apresentou sua versão do fracasso das negociações em Genebra 2 à Assembleia Geral da ONU em 14 de março. Ele terminou seu discurso dizendo: "Tenho sérias dúvidas de que a eleição presidencial e um outro mandato de 7 anos para o Presidente Bashar al-Assad tragam um fim ao sofrimento intolerável do povo sírio, parem a destruição do país e restaurem a harmonia e a confiança mútua na região". [1]

O que estaria irritando o representante especial de Ban Ki-moon e Nabil al-Araby? Por um lado, ele considerou a eleição de Bashar al-Assad um fato consumado, embora este ainda não tenha tomado uma decisão sobre sua possível candidatura, por outro lado como a eleição presidencial iria determinar o resultado da guerra?

O fato é que, para Lakhdar Brahimi, bem como para seus agentes, a única coisa importante é conseguir uma vitória para a OTAN e o CCG na Síria. Esta posição foi explicada pelos restantes 11 Estados dos 70 que inicialmente compunham o grupo "Amigos da Síria", montado em 3 de abril, em Londres. Sua versão final está concentrada em expor o voto como uma "paródia de democracia" para "continuar a ditadura". [2]

Mas como um código eleitoral modelado conforme o das grandes nações europeias seria uma "paródia"?

Para os Estados Unidos, a questão não merece nem mesmo ser discutida. Assim, o porta-voz do Departamento de Estado, Jen Psaki, declarou no dia 21 de abril que foi o suficiente olhar para a história de Hafez el-Assad para inferir que seu filho Bashar era contrário a quaisquer eleições livres. [3] Não obstante o fato de que Washington não fez nenhuma queixa quando o fundador da moderna Síria apoiou a libertação do Kuwait, desde quando condena-se um homem pelo comportamento atribuído a seu pai?

O lema está definido: os Amigos da Síria instruiram sua mídia a minimizar a cobertura dessa eleição, se não a ignorá-la completamente, e seus jihadistas a interrompê-la.

De acordo com os "Amigos da Síria", é impossível organizar plausíveis "eleições no meio de um conflito, somente em áreas controladas pelo regime, com milhões de sírios privados dos seus direitos, deslocados de suas casas ou em campos de refugiados". [4] Mas por que, por conseguinte, saúdar a eleição presidencial no Afeganistão (40% dos cidadãos são refugiados no exterior) e de antemão reconhecer a validade das próximas eleições na Ucrânia?

De acordo com os Estados-membros dos "Amigos da Síria", de 45 milhões de ucranianos, 2 milhões vivem na Crimeia "sob ocupação militar russa" e outros 2 milhões estão na autoproclamada "República Popular de Donetsk", que está a boicotar as eleições. Na verdade, a única diferença entre a situação ucraniana e a da Síria é que as novas autoridades em Kiev, desde o golpe de estado, foram escolhidas pela OTAN, enquanto as de Damasco têm sido atacadas por essa instituição.

Na realidade, a administração de Assad já organizou várias eleições multipartidárias em 2012 e 2013: o referendo municipal sobre a nova Constituição e eleições legislativas. As duas primeiras procederam de forma satisfatória, mas a terceira teve problemas: em primeiro lugar, porque foi difícil gerenciar populações deslocadas do país; e, em segundo lugar. porque os partidos da oposição não tinham experiência e muitas vezes não entenderam a necessidade de forjar alianças para serem eleitos.

Voltando ao argumento dos "Amigos da Síria" sobre a impossibilidade da realização de eleições com tantos refugiados. Embora existam muitos sírios deslocados no interior do país, seria interessante saber quantos sírios fugiram da guerra para o estrangeiro, e mesmo se eles teriam a oportunidade de votar em seus consulados. A ONU afirma que, de um total de 22 milhões de cidadãos, haveria 3,2 milhões divididos entre Jordânia, Líbano e Turquia.

Mas esses números são inverificáveis e, quando se olha para o Líbano, vê-se que a maioria dos "refugiados" não se constitui realmente de refugiados: antes da guerra, havia 560 000 trabalhadores imigrantes sírios nesse país. A lei lhes proibiu de trazerem suas famílias sem licenças de trabalho. Hoje, eles podem ignorar essa lei e reagrupamentos familiares acontecem sob o pretexto de serem "refugiados". Além disso, eles recolhem US $ 300 por adulto por mês da ONU e, muitas vezes, outras contribuições de fundações de caridade. Uma vez que eles estão orgulhosos, eles continuam a trabalhar, secretamente, o que chega a representar um bom padrão de vida (no Líbano, US $ 300 por mês é o salário de um professor). Para não mencionar os sírios que, com o apoio de seu governo, atravessam a fronteira a cada mês para coletar seus subsídios e depois voltar para casa. Não há estatísticas precisas que permitam dizer quem esses "refugiados" são porque o Movimento Atual Futuro, de Saad Hariri, se opõe. Como aconteceu anteriormente com refugiados palestinos, ele se baseou em um influxo de sírios, principalmente sunitas, a fim de alterar o equilíbrio demográfico libanês em favor de sua comunidade religiosa.

Na Turquia, a situação é ainda mais caricatural, pois os campos militares da Al Qaeda são classificados como "campos de refugiados" e é proibido acesso pela imprensa.

Quanto à elegibilidade, continuam a haver outras condiçõe: a Constituição [5] e o código eleitoral dizem que é preciso ser um cidadão sírio de mais de 40 anos de idade, não ter dupla cidadania estrangeira, ter um cadastro limpo, se for casado deve ser com um sírio, deve ter o apoio de 35 parlamentares, deve ter residido no país por pelo menos 10 anos, e deve ser muçulmano.

As duas últimas condições são problemáticas: a presença no país por pelo menos 10 anos claramente se destina a impedir candidaturas de exilados patrocinados por Estados estrangeiros. De facto, proíbe a nomeação de membros da Coligação Nacional - alguns dos quais nunca viveram na Síria, mas estão hospedados em grandes hotéis em Istambul, Paris e Doha há três anos.

A condição religiosa é o último vestígio de um regime religioso que sobreviveu ao Partido Baath, incluindo a reforma de 2012. O Presidente da República é a única pessoa que é alvo de discriminação no Alcorão, o qual especifica que Estados com maiorias muçulmanas não podem ser regidos por líderes não muçulmanos [6].

Além desse absurdo - a população sendo predominantemente muçulmana, cabe às pessoas, e não à Constituição, interpretar este princípio e respeitá-lo, se desejarem -, é uma grave violação dos direitos dos cidadãos não-muçulmanos. Na época da reforma constitucional de fevereiro de 2012, enquanto a oposição armada era exclusivamente islâmica e a OTAN e o CCG estavam pagando por deserções, o Presidente al-Assad não se atreveu a arriscar um possível conflito com o clero muçulmano sobre esse assunto. Esse projeto permanece em aberto.

De qualquer forma, enviar uma candidatura é um forte ato político, extremamente perigoso num país atacado pela OTAN e pelo CCG. O código eleitoral enunciado, portanto, detalhou a responsabilidade do Estado em garantir a segurança dos candidatos e o número de funcionários que será atribuído para sua proteção.

Finalmente, a nova lei eleitoral garantiu os recursos dos candidatos. Cada um terá uma soma substancial para a campanha e desfrutará da igualdade de acesso aos meios de comunicação nacionais. O Ministro da Informação deu instruções específicas quanto a isso. Esta será a primeira vez que os sírios poderão acompanhar as campanhas de cada candidato em jornais, no rádio e na televisão.

Definitivamente, se o novo código eleitoral for implementado, a eleição presidencial será democrática; no entanto, imperfeita pois alguns eleitores não serão capazes de participar por causa da ocupação de certos territórios pelos jihadis e porque os cristãos não poderão concorrer. No entanto, membros da NATO e do CCG não reconhecerão isso enquanto a Síria resistir a eles.

Tradução 

Fonte 



[1] "Briefing on Syria by Lakhdar Brahimi to the UN General Assembly" by Lakhdar Brahimi, Voltaire Network, 14 March 2014.

[2] "11 Countries Joint Statement on Syria", Voltaire Network, April 3 2014.

[3] "Daily Press Briefing" by Jen Psaki, Department of State, April 21 2014.

[4] Ibid.

[5] "The Constitution of the Syrian Arab Republic 2012", Network Voltaire, February 26, 2012.

[6] O termo muçulmano não deve ser entendido como um indicador de que os líderes devem respeitar a religião de Maomé, mas como indicador de que eles compartilham a mesma fé na unicidade de Deus. Assim, no Alcorão o judeu Abraão é "o primeiro dos muçulmanos" (surata 12, versículo 78).



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Pequim: arquivo da II Guerra expõe atrocidades do invasor japonês, inclusive escravidão sexual de 200 mil mulheres



“Os arquivos de Guerra não apenas expõem a brutalidade japonesa na China durante a II Guerra Mundial, mas também o vil intento daqueles que negaram os fatos por décadas”, afirmou o Diário do Povo, jornal do Partido Comunista Chinês, sobre a divulgação de 89 documentos detalhando as atrocidades, inclusive a escravidão sexual em massa, de que foram vítimas 200 mil coreanas, chinesas e filipinas.

Os chamados arquivos do exército Kwantung, responsável por manter o regime fantoche da Manchúria nos anos 1930, mostram claramente que os militares japoneses e seu governo implementaram a escravidão sexual em larga escala. Em Nanking, por exemplo, havia 141 escravas e 2500 militares japoneses. “O que quer dizer que cada mulher era torturada 178 vezes em dez dias”, disse Su Zhiliang, diretor do centro de pesquisa da China sobre a questão.

Os documentos foram descobertos em 1953, na província de Jilin. Incluem ainda dados sobre o massacre de Nanking em 1937 e o uso de prisioneiros chineses para experimentos de guerra bacteriológica.

O “Diário do Povo” denunciou “a distorção e encobrimento dos fatos históricos que até hoje é cometido” no Japão por setores de extrema-direita que tentam “passar por liberação uma invasão e fazer de criminosos de guerra, heróis”. “Esses políticos privaram gerações do povo japonês de terem a chance de saber a verdade; persistentemente têm afundado o país em dilemas diplomáticos, ofendido gravemente as vítimas e ameaçado a integração da Ásia”.


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Fraude das fotos dos “russos” na Ucrânia não dura 24 horas



Fotos que a Casa Branca nos passou subiram no telhado, confessaram as presstitutas. No Iraque as mentiras do NYT fornecidas pela CIA pavimentaram o caminho para a invasão

O “New York Times”, depois de publicar na primeira página fotos que supostamente provariam a existência de “militares e agentes especiais russos atuando dentro da Ucrânia”, teve de esconder na nona página da edição de quarta-feira (22) mal-alinhavado desmentido, após ter sua mentira desmascarada por blogueiros na internet no dia seguinte, que a expuseram ao mundo inteiro.

Como lembrou o laureado repórter Robert Parry – um dos responsáveis pela denúncia do escândalo Irã-Contras -, tratava-se da repetição das mentiras do NYT sobre as “centrífugas de Sadam”, e todas as outras ditadas pela CIA à falsária Judith Miller, e que foram essenciais para insuflar a histeria pró-guerra e para desencadear a invasão do Iraque sob W. Bush.

Cumprindo missão semelhante, agora, para sustentar a Junta instaurada pela CIA em Kiev, a anexação da Ucrânia pela Otan e o cerco à Rússia, disse o NYT: “fotos e descrições da Ucrânia Oriental, endossadas pelo governo Obama no domingo sugerem que muitos dos homens de verde são sem dúvida militares e forças da inteligência russa – equipados da mesma forma que as tropas russas de operações especiais envolvidas em anexar a Crimeia em fevereiro”. E uma legenda asseverava: “soldados em uma foto em grupo de uma unidade de reconhecimento, que havia sido tirada na Rússia, foram mais tarde fotografados operando em cidades no leste da Ucrânia”.

A partir das denúncias trazidas pelo site “reddit.com”, e repercutidas pelo “moonofalabama.org” e pelo portal “Russia Today”, o castelo de cartas das “fotos dos russos na Ucrânia” começou a desmoronar. A tal foto do “grupo de soldados na Rússia” - foi o que o NYT afirmou – não passava de combatentes antifascistas, com as típicas fitas de São Jorge, da cidade ucraniana de Slavyansk, como atestou o próprio fotógrafo, Maxim Dondyuk, freelance, que inclusive a tinha postado na sua conta do instagram.

Para dar algum ar de veracidade à fraude, apesar de haver na internet reproduções em alta resolução dessas fotos, o jornal rebaixou a resolução para publicação. Entre as fotos que deram chabu, está a do célebre cossaco barbudo, supostamente visto, de acordo com a Casa Branca e o NYT, em duas ocasiões diferentes, agora no dia 14 em Slavyansk, Ucrânia, e em 2008 “na campanha da Geórgia”. Não era tão difícil de perceber que se tratava de duas pessoas diferentes, não a mesma pessoa, e uma simples pesquisa na internet propiciava fotos em alta resolução que permitiam distinguir bem. Aliás, enquanto um tinha uma bem fornida barba vermelha, a do outro, menos espalhafatosa, era grisalha.

Um leitor postou o seguinte comentário: “esta guerra de propaganda é uma piada. Como é que um agente secreto especializado trabalhando encoberto iria deixar crescer a maior e mais óbvia barba já vista?” “Eu gostaria que houvesse uma maneira de responsabilizar judicialmente esses jornalistas por mentirem deliberadamente para a população. Ou que apenas eles tivessem alguma vergonha. É triste. Vários jornalistas dos EUA costumavam ter integridade”. Já o “ombudsman” (Editor Público) do “NYT”, se virou como pôde para explicar o vexame: “isso soa familiar – a publicação apressada de algo excitante, frequentemente baseado em vazamento feito pelo poder executivo”.

Apesar de já ter feito, inúmeras vezes o mesmo, em matéria de mentir, a revista “Time” – que integra a mesma corporação da “CNN” (“O Departamento de Estado no Ar”, segundo Madeleine Albright), aproveitou para curtir com o inferno zodiacal do “NYT”. Localizou em Slavyansk o suposto “agente especial” barbudão, descobrindo que não passava de um cossaco, de nome Alexander Mozhaev, indiciado na Rússia por ter ameaçado alguém com uma faca, e que se juntou aos antifascistas.

AGENTE COSSACO

As fotos provocaram muito riso entre os parceiros do cossaco, ao ficarem sabendo que ele não apenas era famoso, como também um agente das forças especiais russas. Vendo a foto do outro barbudo, o da Geórgia, eles asseveraram que “aquele cara parece mais o Osama Bin Laden que o nosso Babai”. O excelente trabalho de investigação do “reddit” revelou ainda, com riqueza de detalhes e links, que o “equipamento russo” que supostamente estaria sendo usado era na verdade armas de fabricação ucraniana com componentes europeus ou norte-americanos.

Resultado: o secretário de Estado John Kerry deu chilique no dia seguinte, descontando no portal de internet e rede de TV “Russia Today”, xingando-a de “megafone de propaganda” usado para “promover a fantasia do presidente Putin sobre o que está acontecendo no terreno”. A “RT” gasta quase todo o seu tempo “fazendo propaganda e distorcendo o que estão acontecendo, ou não está acontecendo na Ucrânia”. Para quem tem à disposição os megafones da “Fox News”, “CNN”,“BBC”, “NYT”, Washington Post” e “Wall Street Journal”, só para ficar nos mais notórios, é muito azedume. 

ANTONIO PIMENTA


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terça-feira, 29 de abril de 2014

Por que pessoas desejam a volta da Ditadura Militar?, Por Jasson de Oliveira Andrade



Para responder essa pergunta, resolvi adotar uma entrevista imaginária. Vamos a ela.

Pergunta: O que é preciso para aprofundar a nossa democracia e evitar um novo golpe como o de 1964? Além disso, por que há pessoas que ainda desejam a volta da ditadura militar?

JASSON: Para evitar um novo golpe como o de 64, é preciso mostrar que a Democracia é melhor do que a Ditadura. Sempre digo que a pior das Democracias é melhor do que a melhor das Ditaduras. Os professores, principalmente os de História, deveriam ensinar isso. Quanto àqueles que desejam o regime militar, o motivo é esse: desconhecer que a Democracia é melhor. O motivo principal desse desejo é a corrupção. No entanto, na Democracia os corruptos são julgados e condenados. Estão presos. Na Ditadura, com a censura, a corrupção, muito maior do que a atual, não era conhecida e muito menos punida. 


Preocupado com essa mentira espalhada pela direita, escrevi na Introdução de meu livro ( Golpe de 64 em São João da Boa Vista ) algumas linhas sobre o assunto. Citei um livro de Gilberto Dimenstein, “As Armadilhas do Poder”, no qual ele descreve a corrupção da esposa de Costa e Silva, Yolanda Costa e Silva, que, segundo ele, levou ao derrame do presidente e à sua morte. E quem a acusou de negócios escusos não foram os adversários e sim o poderoso general Muniz de Aragão, que fez um relatório ao presidente Costa e Silva. Com a censura, ninguém ficou sabendo e ela não foi punida. Com a democracia essa corrupção foi divulgada. Aí está a vantagem da democracia. O coronel Dickson Grael, que foi um dos primeiros golpistas, autor do livro “Aventura, Corrupção e Terrorismo – À sombra da impunidade”, afirma: “1964 foi a esperança que virou desilusão. O que seria um movimento destinado a combater a subversão e a corrupção converteu-se no império de ambas, com a agravante da supressão das liberdades públicas e privadas”. 


Outro militar, Hugo de Abreu, no livro “O Outro Lado do Poder”, também citou várias corrupções no tempo da Ditadura e cobrou: “A Revolução prometeu honestidade, austeridade, prometeu lutar contra a corrupção. Está na hora de cumprir com a promessa. E nós não estamos aqui somente pedindo isto. Não. Nós estamos exigindo, a Nação está exigindo: mais seriedade com o dinheiro do povo”. Este depoimento de um militar que esteve muito tempo no Poder é insuspeito. Não citamos subversivos, como são designados os adversários. Citamos militares que participaram do Golpe e governaram por algum tempo. 

Poderíamos citar outros, como o general Carlos Luís Guedes, que iniciou o Golpe e escreveu o livro “Tinha que ser Minas”. Ele encerra esse livro, dizendo dos governantes daquela época: “Mas não posso fugir a uma constatação melancólica: Terra tão grande. Homens tão pequenos”. Se os democratas mostrassem que a corrupção na Ditadura Militar foi muito maior que agora e SEM PUNIÇÃO, quem iria querer a volta da Ditadura para combatê-la? 

No Datafolha, para 62% dos entrevistados a democracia é sempre o melhor regime. Bom sinal! Outro resultado: 68% dizem que a corrupção hoje é maior que na época da ditadura. Isto mostra a responsabilidade dos professores ensinarem que na Ditadura, devido a censura, a corrupção, embora maior, era escondida, proibida de ser revelada. Hoje, na democracia, a imprensa escrita e falada escancara a corrupção, dando essa falsa impressão. 

Um exemplo: o julgamento do “mensalão” foi transmitido pela televisão. Tanto assim, que o ministro Joaquim Barbosa se tornou um herói por uma parte da população. É por este e outros motivos (eleição indireta, censura, torturas, assassinatos, desaparecidos, cassações etc, etc), que sempre digo: DEMOCRACIA, SIM. DITADURA NUNCA MAIS.

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Abril de 2014

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domingo, 27 de abril de 2014

Acabando com a propaganda norte-americana, Por Thierry Meyssan




O Império anglo-saxão está baseado, desde há um século, na propaganda. Ela conseguiu convencer-nos que os Estados Unidos são «o país da liberdade», e que não travam guerras senão para defender os seus ideais. Mas, a crise actual, a propósito da Ucrânia, acaba de mudar as regras do jogo: agora Washington e os seus aliados não são mais os únicos locutores. As suas mentiras são, abertamente, contestadas pelo governo e pelos média de um outro grande Estado, a Rússia. Na época dos satélites, e da Internet, a propaganda anglo-saxónica não funciona mais como antes.

Desde sempre os governantes procuram convencer da justeza dos seus actos, já que as multidões jamais seguem homens que sabem não prestar. O século XX foi cenário de métodos novos de propagação de ideias, que não se incomodavam com a verdade. Os Ocidentais fazem remontar a propaganda moderna ao ministro nazi Joseph Goebbels. É uma maneira de fazer esquecer que a arte de falsificar a percepção das coisas foi desenvolvida, antes disso, pelos Anglo-Saxónicos.

Em 1916, o Reino-Unido criou a Wellington House em Londres, seguida pela Crewe House. Simultaneamente, os Estados Unidos criam o Committee on Public Information (CPI). Considerando que a Primeira Guerra mundial opunha as massas, e não mais os exércitos, estes organismos tentaram intoxicar a sua própria população, tanto quanto as dos seus aliados e as dos seus inimigos.

A propaganda moderna começa com a publicação, em Londres, do relatório Bryce sobre os crimes de guerra alemães, que foi traduzido em trinta línguas. De acordo com este documento o exército alemão tinha violado milhares de mulheres na Bélgica, os exércitos britânicos lutaram, pois, contra a barbárie. Descobriu-se, no final da Primeira Guerra Mundial, que o relatório inteiro era uma aldrabice, feita de falsos testemunhos com a colaboração de jornalistas.

Pelo seu lado, nos Estados Unidos, George Creel inventou um mito, segundo o qual a Guerra mundial era uma cruzada das democracias, para alcançar uma paz que realizasse os direitos da humanidade.

Os historiadores mostraram que a Primeira Guerra Mundial respondeu tanto a causas imediatas como profundas, tendo sido a mais importante delas a competição entre as grandes potências para aumentar os seus impérios coloniais.

Os gabinetes britânicos e americano eram organismos secretos, trabalhando por conta dos seus Estados. Ao contrário da propaganda leninista, que ambicionava «revelar a verdade» às massas ignorantes, os Anglo-Saxónicos procuravam enganá-las para as manipular. E para isto, os organismos estatais anglo-saxónicos tinham que se esconder e assumir falsas identidades.

Após o desaparecimento da União Soviética, os Estados Unidos negligenciaram a propaganda e preferiram as relações públicas. Não se tratava mais de mentir, mas antes de controlar os jornalistas, de forma a que eles não vejam o que não se lhes mostra. Durante a Guerra do Kosovo, a Otan chamou Alastair Campbell, um conselheiro do Primeiro-Ministro britânico, para contar à imprensa uma história edificante por dia. Enquanto os jornalistas a reproduziam, a Aliança podia bombardear «em paz». O conto da carochinha visava mais desviar a atenção do que mentir.

Porém, a história da carocha voltou em força com o 11-de-Setembro: tratava-se de concentrar a atenção do público nos atentados de Nova Iorque e Washington, de forma a que ele não perceba o golpe de Estado militar organizado nesse dia: transferência dos poderes executivos do presidente Bush para uma entidade militar secreta, e colocação em residência vigiada de todos os parlamentares. Esta intoxicação foi, sobretudo, obra de Benjamin Rhodes, actual conselheiro de Barack Obama.

No decurso dos anos seguintes, a Casa Branca instalou um sistema de intoxicação com os seus principais aliados (Reino Unido, Canadá, Austrália e, claro, Israel). Diáriamente estes quatro governos receberam instruções, até mesmo discursos pré- escritos, do Gabinete da média (mídia-Br) global para justificar a guerra no Iraque ou para caluniar o Irão (Irã-Br) [1].

Para difundir rápidamente as suas mentiras, Washington apoiou-se, desde 1989, sobre a CNN. Com o passar do tempo, os Estados Unidos criaram um cartel de canais de informação de satélite (Al-Arabiya, Al-Jazeera, BBC, CNN, França 24, Sky). Em 2011, aquando do bombardeio de Tripoli, a Otan conseguiu, de surpresa, convencer os líbios que tinham perdido a guerra, e que era inútil resistir mais. Mas, em 2012, a Otan falhou ao reproduzir este modelo e tentar convencer os Sírios que o seu governo ia, inevitavelmente, tombar. Esta táctica falhou porque os Sírios tiveram conhecimento da manipulação efectuada, pelas cadeias de televisão internacionais, na Líbia e puderam preparar-se para isso [2]. E, este fracasso marca o fim da hegemonia deste cartel de «informação».

A crise atual entre Washington e Moscovo (Moscou-Br), a propósito da Ucrânia, forçou a administração Obama a rever o seu sistema. Com efeito, de agora em diante Washington não é o único a falar, tem que contradizer o governo e os média russos, acessíveis em todo o mundo via satélites e Internet. O secretário de Estado John Kerry indicou, pois, um novo assistente para a propaganda, na pessoa do antigo redator-chefe da Time Magazine (Revista Time), Richard Stengel [3].

Antes mesmo de prestar juramento, no dia 15 de abril, ele iniciou já as suas funções e, no dia 5 de março, enviou aos principais média atlantistas uma «nota documental», sobre as «10 mentiras» que Vladimir Putin teria enunciado quanto à Ucrânia [4]. Ele repetiu isto novamente, a 13 de abril, com uma segunda nota apresentando «10 outras inverdades» [5].

O que salta à vista ao ler esta prosa é a sua inépcia. Ela visa validar a história oficial de uma revolução em Kiev, e desacreditar o discurso russo sobre a presença de nazis no novo governo. Ora, sabemos hoje que, por meio de revolução, se tratou de um golpe de Estado fomentado pela Otan, e implementado pela Polónia e Israel, misturando receitas de «revoluções coloridas» e de «primaveras árabes» [6]. Os jornalistas que receberam estas Notas e as divulgaram, conheciam, perfeitamente, as gravações das conversas telefónicas da assistente do secretário de Estado Victoria Nuland, sobre o modo como Washington ia mudar o regime em detrimento da União Europeia, e do Ministro Estónio dos Negócios Estrangeiros(Relações Exteriores-Br), Urmas Paets, sobre a verdadeira identidade dos snaipers da praça Maidan. Além disso, eles tomaram conhecimento, ulteriormente, das revelações do semanário polaco (polonês-Br) Nie sobre a formação, dois meses antes do início dos eventos, dos agitadores nazis na Academia da polícia polaca. Quanto a negar a presença de nazis no seio do novo governo ucraniano, é o mesmo que gritar que a noite é feita de luz. Não é necessário ir a Kiev, basta ler os escritos dos actuais ministros, ou escutar as sua declarações para o constatar [7].

No final de contas, se estes argumentos permitem dar a ilusão sobre um consenso dos grandes média atlantistas, eles não têm nenhuma hipótese de convencer os cidadãos curiosos. Pelo contrário, é tão fácil com a Internet descobrir a aldrabice, que este tipo de manipulação só pode estropiar um pouco mais a credibilidade de Washington.

O unanimismo dos média atlantistas no 11-de-Setembro permitiu convencer a opinião pública internacional, mas o trabalho realizado por um grupo numeroso de jornalistas e cidadãos, dos quais eu fui o precursor, mostrou a impossibilidade material da versão oficial. Treze anos depois, centenas de milhões de pessoas deram-se conta destas mentiras. O novo dispositivo de propaganda norte-americano não fará senão crescer, ainda mais, este processo. Definitivamente, todos aqueles que propagam os argumentos da Casa-Branca, nomeadamente os governantes e os média da Otan, destroem eles próprios a sua credibilidade.

Barack Obama e Benjamim Rhodes, John Kerry e Richard Stengel agem, apenas, no curto prazo. A sua propaganda convence as massas apenas algumas semanas, e contribui para as revoltar quando percebem a manipulação. Involuntariamente, eles minam a credibilidade das instituições dos Estados da Otan que as propagam conscientemente. Eles olvidaram que a propaganda do século XX só podia ter êxito porque o mundo estava dividido em blocos, que não comunicavam entre eles, e que o seu princípio monolítico é incompatível com os novos meios de comunicação.

A crise na Ucrânia não está terminada, mas já mudou profundamente o mundo: contradizendo, em público, o presidente dos Estados Unidos, Vladimir Putin cruzou uma barreira que previne agora o triunfo da propaganda americana. ( Thierry Meyssan )

Tradução 

Fonte 

[1] «Un réseau militaire d’intoxication» (Fr-«Uma rede militar de intoxicação»-ndT), Réseau Voltaire, 8 décembre 2003.

[2] “A NATO prepara uma vasta operação de intoxicação”, por Thierry Meyssan, Komsomolskaïa Pravda/Rede Voltaire, 13 de Junho de 2012.




[6] “Ucrânia: a Polónia tinha formado os golpistas com dois meses de antecedência”, por Thierry Meyssan, Traduction Alva, Rede Voltaire, 19 de Abril de 2014.

[7] “Quem são os nazis no governo ucraniano?”, por Thierry Meyssan, Traduction Alva, Rede Voltaire, 5 de Março de 2014.

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sábado, 26 de abril de 2014

A certeza desinformada, Por Valdemar Figueiredo


ENTRE OS EVANGÉLICOS, O DEBATE DAS QUESTÕES SOCIAIS E POLÍTICAS É DESQUALIFICADO

Impressiona, no Brasil contemporâneo, a desenvoltura dos presunçosos. Eles se antecipam para emitir suas velhas opiniões formadas sobre quase tudo. No entanto, só reproduzem as idéias ventiladas pelos grandes grupos de comunicação. São doutos ventríloquos incapazes de diferenciar entretenimento de política, muito menos versão de fatos. Consomem informações sem qualquer senso crítico, emitem opiniões desprovidas de embasamento e, pior ainda, passam adiante o que viram na tela ou leram em algum veículo "confiável" sem qualquer questionamento.

O poder da imagem é quase absoluto diante da força avassaladora das edições que transformam notícias, por piores que sejam, em produto para consumo. Importa informar, mas sem perder o foco - ou melhor, editar para não perder a audiência. O bom texto na voz de William Bonner, o âncora da Rede Globo, soa como fato consumado de interesse público. Os comentários de Ricardo Boechat, na Bandeirantes, desnudam sentimentos públicos. As persuasivas opiniões de Rachel Sheherazade, apresentadora do SBT, que não tolera o malfeito do marginalzinho, mas compreende a fase rebelde do playboyzinho de classe média que precisa transgredir para se reencontrar. A síntese de tudo bem que poderia ser o close manjado do Boris Casoy e seu bordão ambíguo: "Isto é uma vergonha!"

Segundo o cientista político Giovanni Sartori, a televisão se mostra como porta-voz de uma opinião pública que, na realidade, é apenas o eco da própria voz. Democracia prevê a multiplicidade de opiniões; o perigo é quanso o monopólio da fala começa a definir as suas poucas vozes como opinião pública. No Brasil, a estrutura vigente da comunicação social foi montada em plena ditadura militar, entre os anos 1960 e 80. Houve  a redemocratização, e, em diversos aspectos, as liberdades democráticas avançaram. Por que será que uma ampla reforma neste setor encontra tanta resistência?

Entre os evangélicos, o debate das questões sociais e políticas é desqualificado. No Brasil de hoje, em que os crentes se orgulham de ser quase 25% da população, sofremos da inábil prerrogativa de que qualquer notícia é um fato. Uma simples versão muitas vezes repetida pela mídia vira verdade indiscutível. Já a opinião fraca, trajada de linguagem religiosa, resulta em intolerância. "É preciso segurar numa mão a Bíblia e, na outra, o jornal", aconselhou Karl Barth. Como imaginar o eminente teólogo suíço em diálogo com uma imprensa totalitária, que escolhe criteriosamente o enquadramento das notícias? Nas democracias saudáveis, a liberdade de expressão tem a ver com a diversidade dos veículos de informações e a variedade das opiniões. As redes de comunicação evangélicas, tão bem distribuídas no território nacional, estão longe de ser neutras em termos políiticos. Parte significativa dos deputados e senadores que compõem a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional são detentores de concessões de radiodifusão.

Muitos sermões dominicais são ilustrados com notícias frescas ouvidas em debates numa rádio qualquer. São ecos de opiniões e informações que geram alarmismos suficientes pra se demonizar pessoas e instituições. Geralmente, os pastores são treinados a não tirar o texto bíblico do seu contexto para não construir aberrações retóricas; mas o mesmo cuidado não ocorre quanto às chamadas outras fontes. Manchetes de jornal ou chamadas de noticiário de TV pautam cada vez mais as pregações. Por outro lado, para os emissários do apocalipse que preferem teclas a trombetas, o ambiente do Facebook é perfeito. Ali, vigora a falsa impressão do poder de produzir notícia. Alguns se habituam a fazer o trabalho de espalhar boatos, mostrando a cara com comentários indignados, enquanto preservam os covardões que fabricaram as versões e que, por questõe mesquinhas, preferem as sombras.

Existe um princípio basilar das sociedades democráticas de direito que encontra amplo respaldo nos ensinos da ética cristã: a de que todos são inocentes até que se prove o contrário. Mas a presunção da inocência não é algo com que a comunicação de massa opera. Na sociedade do espetáculo que se estabeleceu no Brasil, as igrejas evangélicas não podem se deixar transformar em simples caixas de ressonância.

PUBLICADO NA REVISTA CRISTIANISMO HOJE, Edição 40

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Europa fez 45 milhões de novos pobres em dois anos



O alerta é da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) que revela que o número de pobres na União Europeia subiu de 85 milhões para quase 130 milhões, entre 2010 e 2012.

O número de pobres na União Europeia subiu de 85 milhões para quase 130 milhões, entre 2010 e 2012, com mais 45 milhões de pessoas em situação de carência, divulgou esta quinta-feira, em Bragança, a Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN).

"A Europa está seguramente a fazer mais pobres, porque em pouquíssimos anos, entre 2010 e 2012, que são os dados disponíveis, passamos de 85 milhões para quase 130 milhões de pobres na União Europeia. É absolutamente inequívoco que estamos a produzir mais pobreza, mais desigualdade", declarou à Lusa Sérgio Aires, presidente da EAPN.

Para o dirigente, as eleições Europeias de Maio são "de extraordinária importância" para reflectir e se tomarem decisões sobre: "até que ponto é que queremos prosseguir neste caminho ou pretendemos alterar alguma coisa antes que seja tarde demais".

O presidente da EAPN falava, em Bragança, num encontro distrital com dirigentes de instituições sobre os desafios que se colocam a estas organizações perante os actuais problemas sociais e a necessidade de uma maior articulação e trabalho em rede para melhores respostas.


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“Povo venezuelano derrotou golpe estimulado pelos EUA e sua mídia”


Afirmou o coordenador político da Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas, Iván González, em entrevista ao HP

Qual a sua avaliação da situação atual da Venezuela?

Desde o início, o governo do presidente Nicolás Maduro teve uma postura clara de abordar e enfrentar os problemas. Assim que começou a violência, incitada por setores mais radicais da oposição, ele propôs uma agenda que já vinha sendo construída e estava na sua pauta, desmontando o discurso de "desabastecimento e insegurança". Desta forma, no momento em que esse setor oposicionista se lança à "guarimba" [bloqueio violento de vias com agressões], fica evidente que esta não era uma demanda da sociedade, mas uma ação orquestrada, desestabilizadora, de caráter abertamente golpista.

De onde partiram esses ataques?

Os focos mais violentos – e alguns ainda persistem - se concentraram justamente nos municípios controlados pela oposição nas regiões mais ricas, com a cumplicidade ou envolvimento direto das autoridades locais. Este é o caso, entre outros, de San Cristóbal, no estado Táchira, fronteira com a Colômbia, onde o prefeito teve plena e comprovada participação nos crimes, e por isso mesmo está preso. Aí também houve o envolvimento de paramilitares colombianos.

Quem acompanha as notícias pelas agências internacionais vê um país à beira do colapso econômico e social. O que está acontecendo?

A realidade é que o nosso país, pois sou venezuelano, nunca foi paralisado, como tentaram nos fazer crer. A atividade econômica sempre se manteve. Salvo nas regiões das quais falei, a vida seguiu seu rumo. A população nunca respaldou a violência. Mesmo opositores que inicialmente participaram de algumas manifestações pacíficas de protesto, abandonaram as ruas quando elas mudaram de conotação.

Em que pé se encontram as negociações de paz?

Desde o primeiro momento o presidente Maduro propôs a realização de uma Conferência Nacional de Paz, convocando a participação de todos os setores oposicionistas, os empresários, a Igreja, reconhecendo os problemas do governo. Só quatro semanas depois, a oposição formal, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), se somou à iniciativa. Com isso o governo isolou o setor mais agressivo, liderado por Corina Machado, fortalecendo a autoridade do presidente, o respeito à Constituição e a condenação à violência.

A democracia sai mais fortalecida?

O governo está muito mais firme. Ampliou sua base, enriqueceu suas propostas com a contribuição de outras entidades e reforçou o compromisso com uma agenda mais inclusiva, particularmente com o setor produtivo, reforçando os acordos com a oposição democrática. Há uma agenda comum de enfrentamento à violência e à insegurança, de renovação de uma parte dos magistrados do Tribunal Superior de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral, que serão eleitos por ¾ do Congresso Nacional, como estabelecido na Constituição, com a participação da oposição.

Qual o papel da Unasul para o avanço do diálogo?

A União das Nações Sul-americanas teve um papel fundamental no estabelecimento do diálogo, garantindo o respeito às instituições democráticas e à soberania do país, afastando as tentativas dos golpistas de isolar a Venezuela.

Em que pé estão os problemas econômicos ainda existentes?

Há gargalos como a administração de divisas para a importação, que é uma fonte constante de especulação e de ataques econômicos. O governo estabeleceu mecanismos mais transparentes, acordados com os setores produtivos, o que vem garantindo um maior acesso a divisas, com o dólar mais barato. O objetivo é fazer com que, no médio prazo, a inflação seja reduzida.

Qual o maior obstáculo a ser superado neste momento?

Acredito que o problema mais sério é a pouca capacidade do governo venezuelano de enfrentar a intensa campanha midiática que continua sendo fonte permanente de desinformação. Quem avalia a Venezuela pelas agências de notícias vê um país mergulhado no caos, onde falta tudo, com policiais que atiram em jovens desarmados e um governo reprimindo a torto e a direito quem se manifesta pacificamente. Não dizem nada sobre o fato de que mais de metade dos cerca de 40 mortos foi fruto da ação desta oposição violenta, não da polícia bolivariana, que foi vítima de agressões. É preciso esclarecer, porque senão fica parecendo o que não é.

A quem serve esta campanha orquestrada contra a Venezuela?

Aos setores mais reacionários e belicosos da administração dos Estados Unidos. São eles que ficam instigando a oposição e criando um clima para defender sanções contra a soberania e a democracia na Venezuela. Para isso distorcem os fatos e não reconhecem qualquer avanço nos diálogos que vêm ocorrendo. Não reconhecem nem mesmo os setores de oposição que sentaram para negociar. Por outro lado, com as manipulações da mídia, estimulam e dão visibilidade aos atores mais violentos, que não querem negociação, mas defendem abertamente a deposição do governo.


HORA DO POVO

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José Serra fez convênio com a Labogen quando era Ministro da Saúde




Quem fez convênio com a Labogen foi Serra, no Governo FHC

Por FERNANDO BRITTO

Publico essa informação do título, que você vê retratada na ilustração e que pode ser confirmada no Portal da Transparência do Governo Federal apenas para que se veja como a leviandade pode dar margem à injustiça.

Não significa dizer que estes convênios sejam desonestos ou que, por eles, José Serra tenha recebido qualquer vantagem indevida.

Só uma apuração detalhada poderia dar margem a se pensar algo assim e é exatamente o contrário disso que se está fazendo com o ex-ministro Alexandre Padilha.

Uma acusação irresponsavelmente espalhada, sem um mínimo de checagem e, até, de lógica, se não existirem outros elementos além do quase nada que foi divulgado.

Conheço apenas de vista o ex-Ministro Alexandre Padilha e ele sequer sabe quem eu sou.

Portanto, não posso dar nenhum testemunho sobre ele, mas posso olhar fatos.

Mas esta história do “executivo” que ele teria indicado, segundo os jornais publicam irresponsavelmente, a uma empresa do tal doleiro Alberto Yousseff não fecha.

O tal “executivo” ocupou um cargo de quinto escalão no Ministério, de fato, mas de sexto escalão (os cargos têm, após o Ministro, os códigos NE, DAS 101.6, 101.5, 101.4 e, depois, o que ele tinha 101.3, na área de eventos).

O tal Marcus foi nomeado Assessor de Eventos em 2011, quando a remuneração não chegava a R$ 4 mil (hoje são R$ 4300), a partir de 17 de maio de 2011. E exonerado no dia 1° de agosto do mesmo ano.

Mesmo neste inexpressivo cargo, portanto, ficou por dois meses e meio ou, como se diz, nem esquentou a cadeira.

O tal documento da PF que os jornais usam como base falam de uma suposta indicação em em 28 de novembro de 2013.

E que André Vargas passa o contato do cidadão a Yousseff dizendo que Padilha o indicou. Indicou a quem, se é que indicaria alguém a quem demitira há mais de dois anos.

Se Padilha indicou, porque é André Vargas passa o contato do cidadão a Yousseff?

Este André Vargas, a quem o próprio Estadão chama de “bocão”, estaria “vendendo” uma indicação?

A única coisa que esta acusação – ou a troca de mensagens – prova é a de que André Vargas não tinha uma simples amizade casual com Yousseff.

Aliás, o comportamento deste deputado, como já se viu, é péssimo. Quem não cuida de sua própria reputação, vai cuidar da alheia?


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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Excelente notícia: aumenta arrecadação com multas de trânsito em São Paulo


Arrecadação com multas aumenta 6% no 1º bi

Valor passou de R$ 146,4 milhões para R$ 155,8 milhões; velocidade, rodízio e estacionamento são principais causas

A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) voltou a registrar aumento na arrecadação com multas neste início de ano. Segundo relatório de execução orçamentária da Secretária de Finanças, a companhia arrecadou R$ 155,8 milhões no primeiro bimestre de 2014, ante R$ 146,4 milhões no mesmo período do ano passado – crescimento de 6%. Isso significa que, a cada segundo, os cofres da prefeitura recebem R$ 30 em autuações.

Excesso de velocidade, desobediência ao rodízio e estacionamento proibido são as três principais infrações, respondendo por 60% do total. A maioria dos flagrantes (70%) é feita pelos radares, seguido pelos marronzinhos (20%) e PMs (10%).

A receita com autuações mais do que dobrou nos últimos cinco anos. O valor saltou de R$ 378,1 milhões, em 2008, para R$ 829,9 milhões, em 2013. E, neste ano, a receita deve aumentar ainda mais porque a CET promete instalar mais 843 radares na cidade, ao custo de R$ 530 milhões.

A Secretaria de Transportes afirma que, devido aos licenciamentos e pagamentos de DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre ), é natural que muitos motoristas quitem dívidas com  multas de exercícios anteriores, aumentando a arrecadação nos primeiros meses do ano.

Além disso, desde 2012, o aumento no número de multas ocorre sem que a quantidade de recursos contra as autuações também suba. Há conscientização crescente sobre o fato de que legislação e sinalização de trânsito devem ser obedecidas. Nesse sentido, a multa, quando aplicada, cumpre cada vez mais caráter educativo.

Retorno do rodízio
O rodízio municipal de veículos volta a vigorar hoje, depois de ter ficado suspenso durante os feriados de Páscoa e Tiradentes. A restrição, que abrange todo o centro expandido, vale para veículos com finais de placa 3 e 4, das 7h às 10h e entre 17h e 20h. A infração para quem desrespeita o rodízio é considerada média, com multa de R$ 85,12 e acréscimo de quatro pontos na CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

O motorista também deve ficar atento ao início de funcionamento da faixa exclusiva de ônibus na Avenida Elísio Teixeira Leite, em Parada de Taipas, no noroeste da capital. A via vai funcionar entre as ruas Ângelo Gayoto e Ilha da Juventude. Os coletivos terão prioridade das 6h às 9h, no sentido centro, e entre 17h e 20h em direção ao bairro. Com essa inauguração, a cidade chega a 325,9 km de vias à direita. A multa para quem invade a faixa é de R$ 53,20 e três pontos na carteira.


Nota do blog: achou ruim que eu considerei isso uma boa notícia? Pois bem, amigo: ESSE É EXATAMENTE O OBJETIVO! A notícia é boa por si mesma, e você ficar brabo é uma notícia melhor ainda.

Se você lê meu blog já deve ter sabido que eu já demonstrei que, por mais que os bons cidadãos paulistanos esperneiem, o fato é que a aplicação de multas está MUITO AQUÉM do que deveria.

Os jornais, a mídia em geral sempre destacam VALORES e a própria palavra MULTA, sempre em primeiro plano, com o objetivo miserável de esconder que as multas existem simplesmente porque os motoristas cometem suas canalhices e barbeiragens no trânsito.  "Multa" é sinônimo de "Autuação".

Essa mídia faz como se simplesmente a CET inventasse multas a rodo - em certos casos, por causa de defeitos em radares, isso realmente acontece, só que a quantidade é ridícula - mas ESCONDE que a quantidade de fiscais [ amarelinhos ] da CET é insignificante e inuficiente e, por isso, como demonstra a matéria, 70% das autuações vem dos aparelhos eletrônicos, enquanto os fiscais são resonsáveis por apenas 20% delas. Há menos de 1000 aparelhos por toda a cidade ( isso mesmo: menos de 1000 para uma cidade como São Paulo!! ). 

Só que os radares são fixos, enquanto que os fiscais podem se locomover. Isso significa que quando você pega um dos inúmeros vagabundos paulistanos que estaciona sobre as calçadas que pertencem aos pedestres, um fiscal é destacado para apurar o caso. Só que o número ridículo destes fiscais da CET permite que a meliância corra solta nesta cidade. 
Se, por um lado, "as câmeras e radares estão em locais onde o motorista desavisado ultrapassa o limite" [ uma alegação comum ], por outro lado ninguém nenhum proprietário de carros se dispõe a explicar porquê a CET nunca comparece aos locais onde são chamados para multar os vermes que estacionam nas calçadas. Simplesmente não há defesa.  

O criminoso sai impune, sem multas nem outro tipo de punição, e essa grana não é "arrecadada". Ou seja: se a arrecadação é "X", poderia ser "X" vezes 30. Fala-se apenas sobre as autuações, mas não sobre as não-autuações, que são inúmeras.

Veja que não estou entrando no mérito de se a grana arrecadada em multas tem que ir pra "X" ou "Y" ou se a Constituição blablabla. Essas alegações são desculpa esfarrapada. Motorista só liga pro seu conforto e pro seu interesse e bolso. Meu lado é o do pedestres, o do ser humano, não da máquina. 

Eu trocaria 500 desses radares que "tanto prejudicam o motorista" por mais 500 amarelinhos que tivessem a mobilidade adequada para comparacer a ruas onde os radares não chegam. 
Se você lê meu blog, já deve ter sido apresentado a dezenas de casos em que mostrei que a "Indústria da Multa", curiosamente, não atende em domicílio. Já enumerei dezenas de "pontos viciados" no bairro onde moro e nas proximidades, e as dantescas cenas de carros sobre calçadas simplesmente ocorrem há anos nestes locais, mesmo com minhas CENTENAS de solicitações de ficalização feitas por mim [ vejam este caso, por exemplo, apenas um deles ]. Que "Indústria da Multa" é essa, que permite isso, em vez de correr para "multar apenas pelo prazer de arrecadar", como reclamam os reclamões?

Entendam que, por mim, não haveria multa, mas o sumário recolhimento da habillitação do meliante. E, na minha versão da Lei Ficha Limpa, estariam proibidos de concorrer a cargos eletivos os cidadãos que tivessem multas de trânsito por casos graves. Melhor ainda, estas pessoas estariam proibidas até de disputar concursos públicos. Vagabundo que estaciona na calçada é sempre um mensaleiro em potencial.

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Buzzcocks - Time's Up (1977) [Full Album]




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"Mercenários [ a soldo dos EUA ] mostraram sua barbárie ao atacar igrejas", diz presidente sírio


Presidente sírio ao visitar cidade cristã na Páscoa:

"Mercenários mostraram sua barbárie ao atacar igrejas"

O presidente Bashar Al Assad esteve no Domingo de Páscoa na liberada cidade milernar de Maalula (onde até hoje os tradicionais cristãos ainda falam o aramaico (língua falada por Jesus) e visitou os mosteiros de Santa Tecla e São Sérgio, vandalizados pelos mercenários a serviço da agressão dos EUA à Síria.

Assad caminhou ao lado de autoridades eclesiásticas e inspecionou os danos causados aos locais sagrados.

"Os atos dos grupos terroristas", afirmou o presidentente sírio, "indicam sua identidade e a identidade dos que os apoiam, dando uma imagem clara da sua barbárie ao atacarem tanto os aledeões como as pedras milenares".

"Maalula restará, junto com as demais marcas da passagem humana, graças à firmeza em face da barbárie e obscurantismo dos que atacam a nossa pátria, e seguirão como um monumento à civilização síria enquanto que a história relatará que aquilo que aconteceu a esta cidade e outras locações históricas na Síria, são prova da mentalidade obscurantista dos agressores".


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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Violência, crimes e escolaridade



Atribui-se a Victor Hugo a frase "Quem abre uma escola fecha uma prisão

Victor Hugo é autor de "Os Miseráveis" ( o clássico da literatura, mais conhecido na sua forma de musical de sucesso )

Não sei muito bem se a coisa se daria automaticamente assim conforme proposto mas, por intuição, sou levado a concordar. Mais educação deve sempre ser melhor que menos educação, acho que é óbvio. 

Falei em "prisões", certo? Que nos leva à questão da criminalidade. Então: não imagino como a escolaridade - o conhecimento da tabela periódica ou do pronome oblíquo, se é que isso existe - rebaixaria por si só o cometimento de crimes.

A menos que tenhamos como princípio a escolaridade como esteio e indutora de uma carreira profissional de sucesso com foco em conquistas, sempre acreditando que o sucesso profissional teria o condão de impedir o nascimento ou florescimento do instinto criminoso nas pessoas mormente pela satisfação de suas necessidades materiais. 

Portanto, o esquema seria este: a educação levaria OBRIGATORIAMENTE ao sucesso profissional e este OBRIGATORIAMENTE à paz na Terra. De modo que o grosso dos casos criminais teria como autores pessoas sem ou com poucos anos de freqüência em instituições escolares. Simples, certo?

( Importante, acho: um sujeito que apanha de alguém na rua, num bar ou num acidente de trânsito está envolvido num episódio de violência; uma mulher que apanha do namorado ou marido idem; agressão é crime, mas não é desse tipo de crime/ violência que estou me referindo; porém, é um bom exemplo: como a simples escolaridade dos agressores poderia impedi-los de cometer essas agressões? Simples: isso só não basta )

Pegue esse caso do garoto Bernardo. Os acusados: o pai, um médico, de escolaridade óbvia. A madrasta, uma enfermeira, também deve ter passado mais tempo na escola que a média nacional.
A motivação? Bom, como eu geralmente fujo destes assuntos datenísticos, a última vez que tomei contato com alguma notícia sobre o caso, se dizia que era por motivos econômicos, herança, coisa do gênero. Se mudou alguma coisa, esse texto aqui cai por terra pois eu conto com a motivação financeira como razão pro crime. Repito: assassinato cometido por pessoas escolarizadas e por razões de ganância.

Excluamos por um momento questões de herança, que parece coisa de novela. O roubo de um carro, um assalto à joalheria ou a um posto de gasolina, o furto de uma carteira, mas não por necessidade, o que talvez não justificasse, mas explicaria um pouco. Alguém poderá alegar que tais crimes são quase sempre cometidos por pessoas de baixa escolaridade. Não tenho estatísticas nem números sobre isso, mas talvez eu até concorde, notando que isso corroboraria um pouco a frase de Victor Hugo. Mas não deixaria de insistir que a ganância tem seu quinhão nisso. 

Assim, se a taxa de crimes pode, em tese, ser diminuída, bastando para isso combater a baixa ou a ausência de escolaridade ( a "ignorância" ) das pessoas ( o que as levaria DIRETAMENTE ao caminho do progresso material, desmotivando sua propensão a agirem como criminosos ), como se combateria, então, a criminalidade causada pela ganância, pela ambição, pelo materialismo, pela motivação pecuniária - sendo que essa é rigorosamente a idéia que move o grosso da sociedade em todas as esferas e classes - quando é cometida por pessoas com escolaridade, já que esta já deveria ter sido agente de seu progresso material, como vimos acima? 

Em resumo, se o crime decorrente da censurável e inaceitável "ignorância" e falta de escolaridade se combate com educação, como impedir aqueles causados pela ganância, já que esta não é uma questão de âmbito escolar a não ser, possivelmente, nas aulas de Educação Moral e Cívica? 

Talvez, no caso de Bernardo, se não existisse uma herança em questão, tal crime horrivel não tivesse se consumado. Mas, também no campo do "talvez", se os parentes assassinos não fossem gananciosos, o mesmo se observasse. 

Uns roubam postos de gasolina ( inicialmente um crime patrimonial, mas que pode resultar em mortes ), outros matam parentes e sócios por patrimônio gordo ( idem, só que a morte faz parte da essência do plano. Sem morte, não há sucesso na empreitada ). Se os primeiros têm como "desculpa" a falta de escolaridade (*), e se a solução PREVENTIVA é jogá-los numa escola 12 horas por dia, 7 dias por semana ( o que as levará ao caminho do sucesso, etc, desmotivando-as de cometerem crimes por terem atingido uma situação material confortável e suficiente, etc ) , qual a solução preventiva para casos em que os autores têm escolaridade elevada, se essa condição, por si só, deveria tê-los impedido de fazer essas coisas feias e criminosas? 

O blablabla introdutório acima finalmente termina onde estava previsto terminar: numa questão. 

O que leva mais as pessoas a cometerem atos de violência e crimes PATRIMONIAIS (**): a falta de escolaridade ou a ganância (***)? 

(*) Partindo do pressuposto de que pessoas com 12 anos "quadradando" a bunda em bancos escolares não costumam se sujeitar a cometer delitos de pé-de-chinelo, pois o retorno seria baixo - e sujeito estudado tem o direito de pensar alto. Em todo o caso, retornem ao trecho acima em negrito. Tembém notem que me refiro a pessoas estudadas, e não a pessoas necessariamente ricas

(**) Lembrem os exemplos acima de agressões no trânsito e de espancamento de mulheres. No texto, os crimes e atos de violência que importam para a discussão são sempre aqueles de ordem patrimonial ou material

(***) A falta de escolaridade de uma ampla porção de viventes num país é uma vergonha social, acho que é uma opinião unânime. Mas a ganância não é "uma vergonha", certo? Só que crimes causados por objetivos materiais só podem ser cometidos por pessoas gananciosas, com exceção daqueles motivados por necessidade. O que não significa, claro, que pessoas gananciosas sempre cometerão atos fora-da-lei. Só que o mesmo vale para pessoas sem escolaridade. O resumo de tudo isso: em vez de apenas nos atermos à questão escolar, não seria bom também discutir se a ganância e o materialismo disseminados na sociedade trazem algum benefício para a mesma?

Eu, pessoalmente, desconfio mais de pessoas gananciosas e materialistas que de gente com baixa escolaridade.


OBS: COMO SEMPRE OCORRE, EU COMEÇO ESCREVENDO UMA CARTA SIMPLES E TERMINO COM UM RASCUNHO CONFUSO DE UM ROMANCE DE 800 PÁGINAS. 

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terça-feira, 22 de abril de 2014

Professora da USP foi torturada e morta na Ditadura Militar, Por Jasson de Oliveira Andrade





Neste ano, decorridos 50 anos do Golpe de 64, ocorrido em 1º de abril, está-se fazendo justiça aos presos políticos torturados e mortos. É o caso, entre outros, da professora da USP (Universidade de São Paulo), Ana Kucinsk. É sobre ela que vamos falar neste artigo.

O jornalista Roldão Arruda, na reportagem “USP REVÊ VERSÃO SOBRE PROFESSORA DESAPARECIDA – Demitida há 40 anos por abandono de emprego, Ana Rosa Kucinsk, segundo relatos, foi seqüestrada e morta por agentes da ditadura”, publicada em 18/4/2014, mostra o motivo que a USP está revendo a demissão da professora: “A homenagem à professora marca a passagem dos 40 anos do seu desaparecimento (sic). Naquele dia, Ana Rosa deixou o trabalho avisando que iria almoçar com o marido, num restaurante nas imediações da Praça da República. Wilson, que era físico e trabalhava com processamento de dados num escritório na Avenida Paulista. Os dois tinham 22 anos”. Eles desapareceram. Roldão então revela: “As duas famílias tomaram providências para tentar localizá-los desde as primeiras horas do desaparecimento. Denúncias foram feitas no Brasil e no Exterior (sic) e várias organizações se mobilizaram para obter informações. (...) Pressionado, o governo do presidente Ernesto Geisel reagiu por meio de uma nota oficial, assinada pelo então ministro da Justiça, Armando Falcão. Ele declarou que Ana Rosa e Wilson eram “terroristas” e estavam “foragidos” (sic)”. Para mim, essas explicações não são verdadeiras. Como “terroristas” se estavam trabalhando normalmente? Foragidos? Até hoje estão “foragidos”! Tanto assim, que essa falsa explicação, atualmente, foi desmentida e a verdade apareceu, como relata o jornalista Roldão Arruda: “Sabe-se hoje, por meio de relatos de militares e policiais civis que integraram o sistema repressivo que Ana Rosa e o marido, Wilson Silva, ambos militantes da organização clandestina Ação Libertadora Nacional (ALN), foram presos em São Paulo, no dia 22 de abril de 1974, e levados para a Casa da Morte (sic), em Petrópolis, no Estado do Rio. Segundo informações da Comissão Nacional da Verdade, tratava-se de um dos principais centros clandestinos montados pela ditadura para interrogatório e extermínio (sic) de opositores. (...) Os dois nunca mais foram encontrados. Seus nomes figuram em mais de um relato de agentes do Estado que atuaram naquela casa. Um deles, o delegado Cláudio Guerra, disse no livro “Memórias de uma Guerra Suja (sic)” que os restos mortais de Ana Rosa e Wilson foram incinerados (sic) nos fornos de uma usina de açúcar. Ele também afirma que o corpo da professora apresentava sinais de tortura, com mordidas pelo corpo, indicando também violência sexual (sic)”.

Felizmente, com a Democracia, estamos tomando conhecimento de atos horripilantes, assustadores, desumanos e lamentáveis ocorridos na Ditadura Militar. Alguns casos misteriosos de desaparecidos estão sendo revelados. É o caso do ex-deputado Rubens Paiva (PTB). Ele foi preso, torturado, morto e seu corpo jogado no mar. O mesmo acontecendo com o jovem estudante Stuart!

Precisamos conhecer o passado para evitar que atos como esses voltem a ocorrer. É por esse motivo que costumo repetir: DITADURA NUNCA MAIS!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 

Abril de 2014

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