quarta-feira, 19 de março de 2014

Manual do golpismo genocida de Washington



Enquanto os Estados Unidos com seu monopólio da mídia gasta bilhões na tentativa de convencer a humanidade de que a dependência econômica e as guerras impostas pelo seu governo são princípios básicos da democracia e da civilização, o sugestivo Manual de Treinamento das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos para Guerras não Convencionais, publicado em 2010, põe a nu o motivo real do terrorismo de estado perpetrado pelo governo norte-americano contra governos soberanos da Ucrânia, Venezuela, Síria e dezenas de outros países mundo afora. Em artigo publicado na agência de notícias argentina, argenpress.info, o jornalista cubano Manuel E. Yepe destaca pontos do manual terrorista das FFAA norte-americanas e sua utilização nas ingerências atuais e do passado.

Vejamos o que diz Yepe:

"O governo dos EUA possui larga experiência e antiga tradição na instauração de golpes em governos - por mais legítimos que sejam - perpetrando guerras civis; invasões diretas ou de terceiros; golpes militares, parlamentares ou financeiros; assassinatos e variantes - conhecidos ou secretos - que constantemente incorporam a seu repertório intervencionista".

"São surpreendentes as incontáveis semelhanças que apresentam as FFAA dos EUA durante suas ações e para desestabilizar governos de distintos países que não são de seu agrado, para causar a derrubada de suas autoridades legítimas. Porém mais espantoso é comparar estas características com as táticas empregadas na preparação e execução dos golpes - mal sucedidos ou não - em muitos países do hemisfério ocidental e do mundo. No Chile contra Salvador Allende, contra a Nicarágua sandinista, contra a FMLN em El Salvador, no Equador, Honduras e Venezuela, os métodos têm muito em comum. E o mesmo pode ser dito das semelhanças dos utilizados no Afeganistão, Iraque, Egito, Paquistão, Líbia e Síria mais recentemente. E agora na Ucrânia".

"No capitulo I do manual do exército norte-americano são definidas as atividades orientadas ao Comando de Operações Especiais dos EUA (USSOCOM – sigla em inglês), para promover movimentos objetivando coagir, interromper ou derrubar governos legítimos a partir de forças clandestinas, auxiliares e guerrilheiras. Nele se definem os conceitos de guerra generalizada, de guerrilha, limitada, insurgência, movimentos de resistência e subversão. É fundamentado o papel da guerra convencional na estratégia nacional dos EUA e sobre a viabilidade do patrocínio norte-americano".

O manual orienta as forças imperialistas e antinacionais a "criar condições que dividam ou debilitem os mecanismos de organização de que disponha o governo soberano para manter sua influência sobre a população civil, bem como organizar um núcleo mínimo de direção das atividades clandestinas da reação".

Ao explicar a estratégia de Guerra sem Limites contida no manual, ele afirma que os "ataques se dão em todas as áreas de vulnerabilidade" do desenvolvimento nacional, como a "guerra cultural, influenciando os pontos de vista culturais da nação; guerra contra as drogas, invadindo o país com drogas ilegais; guerra de auxilio econômico, utilizando a dependência econômica e a ajuda financeira para controlar o adversário; guerra financeira, subvertendo ou dominando o sistema bancário nacional e seu mercado; guerra midiática, manipulando os meios de imprensa; guerra psicológica, dominando a percepção das capacidades da nação; guerra de recursos, controlando o acesso aos recursos naturais e manipulando seu valor em mercado".

Pelo mesmo caminho, a edição de março da revista "Venezuela se Respeta", publicada pelo Estado venezuelano, demonstra como o manual de ingerência de Washington, criado pelo ex-militar e hoje professor da Universidade de Massachusstes, Gene Sharp, tem sido aplicado à risca para desestabilizar o país. O método para atropelar a soberania das nações, principalmente as baseadas em eleições democráticas como acompanhamos recentemente na Venezuela e Ucrânia, se divide em 3 fases: 1) protestos do tipo black-block; 2) insurgência das forças antinacionais e 3) intervenção.

O manual de Sharp aponta que o primeiro passo para dar início a essas 3 fases é explorar as matrizes de opinião centradas em problemas reais ou potenciais, como o desabastecimento, insegurança, câmbio, greves ou corrupção. O segundo passo e deslegitimar o governo, mesmo que recém-eleito, com ampla campanha publicitária apoiada no monopólio da mídia imperialista para perpetrar campanhas em defesa da liberdade de imprensa, direitos humanos contra um suposto totalitarismo e divisão social, fruto do "sectarismo do governo" soberano. O 3o, em insuflar a desordem civil baseada nesses rumores. O 4o passo combina diversas formas de reação, como passeatas, marchas e ocupação de propriedade publica; guerra psicologia e ação armada para criar um clima de ingovernabilidade; aliciação das forças militares, isolamento internacional e embargos econômicos. O 5o é levar o conflito a renuncia do presidente com base nessas ações. Caso fracasse a busca pela renuncia do governante, se intensifica a luta armada e se prepara o terreno para um intervenção militar estrangeira, ou o desenvolvimento de uma guerra civil prolongada com base em forças estrangeiras.


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