segunda-feira, 17 de março de 2014

Como lidar com as pessoas. Lição única e prática.



Estava o pequeno comerciante em seu negócio quando, de súbito, alguém bota a cabeça na porta e interpela-o abruptamente:
- AÊ, TEM XEROX AÊ?

Um freguês que já se encontrava no estabelecimento até se assustou com a repentina aparição do sujeito.

O comerciante nem se abalou. Olhou com cara de desprezo e tédio pro sujeito e respondeu monossilabicamente, deixando bem evidente sua má vontade:

- Não.

- SABE ONDE TEM AÊ?, voltou a inquirir o sujeito.

- Não, não sei!, devolveu o comerciante.

O sujeito virou as costas, não sem antes encarar bem o comerciante. Ficou puto por não conseguir nem a xerox e nem a informação que poderia levá-lo a conseguir o que precisava. 

O freguês pensou "Putz, que lixo..."

( *** )

Pouquíssimo tempo depois, outro camarada surge e pergunta:
- Por favor, tem xerox?

O comerciante respondeu:
- Não, não tem.

O camarada pede, então:
- Sabe onde tem?

- Não, não sei! Vou ficar te devendo..., responde o comerciante.

O camarada deu de ombros e foi embora.

O freguês que já se encontrava ali ficou só observando o diálogo.

( *** )

Logo em seguida surge outro cidadão, que também pergunta:
- Por favor, tem xerox?

- Não tenho..., responde o comerciante.

- Sabe me informar onde eu posso achar, por favor?

- Desculpe, não sei te informar...

O cidadão diz pro comerciante, sob o olhar daquele freguês que já estava ali desde o começo:

- Tá bom, então! Muito obrigado!, diz, sorrindo.

- PERAÍ!, chama o comerciante.

- Hum?

- Lá no chaveiro tem, lá no 225. Ele começou a tirar esses dias.

- Tá bom, então! Obrigado de novo.

- Falou!

O freguês ficou encafifado: "Por quê ele não informou os outros dois?"

E perguntou pro comerciante: "Por quê você não informou aqueles outros dois que vieram antes deste?

( *** )

- Bem..., - disse o comerciante - é simples: em primeiro lugar, eu não tenho obrigação de dar informação para ninguém. Se não quiser informar, faço isso sem remorso, é um direito meu. 

- Sim, mas...

- Você percebeu a diferença entre eles?

- N-não, acho que não.

- Eu vou te dizer: o primeiro não pediu "por favor". Quando foi embora, não agradeceu... Tem mais é que se ferrar mesmo!

- Mas você não lhe deu a informação...

- A gente agradece é pela atenção que nos dão, e não pela informação. Ele me abordou, eu respondi, e só por isso já deveria ter agradecido. 

- M-mas e o segundo? Ele pediu "por favor", que eu escutei muito bem!

- Sim, pediu "por favor". Quando eu disse que não sabia, ele virou as costas e foi embora, também sem agradecer a atenção que lhe dispensei. Oras, eu estou aqui trabalhando, e pessoas assim ficam tomando meu tempo, só querendo resolver o lado deles. Vão à merda!

- Tá certo... E esse último aí?

- Ele pediu "por favor" duas vezes. Mesmo diante das respostas negativas, mesmo assim me agradeceu. Por isso eu o chamei de volta e lhe informei corretamente. Se eu vou informar, então tem que ser pelas minhas regras. Se você ajuda esses lixos maleducados, você está os acostumando a continuarem maleducados, já que continuam conseguindo o que querem e da maneira que querem. Comigo não, tem que comer na minha mão.

- Ahhh, então seu negócio é castigar, é educar, é salvar o mundo?

- Hhahahaha. Nada disso. Eu aprendi desde criança a pedir por favor e agradecer, e que essas eram as formas de se agir na vida. Se eu não observar essas pequenas instruções, então tudo que me foi ensinado não teria sido de valia alguma. Assim, eu faço com que aquelas instruções se mostrem verdadeiras. Oras. Não dizem que, se você sorrir, o mundo sorrirá para você?

- Dizem, mas...

- Então. Para isso valer, o oposto tem que ser igualmente verdadeiro. Senão fica "sorria que o mundo te sorrirá também mas, se você não sorrir, o mundo também sorrirá para você". Que valor teria isso? Quem é educado e respeitoso consegue o que quer, mas quem só pensa em si também vai conseguir? Nem fodendo. Não comigo. E se esses monte de comerciante, taxista, jornaleiro, esses cusão se recusassem também a dar informação ou ajudar vagabundo, essa cidade ia estar bem melhor. Eu posso não dar informação mas, em compensação, você jamais vai me ver sentado em banco de idoso no ônibus, nem escutando som alto dentro do Metrô. Eu faço o que é obrigação, favor faço se quiser. É mais ou menos por aí, entende?

- Mas não estamos falando de física, ação e reação, etc.

- Então faz o seguinte: passa 30 anos atrás desse balcão e você vai entender meus motivos.

- Ah, sei não, acho que você tá meio radical...

Se despediu, virou as costas e foi embora...

... para retornar no dia seguinte.

Logo, deu de cara com um cartaz com a seguinte inscrição:

"INFORMAÇÕES 50 REAIS"

- Ô, seu José? E esse cartaz aí?

- Acabei de pôr!

- Mas, cincoenta reais? Assim ninguém vai pagar! 

- E nem vai sequer perguntar, concorda?

- Claro que não e... Ah! Entendi...


FIM

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