segunda-feira, 31 de março de 2014

Álbum da Copa 2014 é lançado com previsão de recorde de vendas!!!



Em São Paulo, Panini lança álbum de figurinhas da Copa do Mundo 2014
Álbum virá encartado na edição de domingo, dia 6, do Estado, dois dias antes de ir às vendas

SÃO PAULO - A Panini lançou nesta segunda feira, no Museu do Futebol, em São Paulo, o álbum oficial de figurinhas da Copa de 2014. Serão 640 cromos adesivos dos 32 países participantes, além de estádios, mascotes e informações sobre a campanha nas eliminatórias. As figurinhas chegam às bancas no dia 4. O album virá encartado na edição do próximo domingo, dia 6, do Estado, dois dias antes de ir às vendas.

Cada seleção possui 19 cromos, 17 deles de jogadores, uma do time posado e outra, do escudo, em uma figurinha holográfica. O preço do álbum brochura será de R$ 5,90 e em capa dura, R$ 24,90. O envelope com cinco cromos custará RS 1. "Fizemos um investimento de R$ 2 milhões para aumentar a capacidade produtiva, de envelopamento, distribuição e tecnologia. Serão produzidos 9 milhões de envelopes por dia", explicou o diretor presidente da Panini, José Eduardo Severo Martins. A tiragem dos cromos será o triplo da de 2010.

A Panini informou ter importado seis novas máquinas de envelopamento e ter se preparado para melhorar a efetividade e a segurança do sistema de distribuição. Na Copa de 2010, por exemplo, houve falta de figurinhas e problemas com roubo de itens. A empresa tem como meta atingir 8 milhões de colecionadores no Brasil e tem a tiragem inicial de 8, 5 milhões de álbuns, dos quais 6,5 milhões serão distribuídos, principalmente em escolas.

O colecionador poderá também baixar um aplicativo para conferir o preenchimento do álbum e com a opção de compartilhar nas redes sociais a relação de cromos repetidos. A empresa também promete agendar encontros para a troca das figurinhas. Também haverá a opção de colecionar o álbum virtual. A partir de 15/4, no site da Fifa, que em 2010 teve 1,3 bilhão de registrados. ( ESTADÃO )

.LEIA TAMBÉM:

Álbum oficial da Copa é lançado com previsão de recorde de vendas

Em ano de Copa do Mundo, os colecionadores de figurinhas esfregam as mãos. Nesta segunda-feira, em evento realizado no Museu do Futebol no estádio do Pacaembu, o álbum do Mundial de 2014 foi lançado com perspectivas animadoras e previsão de recorde. Segundo a Panini, editora responsável pelo produto, a tiragem inicial conta com 8,5 milhões de livros ilustrados, mas a tendência é que o álbum seja reimpresso devido à grande procura. As vendas começam nesta sexta-feira.

"A meta é atingir 8 milhões de colecionadores em todo o País. Essa marca é inédita, isso vai mudar a história das figurinhas", acredita Márcio Borges, diretor comercial da Panini. Para alcançar a meta, a estratégia é acertar na distribuição. Na primeira quinzena de abril, 6,5 milhões de álbuns serão distribuídos gratuitamente em 5,5 mil escolas de 110 cidades de todo o País.

Além dos grandes números, a Panini promete promover eventos de troca de figurinhas em cinco grandes cidades. Além disso, a editora ainda aposta na imagem de um craque dentro e fora de campo para divulgar o livro ilustrado, usando o atacante Neymar como astro da campanha no Brasil. "Não pensamos duas vezes em escolher o Neymar. Outros países o queriam como garoto-propaganda, mas o acordo atrasou", disse José Eduardo Martins, presidente da Panini.Aplicativo para controle e álbum online - A dificuldade de monitoras as figurinhas restantes, por exemplo, deve ser menor nesta edição. Os colecionadores terão à disposição um aplicativo gratuito para ter controle de quais cromos já foram colados no álbum, os repetidos e aqueles que ainda faltam encontrar outros usuários e marcar trocas. A evolução da coleção ainda poderá ser compartilhada nas redes sociais e o usuário consegue encontrar outros colecionadores para marcar trocas.

"O álbum da Copa de 2010 nós chamamos de álbum da Copa da era das redes sociais. Desta vez, acreditamos que o mobile será também bastante lembrada. Para isso, preparamos o aplicativo", explica Márcio Borges. "Antes, as pessoas usavam listas enormes e ficavam ticando ali, uma hora se perdiam e não sabiam mais quais figurinhas que tinham. Então isso surgiu muito dessa ideia, para facilitar mesmo", completa.

Além do álbum "físico", os colecionadores poderão também fazer um online. Hospedada diretamente no site da Fifa, a versão virtual conta com 11 jogadores de cada seleção, que somados às figurinhas especiais totalizam 391 cromos. Para completar a coleção online, o usuário deve visitar e interagir no site da entidade máxima do futebol, além de poder trocar com outros usuários. ( TERRA )

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domingo, 30 de março de 2014

Da série "Dá uma verba pública pra esse cara, dá..."



Estava eu enrolando, matando o tempo, numa revistaria enfincada dentro de um supermercado paulistano. Olha daqui, olha dali, hora de ir embora. E chego pra dona do estabelecimento:
- Dona Suely, vou pegar umas balas aí.
Bala de hortelã Santa Fé, dez centavos cada. 
Quando ia pagar, ela disse:
- Você me fez lembrar de um caso que aconteceu comigo ontem.
- É? E o que foi? - respondi, perguntando. Mal sabia eu que a resposta seria um nojo.
- Tinha um pai lá fora, olhando as capas dos jornais. Nem prestava atenção no filho. O menino entrou e pegou uma bala. E saiu.
- Ah, sei - respondi - típica coisa de criança, né? Aposto que o moleque pegou o papel e jogou no chão.
- Não. Ele deu pro pai. Eu tinha ido atrás e falei pra o pai ouvir: "Tem que pagar a bala!"
- E ele?
- Ele me deu UMA NOTA DE CINCOENTA REAIS!
- Tá brincando????, disse eu.
- Não!
- E você cobrou dali?
- Não! Eu falei "olha, de cinquenta reais não dá pra cobrar!"
- O cara quis pagar dez centavos com cinquenta reais????!!!

Nem preciso dizer que isso aconteceu em São Paulo, a orgulhosa capital bandeirate.

- É! Cincoenta reais!!
- E a senhora cobrou?
- Não, falei que não dava mesmo!
- E aí? Como que era o cara? Tipo malandrão?
- Nada! Bem normal, bem vestido, barbeado.
- Sei... Não passaria por malandro?
- Não!
- E aí?
- Quando eu disse que não dava pra tirar de R$ 50 reais, ele falou "Então dá pra passar no débito?"
- Ah, vaitomanocú, dona Suely!!!! Ele não queria pagar! Você não tirou dos cincoenta? Eu tirava! Ele te desafiou!
- Não... Eu não tirei dos cincoenta nem do cartão...
- Peraí... Ele quis pagar dez centavos no cartão?
- É...
- Tá brincando???
- Eu respondi que a máquina tava quebrada.
- E tá mesmo?
- Na verdade tá quebrada, eles ficaram de tocar até o dia primeiro...
- Mas pagar dez centavos no cartão???!! Ele te desafiou de novo, dona Suely! A senhora devia ter cobrado do cincoenta!!! E aí, como foi?
- Ele falou "eu vou ali comprar alguma coisa e depois eu venho pagar a bala!"
- E ai?
- Tô esperando até agora!, concluiu dona Suley, relatando mais esse caso que só poderia ter ocorrido em São Paulo, Capital.

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sexta-feira, 28 de março de 2014

“Porta giratória” liga Ongs de direitos humanos dos EUA e a Casa Branca


Existe uma muito bem azeitada porta giratória ligando o Departamento de Estado – para não falar da CIA – e as ongs de direitos humanos cevadas por Washington, como demonstra o caso de Suzanne Nossel. Assim, Nossel, que em janeiro de 2012 se tornou diretora-executiva da “Amnesty International”, havia sido antes vice-secretária-assistente para Organizações Internacionais do Departamento de Estado, onde teve “papel de destaque na elaboração das resoluções da ONU sobre o Irã, Líbia e Costa do Marfim”. Atualmente, opera como diretora-executiva do Pen América Center.

Em 2007, Nossel estava na notória Human Rights Watch como chefe de operações, responsável pelo “plano estratégico de expansão global da organização”, tendo voltado em 2009 ao Departamento de Estado, onde já estivera, durante o governo Clinton, em 1999, quando “monitorou eleições e direitos humanos na Bósnia e Kosovo” – época em que a Otan andava bombardeando humanitarismo nos Bálcãs. 
A Human Rights tem sido extremamente útil para a Casa Branca nas intervenções “humanitárias” na Líbia e na Síria – para só citar algumas das suas mais conhecidas operações -, assim como fora nos tempos do desmembramento da Iugoslávia. A entidade feminina dos EUA “Code Pink” realizou uma campanha pedindo à “Amnesty” – onde Nossel atuou durante um ano - sua demissão devido ao apoio dela à guerra do Afeganistão.

Já o jornalista e ativista da paz Chris Hedges renunciou da Pen em protesto contra a nomeação de Nossel. Em sua carta à organização, Hedges assinalou que “a incansável campanha de Nossel pela guerra pré-emptiva – que sob a lei internacional é ilegal – como integrante do Departamento de Estado, junto com seu desdém pelo maltrato de Israel aos palestinos e sua recusa como autoridade governamental em denunciar o uso da tortura e das execuções extra-judiciais, a torna inteiramente incapaz de encabeçar qualquer organização de direitos humanos, especialmente uma que tenha preocupações globais”.

Seu fornido currículo – ou seria portfolio ?– inclui o Wall Street Journal (vice-presidente de Estratégia e Operações 2005-2007) e o Council on Foreign Relations, um dos mais preciosos ativos dos Rockefellers. Também é assídua porta-mentiras na CNN, MSNBC e NPR, sobre “questões de direitos humanos”. ( HORA DO POVO )

LEITURA COMPLEMENTAR:

“Ongs agem na Amazônia como serviço de inteligência dos EUA”


“Em 2006 foi comemorado um ano de demarcação da reserva Raposa Serra do Sol. Em Roraima, na Maloca do Pontal, onde foram feitos os festejos, havia mais de 100 aviões vindos de fora do Brasil”, denunciou o general Villas Bôas, comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército

“Não há controle sobre o que as ongs fazem. O presidente Hugo Chávez e o presidente Putin também denunciaram isso: as ongs estão agindo como serviço de inteligência para os Estados Unidos. Tanto na União Soviética quanto nos países amazônicos elas proporcionam a escala de cobertura mais eficiente para a atuação de agentes de inteligência internacionais no país. Antigamente eram integrantes da imprensa, agora são integrantes das ongs”, denunciou o general Eduardo Dias Villas Bôas, comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército, durante a palestra “Amazônia: Um desafio brasileiro”, realizada em dezembro na Bovespa.

Defendendo um plano de desenvolvimento sustentável, maiores investimentos do Estado e o reforço da atuação das Forças Armadas na Região, Villas Bôas citou como exemplo o empenho estrangeiro pela demarcação das reservas Ianomami e da Raposa Serra do Sol. “A reserva Ianomami estava na capa do jornal do Senado dos EUA quando o presidente daquele país, às vésperas de se encontrar com o presidente Collor, iria exigir a demarcação da reserva. Há de se compreender que os senadores americanos estão ‘preocupadíssimos’ com os Ianomami. Em 2006, foi comemorado um ano de demarcação da reserva Raposa Serra do Sol. Em Roraima, na Maloca do Pontal onde foram feitos os festejos, havia mais de 100 aviões vindos de fora do Brasil”.

O general lembrou da declaração dada pela então secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, em 1996, onde “ela admite a crescente participação da CIA em atividade de inteligência ambiental. Hoje é um ramo importante da inteligência, a inteligência ambiental. Isso aqui mostra como essa agenda de política ambiental vem de fora”, disse Villas Bôas e citou o caso da Ong Amazon Life. “É um órgão ligado ao Conselho Indianista Missionário. Como eu disse, a próxima peça do xadrez era a demarcação da Raposa Serra do Sol. Lá tem o Conselho Indianista de Roraima, que é ligado ao Conselho Indianista Missionário e à Confederação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, que exigem do governo brasileiro a ratificação da reserva indígena Raposa Serra do Sol”.

Ele também denunciou que “o governo dos EUA tem uma organização chamada Interamerican Foundation, que tem página em português. Organização Interamericana que oferece doações a organizações não-governamentais e bases comunitárias na América Latina e Caribe. Podem entrar no site que vocês verão: tem gente ligada aos Rockefellers, à indústria do petróleo e assim por diante”.

Segundo o general, não por acaso as reservas indígenas demarcadas já correspondem a quase 30% do território Amazônico, principalmente em áreas de fronteira e de grande concentração de biodiversidade e de minérios como nióbio, ouro e diamante. “Na verdade, é mais de 1 milhão de quilômetros quadrados destinado aos índios, com uma população é de 400 mil índios, que cresce na ordem de 5% ao ano. E a gente vê que o problema do índio realmente não é terra”.

Ele lembrou o que aconteceu há dois anos na reserva Roosevelt, em Rondônia, quando um massacre matou 50 pessoas. Segundo estudos geológicos, a jazida de diamantes que existe na reserva vale mais de U$ 20 bilhões. “Os garimpeiros procuram os índios, negociam com eles, que deixam os garimpeiros entrarem. E a receptação é feita por empresas internacionais de diamantes”, denunciou.

Segundo o general, esses mesmos “ambientalistas”, em sua maioria representantes de ongs estrangeiras, atuam para impedir o desenvolvimento da Amazônia. Ele destacou o recente embargo na Justiça ao projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, cuja construção é fundamental para equacionar o problema energético na região.

“Há 20 anos se tenta construir essa represa. Existe uma técnica de bobina submersa que permite que ela seja construída com impactos ambientais mínimos fazendo com que o rio Xingu praticamente não sofra nenhum desvio. Mas, mesmo assim, o governo não consegue viabilizar a obra, que seria a maior usina hidrelétrica nacional”.

Segundo o general, sob a falsa bandeira da “preservação da Amazônia”, esses interesses atuam para impedir a presença do Estado brasileiro na Região. E cita outro exemplo: “Hoje, um morador das redondezas do Rio Madeira que precisar ir a Manaus ou a Porto Velho, levará no mínimo quatro dias de viagem. Mas aqui existiam rodovias asfaltadas. As pessoas levavam 8 horas de Porto Velho a Manaus, mas a rodovia acabou por causa de pessoas que, usando o argumento ambiental, puseram fogo inclusive nas pontes de madeira que haviam e jamais permitiram que algum governo recuperasse essas estradas”.

Villas Bôas alerta que “toda vez que o ‘ambientalismo’ impede a construção de uma represa, de uma linha de transmissão, o asfaltamento de uma rodovia, a construção de um gasoduto, está na contramão do desenvolvimento, impedindo que a população tenha alternativas”. Segundo ele, esse discurso vem sendo utilizado de forma “fundamentalista deixando de se levar em consideração a população”.

Para ele a atual política de demarcação de terras é “uma política que foge ao controle até do nosso governo. É uma agenda que normalmente vem de fora”. E afirmou: “Praticamente toda a nossa área de fronteira está tomada por reservas indígenas ou são áreas de preservação ambiental. E isso amortece a faixa de fronteira. Qualquer país procura reivindicar a sua faixa de fronteira para dinamizar o intercâmbio, fortalecer as tropas e proteger o espaço anterior, o Brasil faz o contrário”.

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quinta-feira, 27 de março de 2014

50 anos: No golpe de 64 civis não tinham vez, Por Jasson de Oliveira Andrade





No dia 1º de abril, o Golpe de 64 completa 50 anos. Neste artigo pretendo analisar um fato pouco estudado pelos historiadores. Refiro-me aos civis que lideraram o movimento. Eles foram punidos, visando evitar que os mesmos concorressem à Presidência da República, opondo aos militares. Todos, sem exceção, tiveram seus direitos políticos suspensos por 10 anos: Adhemar de Barros, ex-governador de São Paulo; Juscelino. Ex-Presidente e Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara ( Rio ). Os dois últimos ainda foram presos. Outra vítima do Golpe: Pedro Aleixo, prócer da UDN ( União Democrática Nacional ) de Minas Gerais e que fora eleito Vice-Presidente da República de Costa e Silva. Ele também foi preso. Crime cometido: ocupar esse cargo após o Impedimento do presidente, acometido de AVC ( derrame ).

Em 1964, Adhemar de Barros era governador de São Paulo. Ele foi um dos principais líderes civis do Golpe, tendo organizado a histórica “Marcha da Família, Com Deus, pela Liberdade”, a qual, segundo alguns historiadores, foi a responsável pelo movimento, tornando-o popular e incentivando o general Carlos Luís Guedes e o general Mourão Filho a iniciarem o Golpe. Sem a Marcha, isto não seria possível. Agora, em 22/3/2014, extremistas de direita comemoraram os 50 anos dela, mas fracassaram. O Estadão, na reportagem do jornalista Roldão Arruda, “Manifestações pró-golpe têm baixa adesão”, noticiou: “A tentativa de se reeditar em São Paulo a histórica Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu meio milhão (sic) de pessoas em 19 de março de 1964 e antecipou o golpe militar, não teve sucesso. Segundo cálculo da Polícia Militar, em seu momento de maior concentração, a marcha reuniu 700 pessoas”.

  
Apesar dessa contribuição ao Golpe de 64, Adhemar de Barros teve seus direitos políticos suspensos por dez anos ( 1966 ). O ministro da Justiça da época, Mem de Sá, justificou a punição: “O sr. Ademar de Barros é conhecido em todo o Brasil e creio até fora do Brasil, como um corruptor e um corrupto”. No entanto, quando ele liderou a Marcha já tinha esse atributo. [ grifo do blog ] O motivo verdadeiro é que o ex-governador paulista, marginalizado pelo governo que ajudou a colocar no Poder, aderiu ao MDB (oposição) e iria enfrentar a ARENA ( governista ). Para não ser preso, Adhemar se exilou na França. Morreu em Paris em 12/3/1969.

Outro político eliminado pelos militares: o ex-presidente Juscelino Kubitschek, o JK. Ele foi o presidente mais popular do Brasil. O seu governo tornou-se conhecido como “cinqüenta anos em cinco” e também pela construção de Brasília, inaugurada em 21/4/1960, em homenagem à Inconfidência Mineira. JK, na época, era senador por Goiás. Como dominava o PSD ( Partido Social Democrático ), ele foi atraído pelo então candidato a Presidência Castelo Branco, o ajudando a se eleger, indiretamente. Mesmo assim, foi cassado e teve seus direitos políticos cassados por 10 anos, tendo mesmo sido preso. Posteriormente se exilou. O brasilianista Thomas Skidmore, norte-americano, no seu livro “Brasil: de Castelo a Tancredo”, na página 61, fez essa revelação: “A Embaixada americana, que apoiou com entusiasmo (sic) a Revolução [ Golpe ], advertiu o presidente [ Castelo Branco ] e a cúpula militar que o expurgo de Juscelino seria mal recebido pela opinião pública americana e européia”. Adiante constatou: “O ex-presidente [ JK ] sabia que seus inimigos estavam fechando o cerco em torno dele. Os militares da linha dura, que há muito queriam vê-lo punido, agora bombardeavam Castelo via ministro da Guerra Costa e Silva, acusando Juscelino de corrupção [não foi provada] e colaboração com os subversivos. Estas acusações eram uma espécie de mercadoria em depósito nas dispensas dos udenistas, sobretudo de Carlos Lacerda, que também aspirava à presidência e que, portanto, gostaria de ver seu concorrente expulso de campo”. Este foi realmente o motivo do expurgo de Juscelino: ele seria facilmente eleito em 1965, caso a eleição fosse realizada. Com o expurgo dele, a chance da eleição de Lacerda seria enorme. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro.

Castelo Branco surpreendeu Lacerda. Ao invés de realizar a eleição de 1965, prorrogou seu próprio mandato. Lacerda, marginalizado, rompeu com os golpistas. Cony, em artigo na Folha (23/3/2014), afirmou: “Percebendo que não tomaria o poder, Lacerda passou a criticar com a violência costumeira o governo e o próprio Castello Branco [ que por sinal era lacerdista! ], associando-o aos “anjos da rua Conde Lage”, zona do baixo meretrício, garantindo que ele era mais feio por dentro do que por fora”. Em 1968, com o AI-5 ( Ato Institucional nº 5 ), Costa e Silva suspendeu seus direitos políticos por 10 anos, tendo mesmo sido preso. Mais uma vez, foi o feitiço contra o feiticeiro. De nada adiantou tirar Juscelino de campo! O maior líder civil do Golpe de 64, que sempre quis ser presidente e se tornou conhecido como o demolidor de Presidentes ( título do livro de Marina Gusmão de Mendonça ), morreu sem alcançar o seu intento. No especial 1964, a revista Veja ( Carlos Lacerda: A tragédia da vitória ), ironizou: “A ditadura (sic) havia definitivamente derrubado o “derrubador de governos”. ( Veja, 26/3/2014 ).

Se alguém ainda tem dúvida sobre o afastamento de civis, o caso de Pedro Aleixo confirma essa tendência dos militares. Como Vice-Presidente, teria que assumir o lugar do presidente Costa e Silva, afastado do governo por motivo de doença no dia 31/8/1969. Era da lei! No entanto, ele não tomou posse. O motivo: os ministros militares Aurélio de Lira Tavares, do Exército; Augusto Rademaker, da Marinha e Márcio de Souza Melo, da Aeronáutica, editaram o AI-12 ( Ato Institucional nº 12 ), oficializando a investidura de uma junta militar constituído pelos três. Além de não assumir ao cargo que fora eleito, Pedro Aleixo foi preso! Sem comentário. A Junta Militar se extinguiu com a posse do general Médici.

Como visto no Golpe de 64 os civis não tinham vez...

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Março de 2014


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Apagão Educacional Continuado tucano: Pesquisa da APEOESP aponta que pais, alunos e professores rejeitam aprovação automática



Dados de uma pesquisa de Qualidade da Educação nas Escolas do Estado de São Paulo, divulgado nesta segunda-feira, dia 24, mostra que sete em cada dez estudantes da rede estadual de São Paulo avaliam a qualidade das escolas como regular, ruim ou péssima e a maioria deles acredita que as instituições não cumprem seu papel de formar cidadãos, ensinar conteúdo e preparar para o mercado de trabalho. Entre os pais, 50% acham que as escolas estaduais são regulares ou insatisfatórias.

O levantamento foi encomendado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e ouviu 2.100 entrevistados, sendo 700 professores, 700 pais e 700 alunos.

A maioria dos entrevistados disse ser contra a progressão continuada nas escolas, por que entendem que os alunos passam de ano sem saber o conteúdo. Ao todo, 94% dos pais, 75% dos alunos e 63% dos professores são contra a medida. Entre os estudantes, 46% admitiram já ter passado de ano sem saber a matéria.

O estudo aponta também que, em média, os estudantes ficaram sem aula seis vezes ao mês devido à falta de professor. Além disso, 64% indicam que esse horário vago não é preenchido por um professor substituto.

Em relação ao maior problema enfrentado atualmente na rede escolar, a falta de segurança foi o item mais destacado pelos três segmentos de entrevistados. Ao todo, 57% dos professores, 78% dos pais e 70% dos alunos consideram sua escola violenta e 44% dos professores e 28% dos alunos disseram já ter sofrido algum tipo de violência nas instituições. ( HORA DO POVO )

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Bate-paus da praça Maidan reclamam que os EUA não pagaram o prometido



Vídeo recém divulgado na internet mostra acalorada refrega entre chefes nazistas em Kiev e seus subordinados sobre a falta de pagamento do dinheiro prometido em troca das arruaças para derrubar o governo legítimo da Ucrânia.

Depois da indiscrição de Madame Nuland sobre os “US$ 5 bilhões” investidos pelos EUA na desestabilização do país, está difícil convencer os mercenários a soldo de Washington de que vão ter de se contentar com uma mixaria.

No vídeo, um dos “líderes” dos descontentes, Ivanzinho (“Vânia”, em russo e ucraniano) reclama asperamente que os que estavam “verdadeiramente nas ruas” foram “usados e enganados”. Possesso, ele grita que os chefes do Pravy Sektor não teriam pago o prometido e denuncia que teriam “embolsado o dinheiro”.

Já os “chefes” do Pravy Sektor tentam argumentar que não é bem assim, e procuram negociar o quanto e como vai ser pago pelo caos imposto a Kiev nos últimos três meses. Mas as partes não conseguem chegar a um acerto e nova reunião é marcada.

“Os fundos foram roubados”, chegam a gritar os mais exaltados, acrescentando que eles é que poderão ser punidos pelo que cometeram, enquanto seus chefes “já têm cargos garantidos no novo governo e dinheiro grosso nos bolsos das calças”. ( HORA DO POVO )


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domingo, 23 de março de 2014

Falta de água nos faz cometer loucuras ( ficção )



Como filha única, Cecília herdou o imóvel onde morou a vida toda. Pertencera ao avô de Cecília e, em seguida, ao pai dela. Tanto o avô como o pai de Cecília eram pessoas simples e a casa refletia isso também. O imóvel era daqueles antigos, com dependências ( sala, quartos, cozinha ) externas, espalhadas pelo terreno. Para ir ao banheiro, a pessoa tinha que sair no quintal, por exemplo. 
O terreno, por sua vez, não era totalmente construido, ocupado. Ao contrário: havia um quintalzão de terra, hortinhas e canteiros de flores, plantas, árvores. Pés de frutas, como limoeiros, e pés de tomate, couve, xuxu, vagem orelha-de-padre. Muito do que Cecília teve no prato ao longo da juventude veio daquele quintal.

Mas havia as folhas. E o barro. Que Cecília detestava até a morte .

Aos 38 anos, Cecília era casada e morava num bairro de classe-média de uma grande metrópole brasileira. Residia num desses imóveis novos e modernos, onde o passado de árvores, plantas e barro já não mais cabia. Tanto que, ao herdar o imóvel que pertenceu a seus parentes, vendeu rapidinho e vibrou, quando tudo foi abaixo e a construtora levantou quatro casas ali naquele terreno, onde antes havia apenas uma moradia e bastante espaço "vago". O que mais Cecília gostou foi que a área externa destes novos imóveis era do tipo "cimentado para botar carro". Plantas, nem em pensamento. Um vasinho, talvez.

Uma das coisas na vida que mais agradavam Cecília era lavar o quintal de sua casa. Nada de vassoura ou esfregão. Era só mangueira ligada durante dezenas de minutos, todos os dias, fizesse frio ou calor. Nada de sujeira nem mato ( na rua haviam árvores e estas "teimavam" em soltar suas folhas que se espalhavam por todas as residências, o que irritava Cecília de montão; mas isso servia como justificativa para Cecília "regar" seu quintal cimentado e a calçada diariamente ).

Os vizinhos, no entanto, não se acostumavam com aquele costume da vizinha asseada. Achavam exagero. Pra quê tanta limpeza? Até em dias de chuva ela fazia aquilo.
Outros, com consciência mais "ecológica", achavam aquilo uma "estupidez tremenda" quando não, um desperdício burro e alienado. Água potável sendo usada para propósitos imbecis.

Estes, os "ecológicos", criaram coragem e começaram a comentar em voz alta, para que ela escutasse, quando apanhavam Cecília praticando seu esporte predileto:
- Êita, mania de limpeza...
- Vai gastar o chão de tanto lavar...
- Esse quintal tá mais limpo que meus pratos lá de casa...

Mas Cecília fingia que não ouvia. Seguia normalmente com sua rotina diária, tentando não dar ouvidos às más línguas da vizinhança. Que cuidem de suas vidas, poxa!

Passou o tempo, como nada mudava, os "ecológicos" partiram para o ataque direto:
- Ô Dona Cecília, tá gastanto água demais! Um dia vai faltar e a gente é que vai se ferrar!
- Usa a vassoura, filha da puta!
- Puta que pariu, o mundo já tem lugar em guerra por causa de água e essa lazarenta fica gastando!

Cecília não queria nem saber. Respondia aos ataques:
- Cada um, cada um!
- Cada um coseus problemas!
- Deus deu a vida para cada um cuidar da sua!

E, o argumento supremo, de cidadão:
- Tô pagando!

Ou, uma variante deste:
- Eu posso pagar!

É verdade. Podia. Além da grana que ganhou com a venda da casa, Cecília tinha sua poupança e o marido ganhava bem no mercado imobiliário, que vivia um boom sem precedentes.
O mundo é assim, não? As leis de mercado, vamos dizer. Quem tem dinheiro paga pelo produto. Quem não tem, azar. 
Cecília se orgulhava muito da vida que levava, e por ter condições de pagar pelas coisas.
- Os vizinhos, eles são é invejosos do nosso padrão de vida. Quem não tem, bate palmas, ora!

( *** )

Um dia, Cecília ligou a TV no noticiário, pois gostava de acompanhar a realidade do dia-a-dia. Saber das coisas:
- Gosto de estar informada de tudo, e nesse mundo isso é fundamental.
Cecília era muito ativa nas redes sociais, onde trocava informações, comentários e notícias:
"Como tem roubo e corrupção nesse país"
"O cidadão de bem está acuado pelo crime nesse país"
"O cidadão de bem não pode andar de carro nesse país sem ser apanhado pela Indústria da Multa"

Pois bem, Cecília ligou a TV a tempo de ver o âncora dizer que "o forte calor que faz nesse Verão e a falta de chuvas poderão acarretar em racionamento de água".
Bem, o âncora esqueceu de dizer o papel do governo nesse possivel racionamento, mas faria pouca diferença, já que o último negava a possibilidade de isto ocorrer, e o público acreditava. Ou queria acreditar.
Só que isso é assunto para outra ocasião.

( *** )

Passou o tempo. O perigo do racionamento era cada vez maior. Alguns bairros já viviam essa realidade, mas de forma "não-oficial": o governo negava o racionamento mas, na pratica, esses bairros - não o de Cecília, é bom ressaltar - tinham longos periodos diários de torneiras secas.

Pensam que isso afetou Cecília? Claro que não! Ela seguia naturalmente com sua rotina. E confiava no governo:
- Se ele diz que não vai faltar, é porque não vai. Isso aí de falar em racionamento é política.

Ela tocou num ponto importante: era ano eleitoral, e não seria politicamente interessante ao governo impor racionamento de água pelos meses que faltavam, já que ainda era Fevereiro. Oito meses sem água poderiam levar a população a pensar seriamente em mudanças. Talvez isso passasse pela cabeça do governo. Então, nada de dar munição ao adversário. 
Logo, o governo passou a pagar espaço na mídia para fazer campanha pela economia de água. A mídia, que sempre lhe foi simpática, encampou a idéia e passou a apresentar em forma de jornalismo e notícia o apelo governamental.

A crença de Cecília no governo saiu pela culatra. Agora, os desperdiçadores de água eram considerados os responsáveis pela mais que certa falta do líquido, que se aproximava, e as campanhas institucionais diziam isso:
"Sabe aquele vizinho que gasta água regando o quintal? Ele é um inimigo da população! Isso tem que parar!"
"Não desperdice água. Se souber usar, não vai faltar, seu maldito!"
Os noticiários acompanhavam o tom:
"Companhia de água do governo apela a cidadãos para que economizem água. E pede que denunciem os gastadores!"
Não preciso dizer que alguns vizinhos de Cecília atenderam ao apelo do governo. Ela recebeu umas comunicações da companhia de água, mas ficou nisso.

( *** )

Sob esse clima, a vida foi acontecendo. Como a situação pouco se alterou, o governo resolveu agir. Não imporia racionamento ( seria impopular e um suicídio eleitoral ) mas decidiu elevar a tarifa de água. Tipo, multiplicou por 10 o preço do m3. Quem gastava pouco, no entanto, seria pouco afetado. Haveria maior fiscalização e rigor, para evitar os "gatos". 

Diante disso, o marido de Cecília, que não havia aparecido no texto até aqui, diz à esposa:
- Vai ter que parar de lavar o quintal e a calçada todo dia.
- O QUÊ????!
- A gente vai gastar uma fábula! Tem que parar!
- N-não, não pode!
- Cecília!
- Não vou! Não tolero sujeira! Não dá!
- É só até as coisas normalizarem!
- Não!
- Pensa direito, Cecília!
- N-não posso!
- É muita grana, Cê!
- A gente pode pagar! Eu posso pagar!
- Aiaiaiaiai!
- Eu posso pagar...eu posso pagar...
O marido decidiu deixar as coisas rolarem. Lavar o quintal e a calçada deixava a esposa feliz. Fazer o quê? 

( *** )

Meses depois, o nível das represas estava num patamar desesperador. A estação das chuvas havia passado. 
Cecília, no entanto, não se abalava. Sua rotina era a mesma. Um pouco mais cara, mas tudo bem. Ela podia pagar.

Um dia, foi fazer compras e pegou um carro-pipa lavando a fachada da Subprefeitura.
Cheia de revolta e indignação, postou no Facebook:
"Revolta. Caminhão-pipa da prefeitura lavando fachada enquanto cidadão tem que economizar. Por que a Prefeitura, que manda a gente não gastar água, não dá o exemplo? Isso é Brasil!"

Recebeu 7.300, "Curti". A postagem foi respondida por um internauta:
"Quem está 'mandando' a gente economizar água é o governo estadual e a companhia estadual de água. E o caminhão-pipa em questão, era água de reuso, como a que usam no final das feiras-livres para lavar as ruas. Vai se informar. Kkkkkk"

Cecília respondeu:
"Comunista. VTNC"

( *** )

O governo estava decidido a não baixar um impopular racionamento de água à população, pelo menos até que a eleição passasse. Decidiu, então, por um novo reajuste na tarifa de água. Agora o bicho ia pegar.

O marido de Cecília impôs a condição:
- VAI TER QUE PARAR! AGORA É SÉRIO! SE NÃO PARAR, EU PEÇO O DIVÓRCIO!

Cecília gostava muito do marido, e decidiu se controlar. 

Nos primeiros dias foi muito difícil. Continuava lavando o quintal e a calçada, em dias intercalados ( Domingo sim, segunda não, terça sim, e assim por diante ). 
Depois, em dias intercalados, mas que só o quintal. Em seguida, dois dias por semana. E a calçada apenas uma vez por semana, depois por quinzena. Por fim, a calçada era lavada apenas uma vez por mês. E o quintal, uma vez por semana. 

Cecília não aceitou facilmente aquilo. Mas não havia o que fazer. A água estava realmente custando caro. Havia a previsão - e a promessa do governo - das coisas se normalizarem e as decisões ( como os reajustes brutais das tarifas ) desfeitas. Mas tinha que esperar.

( *** ) 

Certa manhã, Cecília estava na Internet, e leu a notícia de que o governo descobriu uma vasta, riquíssima e incalculável reserva de petróleo num lugar qualquer. 
"Dane-se o petróleo, cadê a água?", pensou.

( *** )

Finalmente, o governo venceu a eleição. Estava novamente reeleito. 
Mas, ao contrário do que se falava por aí, não houve racionamento, já que a campanha pela economia havia sido um relativo sucesso. Só que não o suficiente para haver um "afrouxamento" do nó. Houve, na verdade, um outro reajuste da tarifa. Àquela altura, Cecília estava lavando o quintal apenas uma vez por mês. E a calçada, nem lembrava quando foi a última vez.

( *** )

A campanha contra o desperdício de água, com a cobrança de altas taxas pelo consumo perdurava, já fazia três anos. Nesse tempo todo a chuva não cumpriu seu papel de antes. Os reservatórios se encontravam sempre no limite. Se não havia racionamento nem estiagem, por outro lado a economia era fundamental. Nada de desperdício. 
E leu a notícia de que, graças àquele poço megagigantesco de petróleo descoberto tempos atrás, o governo decidiu que o litro da gasolina custaria menos que um iogurte.

( *** ) 

Tempos depois, Cecília - que nem lembrava mais quando havia lavado o quintal pela última vez, só lembrava que era há mais de oito meses - passava pela parte da cidade onde moravam as gentes mais "bem de vida" e vencedoras. Grandes e espaçosas casas.
E notou que as calçadas e quintais de quase todas as casas apresentavam sinais de terem sido lavados. Com a mesma água potável que ela, Cecília, tinha que economizar para não faltar para beber, tomar banho e fazer comida.

De estupefata, Cecília passou para o estado de revoltada.

Ao passar diante de uma belíssima e enorme residência, flagrou a empregada lavando o quintal. E berrou:
- Ôu! Pára de gastar água!
Assustada, a empregada correu pra dentro da residência e regressou, segundos depois, com a dona da casa:
- Ela aqui, Dona Celeste!

Dona Celeste olhou para a mulher que se encontrava do lado de fora do portão e perguntou:
- O que deseja?
- Essa mangueira..., respondeu Cecília.
- Que que tem?
- Sua funcionária, ela tá desperdiçando água, gastando com o quintal...
- Ótimo, tá fazendo o que mandei...Ainda falta a calçada, Dinorá!
- Já ia fazer, dona Celeste - defendeu-se Dinorá - mas ela me atrapalhou.
- Mas... e a falta dágua, o racionamento?, perguntou Celeste, meio desconcertada.
- Não me preocupa. O governo diz que não vai ter. Desde que começaram a falar nisso ele nega racionamento. Até hoje não teve, era tudo boato eleitoral.
- M-mas, e o preço? Toda hora ele reajusta a tarifa.
- E daí? Eu posso pagar.

( *** )

Depois daquela conversa, Cecília retornou a casa. No caminho leu, numa banca de jornais, a capa de um jornal exposto, cuja manchete dizia:
"GOVERNO REDUZ PELA TERCEIRA VEZ NESTE ANO O PREÇO DA GASOLINA"
A gasolina custava menos que a água, percebeu Cecília. Ela, que sempre pôde orgulhosamente pagar pela água que consumia em quantidades industriais, agora tinha dificuldades em fazê-lo, mesmo consumindo pouco em comparação àqueles tempos idos. 

( *** )

Chegando em casa, Cecília sentiu um forte impulso de dar uma lavadinha no quintal. Uma vezinha só, pelos velhos tempos. Não ia custar tão caro que ela não pudesse pagar:
- Só essa vez...

Foi ao quintal e pegou a mangueira - que se encontrava da mesma maneira que havia sido deixada - e abriu a torneira. Só saiu um som de ar.
Não havia racionamento oficial, mas alguns bairros passavam, há anos, por um racionamento "não-oficial". E esse racionamento "não-oficial" chegou, finalmente, ao bairro de Cecília. E nunca chegaria ao bairro de gente bem que Cecília havia recem-visitado, é bom que se diga.

Cecília suspirou. Pegou alguns vasilhames que estavam guardados no quartinho da bagunça. Umas garrafas de plástico, bombonas, litros, todos com tampa. Botou no carro, deu o contato e saiu.

( *** ) 

Retornou meia hora depois, com os vasilhames cheios. Estacionou o carro na rua e pegou os frascos, entrando em seguida no quintal da residência. Abriu cada vasilhame e despejou o conteúdo na área do quintal e, em seguida, na calçada. Por fim, pegou uma última garrafa e entornou o líquido sobre si e sentou no cimentado. 
Tirou um isqueiro do bolso e acendeu-o, levando a chama ao chão. Em segundos, quintal, calçada e Cecília ardiam sob a ação de fortíssimas chamas.
Em estado de choque ( ou, sei lá, tomada de delírios ), Cecília berrava:
- Não tem água, mas tem gasolina! Não tem água, não tem água, não tem racionamento, não tem água, água de beber, eu quero meu quintal limpo, água, não tem água...

Seu sofrimento durou poucos minutos, sob os olhares apavorados dos vizinhos, que nada podiam ter feito.

( *** ) 

Menos de uma semana após a tragédia de Cecília, voltou a chover normalmente e, em poucos dias, inacreditavelmente, as represas estavam novamente com suas capacidades recuperadas. Conforme havia prometido o governo, não houve mesmo racionamento, as tarifas foram sendo reduzidas aos poucos e a vida voltou ao normal. 


FIM


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sexta-feira, 21 de março de 2014

Quem comanda a Rebelião do PMDB, Por Jasson de Oliveira Andrade




O PMDB sempre apóia o governo, seja ele quem for. Apoiou Fernando Henrique Cardoso, Lula e agora Dilma. Nestas Administrações teve Ministros nomeados. Logicamente que sempre também houve discordâncias sobre esses apoios. Uma minoria. Então não existiu surpresa com a atual rebelião do PMDB contra Dilma. O curioso é quem comanda essa nova briga. É o que iremos ver.

         
O líder do PMDB é o deputado federal Eduardo Cunha. A jornalista Luciana Nunes Leal, na reportagem CUNHA TEM ELEITORADO EVANGÉLICO E ANTIDILMA – Líder do PMDB que comandou rebelião diz que “tensionamento” com petista ajuda sua imagem”, publicada em 16/3/2014, revela: “Carioca de 55 anos, Cunha calcula que os evangélicos representam metade dos 150 mil eleitores que lhe deram a quinta maior votação entre os deputados do Rio. “O eleitorado evangélico não gosta do PT. Quando há tensionamento (com os petistas) meu eleitorado evangélico gosta”, diz”. Pelo visto, o verdadeiro motivo dele comandar a rebelião do PMDB não foi o tratamento que a Dilma dava aos peemedebistas e sim essa manifestação de seu eleitorado. Apesar disto, ele elogia a presidenta, conforme a mesma notícia: “Em 2010, Dilma se comprometeu, em carta, a não enviar ao Congresso projetos sobre “aborto e outros temas concernentes à família”. (...) “Ela cumpriu o que prometeu, não há o que reclamar”, defende o líder peemedebista”. O curioso é que a jornalista revelou que o deputado Garotinho, também evangélico, e o deputado mais votado no Rio, além de candidato forte ao governo do Estado pelo PR, “é um dos muitos (sic) desafetos de Cunha”. No passado eram amigos (devido à religião), mas agora serão adversários em outubro. O líder do PMDB apóia o candidato Luiz Pezão, de seu partido. Sem comentário...

Haverá um rompimento do PMDB com a presidenta, que tem como vice Michel Temer deste partido? André Barrocal, na reportagem “O inimigo ao lado”, publicada na CartaCapital de 19 de março diz: “A liderança de Dilma nas pesquisas ainda sustenta a aliança”. Outra revelação do jornalista: “Segundo um dirigente petista, o PMDB ajuda a ganhar eleição e atrapalha governar”. Já o Estadão, no Editorial “O PMDB força a mão” (19/3), escreve: “Já se disse, mas não custa repetir: com aliados como esses, Dilma não precisa de inimigos”.

Não acredito que a rebelião vai prosperar. Ela já fez estragos no Congresso. Agora os “revoltosos” e governistas vão se acertar. Afinal de contas o “comandante” já colheu seus votos para a eleição de outubro... A ver!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu 
Março de 2014

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Alstom pagou R$ 32 milhões em propina por contrato com a EPTE. Grana iria para campanhas de tucanos


De acordo com denúncia apresentada por um ex-executivo da múlti, dinheiro foi utilizado para financiar políticos do PSDB, além de empregados tucanos da estatal paulista

A multinacional francesa Alstom pagou propina de R$ 31,9 milhões (em valores atualizados) a servidores públicos e políticos do PSDB para fechar contratos com Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE), subordinada ao secretário de Energia do governo do tucano Mário Covas, Andrea Matarazzo, em 1998, durante gestão do tucano Mario Covas, segundo revelou um ex-executivo da múlti em depoimento ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A propina paga pela empresa francesa é equivalente a 12,1% do valor do contrato, de R$ 263 milhões.

Além disso, segundo o ex-executivo, houve superfaturamento na venda das subestações de energia à EPTE e Eletropaulo, num valor de R$ 16,2 milhões. A identidade do ex-funcionário da múlti não foi revelada.

Para o MP-SP, o testemunho é o mais importante desde que começou a apuração sobre a Alstom, em 2008. Até então as apurações dependiam sobretudo de provas obtidas pelas autoridades francesas e suíças.

O MP-SP irá pedir que a múlti devolva o valor cobrado indevidamente. A promotoria afirmou que as empresas estrangeiras MCA Uruguay e Acqualux eram usadas como consultoria de fachada, e serviam para acobertar a saída de dinheiro usado no pagamento de suborno intermediado por Robson Marinho, segundo a justiça suíça, juntas, as duas empresas receberam R$ 31,9 milhões.

O executivo afirmou também que o superfaturamento foi feito em parte do material que na época fora importado da França. Somados, o valor do sobrepreço e das quantias pagas em suborno elevou o total do contrato em R$ 48 milhões, valor equivalente a 18,2% do negócio.

O valor do contrato cairia de R$ 263 milhões para R$ 215 milhões se não houvesse o esquema tucano que lesava o erário público em beneficio próprio. Essa diferença deve ser o montante que os promotores vão pedir para a Alstom devolver aos cofres públicos.

A propina foi paga para que a Eletropaulo e a EPTE não fizessem uma nova licitação, de acordo com o depoimento. Evitar a concorrência pública com uma nova licitação foi a motivação para que as empresas do governo paulista ressuscitassem um contrato de 1983 por meio de um aditivo com a Alstom em 1998, medida que afronta a Lei das Licitações, em que um contrato vale cinco anos.

O executivo entregou documentos internos da Alstom, ao MP que apontam que tanto a propina quanto o superfaturamento estavam embutidos em preços acertados desde 1990, quando o contrato passou a ser renegociado. Na época as tentativas não saíram do papel porque o Brasil não tinha crédito internacional, porque havia decretado a moratória em 1987. Um dos papéis entregues é uma nota interna da Cegelec, empresa do grupo Alstom, na qual engenheiros franceses elevaram valores de produtos importados em 20%.

Chefe da Casa Civil de Covas, Marinho recebeu propina para o ‘financiamento de partidos’, afirmam documentos suíços

Robson Marinho, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), ex-chefe da Casa Civil do governo Mário Covas (PSDB), foi intermediário do esquema de propina da multinacional francesa Alstom para garantir contratos com governos tucanos paulistas, segundo investigadores da justiça suíça. A verba era destinada para “o financiamento de partidos”, diz o documento.

Além de comprovar a existência de uma conta em nome de Marinho, a Suíça liberou depoimento de ex-executivo da Alstom que atesta suborno recebido pelo agente público. “Compreendi que se tratava de um certo sr. Robson Marinho. Ele era membro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Essa é a instância que fiscaliza as companhias estaduais. Agora não sei se apenas essa pessoa recebeu dinheiro ou se o sr. Marinho o distribuiu ou não”, disse Michel Cabane, ex-diretor da Cogelec, subsidiária da Alstom, em depoimento às autoridades suíças.

Na divisão de pagamentos das propinas, as investigações do Ministério Público na Suíça apontam que 1% do total do contrato assinado entre a Alstom e “um governo no Brasil” seria destinado justamente a Marinho por facilitar o acesso a políticos e autoridades.
A justiça suíça decidiu encaminhar ao Brasil documentos sobre as movimentações financeiras de Marinho, na semana passada, após rejeitar um recurso de defesa do tucano.

Marinho recebia subornos numa conta no Credit Agricole de Genebra, em nome da offshore Higgins Finance, situada nas Ilhas Virgens Britânicas e da qual ele detém os direitos econômicos. A Suíça identificou o empresário Sabino Indelicato como o maior pagador de Marinho (oito depósitos somando US$ 953,69 mil na conta do conselheiro estadual), além disso outra offshore, a MCA Uruguay, também com sede nas Ilhas Britânicas, repassou US$ 146 mil para Marinho.

Em uma carta de 20 de janeiro de 1999 assinada pelos diretores da Alstom, André Botto, Patrick Morancy e Bernard Metz onde confirmam os pagamentos da Cegelec e Alstom para a MCA Uruguay. “Eles (os diretores) teriam de saber que parte do dinheiro que ia para as contas da MCA Uruguay era pagamento direcionado para Marinho”, segundo os documentos da Justiça suíça.

Um documento cita porcentuais e abreviaturas: 1,3% para DT, TC. ROM 1%. “Pode-se derivar disso que TC é o Tribunal de Contas e ROM seria Robson Marinho. Assim, o presente documento fornece evidência forte para isso e que os fundos para a MCA Uruguay devem ser transferidos no montante de 1% para Marinho Robson, do Tribunal de Contas de São Paulo”.


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Babel ( ficção )



Essa aqui se deu no tempo do Onça, na época em que havia muita gente maleducada em São Paulo. Graças a Deus, esse tempo não existe mais. Mas ficou o registro. Vamos ao fatos:

Gilberto voltava do trabalho. Era noite, tipo umas dez horas. Subiu no busão, no ponto inicial. De lá até sua casa daria uns 25 minutos. 
Como um dos primeiros na fila, Gilberto pôde escolher um lugar de seu agrado para sentar-se. Ocupou o banco, abriu a mochila e pegou seu jornal. Não tinha tido tempo de lê-lo ainda, então serviria para distraí-lo durante a viagem.
Quando faltavam segundos para a partida, um rapaz sentou-se a seu lado. Gilberto estranhou, pois havia muitos lugares para o carinha escolher. O veículo estava praticamente vazio.
Mas, enfim, tratou de dirigir a atenção ao jornal e ignorar o resto.

Finalmente, o ônibus saiu.

Minutos após ter o veículo deixado o ponto inicial, o rapaz abre a mochila e apanha o celular. E bota uma "musiquinha" para animar o ambiente. Sem fones de ouvidos.

Já na primeira manifestação da batida da música, Gilberto se irritou, incrédulo. O que é bastante compreensível. Minutos atrás, tudo estava na maior paz e, de repente, o caldo havia simplesmente entornado.
Não se trata de gosto musical, mas sim, de local adequado. Dentro do busão? Naquele tempo, Gilberto já tinha escutado falar da existência de lixos que gostavam de escutar o som alto dentro do transporte público, como trens e o Metrô - além dos ônibus - mas nunca tinha tido o duvidoso privilégio de presenciar tais eventos. 

Depois da popularização dos celulares e MP3, a febre simplesmente explodiu. Hábitos claramente inoportunos e maleducados transformarm-se em hábitos inoportunos, maleducados e provocativos. Quem fazia parecia menos se preocupar com a música que escutaria e mais com a tentativa de "peitar" os outros. Senão, qual a explicação de não se usar fones de ouvidos? Tratava-se de um evidente desafio aos demais passageiros. E geralmente se davam bem, já que quase ninguém iria brigar por causa daquilo. Por achar que não valia a pena, ou que era nada para se preocupar ou, é mais provável, por medo de arrumar uma briga que pudesse resultar em alguma tragédia. Então, as pessoas de um modo geral acabavam engolindo e passando a viagem escutando música quando o que mais queriam era o silêncio. 
Ou, há que se reconhecer, tem quem não se incomodaria em escutar música naqueles ambientes, contanto que fosse o tipo de música de seu agrado. 
Infelizmente nunca era o caso. Os "DJs" sempre obrigavam os passageiros a escutar um tipo de música que agradava somente a ele. Era batata. 

Mas, para Gilberto, se fosse para escutar música na viagem, então teria que ser a música que ele gostava. Ou que, ao menos, não lhe fizesse diferença. Ele gostava de Beatles mas, no trabalho, escutava uma rádio que tocava MPB o dia todo; então aprendeu a, digamos, tolerar os gostos diferentes do seu. Até aprendeu a cantarolar uma do Ivan Lins. Quando o chefe estava fora - ele que escolhera a rádio de MPB - o subgerente botava noutra estação que tocava música suave, uns pop internacional inofensivo, como Chris De Burgh. Não incomodava Gilberto, então tudo bem.

Mas, naquele momento, dentro do busão, com aquele tums-tums-trrrrrrr-tums, Gilberto se sentiu ofendido. Em primeiro lugar, pelo fato do cara ter sentado bem ao seu lado quando havia um monte de lugares vagos. Pareceu-lhe uma provocação deliberada e direta. Um desafio.

Apesar disso, Gilberto olhou pro sujeito ao lado, que ia balançando a cabeça tentando acompanhar o ritmo da peça musical que impunha aos demais passageiros, e pediu-lhe:

- Você não tem fone de ouvido?

O sujeito, que já parecia preparado de antemão para este momento, respondeu na lata:

- Não, por quê?

- Bem, é que tá me incomodando, respondeu Gilberto.

- Cada um, cada um. Cada um coseus problema. Os incomodados que se mudem..., devolveu o carinha, parecendo que estava lendo uma lista de frases-feitas.

Aquilo desconcertou Gilberto, mas não havia mais volta. Respirou fundo, abriu sua bolsa e pegou seu celular. O folgado arregalou os olhos. Pensara que Gilberto aceitaria passivamente a ofensa, mas ele realmente não conhecia Gilberto. Este pegou o aparelho e ligou-o. Olhou novamente pro carinha e disse:

- Então...Você não tem fones de ouvido?

Pensando se tratar de um blefe, o carinha -  que chamava-se Wheskleysson - respondeu, resoluto:

- Não, não tenho não!

Gilberto então disse:

- Então, é que tá incomodando os passageiros. Olha o aviso, lá: "Proibido o uso de aparelhos sonoros". É lei! Os passageiros tão chiando e com razão.

Passageiros que, até então, não se manifestaram publicamente. Apenas resmungaram e olharam feio. E olharam pro outro lado, como  uma tentativa inócua de tentar esquecer aquela barulhada que Wheskleysson fazia. 

Ninguém foi em auxílio de Gilberto. Que percebeu que a parada seria somente entre ele e o folgado ( "Que se dane a lei...", respondeu Wheskleysson, "...eu tô no meu direito, cada um cada um!" ). 

Assim, Gilberto não teve outra altenativa a não ser se unir ao barulhento. Se era para ter que escutar música quando não queria, então que fosse a música de que gostava. Também era seu direito, afinal de contas...

Começou com Helter Skelter.

Wheslleysson olhou feio, mas não saiu do lugar nem baixou o som. Se fizesse isso, Gilberto também o faria. Mas Wheskleysson era folgado mesmo.

Finda Helter Skelter, começou Revolution. 

Wheskleysson aumentou o volume. 

Gilberto fez o mesmo. E, terminada Revolution, botou Ramones.

Depois repetiu Ramones.

Wheskleysson aumentou o som.

Gilberto fez o mesmo. E tascou um Stooges. Depois Rolling Stones. E Nirvana na sequência. E Motorhead.

( *** )

Finalmente, as pessoas começaram a sair da apatia. Um passageiro lá no fundo, revoltado com aquela "guerra" aderiu a ela. Catou o celular e botou Carmina Burana. 

Um outro rapaz, com cara de estudante universitário, botou Chico Buarque. Mas a música era muito leve, então não se sobressaiu muito. Mas engrossou a maçaroca sonora que começava a se formar naquele veículo. 

Uma garota botou um play do Legião Urbana que tinha baixado. Um outro senhor, mais velho, sintonizou um jogo de futebol. Dona Clarice, que acompanhava a confusão desde o começo - foi uma das primeiras a subir no ponto inicial - resolveu pôr na novela. Outro garoto, com cabelo roxo, tratou de mandar um drum'n'bass. Valquíria, por sua vez, botou um Luan Santana, seguida por Patrícia, que mandou Lady Gaga e em seguida, Madonna. 

Ao fim de uns vinte minutos quase 90% dos 30 passageiros estavam escutando aquilo que queriam, alto e sem o uso de fones de ouvido. Aliás, escutando é modo de falar, pois só se tinha cacofonia.  A verdade é que ninguém conseguia escutar mais nada, mas ninguém arredou pé daquela guerra para a qual tinham sido arrastados.

Motorista e cobrador não falaram nada, pois não eram loucos de desafiar o povo. 

Ah, sim: Depois de ter executado umas 5 ou 6 músicas, Gilberto desceu no ponto de casa. Quase simultaneamente, a bateria do celular de Wheskleysson pifou, e ele passou a ter que aguentar a música alheia pelo resto da viagem, e olha que faltava muito ainda. As pessoas criaram coragem e cercaram o banco onde se encontrava Wheskleysson, que teve que aguentar toda aquela barulheira em volta dele, como uma espécie de "prisão sonora". 

E todos desceram no ponto final, cerca de 30 minutos depois, Wheskleysson inclusive. Morrendo de dor de cabeça. 

FIM



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