sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Venezuela repele “ódio e intolerância” dos fascistas


Maduro denuncia o plano da direita para matar López e culpar chavistas

A dezenas de milhares de trabalhadores petroleiros, reunidos diante do Palácio Miraflores na terça-feira, o presidente Nicolás Maduro afirmou que “a extrema-direita da Venezuela e Miami” planejou assassinar Leopoldo López, após a decretação de sua prisão, para “criar uma crise política e levar-nos a uma guerra civil”. López decidiu se entregar após ser informado do complô pelo presidente da Assembléia Nacional, Diosdado Cabello.


Senador McCain propôs invasão da Venezuela para libertar o petróleo. Informado do complô para assassiná-lo, López botou as barbas de molho e topou ser preso. Mortos já são cinco

A dezenas de milhares de trabalhadores petroleiros, reunidos diante do Palácio Miraflores, o presidente Nicolás Maduro afirmou no dia 18 que “a extrema-direita da Venezuela e de Miami” planejou assassinar Leopoldo López, após a decretação de sua prisão, para “criar uma crise política e levar-nos a uma guerra civil”. López, que convocou a “saída” de Maduro e a violência que provocou cinco mortes e dezenas de feridos, decidiu se entregar após ser informado do complô pelo presidente da Assembléia Nacional, Diosdado Cabello, com quem discutiu, mais a esposa e os pais, a questão por três madrugadas. Ele responderá à justiça por instigação de golpe e outros crimes. “Basta de disseminar o ódio, o racismo e a intolerância”, afirmou Maduro, condenando a escória fascista.

Como se sabe, operações com “bandeira trocada” e inclusive com eliminação do próprio agente – que não é informado previamente desse “pequeno” detalhe -, são típicas da CIA, e López teve seus motivos para achar melhor pôr as barbas de molho e ir para a segurança da prisão. A própria esposa, Lílian Tintori, confirmou à CNN que havia ameaças contra a vida de López e “o governo se mostrou preocupado por essa situação e se comunicou com a família para resguardar a segurança de Leopoldo, e assim foi, resgardaram a segurança de Leopoldo desde a praça Brión, de Chacaíto, até o Palácio da Justiça”. O próprio Cabello dirigiu o automóvel que conduziu López. O plano da direita previa assassinar López e jogar a culpa nos chavistas, como fizeram com manifestantes em 2002.

Como declarou Maduro, “(a direita) queria matá-lo e por isso, como governo humanista que somos, o estamos protegendo. Que o saiba a Venezuela e o mundo”. O presidente acrescentou ter estado pessoalmente dirigindo as operações para garantir a paz diante da convocatória do fascismo e seus bandos treinados e armados. “Posso dizer hoje: garantimos a paz e contivemos, por agora, a investida”. Posteriormente, o advogado de López protestou porque o depoimento de López foi transferido do Palácio de Justiça para o cárcere de Ramo Verde, no estado de Miranda, decisão tomada pela Justiça devido às ameaças à vida do preso.

No mesmo dia a rede de TV NBC revelou que o senador republicano John McCain, o mesmo que foi à Ucrânia abraçar os nazistas e laranjas da praça Maidan, declarou que é necessário “estar preparado com uma força militar para entrar e outorgar a paz na Venezuela e, sobretudo, garantir e proteger o fluxo de petróleo até os EUA, cuidando desses recursos estratégicos e velando por nossos interesses globais”. Mais direto, impossível.

Entre as acusações contra López, estão homicídios, terrorismo, lesões graves, incêndio de prédio público, danos à propriedade pública, delitos de instigação pública, instigação à delinquência e delitos de associação. Na terça-feira, mais duas mortes se seguiram, a de uma miss-Turismo em Carabobo e um operário no estado de Bolívar, atingidos por tiros disparados por mascarados. Diante da pressão de Washington contra as medidas do governo para deter os assassinatos e arruaças, o presidente Maduro questionou: “O que querem que eu faça, que condecore os mascarados?”

Maduro afirmou que mantém “a convocatória ao diálogo nacional”, e chamou o opositor Henrique Capriles e os outros dois governadores da oposição (em 23), a “trabalharmos juntos, desde o Palácio Miraflores. E eu chamo a toda a Venezuela a que passemos esta página de horrores da guarimba fascista desta semana e que haja paz na Venezuela”.

A escritora Eva Golinder, que investigou o golpe de 2002, armado pela CIA e seus colaboracionistas, e que foi antecedido, como agora, por mortes de manifestantes, usadas como pretexto, repeliu as declarações do Departamento de Estado de “condenação” ao governo de Maduro por “suposta repressão aos manifestantes e exortação a que ‘respeite os seus direitos humanos’”. “Nada poderia ser mais hipócrita, porque nos EUA o Estado jamais permitiu manifestações tão violentas como a oposição está fazendo na Venezuela, bloqueando estradas, destruindo edifícios públicos, queimando lixo e pneus nas ruas, lançando coquetéis molotov”, assinalou.

2002

Golinder lembrou, ainda, que em 2002 os golpistas “usaram franco-atiradores para matar chavistas e opositores nas ruas durante as manifestações, e tudo passou a ser manipulado para responsabilizar o governo pelo massacre”. Nas mortes de agora, há dois opositores, dois chavistas e um policial.

Além de McCain, também saiu em defesa dos golpistas a “Human Rights Watch”, o braço do Departamento de Estado nos “direitos humanos”, que jogou um papel inestimável para a Otan bombardear a Líbia e assassinar Kadhafi, e para justificar a intervenção na Síria. De acordo com e-mails disponibilizados pelo governo venezuelano, a CIA e suas fachadas gastaram US$ 100 milhões de dólares só nos últimos três anos para patrocinar os grupos de choque que estão sendo vistos em plena ação. O candidato único da oposição, derrotado, Henrique Capriles, buscou se distanciar da atual onda de quebra-quebras, incêndios, assassinatos e exortações à “saída de Maduro”, encabeçada por López, dizendo que “claramente me desvinculo”.

O presidente Maduro ressaltou “não ter sequer 10 meses governando e em 10 meses essa oposição já ensaiou todos os mecanismos para me derrubar, para prejudicar o povo. Até quando essa direita vai ficar fazendo mal ao país?”. Ele registrou ter se surpreendido no dia 23 de janeiro, quando López anunciou que “este governo deve sair porque sim”. Maduro apontou que a constituição é muito clara, e que se algum setor da oposição quer tirá-lo do poder, “tem que esperar até 2016, colher assinaturas para convocar um referendo revogatório e nos vemos nas eleições” – como manda a constituição. Em 15 anos, as forças patrióticas venceram 18 de 19 eleições. Nas últimas eleições municipais, os chavistas ganharam 76% das prefeituras. Também têm 59% dos deputados e 87% dos governos estaduais. [ grifo deste blog ]

ANTONIO PIMENTA

.

Nenhum comentário :

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Golpe