sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

#TREMSALÃO: Propina paga por Alstom/Siemens a tucanos de SP pode chegar a R$ 197 milhões, diz ex-diretor de multinacional, em depoimento a PF



Em depoimento à PF no ano passado, ex-diretor da multinacional alemã detalha os porcentuais pagos sobre contratos com Metrô e CPTM e cita três secretários de Alckmin como recebedores do suborno

Por Redação/ SPRESSOSP

O ex-diretor da multinacional alemã Siemens Everton Rheinheimer disse, em depoimento à Polícia Federal, que a propina paga pelo cartel acusado de fraudar licitações do sistema metroferroviário em São Paulo pode chegar a R$ 197 milhões. Ele citou três secretários do governador Geraldo Alckmin (PSDB) como alguns dos destinatários do suborno: Rodrigo Garcia (Desenvolvimento Econômico), Edson Aparecido (Casa Civil) e José Aníbal (Energia).

De acordo com o ex-executivo – testemunha-chave do inquérito -, o cartel pagou 9% sobre o valor de um contrato de R$ 1,57 bilhão (em valores atualizados) para fornecer trens à Linha 5 do Metrô em 2000, o que somaria R$ 141 milhões em propina. Outro contrato de R$ 83 milhões, referente a manutenção de trens da série 3000 da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), vigente entre 2001 e 2002, teria 5% de “caixinha”, ou R$ 4,15 milhões. A propina foi de 7% sobre contrato de R$ 233,1 milhões para extensão da Linha 2 do Metrô (R$ 16,3 milhões) e de 8% dos R$ 442,6 milhões para o Projeto de Boa Viagem (R$ 35,4 milhões), ambos assinados em 2005.

Rheinheimer declarou à PF que esses porcentuais foram informados na época ao então deputado estadual Rodrigo Garcia, que era presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa de São Paulo. O atual secretário nega ter tido essa conversa com o ex-diretor da Siemens. O ex-executivo informou ainda que, após Garcia ter eleito presidente da Casa, passou a tratar do assunto com emissários de Aníbal – que também refuta as acusações.

Os três secretários de Alckmin têm mandato parlamentar – estão licenciados da Câmara dos Deputados –e, por isso, o inquérito que vai investiga-los foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), por causa da prerrogativa de foro privilegiado. A Corte aguarda parecer da Procuradoria- Geral da República para tocar o processo.

Rheinheimer prestou o depoimento no ano passado após firmar acordo com o Ministério Público Federal para colaborar com as investigações contando o que sabia do esquema. Em troca, o ex-diretor tem a possibilidade de não receber punição após o fim do processo. Ele é um dos seis executivos da Siemens que aderiram ao acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para revelar como operou o cartel metroferroviário em São Paulo e no Distrito Federal entre 1998 e 2008.

Atuaram no cartel as empresas Alstom, Siemens, Bombardier, CAF, Iesa, MGE, MPE, Tejofran e TTrans.

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